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Greve no metrô de Londres por disputa sobre jornada de trabalho afeta operação nesta semana


Paralisações convocadas pelo sindicato RMT atingem linhas estratégicas do Tube e pressionam toda a rede de mobilidade da cidade

ALEXANDRE PELEGI

Os moradores de Londres que utilizam o metrô (Tube) terão de se preparar para interrupções significativas nesta segunda quinzena de abril de 2026. Greves convocadas pelo sindicato RMT (National Union of Rail, Maritime and Transport Workers) devem afetar diretamente a operação de linhas importantes, em meio a uma disputa sobre a proposta de implementação de uma semana de trabalho de quatro dias e mudanças nas escalas de serviço.

A paralisação pressiona o sistema de mobilidade da capital britânica e desloca parte da demanda para ônibus e outros modais, exigindo planejamento antecipado por parte dos passageiros.

O RMT rejeita a proposta pois a compensação pela folga extra envolveria turnos mais exaustivos e menos descanso, resultando em fadiga extrema que coloca em risco a segurança do metrô. Além disso, o sindicato critica a perda de autonomia dos funcionários, já que as novas regras dão à gestão controle excessivo sobre as escalas e a vida pessoal dos trabalhadores. O RMT é um dos sindicatos mais influentes do setor de transportes no Reino Unido, representando trabalhadores do metrô, ferrovias e serviços associados. Conhecido por sua forte atuação em negociações trabalhistas, o RMT tem papel central em greves que impactam diretamente a mobilidade urbana, especialmente em Londres.

Greve atinge linhas estratégicas do metrô

O cronograma de paralisações está dividido em dois períodos de 24 horas:

  • início ao meio-dia de terça-feira, 21 de abril;
  • novo ciclo a partir do meio-dia de quinta-feira, 23 de abril.

Segundo a TfL, linhas importantes como Piccadilly, Circle e trechos das linhas Metropolitan e Central podem ter operação totalmente suspensa.

Além do metrô, parte da rede de ônibus também será impactada, especialmente no leste de Londres, com interrupções previstas entre a madrugada de sexta-feira (24) e a manhã de sábado.

Alternativas operam, mas com sobrecarga

Como alternativas, serviços como a Elizabeth line e o DLR (Docklands Light Railway) devem continuar operando, mas com níveis de lotação acima do normal.

Além das linhas de trem e ônibus que permanecem ativas, os moradores de Londres recorrem frequentemente aos sistemas de bicicletas e patinetes compartilhados, como as famosas “Boris Bikes” (Santander Cycles), para trajetos curtos e médios. Outra alternativa estratégica é o sistema de barcos do Tâmisa (Uber Boat by Thames Clippers), que percorre o rio conectando pontos importantes do leste ao oeste da cidade; essa via fluvial é imune aos congestionamentos terrestres, tornando-se uma opção cênica e eficiente quando o metrô para.

A tendência, segundo a própria TfL, é de forte pressão sobre toda a rede disponível, com deslocamentos mais longos, maior tempo de espera e necessidade de planejamento antecipado por parte dos passageiros.

Greve não afetará a moderna linha Elizabeth Line

Pedágio urbano é mantido mesmo durante as greves

A Transport for London (TfL), autoridade responsável pela gestão integrada do transporte na cidade, mantém a cobrança do pedágio urbano (Congestion Charge) normalmente, mesmo em cenários de paralisação do metrô.

A decisão segue uma lógica operacional clara: liberar o acesso de carros ao centro poderia gerar um colapso viário, comprometendo justamente os modais que precisam funcionar — como ônibus, serviços essenciais e veículos de emergência.

Se o carro for um modelo antigo ou a diesel, além do pedágio urbano, o motorista também pode precisar pagar a ULEZ (Ultra Low Emission Zone), que cobre uma área muito maior de Londres e funciona 24 horas por dia, inclusive durante as greves.

Manter a cobrança reforça a estratégia da TfL de priorizar o transporte coletivo e garantir condições mínimas de operação da rede, especialmente em momentos críticos.

DLR (Docklands Light Railway) é um sistema de metrô leve automatizado que atende principalmente a região leste de Londres,

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 



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