Publicado em: 30 de agosto de 2025
Reportagem havia apontado como marco inicial das ações orquestradas data de documento assinado por secretário de transportes de São Paulo, que transfere linhas da zona Sul, da Transwolff, para a Sancetur, em 12 de junho
ADAMO BAZANI
A Polícia Civil de São Paulo acredita que a onda de ataques a ônibus na capital paulista e região metropolitana tenha de fato acabado. A própria Secretaria de Transportes da cidade, por meio da SPTrans, confirmou que, entre o final de julho e início de agosto, a média de 3,4 ataques por dia voltou a acontecer. Esse total já chegou à média de quase 18 ataques por dia, sendo que em algumas ocasiões, em menos de 24 horas foram registradas cerca de 60 ocorrências.
Apesar de não ter uma conclusão ainda definitiva, os investigadores voltaram a dizer que foi um documento revelado pelo Diário do Transporte que tornou a principal linha de investigação a transferência do despacho do secretário de transportes da cidade de São Paulo, Celso Caldeira, criando um grupo de trabalho para viabilizar a transferência de linhas de ônibus da zona Leste, da UPBus para a Alfa Rodobus, e principalmente da zona Sul, da Transwolff para a Sancetur. UPBus e Transwolff foram alvos, em abril de 2024, de uma operação do Ministério Público contra o crime organizado.
Para a polícia, a data da publicação desse despacho, em 12 de junho de 2025, é considerado o início da onda de ataques. As demais hipóteses, como jogos pela internet, de desafio online ou problemas localizados, foram descartados como as principais causas, assim como disputas no sindicato dos trabalhadores.
O fato de o despacho envolver somente a capital e terem ocorrido ataques em cidades vizinhas, como no ABC, para a polícia só reforça a hipótese. Seria uma demonstração de poder do crime organizado, mostrando que atua independente de limites territoriais e também para tirar o foco das ações.
Após a operação do Ministério Público, a prefeitura realizou uma intervenção na UPBus e Transwolff e após quase um ano de análises da comissão interventora e de uma auditoria externa, concluiu que ambas não tinham mais condições de continuar no sistema, e iniciou o processo de transferência, que ainda está em curso.
A Transwolff, formada pela diretoria principal, que inclusive teve membros presos, como Luiz Carlos Efigênio Pacheco Pandora, que foi solto por habeas corpus, motoristas que atuam como empregados e cooperados que formavam a Cooperpan, cooperativa de transportes dos primórdios da Transwolff.
A prisão de um funcionário público do estado de São Paulo, que sozinho teria cometido quase 20 ações, em 22 de julho, acabou sendo um dos marcos, ao menos temporais, para a redução do número de ataques e também a presença de GCMs, guardas civis municipais, dentro dos ônibus da capital. Confira a matéria em que antes mesmo de outros veículos, o Diário do Transporte já havia noticiado a possível ligação entre a publicação do documento e o início da onda de ataques.
Relembre
PCC, Onda de Ataques a Ônibus, Transwolff e Sancetur: depredações em massa começam no mesmo dia em que prefeitura assina despacho que viabiliza transferência de contratos – VEJA DOCUMENTO
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes