Publicado em: 18 de março de 2026

Companhia afirma ser a primeira da América do Sul a receber reconhecimento da DRI International; estrutura de gestão de crises, continuidade de negócios e adaptação climática está entre os destaques
ALEXANDRE PELEGI
A Motiva, apresentada pela empresa como a maior companhia de infraestrutura de mobilidade do Brasil, anunciou nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, a conquista de três reconhecimentos ligados à sua estratégia de resiliência corporativa: o Resilient Enterprise Award, da DRI International, a certificação ISO 22301 e a certificação REAP (Resilience Enterprise Assessment Program).
De acordo com a empresa, trata-se de um marco inédito na América do Sul, consolidando a robustez de seu sistema de gestão de crises e continuidade de negócios, com foco na proteção de pessoas, ativos e serviços essenciais nas áreas de rodovias, trilhos e aeroportos.
Segundo a Motiva, os reconhecimentos atestam a capacidade da companhia para responder a cenários complexos, como eventos climáticos extremos, incidentes operacionais e outras situações que possam comprometer a prestação de serviços.
“Essas conquistas representam um marco histórico para a Motiva, porque consolidam uma visão corporativa e integrada de resiliência empresarial, que vai da prevenção à resposta, da continuidade de serviços à gestão de crises. Os reconhecimentos refletem a robustez e a maturidade do nosso Sistema de Gestão de Crises e Continuidade de Negócios e comprova os nossos esforços em adotar melhores práticas para preservar a vida dos nossos clientes e colaboradores, proteger os nossos ativos e a garantir a continuidade da prestação de serviços tão essenciais para a população e a sociedade brasileira”, afirma o diretor de Segurança Corporativa e Resiliência Empresarial da Motiva, Miguel Dau.
O reconhecimento internacional foi concedido pela DRI International, organização sem fins lucrativos voltada à continuidade de negócios, recuperação de desastres e resiliência corporativa.
“Temos a honra de conceder à Motiva o prêmio Resilient Enterprise, da DRI International, juntamente com a certificação ISO 22301, em reconhecimento ao compromisso da Motiva com o apoio a um programa de resiliência empresarial, que engloba conformidade regulatória, continuidade de negócios, recuperação de desastres e funções de gestão de crises”, disse o presidente da DRI Foundation, Al Berman.
“Também reconhecemos esse feito pioneiro como o primeiro a receber esse reconhecimento na América do Sul”, acrescentou.
Avaliação técnica e visão corporativa ampla
Para obter os reconhecimentos, a Motiva informa ter passado por avaliação técnica da DRI International em critérios como:
- estrutura organizacional e governança;
- planejamento e avaliação;
- testes e manutenção dos planos;
- gestão de crises e comunicação;
- treinamento e conscientização;
- planos de resposta a emergências e incidentes.
A empresa destaca que, diferentemente de certificações obtidas por outras companhias brasileiras em escopos mais restritos, a sua abordagem foi desenhada de forma estratégica e holística, abrangendo riscos prioritários e promovendo a resiliência empresarial em toda a organização e em suas plataformas de negócio.
Segundo a Motiva, as certificações REAP e ISO 22301 somente podem ser concedidas quando a organização demonstra conformidade com os requisitos da norma internacional de continuidade de negócios.
Além dessas certificações, a empresa também recebeu o prêmio de Resiliência Empresarial, destinado a organizações que demonstram compromisso sólido com áreas como gestão de emergências, continuidade de negócios, recuperação de desastres e gestão de crises.
Estratégia climática lançada em 2024
A Motiva também atribui parte dos resultados à sua política de resiliência climática, lançada em 2024 e considerada pioneira no setor brasileiro de infraestrutura de mobilidade.
De acordo com a companhia, a estratégia foi estruturada em duas frentes. A primeira, de caráter mais estratégico, concentrou-se no mapeamento de riscos climáticos em todos os ativos e na estimativa dos impactos financeiros decorrentes desses eventos, com base nas recomendações da Task Force on Climate-Related Financial Disclosures (TCFD), considerando cenários até 2050.
A segunda frente voltou-se ao uso de informações meteorológicas e climatológicas de curto e médio prazo para orientar o planejamento e a operação. Nesse eixo, a empresa mantém parceria com a MeteoIA, que fornece relatórios com previsões para os próximos três e cinco anos, utilizados em planejamento de obras, orçamento, projeções de mercado e avaliação de novas concessões e aquisições.
Para o monitoramento diário das operações, a Motiva informa contar com apoio da Climatempo, por meio da ferramenta SMAC, que acompanha variáveis como chuvas, ventos, incidência de raios e focos de queimadas nas regiões onde a companhia atua.
Esses dados são encaminhados aos Centros de Controle Operacional (CCO) das plataformas de negócio, que passaram a exibir informações em tempo real em painéis e telões, auxiliando a tomada de decisão. O monitoramento também é reforçado com equipamentos instalados em campo, como pluviômetros e inclinômetros.
Protocolos para rodovias, trilhos e aeroportos
Segundo a empresa, as informações climáticas já vêm sendo utilizadas para acionar protocolos operacionais preventivos.
Na concessionária RioSP, por exemplo, quando o volume de chuva ultrapassa níveis considerados críticos, há interrupção preventiva do fluxo de veículos na Rio-Santos, entre Ubatuba (SP) e Rio de Janeiro, para reduzir o risco de acidentes provocados por possíveis deslizamentos de terra. O mesmo conceito, ainda de acordo com a Motiva, é aplicado pela ViaSul na operação da BR-386, no Rio Grande do Sul.
A companhia também mantém acordo de cooperação técnica com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), recebendo alertas sobre risco de inundação e deslizamentos. Em contrapartida, compartilha acesso a câmeras e sensores para apoiar a identificação de emergências.
Como desdobramento da estratégia, a Motiva informou ter concluído, em 2025, cerca de 5 mil planos de adaptação climática voltados a suas concessões de rodovias, trilhos e aeroportos, atingindo a meta de ter 100% dos ativos críticos com planos de adaptação até o fim do ano passado.
A análise envolveu mais de 4 mil quilômetros de rodovias, trechos de trilhos entre 120 estações de trens, metrôs e VLT, além de áreas aeroportuárias de 17 terminais no Brasil, permitindo à companhia identificar concessões mais críticas, principais riscos físicos e de transição, além de estimativas iniciais de impactos financeiros.
Entre as medidas previstas estão:
- adaptação de trilhos para suportar altas temperaturas;
- reforço de drenagem contra inundações;
- monitoramento de propriedades físicas dos ativos em ondas de calor;
- adequações em aeroportos para chuvas intensas;
- revisão de padrões construtivos;
- aumento da frequência de manutenção dos sistemas de drenagem;
- monitoramento do solo e do subleito;
- incorporação de áreas verdes em aeroportos.
As ações foram classificadas entre medidas estruturais e não estruturais, além de organizadas em eixos de prevenção, mitigação e resposta a emergências.
Perfil da companhia
A Motiva informa atuar nas plataformas de Rodovias, Trilhos e Aeroportos, com 37 ativos em 13 estados brasileiros e cerca de 16 mil colaboradores.
Segundo a empresa, são 4.475 quilômetros de rodovias sob gestão, com cerca de 3,6 mil atendimentos diários. Na área de trilhos, por meio de metrôs, trens e VLT, a companhia afirma transportar 750 milhões de passageiros por ano. Em aeroportos, diz operar 16 unidades no Brasil e três no exterior, atendendo aproximadamente 45 milhões de clientes anuais.
A empresa também destaca que foi a primeira a abrir capital no Novo Mercado da B3 e que integra há 14 anos o índice de sustentabilidade da bolsa.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


