Publicado em: 5 de janeiro de 2026

Em 2014, há 11 anos, *Diário do Transporte* já anunciava o projeto. Primeiras unidades de lote piloto já foram entregues
ADAMO BAZANI
Colaborou Vinícius de Oliveira
A Volare, marca de ônibus leves da Marcopolo S.A., vai investir pesadamente para que até 2027 esteja disponível toda a linha de modelos com um chassi próprio, internamente denominado de RCx. Além disso, a companhia tentar fazer dos produtos referenciais em tecnologias alternativas ao óleo diesel.
Para isso, a Marcopolo prospecta duas frentes para a Volare: 1) focar a maior parte destas aplicações de recursos na planta de São Mateus (ES); e 2) fortalecer parcerias atuais e criar novas.
Em 2014, há 11 anos, *Diário do Transporte* já anunciava o projeto, assim como a ainda prometida planta no Espírito Santo.
Relembre:
As revelações foram feitas em encontro com investidores (Marcopolo Day) pelo diretor de Transformação Digital e Estratégia da Marcopolo, João Paulo Ledur, no fim de 2025.
O executivo projetou para 2027 o ano em que todos os modelos da marca terão a opção de chassis próprios, sendo “Volares integrais”.
Ledur disse que a estratégia mais recente foi intensificada em 2024, quando foram entregues cerca de 100 unidades de um lote piloto, da linha Attack, a mais simples e robusta, que teve a validação no mercado.
Em 2025, foram cerca de 400 unidades da versão do Attack de oito toneladas, numa “entrega controlada”. Nove unidades já tiveram este tipo de entrega para a versão 4×4, muito utilizada no Programa Caminho da Escola, do Governo Federal (um dos principais mercados da Volare); e cerca de 30 unidades do Attack de nove toneladas.
Para a linha Fly, que congrega os micro-ônibus de melhor categoria, como de uso urbano mais sofisticado, fretamento, turismo e rodoviário, a Marcopolo deve lançar os chassis Volare marca própria para 2027.
Ledur, na exposição, voltou a enfatizar que todos estes investimentos serão predominantemente na planta capixaba.
“A plataforma do Volare de chassi, o André mostrou aquela maravilha de São Mateus, aquela planta modelo, é exuberante realmente, uma fábrica tão bonita, tão tecnológica, que pode trazer tanto crescimento para a empresa, e ela está intimamente ligada com essa estratégia nossa de fabricarmos então o nosso próprio chassi para o Volare”. – disse ao se referir à exposição sobre a planta, feita momentos antes pelo executivo-chefe da Marcopolo, André Armaganijan.
As parcerias com as atuais fornecedoras de chassis, como Agrale e Mercedes-Benz devem também continuar.
PARCEIRA CHILENA:
Na questão da descarbonização, a ordem da Marcopolo para a Volare é diversificar.
Além da eletrificação, como tem mostrado o Diário do Transporte, a empresa aposta no GNV (Gás Natural Veicular)/biometano e no híbrido etanol/elétrico.
Para modelos elétricos, inclusive com vistas ao mercado brasileiro, a Volare deve fortalecer a chilena Reborn Motors, especializada em veículos de baixa emissão de poluentes, como ônibus elétricos, híbridos e movidos a hidrogênio.
O Fly-e, segundo João Paulo Ledur, já avançou na homologação em 2025.
O modelo já é sobre o chassi próprio, a plataforma RCx.
“Nós fizemos também a homologação do Fly-e, que é o nosso veículo elétrico Volare também, inclusive desenvolvido em parceria com a Reborn Motors, empresa chilena, que é uma nova parceira aqui da Marcopolo”
O Diário do Transporte noticiou que, em 2024, a Marcopolo adquiriu por US$ 4 milhões, 40% da Reborn, que atua desde 2016.
Relembre:
VEJA A TRANSCRIÇÃO NA ÍNTEGRA:
Muitas pesquisas, iniciativas em P&D para que a gente esteja na frente. A gente talvez não viva o que nós vivemos com o advento dos elétricos lá atrás, talvez a gente saiu um pouco atrás, aqui a gente quer estar na frente. E quando o momento chegar, a Marcopolo vai estar preparada.
A gente segue vendo que não é só no Brasil, é no mundo inteiro, os biocombustíveis vão começar a fazer parte também dessa nossa realidade, misturando com os combustíveis, o diesel tradicional, o Euro 6 vai ter vida longa. A realidade que existe não só no Brasil, mas mundo afora, nós temos ainda países que convivem com o Euro 3 como normativa mínima. Nós vamos ter um Euro 7, muito possivelmente na Europa, já se discute a entrada em vigor dessa nova norma de emissões a partir de 2029 ou 2030, e ele vai continuar fazendo parte desse grande mosaico de opções para um transporte mais limpo.
E aqui eu deixo também um comentário adicional, já que o Euro 6 é parte do transporte mais limpo, é algo que eu comento todos os anos, o Brasil tem dezenas de milhares de veículos operando com motorização Euro 1, Euro 2, Euro 3, que estão contaminando muito, que estão emitindo muito gás. Tivemos um ensaio no ano passado, do programa Renovar junto ao governo, programa de renovação, de reciclagem, de frota, e aqui a gente acredita que tem um espaço bastante grande também, para a gente contribuir com isso, fazendo a substituição desses produtos, esses sim, eles contaminam muito o meio ambiente, quem sabe por frotas Euro 6 também. A plataforma do Volare de chassi, o André mostrou aquela maravilha de São Mateus, aquela planta modelo, é exuberante realmente, uma fábrica tão bonita, tão tecnológica, que pode trazer tanto crescimento para a empresa, e ela está intimamente ligada com essa estratégia nossa de fabricarmos então o nosso próprio chassi para o Volare.
E aqui lembrando para vocês, o Volare hoje tem basicamente duas linhas de produtos, a linha Attack, que é uma linha mais robusta, vamos dizer assim, para aplicações mais exigentes, e a linha Fly, que é uma linha mais refinada, são as duas aplicações que nós temos. E nós iniciamos o desenvolvimento do chassi próprio para o Volare, inicialmente olhando para aplicação do Attack. Então no ano passado, esse aqui aliás é o codinome nosso aqui, RCx, dessa nossa plataforma, é importante dizer que ela é uma plataforma multi-pesos, multi-aplicações, multi-proporções, ela é uma plataforma bastante flexível, que nos dá um poder de fogo muito grande para o Volare no futuro.
Iniciamos a validação no mercado no ano passado, fizemos a entrega e controlada de aproximadamente primeiras 100 unidades, esse ano a gente já deve entregar na versão 8 toneladas, aproximadamente 400 unidades, estamos começando já o desdobramento de outros modelos dessa família, então já entregaremos 30 unidades do 9 toneladas, e algumas primeiras unidades também do 4×4. Além disso, nós fizemos também a homologação do Fly-e, que é o nosso veículo elétrico Volare também, inclusive desenvolvido em parceria com a Reborn Motors, empresa chilena, que é uma nova parceira aqui da Marcopolo. A gente segue agora em 2026, num processo de escala, está intimamente ligada com o investimento que o André mostrou para São Mateus e a partir de 2027 a gente inicia a migração também para a linha Fly.
E o que é importante dizer aqui também, por fim, eu acho que o André também trouxe muito bem aqui, a despeito disso a gente segue também tendo o Volare disponível com os atuais chassis de parceiros que nós já temos hoje no mercado.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Vinícius de Oliveira


