Publicado em: 28 de abril de 2026

_Medida atinge serviços de apoio à supervisão do Trecho 2 e ocorre em meio a sucessivas suspensões contratuais e de licitações ligadas ao projeto_
ALEXANDRE PELEGI
A São Paulo Transporte S/A (SPTrans) formalizou a suspensão do contrato nº 2024/0204-01-00, relacionado aos serviços técnicos especializados de engenharia de apoio à supervisão das obras do Corredor Norte–Sul, Trecho 2 – Lote 1.
De acordo com o termo, a suspensão tem prazo de 120 dias, a partir de 26 de abril de 2026, interrompendo atividades ligadas ao desenvolvimento do projeto executivo, execução de obras e serviços ambientais. 
Além da suspensão contratual, despacho mais recente publicado no Diário Oficial da Prefeitura de São Paulo reforça o cenário de instabilidade ao indicar a suspensão, sem prazo definido (“sine die”), de procedimento licitatório relacionado à área de mobilidade urbana.
No caso da Concorrência nº 90001/SMT/2026, a administração municipal comunicou a interrupção do certame cuja sessão de abertura já estava agendada, sem detalhar as razões técnicas ou administrativas da decisão. 
Esse tipo de medida, na prática, costuma estar associado a:
* revisões de edital ou de escopo
* adequações técnicas ou orçamentárias
* necessidade de ajustes jurídicos
A nova suspensão se soma a um histórico recente de reprogramações no Corredor Norte–Sul – Trecho 2:
* consulta pública do projeto em 2023
* licitação de obras e projetos em 2024
* contratação da supervisão técnica (cerca de R$ 60 milhões)
* suspensão anterior de contrato de obras
* agora, suspensão de contrato de supervisão
* e paralisação de licitação vinculada ao sistema
O conjunto desses movimentos aponta para um processo ainda em reorganização técnica e contratual, comum em empreendimentos urbanos complexos, mas que tende a impactar cronogramas.
O Corredor Norte–Sul permanece como uma das principais intervenções previstas para o sistema de ônibus de São Paulo, conectando o centro à zona sul por eixos como:
* Avenida 23 de Maio
* Avenida Rubem Berta
* Avenida Moreira Guimarães
* Avenida dos Bandeirantes
Com investimentos que ultrapassam R$ 700 milhões em obras, além dos contratos de supervisão, trata-se de um projeto de grande escala, com múltiplos contratos interdependentes — o que ajuda a explicar a sensibilidade a ajustes e suspensões.
Embora a suspensão atual recaia sobre o contrato de apoio à supervisão, o efeito tende a ser mais amplo:
* reduz o controle técnico do empreendimento
* pode indicar revisão de cronograma
* sinaliza desalinhamento entre contratos simultâneos
Somada à suspensão de licitação “sine die”, a medida reforça que o Corredor Norte–Sul segue em fase de ajustes estruturais — com potencial impacto no ritmo de implantação de uma das principais obras de mobilidade da capital.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


