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Grupo JCA consegue em primeira janela da ANTT, liberação de 260 mercados e Viação Cometa foi colocada para brigar até no Centro-Oeste


É um dos poucos casos entre os grandes grupos empresariais que no mercado monopolista, ou seja, onde já há atendimento de uma viação, o número é maior que em mercados desatendidos. Apenas aparecem nas relações da ANTT as marcas Catarinense, 1001 e a Cometa. Rápido Ribeirão Preto e Expresso do Sul, não constam.

ADAMO BAZANI

O Grupo JCA (iniciais do patriarca Jelson da Costa Antunes), que reúne companhias como Auto Viação 1001, Viação Cometa, Autoviação Catarinense, Rápido Ribeirão Preto, Rápido Macaense, Opção Fretamento e Turismo e Wemobi, conseguiu autorização para operar 260 mercados em novas linhas de ônibus rodoviários interestaduais na “primeira janela” da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Cada janela é uma oportunidade para, de acordo com as atuais regras do setor, que as empresas solicitem autorizações para operar, privilegiando trechos onde não há nenhum tipo de atendimento ainda ou apenas uma companhia atuando.

O editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, tem atualizado as informações sobre o procedimento que, na aposta da ANTT, deve ampliar o atendimento em todo o País e a concorrência, muito embora, segundo advogados especialistas ouvidos pelo site, na prática, os números de novos serviços aos cidadão serão menores que o anunciado pela agência federal, já que muitas empresas não vão atender a todas exigências para a operação e alguns destes mercados são isolados, não conseguem compor linhas e conexões e não devem ter viabilidade econômica ou técnica. A ANTT aprovou 47.291 mercados. Desse total, 38.379 referem-se a mercados até então não atendidos, chamados pela agência de “mercados desatendidos”.  Outros 8.912 mercados são atualmente operados por apenas uma empresa e foram classificados pela ANTT como “mercados monopolistas”. Além disso, 5.459 mercados (11,5% do total) serão submetidos a processo seletivo público.

No caso do Grupo JCA, alguns pontos chamam a atenção e que podem indicar as estratégias de negócios de um dos maiores operadores rodoviários do Brasil.

Apenas aparecem nas relações da ANTT as marcas Catarinense, 1001 e a Cometa. Rápido Ribeirão Preto e Expresso do Sul, não constam.

O destaque é para a paulista Viação Cometa, uma das mais tradicionais do setor rodoviário do Brasil e a maior companhia do Grupo JCA.

A empresa foi eleita para brigar.

Diferentemente de outros grupos empresariais que obtiveram a maior parte das autorizações em mercados onde não havia nenhum atendimento, o Grupo JCA partiu para briga em mercados que já possuem uma empresa, que formam a maioria das liberações para a Viação Cometa: 120 no total apenas para a companhia que marcou história com os lendários Morubixaba (GMPD 4104 – importados dos EUA); Dinossauros e Flecha Azul.

Para se ter a ideia, em mercados desatendidos, a Cometa obteve 47 trechos.

E com um detalhe, a empresa recebeu no caso onde já há atendimento, liberação para operar no Centro-Oeste, onde não atuava, em trechos de Goiás e Mato Grosso.

Mercados até então sem atendimento:

Autoviação Catarinense Ltda

65 mercados

Exemplos

Cambé (PR) x Balneário Camboriú (SC); Canoas (RS) x Campinas (SP); Jaraguá do Sul (SC) x Aparecida (SP); Tijucas (SC) x Santo André (SP);

Viação Cometa S.A.

47 mercados

Exemplos

Belo Horizonte x Mongaguá (SP); Queimados (RJ) x Campinas (SP); Ribeirão das Neves (MG) x Cubatão (SP); Itajaí (RJ) x São José dos Campos (SP);

Auto Viação 1001 Ltda

13 mercados

Exemplos

Duque de Caxias (RJ) x Cajamar (SP); São João do Meriti (RJ) x Osasco (SP); Itaboraí (RJ) x Campinas (SP); Niterói (RJ) x Caçapava (SP)

Mercados com uma empresa operando até agora

Auto Viação Catarinense Ltda

11 mercados

Exemplos

Apucarana (PR) x Campinas (SP); Blumenau (SC) x Taubaté (SP); Guarapuava (PR) x Criciúma (SC); Guarapuava (PR) x Imbituba (SC); Guarapuava (PR) x Tubarão (SC); Indaial (SC) x São Paulo (SP); Londrina (PR) x Biguaçu (SC); Londrina (PR) x Itapetininga (SP); Maringá (PR) x Biguaçu (SC); Maringá (PR) x São José (SC); Medianeira (PR) x Jaraguá do Sul (SC)

Viação Cometa S.A.

120 mercados

Exemplos:

Alfenas (MG) x Barra Mansa (RJ); Alterosa (MG) x Campinas (SP); Alto Araguaia (MT) x Rio de Janeiro (RJ); Alto Garças (MT) x Rio de Janeiro (MT); Barroso (MG) x São Bernardo do Campo (SP); Congonhas (MG) x São Paulo (SP); Jataí (GO) x Rio de Janeiro (RJ); Muzambinho (MG) x São Paulo (SP); Rio Verde (GO) x Rio de Janeiro (RJ); Santa Rita do Araguaia (GO) x Rio de Janeiro (RJ)

Auto Viação 1001:

04 mercados

Pirapetinga (MG) x Miracema (RJ); Pirapetinga (MG) x Santo Antônio de Pádua (RJ); Beraba (MG) x Cabo Frio (RJ); Uberlândia (MG) x Cabo Frio (RJ)

GRUPOS TRADICIONAIS X “START UPS”

A ANTT aprovou 47.291 mercados. Desse total, 38.379 referem-se a mercados até então não atendidos, chamados pela agência de “mercados desatendidos”.  Outros 8.912 mercados são atualmente operados por apenas uma empresa e foram classificados pela ANTT como “mercados monopolistas”. Com isso, o total de mercados autorizados administrativamente deverá saltar de 33.961 para 72.340 — um crescimento de 113%. Além disso, 5.459 mercados (11,5% do total) serão submetidos a processo seletivo público.

Cada “janela da ANTT” é uma oportunidade para, de acordo com as atuais regras do setor, que as empresas solicitem autorizações para operar, privilegiando trechos onde não há nenhum tipo de atendimento ainda ou apenas uma companhia atuando.

Com a marca própria Flixbus, a gigante alemã conseguiu 1158 mercados onde não havia oferta até então e 72 mercados onde já há uma oferta, somando 1230 mercados. A FlixBus está no Brasil desde 2021, mas a atuação na Europa começou em 2011 e hoje se tornou gigante, tendo, inclusive frota própria de ônibus e operando até mesmo ferrovias.

A Buser, criada no Brasil em 2017, obteve 27 mercados autorizados, sendo 26 onde não havia atendimento e um para concorrer onde há uma empresa apenas. Mas as liberações não foram para a Buser em si, mas para duas empresas de linhas regulares que comprou, a Transportes Santa Maria, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista; e Expresso JK, do Distrito Federal. Ambas já atuavam no setor dessas linhas. O aplicativo Buser se caracterizou pelo que chama de “fretamento colaborativo”, modelo que é alvo de um debate jurídico sobre se é legal ou não no Brasil.

Veja os detalhes:

Em 28 de abril de 2026, o criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, mostrou que o aplicativo  Buser vai operar 27 mercados.

As operações se darão por meio da compra recente pelo aplicativo das empresas Transportes Santa Maria, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista; e Expresso JK, do Distrito Federal.

Somente em relação aos chamados mercados “desatendidos”, que são ligações para as quais não havia nenhuma oferta, são 26, sendo 18 pela empresa do ABC e oito pela JK.

Barbacena (MG) x Santo André (SP); Campo Belo (MG) x São Bernardo do Campo (SP); Formiga (MG) x São José do Rio Preto (SP); são alguns exemplos pela Santa Maria e; Morrinhos (MG) x Belo Horizonte (MG); Pinhas (PR) x Registro (SP) e Rio de Janeiro (RJ) x Itaquaquecetuba (SP), pela JK, são casos dos mercados antes sem oferta de ligações.

Já entre os mercados que tinham a atuação de uma só empresa, a Buser vai operar, pela Expresso JK, a ligação Contagem (MG) x Três Rios (RJ).

Relembre:

EXCLUSIVO: Buser ganhou mais 27 mercados de ônibus de linhas regulares interestaduais com janelas da ANTT

No dia 27 de abril de 2026, Adamo Bazani mostrou que a plataforma internacional Flixbus conseguiu autorizações para operar diretamente linhas de ônibus nestas janelas.

Foram 1158 mercados onde não havia oferta até então, que são chamados pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), de mercados desatendidos, tendo a Flixbus como contemplada 1.: Alagoinhas (BA) x Jaboatão dos Guararapes (PE); Balneário Camboriú (SC) x Umbaúba (SE); Bayeux (PB) x Santo André (SP); Camapuã (MS) x Cascavel (PR) estão entre os exemplos.

A plataforma também vai atender 72 mercados onde já há uma oferta, como Curitiba (PR) x São Vicente.

Relembre:

EM PRIMEIRA-MÃO: Janelas da ANTT: Flixbus tem 1158 mercados antes sem atendimento e, Gontijo 3024. Sobre “monopolistas”, Águia Branca vai coincidir com rotas da Itapemirim

Os modelos de negócios foram escolhidos de forma diferente.

Enquanto a Flixbus fez as solicitações diretas por sua marca, a Buser foi contemplada por meio das compras de viações de linhas regulares que fez.

O criador e editor-chefe do Diário do Transporte noticiou em primeira mão, de forma oficial, a aquisição.

Relembre:

Holding da Buser adquire CNPJ da Transportes Santa Maria, do ABC Paulista, para operações rodoviárias interestaduais regulares. JK já havia sido adquirida

O Diário do Transporte mostrou também que mesmo com participação da Buser e Flixbus na primeira janela da ANTT, associação que reúne aplicativos vê resultados com cautela.

Segundo Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), não há evidências ainda de que os benefícios para empresas e para os passageiros serão reais e muitos destes mercados não serão possíveis.

Relembre:

Mesmo com participação da Buser e Flixbus na primeira janela da ANTT, associação que reúne aplicativos vê resultados com cautela

O criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, conversou em uma reportagem especial de “pós-divulgação dos resultados dos mercados aprovados” com vários advogados especializados neste setor e em segurança jurídica.

Todos entendem que houve avanços, mas também entendem ser necessária cautela e aliaram riscos jurídicos e operacionais.

“Grande parte dos mercados concedidos não vai ser operada, porque muitos destes mercados não são viáveis ou não conseguem compor uma linha rentável na prática. Resumindo: a janela no final pode ser uma grande ilusão” – explicou o advogado especializado em transportes rodoviários, considerado uma das referências no setor, Ilo Löbel da Luz.

Por este motivo, a advogada especializada em direito empresarial, Liana Variani, aponta também que, além da viabilidade econômica toda nova operação precisa ser avaliada pelo ponto de vista de risco jurídico.

“Toda regulamentação nova requer uma análise aprofundada por equipes de advogados especializados. Esta avaliação deve considerar as novas regras em si, a tal letra fria, mas as realidades próprias da empresa, levando em conta o contexto operacional, organizacional, concorrencial e até mesmo geográfico de determina operação. Vale a pena, então, entender o texto e o contexto de forma ampla e individualizada ao mesmo tempo” – disse.

“Para empresas que nunca operaram no modal rodoviário interestadual — como parece ser o caso de pelo menos parte das contempladas nesta rodada —, a curva de aprendizado regulatório pode ser longa e custosa. Infrações no início da operação, mesmo que involuntárias, geram autuações com penalidades significativas, suspensões e até cassação da autorização”. – detalhou a advogada especializada no setor rodoviário, Rita Januzzi.

Segundo o especialista em direito voltado para a área de transportes, o advogado Lucas Turquino, haverá acirramento concorrencial riscos de litígio.

“Um ponto que merece atenção jurídica é o acirramento competitivo que os resultados desta janela revelam — e em alguns casos, explicitamente agravam. Alguns novos vão aparecer outros vão se ampliar” – disse.

A matéria especial você acessa neste link:

ENTREVISTAS: Primeira janela de ônibus rodoviários da ANTT pode ser “pura ilusão”, grande parte dos mercados aprovados não vai virar realidade e vai ter muita briga na Justiça

O QUE SÃO JANELAS E QUANTAS SÃO:

As chamadas ‘janelas de entrada’ são períodos predefinidos pela agência durante os quais empresas de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros podem apresentar requerimentos para obter novas autorizações de linhas ou para a ampliação de serviços já existentes. Fora dessas janelas, o sistema regulatório é, em regra, fechado para novos pedidos.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 24 de abril de 2026, a ANTT aprovou 47.291 mercados. Desse total, 38.379 referem-se a mercados até então não atendidos, chamados pela agência de “mercados desatendidos”.  Outros 8.912 mercados são atualmente operados por apenas uma empresa e foram classificados pela ANTT como “mercados monopolistas”. Com isso, o total de mercados autorizados administrativamente deverá saltar de 33.961 para 72.340 — um crescimento de 113%.

A reportagem completa do editor e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, sobre as janelas, você confere neste link:

ANTT publica resultados de abertura de janelas extraordinárias de mercado de ônibus rodoviários e estima aumento de 52% no número de empresas

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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