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Conexão Feminina no Transporte avança no Sul e leva lideranças à fábrica da Marcopolo, em Caxias do Sul (RS)


Etapa RS consolida movimento nacional idealizado por Luana Fleck e Carina Porto Silva Girondo, ampliando protagonismo feminino em um setor ainda marcado pela baixa participação das mulheres

ALEXANDRE PELEGI

O transporte de passageiros vive um processo de transformação silencioso — e cada vez mais estruturado — no Brasil. No dia 23 de abril de 2026, esse movimento ganhou mais um capítulo relevante com a realização da etapa gaúcha do Conexão Feminina no Transporte, dentro da fábrica da Marcopolo, um dos maiores polos industriais do setor no mundo.

Mais do que um encontro, o evento reforça a consolidação de uma agenda que combina diversidade, qualificação técnica e visão de futuro em um setor historicamente dominado por homens.

Um movimento que deixa de ser evento para virar plataforma

Criado em 2025, o Conexão Feminina no Transporte nasceu com uma proposta simples, mas ambiciosa: deixar de ser apenas um espaço de encontros pontuais e se transformar em uma plataforma contínua de desenvolvimento profissional, troca de experiências e fortalecimento de redes.

Idealizado por Luana Fleck e Carina Porto Silva Girondo, o movimento conecta mulheres que já ocupam posições de liderança com aquelas que buscam espaço no setor — da operação à gestão, passando por áreas como manutenção, engenharia e tecnologia.

Na prática, trata-se de um reposicionamento estratégico: o transporte passa a ser visto também como um ambiente de desenvolvimento de talentos femininos, e não apenas como um setor operacional.

Dentro da fábrica: o transporte visto por outro ângulo

A escolha da Marcopolo como palco da etapa RS não foi casual. Ao levar as participantes para dentro da cadeia produtiva — do design à pista de testes — o evento rompe uma barreira histórica de acesso ao “coração industrial” do transporte.

A programação incluiu:

  • Visita ao Museu Memória Marcopolo
  • Passagem pelo Centro de Treinamento (CTM) e Espaço Envolver
  • Conhecimento da fábrica de chassis e da divisão Marcopolo Rail
  • Apresentações das equipes de Engenharia e Design
  • Visita à linha de produção e à pista de testes

A experiência imersiva, pouco comum até mesmo para profissionais do setor, permite uma mudança de perspectiva: o transporte deixa de ser apenas operação e passa a ser compreendido como indústria, inovação e estratégia.

Diversidade como agenda estratégica — e não simbólica

Ao abrir sua estrutura para o evento, a Marcopolo sinaliza algo que vem se tornando tendência global: diversidade deixou de ser discurso institucional para se tornar componente de competitividade.

A iniciativa evidencia que ampliar a presença feminina não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia de inovação — especialmente em um setor que enfrenta desafios como transição energética, digitalização e novas formas de mobilidade.

O tamanho do desafio: presença feminina ainda é baixa

Apesar dos avanços, os números mostram que o caminho ainda é longo. Dados da Confederação Nacional do Transporte indicam que, em 2024, as mulheres representavam apenas 14,2% dos profissionais no transporte rodoviário de passageiros de longo curso.

O dado revela uma contradição: ao mesmo tempo em que o setor se moderniza rapidamente, sua estrutura de capital humano ainda carrega padrões tradicionais.

É justamente nesse ponto que o Conexão Feminina se posiciona — não como um movimento confrontacional, mas como um mecanismo de transformação gradual, baseado em:

  • qualificação técnica
  • visibilidade
  • networking estruturado
  • acesso a ambientes estratégicos

De Porto Alegre a Caxias: uma trajetória em expansão

A etapa realizada em Caxias do Sul marca a evolução de um projeto que começou em Porto Alegre, reunindo lideranças e promovendo debates sobre inovação, gestão e cultura no transporte.

Ao chegar à fábrica da Marcopolo, o movimento dá um salto qualitativo: passa a integrar não apenas pessoas, mas também processos, tecnologia e indústria.

A lógica é clara: não basta discutir o setor — é preciso vivê-lo por dentro.

O que vem pela frente

As idealizadoras já sinalizam que o Conexão Feminina no Transporte não se limita a eventos presenciais. A estratégia inclui:

  • encontros virtuais
  • expansão para outras regiões do país
  • construção de uma comunidade ativa e permanente

O objetivo é estruturar uma rede nacional que acompanhe a evolução do setor e amplie, de forma consistente, a participação feminina em todas as suas dimensões.

Mais do que inclusão, uma mudança de lógica no setor

O avanço do Conexão Feminina no Transporte revela uma mudança mais profunda: o setor começa a entender que seu futuro depende não apenas de tecnologia ou investimentos, mas também da diversidade de quem o constrói.

Num momento em que o transporte enfrenta transformações estruturais — da eletrificação à digitalização — ampliar a base de talentos não é apenas desejável. É necessário.

E, nesse contexto, iniciativas como essa deixam de ser periféricas para ocupar um lugar central na agenda do setor.

Perfil no Instagram:

Da esquerda para a direita: Carina Porto Silva Girondo e Luana Fleck, criadoras do Conexão Feminina no Transporte

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 





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