Publicado em: 1 de maio de 2026

De acordo com o presidente da Fabus, associação que representa os fabricantes de carrocerias, Rubens Bisi, apesar de trazer vantagens, taxas de juros ainda estão altas e dificultam acesso ao crédito
ADAMO BAZANI
Colaborou Yuri Sena
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Como já havia anunciado o Diário do Transporte nas últimas semanas, nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, o Governo Federal anunciou a segunda fase do MOVE Brasil, programa para renovação de frota de veículos pesados, um dia antes do fim da validade da medida provisória que havia instituído a primeira etapa, desta vez, com mais que o dobro do valor disponível: R$ 21,2 bilhões ante R$ 10 bilhões da primeira versão.
Além de taxas de juros mais baixas e maiores prazos de carência e de período para diluir as parcelas, uma das diferenças foi a inclusão de implementos rodoviários e de ônibus.
Para os veículos de transportes coletivos de passageiros, destes R$ 21,2 bilhões, esta nova etapa prevê R$ 2 bilhões.
Pode parecer uma pequena parcela, mas foi vista positivamente por donos de empresas de ônibus e fabricantes.
Ao editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, o presidente da Fabus, associação que reúne os fabricantes de carrocerias de ônibus, Rubens Bisi, disse que desde o ano passado o setor trabalhava para esta inclusão.
A primeira versão só contemplava caminhões.
Entretanto, apesar de melhores, as taxas de juros ainda são altas, reflexo da taxa básica do Banco Central, o que ainda dificulta o acesso ao crédito.
A inclusão dos ônibus no projeto Move Brasil 2 é uma importante conquista do setor que estava sendo trabalhada desde o ano passado, quando foi lançado o programa para caminhões, e a nossa satisfação é de que nós tivemos uma verba assegurada de R$ 2 bilhões exclusivamente para o setor ônibus. Então, com isso, vamos ter um financiamento com taxas melhores do que as taxas hoje no mercado, apesar de serem ainda muito altas, mas uma taxa que poderemos ter para movimentar a cadeia e renovar a frota de ônibus no Brasil. – disse Bisi, que nesta quinta-feira (30), esteve em Brasília acompanhando a assinatura da medida.
O setor de transportes de passageiros vive momentos de incertezas.
No segundo semestre, ainda mais com a reta final do período eleitoral, o segmento de ônibus urbanos, que em volumes representa a maior parte da produção, tende a desaquecer.
Os impactos das sucessivas altas do preço do óleo diesel nos custos de operação de transportes também são motivos de preocupação, mas também podem ser oportunidades para o segmento de ônibus rodoviários. Isso porque os custos da aviação subiram em proporções maiores, com uma elevação acentuada do valor das passagens aéreas.
Com isso, deve haver uma migração de demanda para o rodoviário.
Não só para atender a estes passageiros do setor aéreo neste momento, mas também para conquistar e manter, mesmo com uma futura redução do valor de passagens da aviação, as empresas de ônibus decidiram investir.
E a frota é um dos principais pilares. Além de mais ônibus, veículos mais confortáveis, modernos e luxuosos estão nos planos. Estes modelos possuem maior valor agregado.
Do total de R$ 21,2 bilhões, R$ 14,5 bilhões serão provenientes de recursos diretos da União e R$ 6,7 bilhões por meio do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
Nesta nova linha, em torno de R$ 2 bilhões serão também exclusivamente para caminhoneiros autônomos.
As taxas de juros foram alteradas em relação à primeira versão.
Serão entre 11,3% e 12,4% com parcelas diluídas em até 10 anos.
Na primeira versão, as taxas para os donos de veículos que tomassem o financiamento eram entre 13% e 14% com as parcelas sendo pagas ao longo de cinco anos.
A carência para começar a pagar subiu de seis meses para 12 meses.
Quem entregar para o sucateamento ônibus e caminhões recebe ainda outras facilidades na contratação do financiamento.
Na assinatura da nova fase do MOVE, nesta quinta-feira (30), o presidente Luís Inácio Lula da Silva também disse que na próxima semana, o Governo Federal deve ampliar a mistura de biodiesel ao diesel dos atuais 15% para 16%, como mostrou o Diário do Transporte.
Relembre:
Governo Federal formaliza mais R$ 21,2 bilhões para o MOVE Brasil, com R$ 2 bilhões para ônibus e vai anunciar 16% de biodiesel ao diesel (B16)
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Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


