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Carro elétrico não é sustentabilidade, diz professor doutor da USP


Paulo Saldiva ao lado da empresária do Corredor ABD, Maria Beatriz Setti Braga

Para Paulo Saldiva, carro elétrico é o cigarro eletrônico da indústria automotiva 

ADAMO BAZANI 

Colaborou Arthur Ferrari

Carro elétrico está longe de ser sinônimo de sustentabilidade.

Para o professor-doutor da USP (Universidade de São Paulo), especializado em doenças pulmonares, o problema nas cidades é a falta de mobilidade urbana e a exposição das pessoas por tempo prolongado ao meio ambiente poluído.

Apesar de reduzir as emissões locais, o carro elétrico não reduz o maior problema que está por trás da poluição: os congestionamentos.

Segundo Saldiva, o carro elétrico pode ser comparado ao cigarro eletrônico da indústria automotiva

“Por causa dos congestionamentos, cada pessoa na cidade é exposta a uma poluição equivalente a fumar um cigarro a cada hora e meia. Onde está a sustentabilidade em usar dois mil quilos de lata para transportar 70 kg de pessoa? Hoje a grande parte dos carros leva uma pessoa só, sendo elétrico ou não. E o processo produtivo desses carros? E o descarte? ” – questiona Saldiva.

Para o professor, a situação se agrava quando a geração de energia é suja.

“Não é um carro a eletricidade, é um carro a carvão, a diesel, a lenha…Tem de ver a origem desta energia” – prosseguiu.

Para Saldiva, um dos pilares para reduzir a poluição é investimento na eficiência do transporte coletivo.

“A eletricidade só é eletromobilidade quando os deslocamentos são coletivos. Corredores de ônibus elétricos de alta capacidade e metrô são investimentos no meio ambiente. Transporte individual nunca será” – explicou.

Segundo Saldiva o problema não é a emissão isolada, mas a concentração.

“É o mesmo conceito da bebida: uma vodka tem mais álcool que uma cerveja. Mas dez latinhas de cerveja embriagam mais”

Paulo Saldiva participou nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, no evento de 18 anos do Programa Corredor Verde, que desde 2008 foi responsável pelo plantio de 13 mil árvores em 90 km (ida e volta) do Corredor Metropolitano ABD, que liga parte do ABC Paulista a capital.

O objetivo não é só paisagístico e sim sequestrar gás carbônico e liberar oxigênio ao ambiente.

O corredor é operado por trólebus, ônibus elétricos a bateria e a diesel

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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