Publicado em: 21 de maio de 2026

Professora da UFPE diz que há muitas promessas e discursos, mas nada vai avançar se as gestões de Mobilidade não forem unificadas
ADAMO BAZANI
Marco Legal do Transporte Público, bilhões de reais para obras de metrô, de corredores de ônibus e VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos). Tarifa Zero, SUS dos Transportes, novas leis.
Tudo isso é importante e sem isso não é possível atender a todas as necessidades de evoluções na mobilidade urbana do Brasil. Mas o básico que já poderia ter sido feito há décadas ainda não é realidade nas cidades: não há gestões unificadas que pensem não em modais, mas nas pessoas se deslocando como e quando querem, em especial, a pé até os meios de transportes coletivos de alta capacidade, como ônibus BRTs e metrôs.
Tudo pode parecer conceitual, mas uma frase ouvida por uma pesquisadora mostra o quanto este quadro afeta a vida das “pessoas da vida real”.
“Nosso problema é da catraca pra dentro”. Esta frase veio de gestores da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanas), operadora de trens na grande São Paulo, segundo a arquiteta e urbanista, doutora e docente no curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Yara Baiardi, em uma das visitas técnicas que fez em suas pesquisas.
O testemunho foi relatado por Yara no ZURB – Seminário de Mobilidade Urbana, realizado pelo Urbana-PE, sindicato das empresas de ônibus da região, nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, com cobertura do Diário do Transporte.
A pesquisadora disse que uma integração de gestão e políticas voltadas para um desenho urbano nunca tiveram entraves legais para serem colocadas em prática, apenas falta mesmo a prioridade nas decisões.
A professora disse ainda que o Brasil pode perder oportunidades mesmo com os avanços legais e de financiamento.
Os transportes não podem ser pensados como ilhas. Na verdade como elementos a serviço das pessoas.
Adamo Bazani jornalista especializado em transportes


