Publicado em: 25 de março de 2026

Ideia é orientar investimentos, principalmente para adaptações de infraestrutura de recarga, que pode não dar conta da elevação da demanda
ADAMO BAZANI
O Ministério de Minas e Energia, do Governo Federal, estuda a possibilidade de ser criado um departamento específico para eletromobilidade.
A proposta foi enviada pela pasta de maneira formal recentemente ao MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos), mas a ideia já havia sido divulgada ainda em outubro de 2025, durante o evento Fórum Esfera, em Belém (PA), na ocasião, preparatório para a COP-30 (Conferência Mundial das Mudanças Climáticas), que ocorreu em novembro na capital paraense.
A ideia é orientar investimentos, principalmente para adaptações de infraestrutura de recarga, que pode não dar conta da elevação da demanda.
É o que a cidade de São Paulo tem experimentado na prática. Se ao mesmo tempo, os ônibus elétricos ampliam a qualidade dos serviços e trazem benefícios ambientais, a eletrificação do sistema tem significado envelhecimento da frota geral.
A capital paulista possui a maior frota de ônibus elétricos do Brasil, reunindo mais de 80% deste tipo de veículo em todo o território nacional. Mesmo assim, está com as metas de troca de coletivos atrasadas. Com a nova entrega, em março de 2026, serão 1.289 elétricos e a meta era de ter em circulação 2,6 mil coletivos eletrificados em dezembro de 2024. A prefeitura atribui este atraso principalmente a falta de infraestrutura para dar conta da tensão de energia na rede da ENEL.
Desde 17 de outubro de 2022, as viações estão proibidas de comprar ônibus a diesel. Como a elétrica não avança no ritmo necessário, a frota circulante envelhece. A SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema municipal, ampliou a idade máxima permitida dos ônibus de 10 anos para 13 anos de modelo e, no caso dos mídis (micrões), este limite passou para 14 anos de modelo e 15 anos de fabricação.
Não bastassem os ônibus, tem aumentado a quantidade de pessoas com carros elétricos, o que já tem impactado na estrutura e consumo de bairros e condomínios.
Pela proposta, o Departamento teria vinculação à Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento.
Entre as diretorias e coordenadorias, estaria uma voltada apenas para expansão da infraestrutura elétrica para veículos elétricos e outra para coordenar a ampliação e desenvolvimento da frota.
O MGI deve dar um posicionamento oficial até o início de maio de 2026, mas o Governo vê como positiva a iniciativa, que não traria um aumento significativo no Orçamento da pasta.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


