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Passo Fundo (RS) prevê tarifa técnica de R$ 9,15 no transporte coletivo, mas subsídio deve reduzir valor pago pelo usuário


Codepas, empresa pública municipal que chegou a atender aproximadamente sete linhas, com papel complementar à Coleurb

Edital de concessão traz modernizações como bilhetagem eletrônica, frota renovada, monitoramento por GPS e integração tarifária

ALEXANDRE PELEGI

A Prefeitura de Passo Fundo (RS), cidade localizada no norte do Rio Grande do Sul com cerca de 206 mil habitantes e reconhecida nacionalmente como a “Capital da Literatura”, publicou o Edital nº 177/2025 para a nova concessão do transporte coletivo urbano. O estudo técnico que embasa o processo calculou a chamada tarifa técnica em R$ 9,15, valor considerado elevado em comparação com o praticado em outras cidades gaúchas.

Para evitar que esse custo recaia integralmente sobre a população, a Prefeitura prevê a aplicação de um subsídio público mensal estimado em R$ 1,5 milhão, cobrindo a diferença entre a chamada tarifa técnica (custo real da operação) e a tarifa pública (valor efetivamente pago pelo usuário)

Segundo o edital, o repasse será feito mês a mês à concessionária, considerando a média de passageiros transportados e as receitas já auferidas. O modelo busca equilibrar sustentabilidade financeira e modicidade tarifária.

Transição após quase 50 anos da Codepas

O sistema de transporte coletivo de Passo Fundo era operado historicamente pela Codepas, que permaneceu à frente do serviço por quase cinco décadas. Em agosto de 2025, a empresa anunciou a saída definitiva da operação, deixando sem garantia imediata de absorção 119 trabalhadores ligados à companhia. O edital da nova concessão, por isso, determina que a futura concessionária apresente plano de contingência e priorize a contratação desses profissionais.

Licitação: uma novela antiga

A abertura da nova licitação do transporte coletivo em Passo Fundo vinha sendo aguardada há anos. Em janeiro de 2025, a Prefeitura finalmente encaminhou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) a documentação obrigatória para análise prévia, etapa que havia sido descumprida em tentativa anterior. O governo municipal já havia anunciado em abril que pretendia publicar o edital ainda no primeiro semestre, o que se concretizou em agosto de 2025, com a publicação oficial do Edital nº 177/2025.

Operação do transporte coletivo nos anos

O transporte coletivo urbano de Passo Fundo passou por diferentes arranjos empresariais ao longo das últimas décadas. Atualmente, duas empresas respondem diretamente pela operação:

Coleurb (Coleurb Coletivo Urbano Ltda.) – Empresa privada responsável pela maior parte das linhas da cidade, cerca de 32 itinerários. Com quase 70 anos de atuação, concentra a maior fatia da operação, utilizando bilhetagem eletrônica e frota equipada com veículos acessíveis.

Codepas (Companhia de Desenvolvimento de Passo Fundo) – Empresa pública municipal que chegou a atender aproximadamente sete linhas, com papel complementar à Coleurb. Após dificuldades financeiras acumuladas — mais de R$ 50 milhões em prejuízos em 14 anos —, anunciou em agosto de 2025 a saída definitiva da operação, o que levou a Prefeitura a incluir no novo edital a exigência de plano de contingência e prioridade na contratação dos 119 trabalhadores desligados.

Transpasso Transporte Coletivo Urbano Ltda. – Atuou na cidade por cerca de 25 anos, mas encerrou suas atividades em abril de 2020 durante a pandemia de Covid-19, quando a queda na demanda chegou a 80%. A empresa demitiu cerca de 40 empregados, e suas linhas foram redistribuídas entre a Coleurb e a Codepas.

Com a publicação do Edital nº 177/2025, a Prefeitura busca reorganizar esse cenário, substituindo a histórica presença da Codepas e definindo um novo modelo de concessão unificada, sob contrato de 20 anos.

Queda na demanda

O documento também mostra uma queda drástica: de mais de 19 milhões de passageiros transportados em 2014 para cerca de 9,2 milhões em 2024 – uma redução superior a 50 % em uma década, acentuada durante a pandemia de Covid‑19, quando a demanda caiu cerca de 42 % entre 2019 e 2020 .

Modernizações previstas no sistema

O projeto básico elaborado pela consultoria Matricial Engenharia Consultiva traz diversas inovações que deverão ser implementadas pela futura concessionária:

Frota renovada: a frota prevista é de até 105 veículos, sendo 100 em operação e 5 reservas, com idade média de 7,5 anos e máxima de 15 anos. Todos deverão atender normas de acessibilidade e segurança.

Acessibilidade: exigência de elevadores em 100% dos veículos para pessoas com deficiência, além de melhorias em calçadas, paradas e no terminal central.

Bilhetagem eletrônica: implantação de cartões inteligentes, validadores eletrônicos e centrais de dados, garantindo maior controle, agilidade no embarque e redução de fraudes

Integração tarifária: possibilidade de utilizar mais de um ônibus pagando apenas uma tarifa em determinados deslocamentos, favorecendo conexões entre bairros e reduzindo custos para o usuário.

Monitoramento em tempo real: implantação de GPS em 100% da frota e sistema de câmeras embarcadas, com dados transmitidos diariamente para o órgão gestor.

Gestão eletrônica da operação: o SGEO – Sistema de Gerenciamento Eletrônico da Operação permitirá acompanhar pontualidade, quilometragem rodada, índices de desempenho e qualidade do serviço.

Informação ao usuário: pontos de parada e veículos deverão contar com informações visuais claras e sistemas de comunicação integrados.

Infraestrutura e garagem

A concessionária deverá manter garagem em área adequada dentro do município, equipada para manutenção, lavagem, abastecimento e estacionamento dos veículos. O local também será base de armazenamento dos dados de bilhetagem e operação.

Desafios e próximos passos

O edital estabelece que a vencedora do certame terá 60 dias após a ordem de serviço para apresentar um plano de implantação, incluindo bilhetagem eletrônica, integração tarifária e sistema de rastreamento. O contrato terá vigência de 20 anos, abrangendo o período de 2026 a 2045.

A equação entre custos crescentes, demanda em queda e necessidade de modernização do transporte coletivo é o grande desafio da nova concessão. Com o subsídio, a prefeitura busca preservar a modicidade tarifária sem comprometer a qualidade do serviço.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



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