Publicado em: 8 de abril de 2026

Companhia alcança 892,7 milhões de usuários no ano e maior aprovação em 20 anos, enquanto resultado financeiro é impactado por fatores não recorrentes
ALEXANDRE PELEGI
A Companhia do Metrô de São Paulo apresentou crescimento na demanda e avanços operacionais em 2025, mas fechou o ano com piora significativa no resultado financeiro. O balanço foi publicado no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (8).
Demanda em alta e recorde de satisfação
O Metrô transportou 892,7 milhões de passageiros em 2025, com aumento da demanda nos dias úteis. A satisfação dos usuários atingiu 76,2%, o melhor índice dos últimos 20 anos, segundo a companhia.
Entre os avanços percebidos pelos passageiros, destacam-se:
• Operação 24 horas aos fins de semana
• Pagamento por aproximação com cartões
• Implantação de 5G em 27 estações
• Expansão das portas de plataforma, presentes em cerca de 50% das estações
Expansão e investimentos recordes
O ano também foi marcado pelo maior investimento da história do Metrô, com R$ 5,3 bilhões aplicados na expansão da rede.
Principais destaques:
• Avanço das obras da Linha 2-Verde
• Evolução da Linha 15-Prata, com integração à CPTM e entrega de 14 novos trens
• Linha 17-Ouro com mais de 95% das obras concluídas (inauguração prevista para 2026)
• Início da contratação da Linha 19-Celeste e projetos das linhas 20-Rosa e 22-Marrom
Tecnologia e automação
O Metrô ampliou o uso de tecnologia, com destaque para:
• Operação GoA4 (automação total) na Linha 15-Prata
• Uso de inteligência artificial na manutenção, com modelos preditivos
• Novo sistema de monitoramento com mais de 5 mil câmeras
Prejuízo cresce mais de 200%
Apesar dos avanços operacionais, o resultado financeiro piorou. O Metrô registrou prejuízo de R$ 1,058 bilhão em 2025, alta de 204% em relação a 2024.
A receita operacional líquida caiu 8,6%, passando de R$ 3,02 bilhões para R$ 2,76 bilhões.
Segundo a companhia, o principal fator foi a ausência de receitas extraordinárias registradas em 2024, como o chamado “breakage” de créditos não utilizados (R$ 368 milhões naquele ano). Breakage, em linguagem simples, é dinheiro que o passageiro pagou, mas não usou — e que a empresa acaba ficando.
Além disso:
• Receita não tarifária caiu de R$ 285 milhões para R$ 252 milhões
• Custos e despesas cresceram fortemente, incluindo provisões judiciais
Equilíbrio financeiro segue como desafio
O relatório reconhece que, apesar dos avanços, o cenário econômico-financeiro exige ajustes contínuos, com foco em:
• Controle de despesas
• Aumento de eficiência
• Ampliação de receitas
Ao mesmo tempo, o Metrô reforça que a sustentabilidade de longo prazo depende de disciplina nos investimentos e adaptação às novas demandas de mobilidade e tecnologia.
O balanço mostra um Metrô que avança em operação, tecnologia e expansão — mas que ainda enfrenta o dilema estrutural do setor: crescer em qualidade e rede sem comprometer o equilíbrio financeiro, especialmente em um sistema fortemente condicionado por políticas tarifárias e subsídios indiretos.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


