Publicado em: 26 de janeiro de 2026

Serviços serão prestados de forma permanente pela Santo Antônio e Glória. Além de greves por falta de pagamento aos funcionários, companhia teve quase todos os ônibus reprovados em vistoria
ADAMO BAZANI
A Auto Viação Mercês (Orlando Bertoldi S.A.) deixa definitivamente os transportes de Curitiba a partir desta terça-feira, 27 de janeiro de 2026.
A informação foi confirmada pela gerenciadora da prefeitura, a Urbs (Urbanização de Curitiba S.A.) que, nesta segunda-feira (26), notificou a companhia e determinou que outras duas empresas do Consórcio Pontual (ao qual também fazia parte a Mercês) fiquem de forma permanente com as linhas.
As empresas são Santo Antônio e Glória, que já estavam provisoriamente, até então, operando no lugar da Mercês desde 14 de janeiro de 2026, após mais uma greve que funcionários da companhia realizaram por falta de pagamento.
No mesmo dia da greve, a Urbs repassou provisoriamente as operações para outras companhias, como noticiou o Diário do Transporte, abrindo prazo para a Mercês apresentar plano de recuperação e comprovar capacidade financeira e operacional para prestar serviços.
Relembre:
As linhas, que atendem a cerca de 13 mil pessoas por dia, são:
X 46 – Especial Mercês (caso seja retomada a linha que era temporária e foi encerrada com a conclusão de obras na Manoel Ribas),
150 – C. Musica/V. Alegre,
912 – José Culpi,
913 – Butiatuvinha,
915 – O. Verde/V. Bádia,
967 – Júlio Graf; e 972 – Jardim Itália,
022 – Inter 2 (horário),
023 – Inter 2 (anti-horário),
040 – Interbairros IV,
464 – A. Munhoz/Jardim Botânico,
817 – Saturno/Veneza,
821 – Fernão Dias,
901 – Santa Felicidade,
902-Santa Felicidade/Praça Tiradentes,
911- Passaúna,
979 – Linha Turismo
Segundo a Urbs, não mudam tarifas e trajetos. Os horários serão mantidos, mas a gerenciadora diz que há estimativa de melhorias dos serviços.
O Consórcio Pontual, por meio da empresa líder (Glória), terá 10 dias para providenciar a correção de irregularidades contratuais e informar formalmente quais empresas passarão a operar as linhas anteriormente atendidas pela Mercês.
Os sindicatos dos trabalhadores (Sindimoc) e patronal (Setransp) devem se reunir nos próximos dias para discutir a possibilidade de absorção de funcionários da Mercês em outras empresas que atuam no transporte coletivo. A estimativa é que existam 198 vagas abertas para motoristas e cobradores em Curitiba, segundo a Urbs.
Ainda de acordo com a gestora municipal, houve descumprimentos de contratos por parte da empresa Mercês.
Além de atrasos nos pagamentos de forma reincidente, a viação não apresentou plano de recuperação que comprovasse capacidade financeira e operacional e a maioria da frota vistoriada pelo órgão gestor foi reprovada.
De acordo com a Urbs, vistorias realizadas entre os dias 16 e 22 de janeiro apontaram que dos 43 veículos inspecionados apenas cinco apresentavam condições adequadas de operação, número muito abaixo do mínimo necessário para atender as linhas. Também não foram comprovadas condições financeiras para pagamento de salários, manutenção dos veículos e abastecimento da frota, nem regularidade das certidões fiscais e trabalhistas.
“A empresa infelizmente não apresentou um plano de recuperação que atestasse a sua capacidade de pagamento e manutenção de atividades. Permitir a continuidade da operação, diante do cenário de instabilidade operacional, financeira e trabalhista, representaria risco à segurança dos usuários, dos trabalhadores e da população em geral”, disse, em nota, o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


