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Para construir ponte junto ao Ribeirão dos Meninos, BRT-ABC faz obras de desassoreamento. Tarcísio ameaçou romper contrato por atrasos


Intervenções ocorrem no trecho entre o Ribeirão dos Couros e a Estrada das Lágrimas, em São Caetano do Sul

ADAMO BAZANI

Ainda sob o risco de perder o contrato de construção e operação do BRT-ABC (novo sistema de corredor de ônibus elétricos entre o ABC Paulista e a capital) por causa de atrasos no andamento das obras, a empesa NEXT Mobilidade diz que tem intensificado os trabalhos.

Nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, a concessionária informou que deu início às obras de desassoreamento de parte na margem direita do Ribeirão dos Meninos, em um trecho de cerca de 500 metros entre o Ribeirão dos Couros e a Estrada das Lágrimas, em São Caetano do Sul.

No local, vai ser construída a ponte Jaboticabal, que faz parte do projeto do corredor que, ao todo, deve ter 17,8 km entre São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e os terminais Tamanduateí e Sacomã, na zona Sudeste da capital.

A primeira fase do desassoreamento é a implantação da ensecadeira, que é uma estrutura provisória que isola a água e permite a construção a seco de fundações e pilares submersos.

O Diário do Transporte conversou nesta segunda-feira (11), com a proprietária da empresa, Maria Beatriz Setti Braga, que disse que as obras estão avançando e que o BRT-ABC deve incorporar plantações de árvores e vegetação lateral, a exemplo do Programa Corredor Verde, do atual Corredor Metropolitano ABD, de Ônibus e Trólebus.

Relembre:

Como mostrou o Diário do Transporte, o governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ameaçou caducidade no contrato devido a atrasos nas obras.

Além disso, a Artesp, agência que regula os contratos de transportes, diz que, por causa destes atrasos, há um desequilíbrio financeiro em favor do Estado na ordem de R$ 130 milhões.

A promessa inicial era de entrega em 2023, mas de acordo com a empresa, fatores externos como a não conclusão dos trabalhos de concessionárias de serviços, como a Enel, em remoção de postes e fiações, além da espera pela liberação de licenças ambientais impactaram o cronograma.

Relembre:

Por meio de nota, a NEXT Mobilidade detalhou esta fase do trabalho.

A Next Mobilidade, responsável pela construção do BRT-ABC, tem colaborado para o desassoreamento do Ribeirão dos Meninos em sua margem direita, no trecho entre o Ribeirão dos Couros e a Estrada das Lágrimas, com extensão aproximada de 500 metros. A obra conta com as devidas autorizações dos órgãos competentes, incluindo a Cetesb a SP Águas.

A Next Mobilidade já executou os serviços na margem direita para a implantação da ensecadeira — estrutura temporária que isola a água e permite a construção a seco de fundações e pilares submersos. No local, será construída uma ponte como parte das obras do BRT-ABC.

A ensecadeira será utilizada na execução das estacas da ponte Jaboticabal e a construção de estruturas de contenção (gabiões), sem prejuízo ao fluxo regular do curso d’água.

O dispositivo possui caráter estritamente temporário e será integralmente removido após a conclusão das obras. Na etapa final, também será realizado o desassoreamento da margem esquerda, assegurando a completa limpeza da área e a ausência de resíduos remanescentes.

AMEAÇA DE ROMPIMENTO DE CONTRATO:

Como mostrou o Diário do Transporte, o Governo do Estado de São Paulo ameaçou caducidade no contrato devido a atrasos nas obras.

Além disso, a Artesp, agência que regula os contratos de transportes, diz que, por causa destes atrasos, há um desequilíbrio financeiro em favor do Estado na ordem de R$ 130 milhões.

A promessa inicial era de entrega em 2023, mas de acordo com a empresa, fatores externos como a não conclusão dos trabalhos de concessionárias de serviços, como a Enel, em remoção de postes e fiações, além da espera pela liberação de licenças ambientais impactaram o cronograma.

Relembre:

TESTES DE CAMPO NO CORREDOR:

O Diário do Transporte mostrou em primeira-mão que primeiros ônibus 100% a bateria, com 21,5 metros de comprimento, do BRT ABC, começaram a realizar testes em campo em14 de março de 2026, ao longo do corredor exclusivo. Ao todo, pelo menos três veículos foram colocados em operação para verificações operacionais e treinamento de motoristas.

O modelo já é homologado no mercado brasileiro e tem versão semelhante operando em outros sistemas, como na zona leste da capital paulista, e em Porto Alegre. Assim, este tipo de teste não costuma ser do veículo em si, mas da inserção na configuração operacional de cada sistema e de adaptação dos condutores.

Este tipo de ônibus é totalmente elétrico e possui capacidade aproximada para 170 passageiros, entre pessoas sentadas e em pé.

Equipado com tecnologia 100% Brasileira da Eletra, carroceria Caio e plataforma e chassi Mercedes-Benz, o ônibus conta ainda com o último eixo direcional, recurso que facilita manobras em curvas, já que as últimas rodas também esterçam. Entre os itens de conforto e acessibilidade estão piso baixo, ar-condicionado, entradas USB para recarga de celulares, vidros com tratamento contra raios ultravioleta e sistema de aviso sonoro de paradas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/03/14/video-primeiros-onibus-a-bateria-do-brt-abc-iniciam-testes-em-corredor-neste-sabado-14-tarcisio-de-freitas-cobra-pressa/
Recentemente, a NEXT-Mobilidade apresentou estes 20 primeiros ônibus superaticulados elétricos com baterias que vão se somar aos 72 E-Trol (trólebus mais baterias) da frota planejada para o BRT-ABC.
Relembre:

O QUE É O BRT-ABC:

O BRT-ABC consiste num sistema para ônibus elétricos de maior capacidade que corredores comuns e deve ligar em 17,5 km as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, e a capital paulista.

BRT é uma sigla em inglês – Bus Rapid Transit , significando Trânsito Rápido para Ônibus. As obras foram prometidas inicialmente para até 2023 e o sistema  foi escolhido em 2020 para substituir um monotrilho (linha 18-Bronze).

O monotrilho não saiu do papel e, de acordo com estudos do Governo, na época, se mostrou tecnicamente inviável e quase sete vez mais caro. A implantação, ainda segundo estes estudos, custaria R$ 7 bilhões (em valores atualizados), sendo cerca de R$ 3,5 bilhões custeados pelo Governo do Estado, dos quais, R$ 1 bilhão somente em desapropriações. O BRT-ABC tem custo estimado de implantação de cerca de R$ 1,2 bilhão é é integralmente bancado pela Next Mobilidade.

Faz parte da concessão a renovação da frota de cerca de 500 ônibus intermunicipais do ABC (antiga área 5 da EMTU, que nunca havia sido concedida, operava com contratos precários por várias empresas e liderava rankings de reclamações dos passageiros sobre frota que quebrava constantemente, atrasos e demora nos pontos). Também integra a concessão a modernização do Corredor Metropolitano ABD (que liga a capital paulista e o ABC com ônibus a diesel e trólebus).

A concessão nasceu de um modelo contratual chamado de prorrogação antecipada de contrato, que consiste em ampliar o prazo em troca de investimentos.

No caso específico, tratou-se do contrato de 1997 pelo Corredor ABD que venceria em 2022.

O modelo que tem o aval do TCU (Tribunal de Contas da União) é mais usado em ferrovias e rodovias federais.

O BRT-ABC, chegou a ser contestado pelo PODEMOS, mas em 2023, em julgamento de Plenário, por 8 votos a 3, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que o modelo contratual pode ser usado por estados e municípios em diversas aplicações, como transporte por ônibus.

Outros sistemas se inspiraram e seguiram contratações semelhantes, como do Governador Ronaldo Caiado, na rede de ônibus de Goiânia e Região Metropolitana, com a renovação da frota e do sistema de corredores BRT.

BRT-ABC EM NÚMEROS (segundo a concessionária)

Passsageiros: Capacidade de até 600 mil passageiros/dia, com demanda inicial de 173 mil passageiros/dia.

Frota: Operação com 92 ônibus totalmente elétricos fabricados no Brasil, com tecnologia nacional, inclusive baterias, por meio de parceria entre empresas como Eletra, Mercedes-Benz, WEG, Caio e outras; (72 E-Trol e 20 com baterias)
Veículos de piso baixo, não poluentes, silenciosos e confortáveis, com wi-fi e ar-condicionado;
Pavimento: Trajeto em via segregada, com 16 paradas fechadas e mais três terminais;
Embarque-Desembarque: Bilhetagem realizada nas paradas, antes do embarque nos veículos, facilitando o acesso; embarque em nível e ampla acessibilidade;
Custo: Inteiramente a cargo da empresa privada operadora (Next Mobilidade); – atualizado para R$ 1,2 bilhão;
Extensão: Trajeto de 17, 5 km, atendendo diretamente três municípios do Grande ABC (São Bernardo, Santo André e São Caetano), mais Diadema e Mauá (via Corredor ABD).
Interligação com três terminais: São Bernardo (Paço Municipal), Tamanduateí (Linha 2-Verde do Metrô e Linha 10 Turquesa da CPTM) e Sacomã (Linha 2-Verde do metrô e Expresso Tiradentes).
Três opções de linhas: Paradora, Semiexpressa (oito estações) e Expressa (só os terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã); a linha Expressa fará o trajeto em menos de 35 minutos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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