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CPTM formaliza contrato para modernizar sistema que “comanda” a circulação dos trens nas linhas 11, 12 e 13


Foto: Diário do Transporte

Projeto de R$ 4,1 milhões avança após licitação de 2025 e inclui separação dos sistemas de controle, medida que pode dar mais autonomia e reduzir falhas operacionais

ALEXANDRE PELEGI

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) deu mais um passo em um projeto considerado estratégico para a operação ferroviária ao formalizar o contrato de R$ 4.122.677,52 para a supervisão da modernização do Sistema de Controle Centralizado (SCC) das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.

O extrato foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 23 de abril de 2026 e confirma a contratação da empresa Tekhnites Consultores Associados Ltda, com prazo de execução de 18 meses.

A medida dá continuidade à licitação lançada em setembro de 2025, que previa justamente a atualização tecnológica da Linha 13 e a separação dos sistemas de controle das linhas 11 e 12 — hoje interligados.

 

SCC — o “cérebro” da operação

De forma simplificada, o Sistema de Controle Centralizado (SCC) funciona como o “cérebro” da ferrovia.

É por meio dele que técnicos e operadores acompanham, em tempo real:

* a posição de cada trem

* os intervalos entre as composições

* o funcionamento da sinalização

* eventuais falhas ou interferências na via

O sistema também permite tomar decisões operacionais rapidamente, como reduzir velocidade, segurar um trem em determinada estação ou reorganizar a circulação em caso de problema.

Sem o SCC, a operação moderna de uma linha ferroviária simplesmente não acontece.

 

CCO — o “centro de comando”

O SCC não opera sozinho. Ele funciona dentro do chamado Centro de Controle Operacional (CCO).

O CCO é o local físico — uma espécie de “sala de controle” — onde ficam os profissionais que monitoram toda a operação. É ali que estão os painéis, telas e sistemas que mostram, em tempo real, tudo o que acontece na linha.

Na prática:

* o SCC é o sistema tecnológico

* o CCO é o ambiente onde esse sistema é operado

É no CCO que decisões são tomadas em segundos para evitar atrasos maiores ou garantir a segurança da circulação.

 

Por que separar os sistemas das linhas 11 e 12

Hoje, as linhas 11-Coral e 12-Safira compartilham um mesmo sistema de controle. Isso significa que, do ponto de vista tecnológico, elas estão interligadas.

Essa integração, embora funcional, pode gerar limitações:

* maior complexidade para operar duas linhas ao mesmo tempo

* impacto cruzado em caso de falha

* dificuldade para evoluir tecnologicamente uma linha sem interferir na outra

Com a separação dos sistemas, cada linha passa a ter um “cérebro próprio”, o que tende a trazer:

* mais autonomia operacional

* maior confiabilidade

* possibilidade de modernizações independentes

 

Linha 13 como base tecnológica

A Linha 13-Jade, que liga a região da Luz ao Aeroporto de Guarulhos, aparece como eixo central desse processo.

Por ser mais recente, o ramal já incorpora tecnologias mais avançadas e acaba funcionando como referência para a modernização das demais linhas envolvidas no projeto.

A licitação foi lançada em 2025 e agora, com a assinatura do contrato em abril de 2026, o projeto entra na fase prática.

O contrato prevê a supervisão de todas as etapas, incluindo:

* análise do projeto executivo

* acompanhamento da implantação

* verificação técnica dos sistemas

* testes e validação operacional

Embora pouco visível para o passageiro, a modernização do SCC e a reorganização dos sistemas de controle estão diretamente ligadas à qualidade do serviço.

São essas estruturas que permitem:

* reduzir atrasos

* aumentar a regularidade

* melhorar a resposta a falhas

* preparar a rede para novas tecnologias

Trata-se, portanto, de uma mudança menos perceptível no dia a dia, mas fundamental para sustentar qualquer avanço mais visível no sistema ferroviário.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



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