Publicado em: 11 de maio de 2026

Para Paulo Saldiva, carro elétrico é o cigarro eletrônico da indústria automotiva
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
Carro elétrico está longe de ser sinônimo de sustentabilidade.
Para o professor-doutor da USP (Universidade de São Paulo), especializado em doenças pulmonares, o problema nas cidades é a falta de mobilidade urbana e a exposição das pessoas por tempo prolongado ao meio ambiente poluído.
Apesar de reduzir as emissões locais, o carro elétrico não reduz o maior problema que está por trás da poluição: os congestionamentos.
Segundo Saldiva, o carro elétrico pode ser comparado ao cigarro eletrônico da indústria automotiva
“Por causa dos congestionamentos, cada pessoa na cidade é exposta a uma poluição equivalente a fumar um cigarro a cada hora e meia. Onde está a sustentabilidade em usar dois mil quilos de lata para transportar 70 kg de pessoa? Hoje a grande parte dos carros leva uma pessoa só, sendo elétrico ou não. E o processo produtivo desses carros? E o descarte? ” – questiona Saldiva.
Para o professor, a situação se agrava quando a geração de energia é suja.
“Não é um carro a eletricidade, é um carro a carvão, a diesel, a lenha…Tem de ver a origem desta energia” – prosseguiu.
Para Saldiva, um dos pilares para reduzir a poluição é investimento na eficiência do transporte coletivo.
“A eletricidade só é eletromobilidade quando os deslocamentos são coletivos. Corredores de ônibus elétricos de alta capacidade e metrô são investimentos no meio ambiente. Transporte individual nunca será” – explicou.
Segundo Saldiva o problema não é a emissão isolada, mas a concentração.
“É o mesmo conceito da bebida: uma vodka tem mais álcool que uma cerveja. Mas dez latinhas de cerveja embriagam mais”
Paulo Saldiva participou nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, no evento de 18 anos do Programa Corredor Verde, que desde 2008 foi responsável pelo plantio de 13 mil árvores em 90 km (ida e volta) do Corredor Metropolitano ABD, que liga parte do ABC Paulista a capital.
O objetivo não é só paisagístico e sim sequestrar gás carbônico e liberar oxigênio ao ambiente.
O corredor é operado por trólebus, ônibus elétricos a bateria e a diesel
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


