Publicado em: 23 de abril de 2026

Projeto de R$ 4,1 milhões avança após licitação de 2025 e inclui separação dos sistemas de controle, medida que pode dar mais autonomia e reduzir falhas operacionais
ALEXANDRE PELEGI
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) deu mais um passo em um projeto considerado estratégico para a operação ferroviária ao formalizar o contrato de R$ 4.122.677,52 para a supervisão da modernização do Sistema de Controle Centralizado (SCC) das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
O extrato foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 23 de abril de 2026 e confirma a contratação da empresa Tekhnites Consultores Associados Ltda, com prazo de execução de 18 meses.
A medida dá continuidade à licitação lançada em setembro de 2025, que previa justamente a atualização tecnológica da Linha 13 e a separação dos sistemas de controle das linhas 11 e 12 — hoje interligados.
SCC — o “cérebro” da operação
De forma simplificada, o Sistema de Controle Centralizado (SCC) funciona como o “cérebro” da ferrovia.
É por meio dele que técnicos e operadores acompanham, em tempo real:
* a posição de cada trem
* os intervalos entre as composições
* o funcionamento da sinalização
* eventuais falhas ou interferências na via
O sistema também permite tomar decisões operacionais rapidamente, como reduzir velocidade, segurar um trem em determinada estação ou reorganizar a circulação em caso de problema.
Sem o SCC, a operação moderna de uma linha ferroviária simplesmente não acontece.
CCO — o “centro de comando”
O SCC não opera sozinho. Ele funciona dentro do chamado Centro de Controle Operacional (CCO).
O CCO é o local físico — uma espécie de “sala de controle” — onde ficam os profissionais que monitoram toda a operação. É ali que estão os painéis, telas e sistemas que mostram, em tempo real, tudo o que acontece na linha.
Na prática:
* o SCC é o sistema tecnológico
* o CCO é o ambiente onde esse sistema é operado
É no CCO que decisões são tomadas em segundos para evitar atrasos maiores ou garantir a segurança da circulação.
Por que separar os sistemas das linhas 11 e 12
Hoje, as linhas 11-Coral e 12-Safira compartilham um mesmo sistema de controle. Isso significa que, do ponto de vista tecnológico, elas estão interligadas.
Essa integração, embora funcional, pode gerar limitações:
* maior complexidade para operar duas linhas ao mesmo tempo
* impacto cruzado em caso de falha
* dificuldade para evoluir tecnologicamente uma linha sem interferir na outra
Com a separação dos sistemas, cada linha passa a ter um “cérebro próprio”, o que tende a trazer:
* mais autonomia operacional
* maior confiabilidade
* possibilidade de modernizações independentes
Linha 13 como base tecnológica
A Linha 13-Jade, que liga a região da Luz ao Aeroporto de Guarulhos, aparece como eixo central desse processo.
Por ser mais recente, o ramal já incorpora tecnologias mais avançadas e acaba funcionando como referência para a modernização das demais linhas envolvidas no projeto.
A licitação foi lançada em 2025 e agora, com a assinatura do contrato em abril de 2026, o projeto entra na fase prática.
O contrato prevê a supervisão de todas as etapas, incluindo:
* análise do projeto executivo
* acompanhamento da implantação
* verificação técnica dos sistemas
* testes e validação operacional
Embora pouco visível para o passageiro, a modernização do SCC e a reorganização dos sistemas de controle estão diretamente ligadas à qualidade do serviço.
São essas estruturas que permitem:
* reduzir atrasos
* aumentar a regularidade
* melhorar a resposta a falhas
* preparar a rede para novas tecnologias
Trata-se, portanto, de uma mudança menos perceptível no dia a dia, mas fundamental para sustentar qualquer avanço mais visível no sistema ferroviário.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


