Publicado em: 5 de maio de 2026

Estruturação de projetos reduz prazos e amplia participação de recursos públicos e privados no setor
ARTHUR FERRARI
Os investimentos no setor de transportes no Brasil alcançaram 0,71% do Produto Interno Bruto (PIB) no período entre 2023 e 2026, segundo balanço apresentado pelo ministro George Santoro durante evento no Centro de Debate de Políticas Públicas, em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (04/05).
De acordo com o Ministério dos Transportes do Brasil, a ampliação dos aportes está associada à reestruturação da carteira de projetos rodoviários e ferroviários, que projeta cerca de R$ 400 bilhões em investimentos até 2030. O volume representa crescimento de 174% na soma de recursos federais e privados destinados à área.
“O Ministério padronizou todos os editais e contratos, e as matrizes de risco seguem uma lógica muito parecida. Um projeto antes levava sete anos entre o início e a colocação no mercado. Hoje, esse prazo é de, no máximo, dois anos e meio”, afirmou George Santoro.
As medidas adotadas nos últimos anos incluem mudanças no planejamento e na modelagem de concessões, com foco em ampliar a previsibilidade dos projetos e atrair investidores. A estratégia também considera a necessidade de preparar a infraestrutura logística para eventos climáticos extremos, como os registrados no Rio Grande do Sul em 2024.
“Foram ouvidos todos os bancos e instituições financeiras logo no início da gestão, estruturados mecanismos de concessões rodoviárias e ferroviárias, dando direcionamento à agência reguladora e aos estruturadores sobre como deveriam ser viabilizados os projetos. O diferencial foi realizar isso com governança”, completou o ministro.
Entre as iniciativas destacadas está a destinação mínima de 1% da receita bruta das concessões rodoviárias para projetos voltados à resiliência da infraestrutura. Também foram implementadas mudanças no modelo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), com simplificação de प्रक्रimentos e redução de custos.
O planejamento do setor também leva em conta o crescimento da demanda logística no país, com projeção de mais de 800 milhões de toneladas destinadas à exportação até 2050, exigindo maior equilíbrio entre modais rodoviário e ferroviário.
“A pasta construiu diretrizes por meio de portarias colocadas em consulta, a partir de um diagnóstico elaborado com o mercado, instituições financeiras e a própria agência reguladora do setor. Esse processo também ouviu a academia e a população para orientar as decisões”, finalizou George Santoro.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte


