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Cidade Tiradentes, um dos “berços do Tarifa Zero em São Paulo” e da importância dos ônibus na vida das pessoas


Na época do “sistema municipalizado de transportes da cidade”, linhas circulares internas não cobravam passagem. Ônibus em áreas de menor renda e integrados a linhas troncais estão entre as alternativas mais viáveis para as cidades começarem a pensar em reduzir custos dos transportes para os passageiros

ADAMO BAZANI

Colaborou Yuri Sena

Nacionalmente, o feriado de 21 de abril, conhecido como “Feriado de Tiradentes” relembra a Inconfidência Mineira (1789), um movimento que foi considerado “separatista e republicano” de elite na Capitania de Minas Gerais, influenciada pelo Iluminismo e pela independência dos EUA.  O objetivo era romper com Portugal, diante da revolta contra os altos impostos e a “derrama” de recursos da colônia brasileira para sua metrópole, a realeza portuguesa. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746–1792), um militar, dentista e ativista brasileiro, reconhecido como o principal mártir da Inconfidência Mineira, foi um dos líderes do movimento, sendo o único condenado à morte e enforcado, tornando-se um símbolo nacional de liberdade.

E, apesar de ser um movimento de Minas Gerais, há homenagens a Tiradentes em todo o Brasil.

Em São Paulo, não é diferente.

Entre várias nomenclaturas, o mártir é homenageado ao “batizar” um dos principais e maiores distritos da cidade de São Paulo: Cidade Tiradentes, no extremo leste.

Os números são realmente de cidade: o distrito possui cerca de 200 mil habitantes, é um dos principais adensamentos populacionais, marcado por milhares de casas de pequeno porte e dezenas de conjuntos habitacionais “espremidos” em seus cerca de 15 km².

Mas o que o Diário do Transporte tem a ver com essa história?

Tudo. Isso porque Cidade Tiradentes tem muito a ensinar sobre mobilidade e é uma das maiores provas na capital paulista da importância dos ônibus na vida das pessoas, em especial, das que mais necessitam da presença do estado e do poder público como um todo.

Muitos não sabem, mas enquanto agora volta a discussão do “Tarifa Zero”, que consiste em gratuidade nos transportes coletivos a todos usuários ou uma parte, por financiamentos diretos por meio de subsídios ou receitas extras, o Distrito de Cidade Tiradentes foi um dos “berços” da não cobrança de passagem para todos dentro dos ônibus de São Paulo, que desde 17 de dezembro de 2023,  é empregado apenas aos domingos, Natal (25 de dezembro), Ano Novo (1º de Janeiro) e Aniversário de São Paulo (25 de janeiro).

Ônibus municipais do “Tarifa Zero” de Cidade Tiradentes no início dos anos 1990

O tarifa-zero paulistano em Cidade Tiradentes teve início em 1991, na gestão da então prefeita Luíza Erundina. Era época do chamado “sistema municipalizado”, no qual a antiga CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), empresa da prefeitura, tinha mais controle do sistema e as viações privadas eram remuneradas por serviços prestados (quilômetro rodado) e não por “catracada” (passageiro transportado).

Erma cinco linhas circulares que levavam a um terminal central no bairro. Se a pessoa quisesse ir para o centro, pagava a passagem. Mas se consumisse ou circulasse por lá mesmo, se deslocava de forma gratuita.

Em 1998, quando a CMTC já tinha se transformado em SPTrans – São Paulo Transporte (algo que ocorreu em 1995) e deixou de ser operadora de transportes (o que ocorreu entre 1993 e 1994), o então prefeito Celso Pitta, alegando custos e necessidade de redesenho da rede de linhas, descontinuou a gratuidade em quatro das cinco linhas.

Em meados dos anos 2000, a única linha que ainda era gratuita, a 3001/51 – Gráficos/Term. Cid. Tiradentes, deixou de operar desta forma.

Hoje em dia, no aquecimento do debate para o Tarifa-Zero, a ideia de Cidade Tiradentes volta a ser apreciada: Ônibus em áreas de menor renda e integrados a linhas troncais estão entre as alternativas mais viáveis para as cidades começarem a pensar em reduzir custos dos transportes para os passageiros.

Ou seja, dentro de bairros e distritos mais carentes, o transporte coletivo não é cobrado. Isso atenderia, inicialmente, às pessoas que mais precisam e mais têm a renda comprometida pelos valores das passagens. Além disso, estimularia a economia local, os pequenos comércios do bairro. Mesmo que o preço de um produto numa lojinha for mais caro que num hipermercado, acaba valendo a pena porque o consumidor não paga o ônibus.

Cidade Tiradentes nasceu para ser popular. E o transporte coletivo, que tem um peso na vida de todos numa cidade (até mesmo em quem não usa), para estas populações ganha uma importância além do “mero” deslocamento. É inclusão social: acesso à saúde, educação, emprego, renda, lazer, enfim, à cidadania, à vida como ser humano.

O bairro Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, teve seu marco inicial de fundação em 1981, associado ao início das obras do conjunto habitacional Santa Etelvina pela COHAB-SP (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo) e pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo). O bairro foi consolidado ao longo da década de 1980, com a entrega das primeiras unidades em 1984, tornando-se o maior complexo de habitação popular da América Latina.

Ônibus Monobloco da CMTC, na zona Leste de São Paulo nos anos 1980, época do surgimento de Cidade Tiradentes

Atualmente, são mais de 25 linhas de ônibus municipais na região.

Mas bem antes de “Cidade Tiradentes” ter essa vocação de distrito popular, sendo um dos marcos de políticas habitacionais urbanas, a região da zona Leste de São Paulo já tinha vocação para os transportes.

A área correspondente era a Fazenda Santa Etelvina, de propriedade do coronel Antônio Prost Rodovalho, que, além de ter cargos públicos como gerente tesoureiro da filial do Banco do Brasil, a partir de 1875, tem uma história ligada aos transportes, já que atuou como Companhia Estrada de Ferro Ituana e a São Paulo-Rio de Janeiro (Central do Brasil).

A área foi comprada por Rodovalho em 1890, aproximadamente.

O bonde da Fazenda Santa Etelvina, em 1925, aproximadamente, um dos precursores dos transportes coletivos na região

Como era uma fazenda produtiva, de diversas culturas e já também com manufaturas, para escoar a produção e facilitar o deslocamento de trabalhadores, Rodovalho instalou, inclusive, um veículo leve sobre trilhos, uma espécie de bonde/trenzinho, ao longo de sua propriedade.

Fazenda Santa Etelvina, depois Cidade Tiradentes, é a prova-viva de como os transportes coletivos são mais que deslocamento: é desenvolvimento, é vida, é lição de passado, de erros, de acertos e de futuro.

TERMINAL CIDADE TIRADENTES:

O transporte na região de Cidade Tiradentes entra para a era dos ônibus elétricos.

Linhas atendidas: 27

3013-10

TERM. CID. TIRADENTES / METALÚRGICOS

3019-10

TERM. CID. TIRADENTES / VL. PAULISTA I

3064-10

CID. TIRADENTES / CPTM GUAIANASES

3064-41

TERM. CID. TIRADENTES / STA. ETELVINA II B6

312N-10

TERM. CID. TIRADENTES / SÃO MIGUEL PAULISTA

3539-10

CID. TIRADENTES / METRÔ BRESSER

3785-10

COHAB BARRO BRANCO / METRÔ ITAQUERA

3787-10

CID. TIRADENTES / METRÔ ITAQUERA

3789-10

CID. TIRADENTES / METRÔ ITAQUERA

4004-10

TERM. CID. TIRADENTES / BARRO BRANCO

4005-10

TERM. CID. TIRADENTES / BARRO BRANCO

4017-10

METALÚRGICOS / VL. YOLANDA

4018-10

METALÚRGICOS / TERM. SÃO MATEUS

407L-10

BARRO BRANCO / METRÔ GUILHERMINA/ESPERANÇA

407N-10

TERM. CID. TIRADENTES / METRÔ PENHA

407P-10

TERM. CID. TIRADENTES / METRÔ TATUAPÉ

4086-10

TERM. CID. TIRADENTES / CIRCULAR

4092-10

TERM. CID. TIRADENTES / SETOR IIB

4093-10

CID. TIRADENTES / TERM. CID. TIRADENTES

4210-10

TERM. CID. TIRADENTES / TERM. PQ. D. PEDRO II

4313-10

TERM. CID. TIRADENTES / TERM. PQ. D. PEDRO II

N403-11

TERM. CID. TIRADENTES / METRÔ ITAQUERA

N406-11

TERM. CID. TIRADENTES / TERM. SÃO MATEUS

N435-11

TERM. CID. TIRADENTES / METALÚRGICOS

N436-11

TERM. CID. TIRADENTES / BARRO BRANCO

N437-11

CPTM GUAIANASES / TERM. CID. TIRADENTES

N441-11

TERM. CID. TIRADENTES / VL. YOLANDA

PRINCIPAIS VIAS:

* Estrada do Iguatemi

* Avenida Inácio Monteiro

* Avenida dos Metalúrgicos

* Avenida dos Têxteis

* Avenida Sara kubitscheck

BAIRROS DE CIDADE TIRADENTES

Fazenda do Carmo, Vila Hortência, Prestes Maia, Inácio Monteiro, Vilma Flor, Sítio Paiolzinho, Vila Yolanda, Dom Angélico, Sítio Conceição, Castro Alves, Vila Paulista, Santa Etelvina II B, Jardim Souza Ramos, Jardim Maravilha, Barro Branco, Jardim Pérola, Jardim Vitória, Jardim dos 3 Poderes, Santa Etelvina I A, Santa Etelvina VII A (Setor G), Santa Etelvina II A, Santa Etelvina III A, Santa Etelvina IV, Gráficos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Yuri Sena



Fonte

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