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Nansen destaca limites e caminhos da eletrificação no transporte público durante Fórum do DETRO-RJ


Painel “Experiências das cidades com a eletrificação de frotas do transporte público:
do planejamento à operação”

Nansen destaca limites e caminhos da eletrificação no transporte público durante Fórum do DETRO-RJ

Empresa defende que não existe modelo único de transição energética e aponta infraestrutura elétrica e planejamento como principais desafios

ALEXANDRE PELEGI

A Nansen participou do Fórum de Transição Energética no Transporte Público do Estado do Rio de Janeiro, promovido pelo DETRO-RJ, destacando que a eletrificação das frotas de ônibus é um processo necessário para a melhoria da qualidade do serviço e do meio ambiente, mas que ainda enfrenta entraves técnicos, financeiros e institucionais que exigem coordenação entre poder público, iniciativa privada e sociedade.

Durante sua participação no evento, o gerente comercial da empresa, Dener Felipe de Lima Andrade, conhecido como Dener Andrade, ressaltou que a transição energética não pode ser tratada como uma solução padronizada ou imediata. Segundo ele, apesar dos avanços tecnológicos, a eletrificação ainda não resolve todos os problemas do transporte público e precisa ser planejada de acordo com a realidade de cada município.

“Quando a gente fala de um evento como esse e de algo tão grandioso quanto a transição energética, nós dependemos de uma tríade: os entes públicos, os privados e a sociedade. É fundamental conectar todos esses pontos de vista para identificar onde estão as dores e onde estão os benefícios”, afirmou.

O executivo observou que, embora os desafios se repitam em diferentes regiões do país, como a necessidade de financiamento e a adequação da infraestrutura, a forma de enfrentá-los varia conforme as condições locais.

“As dores são muito parecidas no Brasil inteiro, mas não existe um único jeito de fazer eletrificação. Cada cidade tem sua condição, sua capacidade financeira e seu modelo de licitação. Algumas conseguem investir com recursos próprios, enquanto outras precisam buscar financiamentos ou apoio de programas federais”, explicou.

Entre os principais gargalos apontados está a disponibilidade de energia elétrica nos locais onde os projetos precisam ser implantados, especialmente garagens e áreas operacionais.

“Um dos grandes desafios hoje é saber se a energia consegue chegar onde ela é necessária. Não basta gerar energia; é preciso entregar essa energia nos pontos corretos. Esse é um limitador real para muitos projetos”, disse.

Dener Andrade destacou ainda que o setor privado tem buscado soluções tecnológicas para mitigar essas limitações, como sistemas de recarga e armazenamento de energia.

“Apresentamos tecnologias como carregadores e sistemas de baterias, os chamados BESS, que ajudam a reduzir os problemas de disponibilidade energética e tornam os projetos mais viáveis do ponto de vista operacional”, afirmou.

Segundo ele, o papel das empresas vai além do fornecimento de equipamentos, passando também pelo apoio técnico e institucional às administrações públicas.

“Muitas prefeituras têm o desejo de eletrificar suas frotas, mas ainda não sabem como fazer. Nosso trabalho é sentar com essas cidades, entender o que elas têm, o que falta, como acessar financiamento, como estruturar a infraestrutura e como dialogar com instituições financeiras”, explicou.

De acordo com Andrade, essa atuação acaba assumindo um caráter consultivo.

“Acaba virando uma consultoria. A gente acredita na mobilidade elétrica e quer que cada vez mais municípios consigam aderir. Nosso objetivo é apoiar todo o trajeto, desde o planejamento até a entrega do projeto”, completou.

Nesse contexto, as discussões do Fórum ganharam densidade técnica no painel “Experiências das cidades com a eletrificação de frotas do transporte público: do planejamento à operação”, que reuniu representantes do poder público, da indústria, do setor elétrico e de empresas especializadas em mobilidade nesta terça-feira, 03 de fevereiro de 2025.

Além de Dener Andrade, participaram do debate Adão de Castro Júnior, secretário municipal de Mobilidade Urbana de Porto Alegre (RS); Vinícius Pereira Santos, diretor-presidente da MCTrans de Montes Claros (MG); Mike Munhato, gerente de Mobilidade Elétrica da Mercedes-Benz; Jean Carlos Flohr, gestor de Vendas de Infraestrutura de Recarga para Veículos Elétricos da WEG; Eduardo Souza, CEO da Electric Mobility Brasil; e Juliana Galiza, gerente de Engenharia e Estudos Elétricos da Light.

A mediação foi conduzida por Aline Leite, coordenadora de Transporte Público no ITDP Brasil e doutoranda em Engenharia de Transportes pela UFRJ.

O painel evidenciou que, apesar de a eletrificação ser um objetivo comum, os caminhos para sua implementação variam conforme fatores como capacidade de investimento, modelo de contratação, infraestrutura energética disponível e arranjos institucionais locais, reforçando a visão de que a transição energética no transporte público precisa ser construída caso a caso, com planejamento técnico e diálogo permanente entre os diferentes atores envolvidos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



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