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O morde e assopra do transporte coletivo vai continuar condenando as cidades brasileiras a ficarem estagnadas, poluídas e violentas para sempre? – ESPECIAL


Exemplos claro disso ocorreram nesta semana. Ao mesmo tempo em que todos os envolvidos na gestão e operação dos serviços de transportes públicos comemoram a aguardam a regulamentação do recém-aprovado Marco Legal do Transporte Coletivo, Lula edita medida provisória que afrouxa regras sobre mototáxis podendo fazer com que acidentes explodam

ADAMO BAZANI

A população brasileira será mesmo que está condenada eternamente a uma “política” de “morde e assopra”, quando o assunto é mobilidade urbana, sendo sentenciada a cidades estagnadas, poluídas e violentas para sempre?

Exemplos claros disso ocorreram nesta semana. Ao mesmo tempo em que todos os envolvidos na gestão e operação dos serviços de transportes públicos comemoram a aguardam a regulamentação do recém-aprovado Marco Legal do Transporte Coletivo, que traz inovações para financiar e melhorar os contratos e operações, o presidente Luís Inácio Lula da Silva editou uma medida provisória que afrouxa regras sobre mototáxis podendo fazer com que acidentes explodam. Exigências como idade mínima de 21 anos para atividades remuneradas com motos, dois anos de CNH carteira A e cursos obrigatórios caíram.

Esta foi um dos principais assuntos do Zurb – Seminário de Mobilidade Urbana, realizado nos dias 20 e 21 de maio de 2026, em Recife, promovido pelo Urbana-PE, sindicato das empresas de ônibus da região.

O presidente da entidade, Paulo Chaves Júnior, classificou a medida de Lula como politiqueira e disse que ela vai fazer explodir os acidentes com vítimas por haver motociclistas despreparados. Os custos com saúde pública também vão explodir. Como não dá para fabricar dinheiro e como dinheiro não nasce em árvore, a lógica é simples. Para bancar tudo isso, vão sair recursos da educação, da segurança pública, da própria saúde que seriam para outros atendimentos e, logicamente, dos transportes.

SONORA COMPLETA AO FIM DA REPORTAGEM

E não é brincadeira. Hoje com as atuais exigências, o número de ocorrências de trânsito com vítimas envolvendo motos já predomina.

No evento o diretor do SAMU da Grande Recife, Leonardo Gomes, disse que 77% das ocorrências de trânsito com vítimas na região são com motos e que os números explodiram com as mototáxis, que têm um agravante no custo e a ocupação da rede de saúde: cada acidente com moto de entrega de mercadorias ou particular, geralmente mobiliza uma só ambulância e um só leito hospitalar. Quando a ocorrência é com mototáxi, são em geral, duas ambulâncias e dois leitos – para o condutor e para o passageiro, isso quando não tem um terceiro vitimado.

FÓRMULA PARA A TARIZA ZERO NACIONAL:

Outro tema que marcou o Zurb-Recife foi a Tarifa Zero. De acordo com cálculos da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), a não cobrança de passagem nos transportes públicos em todo o País custaria em torno de R$ 110 bilhões: R$ 75 bilhões atuais dos ônibus, R$ 15 bilhões de trens e metrôs e mais R$ 20 bilhões pelo aumento de demanda destes modais.

O custo já se tem uma noção. Mas e a fórmula para bancar e arranjar dinheiro?

A NTU apresentou ao Governo Federal uma proposta chamada Transporte para Todos.

São quatro pilares de custeio que envolvem o Bolsa Família com o Vale-Transporte Social para os beneficiários do Programa – 20% do custeio, Ministérios da Saúde e Educação para as gratuidades específicas – 15%, modernização do sistema atual de Vale-Transporte – 50% e sobraria para as prefeituras subsidiar 15% ainda, que é bem mais fácil de conseguir que os subsídios atuais, zerando a conta e as tarifas para os passageiros.

Quem explicou foi o diretor-presidente na NTU, Francisco Christovam.

SONORA COMPLETA AO FIM DA REPORTAGEM

Diante de tudo isso, qual a conclusão dos palestrantes e especialistas que participaram do evento?

Soluções e caminhos para melhorar a qualidade de vida das pessoas pela mobilidade existem e vêm de diferentes pontos, visões, especialidades e correntes ideológicas. É só não permitir mais que os populismos continuem atrapalhando.

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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