Publicado em: 11 de fevereiro de 2026

Entre grandes entregas estiveram Real Maia (Azul), Saritur, Guerino Seiscento e Grupo Brasileiro
ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA
A Volvo espera um crescimento de cerca de 10% no volume para o mercado de ônibus em 2026, considerando os segmentos de urbanos e rodoviários, em especial os pesados, dos quais a empresa tem maior participação.
O Diário do Transporte conversou com o presidente da Volvo Buses na América Latina, André Marques, que explicou que o cenário eleitoral é favorável para os urbanos.
Em relação aos rodoviários, a estimativa é de manutenção dos volumes ou então crescimento, principalmente nos segmentos de turismo.
A empresa também destacou grandes entregas, de cerca de 140 rodoviários para grupos empresariais de relevância, 30 unidades para a Guerino Seiscento de São Paulo, 30 para a Saritur de Minas Gerais, 40 para a Real Maia e mais 40 para o Grupo Brasileiro, com forte atuação no nordeste.
Um dos destaques da Volvo foi o modelo B360R, potente com motor VN, e também o segmento do 8×2, rodoviário de quatro eixos e 15 metros de comprimento para dois andares.
Sobre as vendas de 40 unidades para a capital paulista, de ônibus elétricos de piso baixo, 20 para a Santa Brígida e 20 para a Gato Preto, empresas operadoras do sistema municipal, a perspectiva é de entrega nos próximos dias.
A Volvo, por meio do presidente, confirmou ao Diário do Transporte que já há conversas com outras empresas, mas que o cenário da capital paulista em relação a eletrificação ainda requer cuidado.
Também há a questão do biocombustível. A Volvo explicou como é o funcionamento do ônibus 100% a biodiesel. Segundo André Marques, ainda há operações apenas de demonstração, mas o veículo já está pronto para ser comercializado sem a necessidade de grandes alterações no motor.
Confira a entrevista com André Marques, presidente da Volvo Buses na América Latina, na íntegra:
ADAMO BAZANI: O Diário do Transporte conversa com André Marques, presidente da Volvo Buses da América Latina, que trouxe uma série de novidades que a gente vai condensar aqui nessa entrevista. Biocombustível, biodiesel 100% agora. Como é esse lançamento da Volvo e quais são as perspectivas dele?
ANDRÉ MARQUES: Dentro do grupo Volvo nós trabalhamos em três linhas de tecnologia, seja ela a eletrificação, a nossa jornada que vem demonstrando continuamente a integração de novos produtos, passando pela questão dos combustíveis renováveis. E o biocombustível, o B100, ele joga um papel fundamental para nós, porque ele é uma alternativa de curto prazo, com um investimento em infraestrutura praticamente nulo e que permite às frotas fazerem essa jornada de maneira muito rápida. Então é nesse sentido que nós trabalhamos no desenvolvimento para poder chegar agora, nesse momento, fazer o lançamento do B320R, a sua versão B100, para poder rodar com 100% de biocombustível.
ADAMO BAZANI: Já tem operação comercial dele?
ANDRÉ MARQUES: Nós já temos veículos em prova, testes que foram feitos e que comprovam a eficiência dos motores, a sua durabilidade e realmente o potencial todo para operação em vida real. Agora, obviamente isso passa pelos entes gestores e pelas cidades fazerem o movimento, seja na autorização, seja na disponibilidade do combustível lá na ponta para os operadores rodarem.
ADAMO BAZANI: Muda muito o motor?
ANDRÉ MARQUES: O motor que nós temos é um sensor de mescla, então isso não muda grandemente. Linhas de combustível já saem, todos os produtos já saem agora com as linhas preparadas, para que a gente não tenha nenhum tipo de corrosão ou problemas similares que podem acontecer. Então toda a parte de linhas de combustível preparadas, o sensor de mescla que permite que a gente possa operar tranquilamente com o B100.
ADAMO BAZANI: Na coletiva também foi explicitada a entrega de vários ônibus em grandes lotes, inclusive os rodoviários, Real Maia, Guerino Seiscento e também sobre o 8×2, que é o destaque da Volvo?
ANDRÉ MARQUES: O 8×2 é o nosso produto mais robusto, é um produto top nas operações, seja elas de turismo, de linhas intermunicipais e interestaduais, mas de fato ele é um produto dentro da nossa gama, obviamente sempre combinado com o tema de um veículo mais potente, mas nós estamos preparados com as linhas completas, 4×2, 6×2, 8×2, motor 8 litros, motor 13 litros, potência saindo desde o nível de 320 cavalos até 510 cavalos, que é o veículo mais potente disponível no mercado. E obviamente esse balanço entre qual aplicação e qual produto vai depender muito da estratégia de cada empresa, aquela empresa que precisa em um determinado momento, que está investindo maior capacidade em bagageiro, porque o sistema de encomendas está demandando mais, ele vai optar por um 6×2, aquele outro que opta por uma configuração de alto nível de serviço ao cliente numa opção 8×2, então obviamente preparados para atender aos diferentes segmentos, diferentes aplicações no mercado.
ADAMO BAZANI: Sobre os urbanos elétricos, 40 para a cidade de São Paulo, 20 Santa Brígida, 20 Gato Preto, já estão sendo entregues, já há mais negociações para outras empresas da capital?
ANDRÉ MARQUES: Os veículos de São Paulo têm entrega prevista agora para o primeiro semestre desse ano, então os 40 veículos entram em operação no primeiro semestre, e obviamente a gente está em contínua conversa com os clientes, negociações em andamento, e em breve tomara que mais novidades para vocês.
ADAMO BAZANI: Articulado para a capital paulista?
ANDRÉ MARQUES: Articulado, aí nós estamos nesse momento realmente do movimento da cidade, na questão da eletrificação, tem muito movimento falando em relação ao biogás, então nós precisamos entender como a cidade vai se mover, mas de fato nós estamos monitorando e nos preparando para atender o que vier pela frente.
ADAMO BAZANI: E para finalizar a gravação, perspectivas para 2026, inclusive no contexto do ano eleitoral, o principal produto da Volvo é o rodoviário, mas de toda maneira no urbano, principalmente agora dessas tecnologias alternativas, a Volvo tem se destacado, como que a Volvo vê para ônibus 2026?
ANDRÉ MARQUES: A nossa perspectiva para esse ano é crescer volume, nós estamos trabalhando no mercado, nós enxergamos um mercado relativamente estável no segmento pesado, mas de fato nós continuamos trabalhando para crescer a nossa participação no segmento rodoviário e aproveitar as oportunidades que vêm do segmento urbano. Nós temos um ano eleitoral, alguma coisa pode se mover, tem muita licitação em andamento, seja ela para combustão, seja ela para diesel, nós estamos preparados para participar e atender esses volumes. Então a nossa perspectiva desse ano é crescer algo em torno de 10% comparado ao ano de 2025.
ADAMO BAZANI: Em todos os segmentos, a média dos dois segmentos?
ANDRÉ MARQUES: Em todos os segmentos, exatamente.
ADAMO BAZANI: Segmento separado tem uma estimativa?
ANDRÉ MARQUES: A perspectiva é continuar no rodoviário a nossa jornada, nós estamos em 21% e vamos crescer, não há dúvida nesse sentido. E o urbano, que no ano passado foi o nível mais baixo, até mesmo porque nós não tínhamos ainda a opção do Pró-Transporte e agora está disponível. Então nós, com a solução financeira do Pró-Transporte, acreditamos que vamos fazer um salto bem importante no ano de 2026.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte


