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Tarcísio confirma procedimento já publicado e diz que, não havendo cumprimento de prazo, deve avançar na caducidade do contrato do BRT-ABC


Governador está insatisfeito com atraso nas obras. Concessionária NEXT Mobilidade diz que licenças ambientais demoraram para sair e que dependia de outras concessionárias de serviços públicos para intervenções

ADAMO BAZANI

Colaboraram Vinícius de Oliveira e Yuri Sena

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, confirmou nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, procedimento já publicado pela Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo) que pode culminar na caducidade do contrato de construção e operação do BRT-ABC, sistema de corredores para ônibus elétricos de maior capacidade, projetado para ligar em 17,5 km as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, e a capital paulista.

A declaração foi feita em inauguração da modernização do CCO (Centro de Controle Operacional) do Metrô de São Paulo.

Tarcísio está insatisfeito com o atraso nas obras que deveriam ter sido entregues em 2023 e agora, foram prometidas para outubro de 2026.

A concessionária NEXT Mobilidade diz que licenças ambientais demoraram para sair e que dependia de outras concessionárias de serviços públicos para intervenções, como de eletricidade.

No que estaria ao alcance da concessionária, diz a empresa, está sendo realizado, inclusive o início da entrega de frota.

Recentemente, a NEXT-Mobilidade apresentou os 20 primeiros ônibus superaticulados elétricos com baterias que vão se somar aos 72 E-Trol (trólebus mais baterias) da frota planejada para o BRT-ABC.

Relembre:

O governador disse não acreditar no cumprimento do novo prazo prometido.

“Não está dentro da programação. É um assunto que nos preocupa bastante, a antiga linha 18, o BRT, e a gente deve tomar medidas mais firmes. A gente deve, realmente, encaminhar para uma decretação de caducidade. A gente tem um acordo que não está sendo honrado, não está sendo cumprido. Foi feita uma prorrogação do contrato de concessão daquela bacia de transporte, levando-se em consideração que havia uma vantajosidade e a vantajosidade estava justamente no investimento que deveria ser feito no BRT. Esse BRT não está andando, está muito aquém do esperado. A gente está vendo aí mais uma postergação de prazo. Então, aquele compromisso que nós tínhamos para este ano, inclusive, que era para iniciar a operação, ainda que com uma transferência para a linha 2, eles não vão honrar, não vão conseguir executar. Então, não nos resta outra alternativa, senão partir para uma medida mais firme com relação a esse contrato. A linha 20, o projeto está andando, andando bem, andando dentro do prazo. A ideia é que esse projeto seja concluído esse ano e isso vai nos permitir contratar a linha de metrô do ABC, que é uma expectativa de muito tempo. E a linha 21, a gente vai contratar o projeto de engenharia agora. A gente vai fazer os estudos de viabilidade, vai contratar o projeto para que a gente tenha essa ligação de Diadema até a linha 20.”

O procedimento é de 03 de fevereiro de 2026 e foi noticiado em primeira-mão pelo Diário do Transporte. A Artesp intimou a NEXT Mobilidade (ABC Sistema) a se explicar sobre os atrasos, tomar medidas corretivas e informar o andamento das obras.

Relembre:

O sistema de ônibus rápidos elétricos de alta capacidade deveria ter sido entregue em 2023 e foi escolhido em 2020 pela gestão do então governador João Doria para substituir um monotrilho (linha 18-Bronze).

O monotrilho não saiu do papel e, de acordo com estudos do Governo, na época, se mostrou tecnicamente inviável e até sete vez mais caro.

BRT-ABC EM NÚMEROS (segundo a concessionária)

  • Capacidade de até 600 mil passageiros/dia, com demanda inicial de 173 mil passageiros/dia.
  • Operação com 92 ônibus totalmente elétricos fabricados no Brasil, com tecnologia nacional, inclusive baterias, por meio de parceria entre empresas como Eletra, Mercedes-Benz, WEG, Caio e outras; (72 E-Trol e 20 com baterias)
  • Veículos de piso baixo, não poluentes, silenciosos e confortáveis, com wi-fi e ar-condicionado;
  • Trajeto em via segregada, com 16 paradas fechadas e mais três terminais;
  • Bilhetagem realizada nas paradas, antes do embarque nos veículos, facilitando o acesso; embarque em nível e ampla acessibilidade;
  • Custo total estimado em R$ 950 milhões, inteiramente a cargo da empresa privada operadora (Next Mobilidade); – atualizado para R$ 1,2 bilhão;
  • Trajeto de 18 km, atendendo diretamente três municípios do Grande ABC (São Bernardo, Santo André e São Caetano), mais Diadema e Mauá (via Corredor ABD).
  • Interligação com três terminais: São Bernardo (Paço Municipal), Tamanduateí (Linha 2-Verde do Metrô e Linha 10 Turquesa da CPTM) e Sacomã (Linha 2-Verde do metrô e Expresso Tiradentes).
  • Três opções de linhas: Paradora, Semiexpressa (oito estações) e Expressa (só os terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã); a linha Expressa fará o trajeto em menos de 35 minutos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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