Publicado em: 7 de fevereiro de 2026

Lote comprado pela Viação Metrópole Paulista é de 27 unidades do modelo, de um total de 40 ônibus elétricos que chegarão gradativamente entre março e abril
ADAMO BAZANI
A linha 3459/10, que faz o trajeto entre o Itaim Paulista, na zona Leste da cidade de São Paulo, e o Terminal Parque Dom Pedro II, na região central, será a primeira a receber um modelo inédito de alta demanda de ônibus elétrico superarticulado no sistema gerenciado pela SPTrans (São Paulo Transporte). A previsão de estreia é de até 20 de fevereiro de 2026, mas a data pode mudar, de acordo com ajustes operacionais que eventualmente possam ser determinados pela prefeitura.
A linha é uma das de maior demanda da cidade. Transportando quase 30 mil pessoas por dia, tem uma frota escalada de 40 ônibus articulados e superarticulados (até então, a diesel). Nos horários de pico, chega a ter intervalos entre sete e 10 minutos e trafega em vias de alta densidade como Avenida Imperador, Avenida Marechal Tito, Avenida São Miguel, Avenida Amador Bueno da Veiga, Radial Leste e Avenida do Estado, dando acesso a estações de trens e metrô.
A informação foi confirmada ao Diário do Transporte pela Viação Metrópole Paulista, que comprou incialmente 27 unidades do modelo, com tecnologia brasileira da empresa Eletra, fabricante instalada em São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista.
Os “gigantes” têm 21,5 metros de comprimento, capacidade para 146 passageiros cada um, sendo 50 sentados, 94 em pé e duas cadeiras de rodas ou espaços para cão-guia.
Até então, os superarticulados da Eletra rodavam como testes na capital. Agora, o inédito veículo chega para ficar, inclusive, com mais unidades em negociações para outras empresas.
Ao todo, são 40 ônibus elétricos que chegarão gradativamente à unidade da Itaim Paulista, da Viação Metrópole Paulista, entre março e abril de 2026.
Além dos 27 superarticulados de 21,5 m com tecnologia Eletra, foram comprados mais 13 ônibus elétricos padrons, de 13,2 m, com capacidade para 82 pessoas cada, modelo eO500U, com tecnologia Mercedes-Benz. A empresa já possui este modelo na frota.
Os ônibus deste tipo são considerados high tech (alta tecnologia) e têm até um sistema de aproveitamento de energia desenvolvido na Fórmula 1.
Trata-se do KERS (Kinetic Energy Recovery System), que é uma funcionalidade de regeneração de energia que gera eletricidade nas frenagens e desacelerações carregando uma parte das baterias em movimento.
A diferença é que nos carros da Fórmula 1, o KERS é eletromecânico, guardando a energia num “volante” de inércia que é capaz de maneira rápida “jogar” essa energia de volta ao motor, o que proporciona aumento de potência adicional. Já num ônibus ou o carro elétrico ou híbrido que roda nas ruas, o KERS é eletrônico e armazena a bateria das frenagens em baterias.
Os modelos de ônibus da Eletra possuem ar-condicionado com saídas individuais; piso baixo com rampa para acessibilidade de pessoas com restrições de locomoção, tomada USB para recarga de celulares e outros dispositivos móveis; vidros colados com tratamento de proteção contra raios ultravioleta do sol; letreiros eletrônicos e luzes de led em faróis, lanternas e na iluminação interna.
Ainda integram a tecnologia brasileira funcionalidades e itens como controle de tração; controle dos sistemas auxiliares e do ar-condicionado; sistema de regeneração de energia que gera eletricidade nas frenagens e desacelerações carregando uma parte das baterias em movimento; programa computadorizado que regula, gerencia e monitora todos os sistemas elétricos; e módulo de refrigeração geral de água.
Os veículos possuem tecnologia Eletra, plataformas Mercedes-Benz, baterias WEG e carrocerias Caio, todos estes itens feitos no Brasil.
Planilhas oficiais da SPTrans mostram que a operação de ônibus elétricos pode ser 65% mais barata por quilômetro que o óleo diesel. Como os elétricos duram mais que os modelos a combustão, ao longo de toda a vida útil, estes modelos são financeiramente mais vantajosos, mostram as planilhas.
Relembre:
Este tipo de modelo de grande porte pode ser mais vantajoso ainda. Isso porque, mesmo sendo mais caro, o preço é compensado pelo maior rendimento das baterias e maior capacidade de transportes de cada veículo.





Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


