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Queda da ureia ainda não anima compradores


Os preços da ureia seguem em queda nos portos brasileiros, refletindo o enfraquecimento da demanda global e os impactos logísticos provocados pelo conflito no Oriente Médio. A avaliação é de Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, que aponta um movimento de retração nas cotações nas últimas quatro semanas.

Segundo o analista, a ureia acumula desvalorização de 14% no período, com indicações de preços abaixo de US$ 700 por tonelada. “Pela quarta semana consecutiva, os preços da ureia recuaram nos portos brasileiros. Esse movimento baixista recente está diretamente associado a uma demanda significativamente enfraquecida em diversos países, incluindo o Brasil”, afirma Tomás Pernías.

Apesar da retração recente, as cotações ainda permanecem em patamar elevado quando comparadas ao período anterior ao conflito no Oriente Médio. De acordo com a análise da StoneX, os preços seguem cerca de 43% acima dos níveis observados antes do agravamento das tensões na região.

Para Pernías, a queda recente ainda não foi suficiente para neutralizar os impactos provocados pela alta registrada após o início do conflito. “Esse cenário evidencia que a correção recente ainda está longe de compensar o forte impacto altista provocado pelo conflito”, destaca.

O mercado global de nitrogenados também continua pressionado por restrições na oferta e dificuldades logísticas. Segundo o analista, o fechamento praticamente total do Estreito de Ormuz segue afetando o fluxo internacional do produto. “Correções mais profundas, por sua vez, tendem a ser limitadas pelas atuais condições do mercado global de nitrogenados. A oferta segue restrita, uma vez que o Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado, enquanto os entraves logísticos associados ao conflito continuam afetando o fluxo global do produto”, explica.

Mesmo com a redução nas cotações, o volume de negociações internacionais permanece limitado. De acordo com a análise, as relações de troca continuam entre as mais desfavoráveis dos últimos anos, reduzindo o interesse dos compradores em ampliar aquisições neste momento.

A postura mais cautelosa dos consumidores também reflete os preços ainda elevados no mercado internacional. “Além disso, os elevados níveis de preços ainda observados têm levado os compradores a adotar uma postura defensiva, marcada por cautela e pela preferência em adiar decisões de compra”, afirma Pernías.

No Brasil, o adiamento das compras ainda é considerado viável no curto prazo, já que o pico sazonal de demanda por nitrogenados ocorre tradicionalmente no segundo semestre. Ainda assim, o analista alerta que essa estratégia não poderá ser mantida indefinidamente.

Segundo a StoneX, a tendência é de retorno gradual dos compradores ao mercado nos próximos meses, seja para recomposição de estoques ou para garantir insumos destinados às próximas aplicações agrícolas. “Dessa forma, por enquanto, a recente queda das cotações ainda não configurou o cenário esperado pelos compradores que optaram por postergar suas negociações desde o início do conflito no Oriente Médio”, conclui Tomás Pernías.



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