Publicado em: 14 de janeiro de 2026

Como mostrou Diário do Transporte, trabalhadores voltaram a paralisar as atividades alegando falta de pagamento de salários e benefícios
ADAMO BAZANI
A Urbs (Urbanização de Curitiba S.A.), gerenciadora de transportes da capital paranaense, notificou no fim da tarde desta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, o Consórcio Pontual para que as outras duas empresas que o integram – Glória e Santo Antônio – assumam as operações da Viação Mercês, conforme regra contratual.
A gestora municipal ainda informou que intimou que a Auto Viação Mercês e o Consórcio Pontual para que apresentem, no prazo máximo de cinco dias corridos, os comprovantes de pagamento de verbas trabalhistas em atraso, bem como um plano que ateste capacidade operacional para atuar no transporte coletivo.
Como mostrou o Diário do Transporte, funcionários da Mercês (Orlando Bertoldi S.A.) realizam paralisação nesta quarta (14).
Segundo o Sindimoc – Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana, os pagamentos dos salários e benefícios mais uma vez atrasaram.
A entidade diz que desde novembro de 2025, os funcionários têm enfrentado o problema.
Apenas uma parte dos valores foi depositada e entre 30% e 40% ainda não foram honrados. O 13º salário, por exemplo, de acordo com o sindicato, só foi pago em 31 de dezembro de 2025. Também há atrasos no recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia sobre o Tempo de Serviço).
Os trabalhadores ainda denunciam condições precárias de manutenção dos ônibus.
Relembre:
Segundo a prefeitura de Curitiba, se não forem cumpridas as solicitações previstas na notificação, a Urbs e o Consórcio Pontual elaborarão um plano de reorganização da distribuição definitiva de linhas entre as operadoras Glória e Santo Antônio. Nesta quarta-feira, além das operadoras do Pontual, empresas de outros consórcios foram mobilizadas emergencialmente para dar atendimento aos passageiros que utilizam linhas operadas pela Mercês.
“Graças ao trabalho liderado pela área de fiscalização e operação da Urbs, a reorganização foi rápida. A Mercês opera dez linhas que também são compartilhadas com outras empresas: 022- Inter 2 (horário), 023 – Inter 2 (anti-horário), 040 – Interbairros IV, 464 – A. Munhoz/Jardim Botânico, 817 – Saturno/Veneza, 821- Fernão Dias, 901 – Santa Felicidade, 902 – Santa Felicidade/Praça Tiradentes, 911- Passaúna; e 979 – Linha Turismo. A empresa atua com outras sete linhas exclusivas X46 – Especial Mercês; 150 – C. Musica/V. Alegre; 912 – José Culpi; 913 – Butiatuvinha; 915 – O. Verde/V. Bádia; 967 – Júlio Graf; e 972 – Jardim Itália”. – diz nota da administração que prossegue afirmando que a Viação Mercês vinha sendo notificada desde o ano passado por atrasos em pagamentos, além de problemas no atendimento e reclamações relacionadas à manutenção e à quebra de ônibus. Desde outubro de 2025, de acordo com a Urbs, foram, 541 notificações por atendimento inadequado – supressão de viagens e descumprimento de tabela de horários – e duas por falta de pagamento aos funcionários.
Por meio de nota, o Setransp (Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba), sindicato que reúne as companhias de ônibus da cidade, diz que a situação da Mercês é pontual e não reflete a realidade como um todo do sistema da capital paranaense e que acredita que o impasse agora será resolvido.
O Setransp vem a público esclarecer sua atuação diante da situação envolvendo a empresa Auto Viação Mercês, que, nos últimos dias, enfrentou dificuldades no cumprimento integral do pagamento da folha salarial de seus colaboradores até o quinto dia útil do mês.
Ciente da possibilidade de agravamento do cenário, o Setransp cumpriu seu papel institucional e intermediou uma série de reuniões – individuais e conjuntas – com representantes da Auto Viação Mercês, do Consórcio Pontual, do Sindimoc e do Sindeesmat, buscando construir uma solução que evitasse prejuízos à população. O último desses encontros ocorreu na tarde de terça-feira (13), na sede do sindicato patronal.
Apesar dos alertas feitos pelo Setransp quanto às consequências de uma eventual paralisação – especialmente o impacto direto para os passageiros – e da ênfase na necessidade de cumprimento das exigências legais, como o aviso prévio de 72 horas e a manutenção de um percentual mínimo de operação, o impasse não foi superado, resultando no movimento paredista deflagrado nesta quarta-feira.
É importante destacar que a situação da Auto Viação Mercês é isolada e não representa o cenário do transporte coletivo de Curitiba como um todo, que segue operando normalmente, com regularidade e qualidade.
O sindicato patronal ainda acrescentou que as outras empresas do Consórcio Pontual têm plenas condições de assumir os serviços enquanto não há uma solução definitiva.
O Setransp (Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba) informa que o Consórcio Pontual está realizando o pagamento dos colaboradores da Auto Viação Mercês, com a expectativa de que todo o processamento seja concluído até o fim da tarde desta quarta-feira (14).
Além disso, o Setransp esclarece que as empresas Transporte Coletivo Glória e Santo Antônio têm plena capacidade de atender 100% das linhas atualmente operadas pela Mercês a partir desta quinta-feira (15), desde que recebam, em tempo hábil, ofício da Urbs formalizando essa determinação, o que permitirá a devida programação para a prestação do serviço.
A direção atual da Mercês (Orlando Bertoldi S.A.), por sua vez, disse que ocorreu um problema de processamento bancário dos pagamentos e culpou gestões anteriores pela situação.
Desde março de 2025, a empresa está sob nova gestão, que assumiu a operação em um cenário desafiador, marcado por passivos e dificuldades herdadas de administrações anteriores.
A empresa também reconheceu os transtornos causados pela paralisação.
Por fim, a Orlando Bertoldi – Viação Mercês manifesta sua responsabilidade com a população de Curitiba, reconhecendo os transtornos causados e reafirmando seu compromisso com a prestação contínua de um serviço público essencial, atuando com sensibilidade, seriedade e responsabilidade para minimizar impactos e restabelecer a normalidade o mais breve possível.





Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


