Publicado em: 10 de abril de 2026

Entre as novidades, estarão articulados e 15 metros
ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Colaborou Yuri Sena
A fabricante de chassis e tecnologia Scania e a encarroçadora Caio desenvolvem para a cidade de São Paulo uma linha de diferentes configurações de ônibus movidos a biometano, gás obtido da decomposição de resíduos, e que também operam com GNV (Gás Veicular Natural); todo esse desenvolvimento em parceria com fornecedoras de tubulações e cilindros.
Quem revelou foi o Diretor de Desenvolvimento da Scania, Marcelo Gallão, em entrevista exclusiva na tarde desta sexta-feira, 10 de abril de 2026, para o criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, e para a editora-chefe do Technibus, Márcia Pinna.
Os veículos devem ser referência nacional em ônibus com emissões menores de poluentes.
Segundo Gallão, serão diferentes configurações, inclusive Padron 15 metros se tornou uma tendência no segmento de urbanos, e articulados para em torno de 18,6 metros.
Com isso, será aberta mais uma opção de ônibus alternativos ao óleo diesel.
Nesta sexta-feira, com exclusividade, o Diário do Transporte mostrou que a SPTrans (São Paulo Transporte), responsável pelo gerenciamento dos ônibus urbanos da capital, ampliou a possibilidade neste ano ainda da utilização de ônibus com mais de 10 anos de uso para configurações de Padron básico articulado e super-articulado, mais de 10 anos no caso dos micros, e até 14 anos no caso dos midis, os “micrões”.
A própria SPTrans, nos aditivos contratuais, reconhece o risco de faltar ônibus no mercado, pelo fato da eletrificação não avançar como esperado.
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Marcelo Gallão também contou a Adamo Bazani e Márcia Pinna que o biometano tem sido uma das principais expectativas dos operadores de transporte e até mesmo dos gestores públicos para cumprir metas de redução da poluição.
Confira a entrevista na íntegra:
MARCELO GALLÃO: A maioria dos operadores demandam descarbonização. Então, tendências de descarbonização para a eletrificação foram a primeira onda, como a gente chama. Temos produtos, ofertamos, testamos produtos elétricos em algumas prefeituras e, recentemente, se nós temos uma tendência agora diferente da eletrificação, é a gaseificação. A prefeitura de São Paulo demonstra interesse e a gente começou um estudo junto com a encarroçadora Caio na produção de ônibus a gás natural. Então, formamos um portfólio de produtos rígidos, articulados, piso alto e piso baixo. Então, já uma linha, um portfólio de produtos a gás natural, esses ônibus têm a vantagem de trabalhar ou com gás natural ou com biometano, a mesma motorização e uma versatilidade, por exemplo, no caso de piso alto, você consegue colocar a parte de tanques de gás na parte inferior. Se é piso baixo, como no caso aqui de São Paulo, os tanques vão na parte superior do ônibus. Eles têm uma vantagem em relação à infraestrutura, ele não demanda tanta infraestrutura elétrica. E o biometano está disponível, por exemplo, em aterros sanitários ao redor de São Paulo e vem se mostrando uma alternativa que, nos nossos testes, mostrou não somente a descarbonização como um ponto forte, mas também questões econômicas para a cidade de São Paulo. É a mais recente aposta no transporte coletivo.
ADAMO BAZANI: E como está essa tratativa também com a gestão pública? Isso é desenhado em várias mãos. Scania, como fornecedora dos chassis, da tecnologia do motor, tem a Caio, que vai seguir o padrão da SPTrans, que é o padrão de carrocerias, que é um padrão diferenciado e seguido por todo o Brasil. E também tem o operador e o gestor público. Como está sendo esse bate-papo com o operador e com o gestor público?
MARCELO GALLÃO: A questão do operador, nós temos um consórcio em São Paulo, onde a gente discute isso abertamente. O operador, ele questiona muito em relação à segurança, em relação à operação, em relação à manutenção e ao custo operacional. Então, tudo isso é levado em consideração quando a gente desenvolve e os números dos primeiros ônibus, eles se mostram bastante atrativos. Obviamente, as questões de instalação e nós temos também um terceiro, um terceiro parceiro, que vai ser a instalação da tubulação e dos tanques no ônibus. Então, é um consórcio, na verdade, de três. O produto, para ser completo, você tem a Scania no chassis, na motorização, um parceiro nos tanques de gás e a Caio como encarroçadora principal. Isso para a operação na SPTrans. E o transporte coletivo, ele demanda, dependendo da região, cada um demanda um tipo de ônibus diferente, o tamanho do ônibus, um 4×2, um 15 metros. Então, o 15 metros, ele passa a ocupar um espaço que o articulado vinha ocupando. Em termos econômicos, os operadores, eles têm mostrado uma tendência, porque a diferença da quantidade de passageiros para um articulado normal e o 15 metros, a diferença é relativamente pequena. Você acaba tendo ônibus articulados operando em total capacidade nos picos, na hora de pico, mas durante o dia você trabalha com uma certa ociosidade. E o 15 metros, ele leva uma vantagem. Por quê? Porque ele não tem o custo da articulação e ele carrega quase a mesma quantidade de passageiros. Então, custo de manutenção, custo de operação do 15 metros, nessas modalidades, tanto elétrica quanto gás, tem se mostrado vantajoso.
ADAMO BAZANI: Então, 15 metros é um dos próximos para São Paulo a biometano, esse com certeza está nos planos.
MARCELO GALLÃO: Com certeza, o 15 metros biometano é uma tendência, mas o 4×2, que é até 14 metros, ele também tem sido testado e é um produto que em um futuro muito próximo vai estar rodando por aí.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte
Colaborou Yuri Sena


