Publicado em: 6 de maio de 2026

O “efeito Trump” tem sido devastador para urbanos. Inclusão de ônibus no MOVE II deve antecipar compras
ADAMO BAZANI
A “salvação” do setor de ônibus no Brasil para este ano de 2026 virá de duas fontes: Caminho da Escola, programa do Governo Federal para habilitação de Estados e Municípios para adquirir ônibus escolares, e também dos modelos rodoviários. No mercado internacional, um dos focos que podem trazer maiores volumes é a licitação para a compra de frota no sistema Transmilênio, de Bogotá, na Colômbia.
Estes três fatores reforçam a aposta da fabricante de carrocerias e ônibus integrais Marcopolo, de Caxias (RS).
A estimativa é de crescimento para o segundo semestre de 2026, tanto em volume como em lucratividade. A previsão foi divulgada em conferência para o mercado e investidores, que teve a cobertura do criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, na manhã desta terça-feira, 05 de maio de 2026.
Como já havia mostrado o Diário do Transporte, companhia divulgou nesta segunda-feira (04), que registrou um lucro líquido consolidado de R$ 264,6 milhões no período, marcando o crescimento de 8,8% em comparação aos R$ 243,1 milhões do primeiro trimestre de 2025.
Relembre:
CAMINHO DA ESCOLA:
Somente em relação ao Caminho da Escola, executivos da companhia explicaram que a Marcopolo direta ou indiretamente foi habilitada para o fornecimento de 7.210 unidades, das quais, 620 já montados com a marca Volare, 2200 com dimensões de urbanos encarroçados sobre diferentes marcas de chassis e 4370 encarroçados também na categoria micro-ônibus.
Como mostrou o Diário do Transporte, após um ano de entraves e desencontros, finalmente, em 14 de abril de 2026, ocorreu a sessão de ofertas para a licitação bilionária do Ministério da Educação. Agora, está em andamento a fase de envio de documentação e análise por parte do Ministério.
Ao todo, são 13 modelos totalizando 7.470 veículos.
Relembre:
No Caminho da Escola, a Marcopolo fornece com as marcas Volare e Neobus.
Na conferência, os executivos da fabricante disseram que o volume do Caminho da Escola deve impactar positivamente nos resultados da companhia no segundo semestre de 2026 e ao longo do ano de 2027.
RODOVIÁRIOS:
Os rodoviários, que em volume têm menores quantidades em todo o mercado de ônibus, mas possuem maior valor agregado (são mais caros), também levantam boas perspectivas para o ano de 2026, de acordo com a Marcopolo.
São diversos fatores, desde os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do combustível de aviação e migração dos passageiros para as rodoviárias, a sazonalidade natural para a demanda maior de usuários de fim de ano e uma demanda reprimida por renovação de frota. Em geral, os ônibus das rodovias ainda estão com idade acima do habitual, reflexo residual da pandemia de covid-19 (2018-2023)
URBANOS:
O capítulo negativo para o ano de 2026 será em relação ao segmento de urbanos, que já está abaixo das expectativas que eram positivas por causa das eleições.
Neste caso, o “efeito Trump” tem sido devastador com a guerra no Oriente Médio.
O peso da inflação sobre o óleo diesel é mais sentido pelo segmento de urbanos que não espera migrações de outros meios de transportes (como do avião para o rodoviário).
Além disso, os reajustes de tarifas e subsídios são, em geral, anuais. Assim, os custos maiores têm sido “engolidos” por operadores. Para compensar os custos maiores, a estratégia é deixar mais para a frente as compras de ônibus novos planejadas.
Como o cenário é incerto, ou seja, não se saber quando o presidente norte-americano, Donald Trump, e o Irã vão de fato entrar num acordo e encerrar a guerra, não há sequer como prever reaquecimento.
MOVE BRASIL:
Os executivos da Marcopolo que realizaram a apresentação dos resultados na teleconferência também destacaram como positiva a inclusão de ônibus na fase 2 do Programa MOVE, do Governo Federal.
Segundo a fabricante, o custo de crédito do MOVE está melhor que de linhas atuais como Finame ou crédito direto.
Com isso, na visão dos representantes da produtora, o MOVE também deve ser decisivo em algumas compras antecipadas e, mais uma vez, é o segmento de ônibus rodoviários que, em geral, possui menos linhas de financiamento que urbanos, não contando, por exemplo, com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e Refrota, do Governo Federal.
Como já havia anunciado o Diário do Transporte nas últimas semanas, nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, o Governo Federal anunciou a segunda fase do MOVE Brasil, programa para renovação de frota de veículos pesados, um dia antes do fim da validade da medida provisória que havia instituído a primeira etapa, desta vez, com mais que o dobro do valor disponível: R$ 21,2 bilhões ante R$ 10 bilhões da primeira versão.
Além de taxas de juros mais baixas e maiores prazos de carência e de período para diluir as parcelas, uma das diferenças foi a inclusão de implementos rodoviários e de ônibus.
Para os veículos de transportes coletivos de passageiros, destes R$ 21,2 bilhões, esta nova etapa prevê R$ 2 bilhões.
Pode parecer uma pequena parcela, mas foi vista positivamente por donos de empresas de ônibus e fabricantes.
Ao editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, o presidente da Fabus, associação que reúne os fabricantes de carrocerias de ônibus, Rubens Bisi, disse que desde o ano passado o setor trabalhava para esta inclusão.
A primeira versão só contemplava caminhões.
Relembre:
TRANSMILÊNIO:
Em relação ao mercado externo, a Marcopolo sinalizou como positivas algumas situações e outras com perspectivas menos otimistas.
Os mercados mexicano, com a forte concorrência e ainda a consolidação da linha de rodoviários da Geração 8 (G8), e argentino, com retração econômica são sinais de dúvidas para 2026.
Já entre os cenários positivos estão a Austrália, que ainda deve ser um dos principais volumes para a Marcopolo e a Colômbia, esta em especial por causa da licitação da compra de milhares de ônibus para renovação e expansão de frota do sistema da capital Bogotá e região, Transmilênio.
Umas das preocupações é que as compras vão focar em modelos menos poluentes ou de emissão zero, em especial, elétricos.
Apesar de a Marcopolo atuar no segmento de eletromobilidade, com o modelo integral Attivi, a aposta vai ser no encarroçamento.
A fabricante vai ter de competir com fabricantes chineses que conseguem grandes volumes e preços menores.
Um dos caminhos é estabelecer parcerias com os chineses no encarroçamento e carroceria, mas, muitos destes fabricantes optam por modelos monoblocos (feitos integralmente), o que não é cultura ainda na Colômbia, mas também não era no Chile e os modelos viraram predominantes no sistema de Santiago, como mostrou o Diário do Transporte. O mercado latino-americano de ônibus elétricos está nos radares dos gigantes chineses.
Relembre:

O Diário do Transporte cobriu o evento antes mesmo da abertura oficial ao público em geral, com atividades apenas para imprensa especializada mundial a partir do dia 02, tendo viajado a convite da Mercedes-Benz do Brasil. O repórter Adamo Bazani, do Diário do Transporte, foi um dos poucos jornalistas brasileiros presencialmente na Busworld, a maior feira de ônibus do mundo.
Por causa do convite da Mercedes-Benz, foi possível para o Brasil trazer informações em primeira mão, inclusive da Marcopolo.
Em 03 de outubro de 2025, antes mesmo da abertura geral ao público, em dia dedicado à imprensa especializada, o Diário do Transporte gerou matéria do estande da Marcopolo revelando que a marca comercializou 5 mil unidades da Geração 8, desde o lançamento em 20 de julho de 2021, em meio a pandemia de covid-19.
Relembre:
No dia seguinte, em 04 de outubro de 2025, o Diário do Transporte trazia uma entrevista exclusiva com os executivos da marca, Ricardo Portolan e João Paulo Ledur, que detalharam os planos da empresa para a Europa. Segundo eles, já houve contatos e negociações com empresários e operadores europeus para as primeiras vendas, que devem se concretizar em breve.
As entregas iniciais estão previstas para ocorrer a partir do último trimestre de 2026, após a finalização de todas as homologações. França, Itália, Espanha e Portugal devem ser os primeiros mercados. Os executivos também comentaram sobre os planos em relação ao urbano elétrico Attivi e sobre a perspectiva da Marcopolo quanto às normas de redução de emissões na Europa. Como mostrou o Diário do Transporte, um dos grandes desafios tem sido a infraestrutura para os chamados veículos de classe três, que são os ônibus rodoviários de longa distância.
Relembre:
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No mesmo dia, o Diário do Transporte também trouxe outro destaque da Marcopolo S.A.: HORSE Powertrain, em parceria com a Volare, da Marcopolo, apresentaram uma tecnologia de motores híbridos (a etanol + eletricidade) que promete praticamente dobrar a autonomia das baterias.
Relembre:
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O LANÇAMENTO DO G 8:
Apresentado oficialmente em 20 de julho de 2021, com a Viação Águia Branca, do Espírito Santo, a adquirir a primeira unidade comercial, a Geração 8 da Marcopolo prometeu diversas inovações: Faróis com maior alcance, carroceria mais leve e com nova aerodinâmica, novo tipo de reclinação de poltronas pneumática, acabamento que evita trepidações, dutos de ar-condicionado que não ocupam porta-pacotes, quatro centrais elétricas, plásticos com deformidade programada em vez de fibra de vidro estão entre as novidades que, segundo empresa, provavam que nova geração vai além de mudanças estéticas.
Relembre:
ENTREVISTA e mais de 20 fotos: Marcopolo lança Geração 8 com célula de sobrevivência ao motorista, espaço interno ampliado para passageiros e aerodinâmica que reduz consumo de diesel
O MILÉSIMO G 8:
Pouco menos de oito meses após o lançamento, a Geração 8 de ônibus rodoviários da Marcopolo atingia a marca de mil unidades produzidas, entre as diferentes versões do Viaggio e do Paradiso.
No dia 19 de abril de 2023, a Marcopolo comunicou de forma oficial que o milésimo ônibus foi um Double Decker – modelo de dois andares – comprado pela Viação Garcia, do Grupo Viação Garcia Brasil Sul.
A milésima unidade da Geração 8 da Marcopolo fez parte de um pedido de 53 novos ônibus do Grupo Garcia-Brasil Sul (Viação Garcia e Brasil Sul), sendo 28 Paradiso G8 1800 DD, 19 veículos Paradiso G8 1200 e seis Viaggio G7 900, para linhas rodoviárias interestaduais e intermunicipais e em serviço de fretamento contínuo (Viaggio 900).
Relembre:
Garcia renova com mais 53 ônibus e adquire a milésima unidade do G8
QUATRO MIL ÔNIBUS EM TRÊS ANOS:
A oitava geração de ônibus rodoviários da Marcopolo, chamada de G8, atingiu em agosto de 2024, mais de quatro mil unidades vendidas desde quando foi lançada em 20 de julho de 2021.
O número foi revelado pela Marcopolo na Lat.Bus 2024, evento de mobilidade que ocorreu entre os dias 06 e 08 de agosto na capital paulista.
Na feira, foi apresentado oficialmente o modelo Viaggio 1050, da linha de produtos G8, e, como noticiou em primeira mão o Diário do Transporte, já com 50 unidades vendidas.
Relembre:
Viaggio G8 1050 já tem mais de 50 unidades vendidas e é um dos destaques da Marcopolo da LatBus 2024
Com o lançamento, a linha de carrocerias G8 passa a contar com os seguintes modelos: Viaggio 800, Viaggio 1050, Paradiso 1050, Paradiso 1200, Paradiso 1350, Paradiso 1600 LD (Low Driver) – amplos bagageiros, Paradiso 1800 DD (Double Decker) – dois andares.
O ônibus de dois andares responde por 2,2 mil unidades de todas as cerca de quatro mil entre todos os modelos da Geração 8.
No mesmo período, foram aproximadamente 900 ônibus G8 exportados.
UM DOS MAIS BONITOS DO MUNDO, EVENTOS INTERNACIONAIS E CINCO MIL UNIDADES:
A linha da Geração 8, da brasileira Marcopolo, pode ser considerada uma das mais bonitas para ônibus rodoviários do Planeta e integrou um dos principais painéis mundiais sobre tendências de design para veículos deste tipo.
Não é exagero.
A Marcopolo participou da Busworld 2025, em Bruxelas, na Bélgica, não apenas expondo os veículos, como já havia mostrado do Diário do Transporte – Relembre:
A fabricante nacional integrou o Congresso 2025 da feira mais importante do setor de transportes por ônibus do mundo.
O diretor de Engenharia, Luciano Resner, expôs o case da geração 8 (G8) no painel “Trends in exterior and interior coach design and infotainment” – “Tendências do design e entretenimento exterior e interior em ônibus rodoviários).
A Busworld é o evento mais relevante de ônibus em todo o Planeta. O Diário do Transporte foi um dos poucos veículos de comunicação profissional do Brasil a cobrir presencialmente, indo à feira a convite da Mercedes-Benz. Pelos corredores da Busworld foi possível ver pessoas de todas as regiões do Planeta. O que vai ser o futuro dos transportes globalmente passa pela Busworld.
Na ocasião, sobre a Marcopolo, o Diário do Transporte conversou com os executivos da marca, Ricardo Portolan e João Paulo Ledur, que detalharam os planos da empresa para a Europa. Segundo eles, já houve contatos e negociações com empresários e operadores europeus para as primeiras vendas, que devem se concretizar em breve.
As entregas iniciais estão previstas para ocorrer a partir do último trimestre de 2026, após a finalização de todas as homologações. França, Itália, Espanha e Portugal devem ser os primeiros mercados.
Já sobre o painel, a Marcopolo diz que Luciano Resner apresentou o processo de desenvolvimento do design exterior e interior dos ônibus da marca, reconhecido internacionalmente pelo superior conforto, segurança e tecnologia.
Luciano enfatizou o desenvolvimento da aerodinâmica, feito em túnel de vento para se alcançar um dos mais baixos coeficientes de penetração para um veículo de mais de 3.000mm de altura e área frontal de cerca de 10 m2.
“No processo de desenvolvimento do design dos ônibus Marcopolo focamos em cinco pilares: Sofisticação, Tecnologia, Segurança, Conforto e Experiência. E, por intermédio do equilíbrio entre esses pontos vitais para a concepção do veículo, alcançamos o modelo ideal”, destaca Luciano Resner.
Assim, a Marcopolo definiu as linhas da Geração 8, com desenho limpo e linhas fluidas e aerodinâmicas. O resultado é um veículo com melhor eficiência energética, menor consumo de combustível e pneus, maior espaço interno e para bagagens, e conforto e segurança para os ocupantes.
A Geração 8 de ônibus rodoviários Marcopolo foi lançada em meio a pandemia de covid 19, em 20 de julho de 2021, e já conta com mais de 5 mil unidades produzidas, das quais cerca de 1.600 exportadas para mais de 20 países.
Sobre o fato de ter alcançado 5 mil unidades, o Diário do Transporte trouxe a informação em primeira mão na Busworld 2025.
Relembre:
Busworld 2023:
A Marcopolo já havia participado de uma Busworld com o G8. Foi na edição anterior, a de 2023.
Segundo o diretor de Engenharia, Luciano Resner, o conforto interno dos modelos da Geração 8 se destaca pela ergonomia, poltronas que envolvem o passageiro, espaço para circulação, capacidade dos porta-pacotes e acessibilidade. “Na edição da Busworld de 2023, todos os visitantes e participantes que estiveram no nosso estande se surpreenderam com o conforto, segurança e tecnologia do modelo Paradiso 1800 DD que apresentamos”, comenta Luciano.
Aspectos como mais conforto para curtas, médias e grandes viagens, ergonomia com poltronas que se ajustam ao corpo, materiais exclusivos para mais sofisticação e opções integradas ao assento foram estudados e trabalhados para alcançar os melhores resultados aos passageiros. – complementou
iF Design Award
O design da Geração 8 Marcopolo, em 2022, recebeu o prêmio iF AWARD 2022, um dos mais importantes de design de todo o mundo. Um júri independente de especialistas internacionais em design elegeu os projetos premiados com base em cinco critérios (Ideia, Forma, Função, Diferenciação, Impacto).
“Essa conquista demonstra a vanguarda internacional do ônibus Marcopolo, combinando estilo à funcionalidade do veículo para a concepção de um produto inédito e exclusivo que consolida a identidade e valores da marca”, enfatiza o Luciano Resner.
O Diário do Transporte viajou à BusWorld 2025, na Bélgica, a convite da Mercedes-Benz do Brasil.





O ano era 2021, ápice da pandemia de covid-19. Ninguém sabia para onde o mundo iria. Ninguém sabia se o mercado de ônibus conseguiria se recuperar.
A principal excelência do transporte, o passageiro, havia sumido. E o passageiro mostrou mais uma vez que é o ponto fundamental de tudo.
A partir daí, indústria, operadores e gestores públicos começaram a fazer o que deveriam já ter realizado há décadas e décadas, olhar com mais carinho os usuários.
Diante das incertezas, a Marcopolo fez uma jogada. Lançou em pleno auge da crise uma nova família de produtos, a geração 8.
A apresentação ocorreu no espaço natural do passageiro, o terminal rodoviário e o maior da América Latina, o Tietê.
Hoje, a Marcopolo vê os frutos da aposta. A pandemia foi superada, talvez nem tudo ainda se recuperou, mas o mercado de ônibus rodoviários voltou a ter fôlego. E enquanto as outras tentavam fazer futurologia, a Marcopolo apostou no presente e colheu no futuro.
Na Busworld 2025, que acontece na Bélgica, a empresa anuncia 5 mil unidades dos diversos ônibus rodoviários da geração 8.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


