Publicado em: 20 de janeiro de 2026

Segundo levantamento dos especialistas da Carbon Tracker, somente em 2024, o Brasil gastou quase US$ 10 bilhões em importações de diesel e gasolina
ADAMO BAZANI
Mais que uma medida que pode trazer impactos ambientais positivos, a eletrificação dos veículos no Brasil, com foco inicial para os modelos comerciais, como ônibus, pode também ser uma boa escolha do ponto de vista econômico.
Até 2050, a eletrificação de parte da frota nacional pode proporcionar uma economia de R$ 1,39 trilhão em custos cumulativos de importação de combustíveis fósseis, como diesel e gasolina, isso sem contar US$ 75 bilhões em danos climáticos também no acumulado dos próximos 25 anos.
É o que diz um estudo divulgado nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, pelo instituto internacional Carbon Tracker.
Ainda de acordo com o levantamento, somente em 2024, dado consolidado mais recente, o Brasil gastou quase US$ 10 bilhões em importações de diesel e gasolina.
A instituição internacional ainda concluiu, com base em dados dos Ministérios da Fazenda; Minas e Energia; Indústria, Comércio e Desenvolvimento, que uma transição acelerada para veículos elétricos a bateria (BEV) poderia evitar o consumo de 7,7 bilhões de barris de óleo equivalente (BOE).
Além disso, para o órgão, a eletrificação poderia ajudar na redução da poluição atmosférica e, assim, evitar cerca de 1.400 mortes prematuras, além de gerar uma economia cumulativa de US$ 500 milhões em saúde até 2050, com base nos dados consolidados oficiais do SUS (Sistema Único de Saúde).
Para a Cabon Tracker, ônibus, caminhões e carros elétricos podem ser estratégicos no posicionamento global do Brasil no contexto de uma nova indústria. A instituição diz ainda que o avanço do biometano-GNV, biodiesel e do etanol, sozinho, não é suficiente para reduzir a dependência internacional do Brasil em relação aos combustíveis fósseis e que as soluções precisam ser combinadas.
O Brasil está bem posicionado para liderar a transição para veículos elétricos, com uma rede elétrica de baixo carbono, abundantes recursos minerais para baterias e uma forte indústria automotiva nacional. A eletricidade já é significativamente mais barata que a gasolina, tornando os veículos elétricos competitivos em termos de custo para os consumidores – e a demanda por veículos elétricos a bateria (BEVs) deve disparar à medida que a economia de combustível for concretizada. A adoção do flex fuel (uma mistura de etanol e gasolina) no Brasil nas últimas décadas reduziu as importações de petróleo, mas não eliminou a dependência de combustíveis fósseis no transporte; a eletrificação continua sendo o melhor caminho para a segurança energética a longo prazo, custos mais baixos e descarbonização completa. – diz trecho da nota do organismo internacional de pesquisa. – VEJA NOTA COMPLETA MAIS ABAIXO
A Carbon Tracker é um think tank financeiro independente que realiza análises aprofundadas sobre o impacto da transição energética nos mercados de capitais e o potencial investimento em combustíveis fósseis de alto custo e alta emissão de carbono. O órgão é formado por especialistas em mercado financeiro, energia e direito aplica pesquisas inovadoras, utilizando bancos de dados líderes do setor, para mapear tanto os riscos quanto as oportunidades para investidores no caminho para um futuro de baixo carbono. Thinks tanks financeiros são institutos de pesquisa e laboratório de ideias voltados para o setor econômico, bancário, de investimentos e políticas públicas. Essas instituições produzem análises conjunturais, pesquisas aplicadas e recomendações baseadas em evidências para influenciar tomadores de decisão.
Think Tank (laboratório de ideias, em tradução livre) é o nome dado a instituições ou entidades que se caracterizam por trabalhar e contribuir na busca de informações e pesquisas sobre um tema considerado relevante. O foco desse tipo de organização está em estimular debates que sejam importantes do ponto de vista social, apresentando ideias que possam contribuir com discussões, em especial de caráter político.
20 de janeiro de 2026 – por Ben Scott
Os benefícios econômicos de uma política favorável a veículos elétricos no Brasil
A adoção acelerada de veículos elétricos (VE) no Brasil poderia gerar uma economia de até US$ ¼ trilhão (R$ 1,39 trilhão) em custos cumulativos de importação de combustíveis fósseis até 2050, reduzir mortes por poluição e evitar pelo menos US$ 75 bilhões em danos climáticos. Os combustíveis importados para o transporte representam uma crescente fonte de risco para a segurança econômica e energética do Brasil. No cenário político atual, os custos de importação de diesel e gasolina podem aumentar acentuadamente, elevando a exposição à volatilidade de preços e pressionando o balanço de pagamentos e as finanças públicas.
O Brasil está bem posicionado para liderar a transição para veículos elétricos, com uma rede elétrica de baixo carbono, abundantes recursos minerais para baterias e uma forte indústria automotiva nacional. A eletricidade já é significativamente mais barata que a gasolina, tornando os veículos elétricos competitivos em termos de custo para os consumidores – e a demanda por veículos elétricos a bateria (BEVs) deve disparar à medida que a economia de combustível for concretizada. A adoção do flex fuel (uma mistura de etanol e gasolina) no Brasil nas últimas décadas reduziu as importações de petróleo, mas não eliminou a dependência de combustíveis fósseis no transporte; a eletrificação continua sendo o melhor caminho para a segurança energética a longo prazo, custos mais baixos e descarbonização completa.
Principais conclusões
- Em 2024, o Brasil gastou quase US$ 10 bilhões em importações de diesel e gasolina.
- Mantendo-se o cenário atual, os custos anuais de importação poderão ultrapassar os 30 mil milhões de dólares americanos até 2050.
- Uma transição acelerada para veículos elétricos a bateria (BEV) poderia evitar o consumo de 7,7 bilhões de barris de óleo equivalente (BOE) de combustível para transporte, economizando US$ ¼ trilhão em custos cumulativos de importação de combustíveis fósseis (veja a figura abaixo).
- A redução da poluição atmosférica poderia evitar cerca de 1.400 mortes prematuras e gerar uma economia cumulativa de US$ 500 milhões em saúde até 2050.
- A redução das emissões no setor de transportes poderia evitar pelo menos US$ 75 bilhões em prejuízos econômicos relacionados às mudanças climáticas até 2050.

O que os dados mostram
A continuidade das vendas de veículos com motor de combustão interna gera custos econômicos, de saúde e climáticos a longo prazo – e os planos de expansão da capacidade de produção e refino de petróleo bruto correm o risco de imobilizar capital, à medida que a demanda e os preços globais do petróleo se tornam mais voláteis. Enquanto isso, a transição global para veículos elétricos a bateria (BEVs) está reduzindo os riscos: os custos das baterias caíram drasticamente desde 2013 e as cadeias de suprimentos estão se fortalecendo. Para o Brasil, essa combinação favorece uma eletrificação mais rápida e abre caminhos para a transferência de tecnologia, a produção nacional e as cadeias de valor regionais.
Recomendações
O relatório apela ao governo brasileiro para que implemente uma política coordenada de veículos elétricos a bateria (BEV) a fim de desbloquear benefícios econômicos, ambientais e estratégicos. Recomenda:
- Aumentar o investimento na eletrificação dos transportes.
- Aproveitar a oportunidade política e econômica para que o Brasil se torne um líder global na transição energética.

Chefe da Demanda de Energia
Ben juntou-se à Carbon Tracker em 2022, focando-se no setor automotivo.
Antes de ingressar na Carbon Tracker, Ben trabalhou no MUFG Bank em Londres, fornecendo análises financeiras e do setor automotivo para ajudar a gerenciar a exposição ao crédito e o apetite ao risco do banco. Ele também trabalhou diretamente no setor automotivo na Aston Martin Lagonda. Ben iniciou sua carreira na IHS Markit, onde liderou o serviço de pesquisa de Mobilidade Elétrica, com foco em descarbonização e legislação de emissões.
Ben é formado em Física pela Universidade de Leeds.
SOBRE A CARBON TRACKER:
A Carbon Tracker é um think tank financeiro independente que realiza análises aprofundadas sobre o impacto da transição energética nos mercados de capitais e o potencial investimento em combustíveis fósseis de alto custo e alta emissão de carbono.
Sua equipe de especialistas em mercado financeiro, energia e direito aplica pesquisas inovadoras, utilizando bancos de dados líderes do setor, para mapear tanto os riscos quanto as oportunidades para investidores no caminho para um futuro de baixo carbono.
A empresa consolidou os termos “bolha de carbono”, “carbono não queimável” e “ativos obsoletos” no léxico financeiro e ambiental.
A Carbon Tracker opera como parte do Tracker Group, juntamente com a Planet Tracker . O Tracker Group busca explorar sinergias entre a pesquisa focada no clima realizada pela Carbon Tracker e a pesquisa baseada na natureza realizada pela Planet Tracker. À medida que essas duas agendas convergem cada vez mais, o Tracker Group estará em posição de liderar essas áreas de interseção.
Veja a descrição declarada pela instituição
Reconhecemos que existe um “orçamento de carbono” global limitado para as emissões cumulativas, que deve ser respeitado para evitar ultrapassar o limite de 2°C e desestabilizar o clima global. Acreditamos que os mercados de capitais não estão conseguindo alinhar o processo de alocação de capital, expondo os proprietários de empresas de combustíveis fósseis – seus acionistas – a potenciais perdas de valor, como já se observou nos setores de serviços públicos da UE e de mineração de carvão dos EUA. Além disso, acreditamos que as empresas não consideraram suficientemente a possibilidade de que a demanda futura possa ser significativamente reduzida por avanços tecnológicos e mudanças nas políticas públicas.
Nosso papel é ajudar os mercados a entender e quantificar esses riscos implícitos.
As emissões de gases de efeito estufa precisarão cair drasticamente se quisermos evitar níveis catastróficos de aquecimento. Essas restrições terão efeitos profundos na oferta e na demanda de combustíveis fósseis, que representam a maior fonte humana de emissões de gases de efeito estufa.
Realizamos análises de cenários para examinar e compreender como as potenciais mudanças na oferta e na demanda impactarão o futuro de empresas e projetos expostos a combustíveis fósseis. Essa análise ajuda a comunidade de investidores a entender melhor as implicações financeiras do combate às mudanças climáticas.
- Nossa pesquisa analítica identifica os investimentos de maior custo e risco, permitindo uma análise mais rigorosa por parte de analistas, proprietários de ativos, investidores, formuladores de políticas e reguladores financeiros.
- Nossa pesquisa regulatória fundamenta a necessidade de reforma do sistema regulatório financeiro para melhorar a transparência dos riscos financeiros relacionados ao clima e articula as principais mudanças a serem feitas.
- Oferecemos informações especializadas para aqueles que interagem com empresas de energia em relação à estratégia futura e aos investimentos de capital.
Nossa pesquisa se baseia em análises financeiras convencionais e se concentra em questões materiais prospectivas. Como uma instituição de pesquisa sem fins lucrativos, estamos livres das restrições impostas por um modelo de negócios de pesquisa financeira comercial. Isso nos permite questionar as abordagens tradicionais que consideramos insustentáveis diante do desafio sem precedentes representado pelas mudanças climáticas.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


