Publicado em: 23 de março de 2026

Somente no Rio Grande do Sul, 142 prefeituras notificaram problemas de abastecimento
ADAMO BAZANI
A prefeitura de São Leopoldo (RS) voltou a anunciar redução na frota de ônibus das linhas municipais por causa da falta de óleo diesel.
A medida entra em vigor nesta terça-feira, 24 de março de 2026.
De acordo com a administração municipal, o objetivo é evitar colapso e paralisação nos serviços.
O problema se dá em razão do conflito no Oriente Médio, entre Estados Unidos-Israel e o Irã.
Pelo menos 142 prefeituras notificaram problemas de abastecimento à Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).
É a segunda vez que a administração municipal de São Leopoldo limita os transportes coletivos, como noticiou o Diário do Transporte.
No último dia 14 de março, um sábado, a frota foi reduzida e, no domingo (15), os ônibus não foram às ruas.
Relembre:
Em nota, a prefeitura diz que serão reduzidos os horários fora do horário de pico e, nas horas de maior demanda, os intervalos, por enquanto, não serão alterados. Com isso, em torno de 15% dos serviços serão cortados.
Veja na íntegra:
Em virtude do impacto global decorrente da escassez de óleo diesel, incerteza de abastecimento, o transporte público coletivo enfrenta a necessidade de otimização à atual realidade operacional. Nossas medidas de contenção, tomadas desde os dias 14 e 15 de março, viabilizam agora a possibilidade de redução e não de suspensão do serviço. Até agora mais de 140 municípios gaúchos relataram restrições em serviços públicos e transporte coletivo devido à escassez de diesel.
Dessa forma, visando minimizar os impactos aos usuários, especialmente nos períodos de maior demanda, os horários de maior movimentação de passageiros serão integralmente mantidos.
No entanto, o Consórcio Operacional São Leopoldo, em conjunto com a Prefeitura Municipal de São Leopoldo, realizará ajustes pontuais nos horários de menor fluxo, como medida necessária para garantir a continuidade e o equilíbrio do serviço prestado.
Reforçamos nosso compromisso com a população, buscando preservar a qualidade e a regularidade do transporte público, mesmo diante do cenário adverso.
Os horários atualizados estarão disponíveis para consulta no site oficial da COLEO:
O Diário do Transporte mostrou que, na última sexta-feira, 20 de março de 2026, incluiu no regime de incentivos tributários previstos no Programa MOVER, de desenvolvimento e pesquisa para indústria automotiva, itens que devem auxiliar a expansão dos transportes menos poluentes, incluindo sistemas de ônibus.
Entre os equipamentos, baterias e motores incluídos estão:
– Baterias para carros, caminhões e ônibus elétricos;
– Sistemas de armazenamento de energia para apoio e reforço para recarga destes veículos (como os chamados BESS – Battery Energy Storage System, instalados em garagens e pátios de empresas de transportes),
– Pontos, carregadores e estações de recarga,
– Sistemas de células de hidrogênio veiculares
– Motores a biocombustível ou gás natural/biometano, entre outros;
VEJA A PORTARIA NA ÍNTEGRA NESTE LINK:
O Diário do Transporte noticiou nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, que preço do óleo diesel S-10 comum, usado pela frota de ônibus e caminhões pelo País, desde 1º de março de 2026, teve aumento acumulado de 19,71% para os consumidores finais, em média, em todo o Brasil.
O levantamento é do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) que mostra que no primeiro dia do mês, o preço médio era de R$ 5,43 por litro e, agora, já ultrapassa de R$ 6,50.
Relembre:
Neste debate, apesar das limitações ainda em relação a infraestrutura de recarga e distribuição, ganham espaço alternativas ao diesel, em especial para o transporte público, como a adoção de ônibus elétricos e o desenvolvimento de modelos a biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos).
O que especialistas apontam é que, em vez de apostar em uma só fonte de energia para o deslocamento de produtos e de pessoas, o Brasil precisa reformular a matriz transformando em “matrizes” energéticas.
Além disso, o fortalecimento e expansão dos transportes ferroviários devem também estar no radar.
O Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) prevê aproximadamente R$ 19,3 bilhões de créditos financeiros entre 2024 e 2028-2029 para o setor automotivo (não apenas montadoras, mas cadeia), mediante contrapartidas em investimentos em PDI – Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e foi sancionado em junho de 2024 pelo Governo Federal.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


