Publicado em: 19 de maio de 2026

Veículos comprados com dinheiro retido de subsídios aparecem com prefixos de viações interditadas desde janeiro na capital fluminense
ARTHUR FERRARI
A chegada de 77 ônibus novos ao sistema municipal do Rio de Janeiro (RJ) abriu uma nova discussão sobre a administração do transporte coletivo da capital. Parte da frota recém-adquirida apareceu identificada com prefixos de empresas que estão proibidas de operar desde o começo do ano, situação que gerou questionamentos sobre o destino dos veículos e os critérios adotados pela Prefeitura do Rio.
Os coletivos foram comprados com recursos oriundos de descontos aplicados pela administração municipal sobre os subsídios pagos às concessionárias, cerca de R$ 70 milhões retidos após decisões judiciais relacionadas à circulação de ônibus sem ar-condicionado ou com os equipamentos fora de funcionamento.
Entre os novos veículos, sete receberam inicialmente identificação ligada à empresa Real Auto Ônibus, prefixo C41, enquanto outro foi associado à Transportes Vila Isabel, prefixo A27. Ambas tiveram as operações interrompidas em janeiro pela pela própria prefeitura depois de não realizarem a vistoria anual obrigatória da frota exigida pelo município, e mesmo impedidas de atuar no sistema, os prefixos das empresas apareceram nos ônibus, flagrados e fotografados em deslocamento até a capital.
De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), os ônibus não irão operar nas empresas interditadas. Segundo a pasta, os veículos apenas receberam identificação provisória e serão redistribuídos entre outras concessionárias que seguem atuando normalmente. Os veículos permanecerão em poder das concessionárias apenas durante a vigência dos atuais contratos, voltando ao patrimônio público após o vencimento em 2028.
Parte dos novos veículos já começou a operar no Rio de Janeiro, em linhas como 361, 685 e 803.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte


