Publicado em: 14 de março de 2026

Verificação operacional em campo já estava em cronograma e trabalhos da ENEL de remoção de rede aérea foram entregues somente 500 dias depois, diz concessionária. Governador falou sobre risco de caducidade de contrato na última quarta (11)
ADAMO BAZANI
Colaborou Yuri Sena
Os primeiros ônibus 100% a bateria, com 21,5 metros de comprimento, do BRT ABC, começaram a realizar testes em campo neste sábado, 14 de março de 2026, ao longo do corredor exclusivo. Ao todo, pelo menos três veículos foram colocados em operação para verificações operacionais e treinamento de motoristas.
O modelo já é homologado no mercado brasileiro e tem versão semelhante operando em outros sistemas, como na zona leste da capital paulista, e em Porto Alegre. Assim, este tipo de teste não costuma ser do veículo em si, mas da inserção na configuração operacional de cada sistema e de adaptação dos condutores.
A reportagem do Diário do Transporte flagrou um dos coletivos nas proximidades do Shopping Metrópole, na região central de São Bernardo do Campo. O modelo é totalmente elétrico e possui capacidade aproximada para 170 passageiros, entre pessoas sentadas e em pé.
Equipado com tecnologia da Eletra, carroceria Caio e plataforma e chassi Mercedes-Benz o ônibus conta ainda com o último eixo direcional, recurso que facilita manobras em curvas, já que as últimas rodas também esterçam. Entre os itens de conforto e acessibilidade estão piso baixo, ar-condicionado, entradas USB para recarga de celulares, vidros com tratamento contra raios ultravioleta e sistema de aviso sonoro de paradas.
A nomenclatura técnica do modelo é: CAIO E-Millennium – Mercedes-Benz O500UDA – piso baixo – baterias/motores /inversores WEG.
Além dos 20 ônibus movidos exclusivamente a bateria, a frota do BRT ABC deverá contar com 72 veículos do modelo E-Trol. Esse tipo de coletivo combina duas tecnologias de propulsão elétrica: pura por bateria e alimentação por rede aérea. No sentido de São Bernardo do Campo para São Paulo, os veículos devem operar conectados à fiação; já no trajeto da capital para o ABC, a circulação será realizada com autonomia das baterias.
Nesta semana, o BRT-ABC também ganhou destaque na mídia após o governador Tarcísio de Freitas mencionar a possibilidade de decretar a caducidade do contrato com a concessionária Next Mobilidade, em razão de insatisfação com o andamento das obras, previstas para entrega até outubro de 2026.
Relembre a reportagem completa neste link:
Segundo a concessionária de transporte, a continuidade de parte dos trabalhos dependeu da conclusão de intervenções por empresas responsáveis por serviços públicos, como Enel e Sabesp. Em alguns canteiros, foi necessário aguardar cerca de 500 dias para a execução de serviços específicos, como a remoção de redes aéreas de alta tensão, atividade que só pode ser realizada pela concessionária de energia.
Sobre os testes dos veículos, incialmente três previstos neste sábado (14), a verificação operacional em campo já estava em cronograma
Acompanhe a nota da semana:
A Next Mobilidade informa que as obras do BRT ABC estão em andamento com cerca de 900 trabalhadores na obra, em dois turnos, inclusive aos finais de semana. Informa também que os primeiros 20 ônibus, de um total de 92 veículos
previstos, já se encontram na empresa para a realização dos testes.
A Next Mobilidade informa que as obras do corredor BRT ABC foram iniciadas conforme ocorreram as liberações das licenças ambientais necessárias e obrigatórias, bem como os serviços prestados por empresas concessionárias, tais como Sabesp, Comgás e Enel, Petrobras e SP Águas.
Atrasos nos serviços: entre os exemplos que podemos citar estão os atrasos de serviços prestados pela concessionária Enel: na praça dos Andarilhos, a remoção de rede necessária para a construção do viaduto Mauá levou cerca de 510 dias para ser realizada. O serviço inclusive foi concluído na segunda-feira, 9 de março.
Outro exemplo foi o atraso na remoção de redes aéreas da Enel que afetou as obras da rua Abraão Braga, onde o serviço da Enel levou 503 dias para ser realizado. Já na rua do Grito, em São Paulo, o atraso foi 499 dias. A Next Mobilidade se orgulha de ser uma empresa reconhecida pelo cliente pelos excelentes serviços prestados, muitos deles reconhecidos através de pesquisas e também premiações.
O QUE É O BRT-ABC:
O BRT-ABC consiste num sistema para ônibus elétricos de maior capacidade que corredores comuns e deve ligar em 17,5 km as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, e a capital paulista.
BRT é uma sigla em inglês – Bus Rapid Transit , significando Trânsito Rápido para Ônibus. As obras foram prometidas inicialmente para até 2023 e o sistema foi escolhido em 2020 para substituir um monotrilho (linha 18-Bronze).
O monotrilho não saiu do papel e, de acordo com estudos do Governo, na época, se mostrou tecnicamente inviável e quase sete vez mais caro. A implantação, ainda segundo estes estudos, custaria R$ 7 bilhões (em valores atualizados), sendo cerca de R$ 3,5 bilhões custeados pelo Governo do Estado, dos quais, R$ 1 bilhão somente em desapropriações. O BRT-ABC tem custo estimado de implantação de cerca de R$ 1,2 bilhão é é integralmente bancado pela Next Mobilidade.
Faz parte da concessão a renovação da frota de cerca de 500 ônibus intermunicipais do ABC (antiga área 5 da EMTU, que nunca havia sido concedida, operava com contratos precários por várias empresas e liderava rankings de reclamações dos passageiros sobre frota que quebrava constantemente, atrasos e demora nos pontos). Também integra a concessão a modernização do Corredor Metropolitano ABD (que liga a capital paulista e o ABC com ônibus a diesel e trólebus).
A concessão nasceu de um modelo contratual chamado de prorrogação antecipada de contrato, que consiste em ampliar o prazo em troca de investimentos.
No caso específico, tratou-se do contrato de 1997 pelo Corredor ABD que venceria em 2022.
O modelo que tem o aval do TCU (Tribunal de Contas da União) é mais usado em ferrovias e rodovias federais.
O BRT-ABC, chegou a ser contestado pelo PODEMOS, mas em 2023, em julgamento de Plenário, por 8 votos a 3, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que o modelo contratual pode ser usado por estados e municípios em diversas aplicações, como transporte por ônibus.
Outros sistemas se inspiraram e seguiram contratações semelhantes, como do Governador Ronaldo Caiado, na rede de ônibus de Goiânia e Região Metropolitana, com a renovação da frota e do sistema de corredores BRT.
BRT-ABC EM NÚMEROS (segundo a concessionária)
- Capacidade de até 600 mil passageiros/dia, com demanda inicial de 173 mil passageiros/dia.
- Operação com 92 ônibus totalmente elétricos fabricados no Brasil, com tecnologia nacional, inclusive baterias, por meio de parceria entre empresas como Eletra, Mercedes-Benz, WEG, Caio e outras; (72 E-Trol e 20 com baterias)
- Veículos de piso baixo, não poluentes, silenciosos e confortáveis, com wi-fi e ar-condicionado;
- Trajeto em via segregada, com 16 paradas fechadas e mais três terminais;
- Bilhetagem realizada nas paradas, antes do embarque nos veículos, facilitando o acesso; embarque em nível e ampla acessibilidade;
- Custo total estimado em R$ 950 milhões, inteiramente a cargo da empresa privada operadora (Next Mobilidade); – atualizado para R$ 1,2 bilhão;
- Trajeto de 18 km, atendendo diretamente três municípios do Grande ABC (São Bernardo, Santo André e São Caetano), mais Diadema e Mauá (via Corredor ABD).
- Interligação com três terminais: São Bernardo (Paço Municipal), Tamanduateí (Linha 2-Verde do Metrô e Linha 10 Turquesa da CPTM) e Sacomã (Linha 2-Verde do metrô e Expresso Tiradentes).
- Três opções de linhas: Paradora, Semiexpressa (oito estações) e Expressa (só os terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã); a linha Expressa fará o trajeto em menos de 35 minutos.
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Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


