Em uma briga por mais de R$ 4 milhões com o Santos, os agentes do meia Soteldo fizeram uma declaração de pobreza à Justiça de São Paulo.
A Secasports apontou que não possui recursos para arcar com as custas, despesas processuaus e honorários advocatícios sem prejuízo de sua própria manutenção. Para comprovar, anexou recibos que mostram uma arrecadação de R$ 0 nos últimos meses.
“A condição de hipossuficiência da Autora está inequivocamente demonstrada pelos documentos fiscais e contábeis anexos”, alegou a empresa.
O advogado Anderson Real explicou à ESPN que a “declaração de hipossuficiência nada mais é que uma alegação de pobreza mesmo, que não tem condições de arcar com as custas do processo”.
A Secasports é uma empresa do agente venezuelano Sebastián Cano, agente Fifa que possui mais de 25 anos atuando no futebol. Entre os agenciados estão Josef Martínez, Yeferson Soteldo, Ronald Hernández, Manuel Arteaga, Moises Tablante, Joseph Mora, Reggy Rivera e Josh Pérez.
O Santos foi acionado na Justiça pela Secasports por conta da transferência de Yeferson Soteldo ao Fluminense, no ano passado. Entre vários pedidos, os agentes exigem mais de R$ 4 milhões do clube.
A empresa cobra que o Santos seja condenado a pagar os R$ 515 mil que eram discutidos na CNRD, mais R$ 2,2 milhões de uma dívida de intermediações passadas, 5% da transferência de Soteldo ao Fluminense, danos morais, honorários e custas processuais. A Secasport quer o arresto de bens do clube para garantir o pagamento do débito.
Entenda a briga
A empresa alega que foi coagida pelo clube a abrir mão de valores a receber do Santos para que o clube liberasse a ida de Soteldo ao Flu, o que gerou um prejuízo econômico.
De acordo com a Secasport, já existia uma dívida de R$ 515 mil que era discutida na CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas). Além disso, o clube ainda tinha outro débito, de algumas parcelas em uma comissão de R$ 3,8 milhões. Foi quando pintou a oportunidade de o atleta se transferir ao Fluminense.
Segundo a Secasport, “o Santos impôs uma condição irredutível para liberar o jogador: a empresa deveria outorgar quitação plena e renunciar à integralidade dos créditos discutidos na CRND, bem como os valores remanescentes do distrato (R$ 960 mil)”.
Essa exigência gerou o seguinte: ou a Secasport renunciava a todos os seu créditos legítimos, ou o Santos não autorizaria a ida de Soteldo ao Fluminense, o que geraria um prejuízo ainda maior à empresa. Pressionada, e em “posição de vulnerabilidade econômica”, segundo disse à Justiça, a Secasport apontou que precisou ceder.
Mesmo assim, a empresa alegou que o Santos, “demonstrando má-fé, mesmo após se beneficiar da renúncia forçada, descumpriu uma nova obrigação que nasceu desse contexto”. O clube não repassou 5% do valor da transferência de Soteldo ao Flu, conforme verbalmente acordado.
Para a empresa, o negócio foi usado como isca e instrumento de pressão para que o Santos se livrasse de dívidas passadas. A Secasport chamou o episódio de “coação”, pois realizou um negócio que, sob ameaça, em circunstâncias normais, não celebraria.
Soteldo foi vendido ao Fluminense em junho do ano passado por US$ 5 milhões (cerca de R$ 30 milhões).


