Conhecido por sua língua afiada, o presidente de LALIGA, Javier Tebas, partiu para o ataque contra PSG e Manchester City nesta quinta-feira (2).
Durante participação em evento, o dirigente exaltou o modelo de fair play financeiro adotado pela organização que rege o Campeonato Espanhol, com imposição de limites salariais e rígido controle de dinheiro que entra e sai de cada clube.
De acordo com Tebas, porém, outras ligas não são tão severas quanto à aplicação de regras financeiras, o que faz times como Paris e City, que são controlados com dinheiro “infinito” do Oriente Médio, terem grande vantagem na hora de montar elencos poderosos.
O chefão de LALIGA, inclusive, subiu o tom e chamou a gestão das duas equipes de “trapaça”.
“O futebol é global, e, nas competições europeias, os times da Espanha têm que enfrentam clubes que vivem outro sistema, sem qualquer controle econômico”, iniciou.
“Na Inglaterra, já estão preocupados com o nível de endividamento dos clubes. É uma competição onde constantemente há déficits. Vocês pode ter déficits por um, dois, três anos, mas não por cinco, seis, sete, oito, nove ou 10, como o Manchester City, que vai apresentando déficits e fazendo trapaças desde que foi comprado pelos novos donos”, disparou.
“Ou também o PSG, que teve déficits de 200 milhões de euros durante sete anos consecutivos. Mesmo com tudo isso, os times da Espanha conseguem competir contra eles. Levamos 30 títulos europeus de vantagem contra a Premier League neste século”, completou.
Tebas ainda exaltou o papel de LALIGA em realizar a venda centralizada de direitos de transmissão de TV, tendo controle da distribuição do dinheiro dos clubes, com uma parte tendo que ser usada obrigatoriamente para pagamento de dívidas.
“Quando começou a venda centralizada (de direitos) […] conseguimos começar a fazer um plano de reestruturação de dívidas. Se não tivesse isso, o dinheiro teria ido para compra de jogadores, para Ferraris, Porches e iates, e não para amortizar dívidas públicas”, bradou.
Metrô diz que havia funcionários suficientes e que ocorrência foi em área administrada por concessionária; Sindicato dos Metrôviários denuncia falta de funcionários decorrente da concessão destas regiões dentro das estações
ADAMO BAZANI / ARTHUR FERRARI
A Polícia Civil de São Paulo investiga as circunstâncias e responsabilidades sobre a morte de um passageiro em um corredor de acesso para a Estação Carrão do Metrô, na Zona Leste da capital paulista, na última segunda-feira, 15 de setembro.
A vítima chegou a ser socorrida mas não resistiu. A suspeita é que tenha sofrido uma parada cardiorespiratória.
Metrô e Sindicato dos Metroviários se contradizem. A estatal disse por meio de nota que o caso ocorreu em uma passarela concedida, não sendo mais de sua responsabilidade, e que havia funcionários suficientes, deslocando agentes para também atuar nos primeiros atendimentos. Já o sindicato disse que não havia trabalhadores suficientes para ocorrências deste tipo e responsabilizou a redução do quadro de trabalhadores por conta da concessão dessas áreas, citando em comunicado que “privatização das passarelas e falta de funcionários causam tragédia”.
O Metrô afirma que a estação contava com mais de um colaborador, sendo que um deles era treinado para primeiros-socorros. Esta versão ao menos coincide com o que alega o sindicato, que diz que no local havia apenas uma funcionária com esse tipo de capacitação.
Confira as notas do Metrô e Sindicato dos Metroviários:
Metrô de São Paulo
“O Metrô lamenta profundamente o ocorrido. Embora a ocorrência citada tenha sido fora da área de responsabilidade do Metrô, assim que comunicados, os funcionários da empresa foram ao local para socorrer a vítima até a chegada do SAMU que a levou com vida ao Pronto Socorro. Durante o ocorrido, a estação Carrão contava com mais de um colaborador, incluindo um treinado para primeiros socorros, que estava nas dependências da estação, onde não há campo de visão ao local da ocorrência, que é administrado por uma concessionária. Por isso, o Metrô – que é reconhecido também por sua atuação em primeiros socorros, com mais de 400 mil atendimentos desde 1997 -reforça a importância de que as pessoas comuniquem imediatamente qualquer caso, possibilitando uma rápida atuação, mesmo em locais fora de sua área de atuação.”
Sindicato dos Metroviários
“No início da noite do dia 15/9, um passageiro sofreu uma parada cardiorrespiratória no corredor da estação Carrão e havia apenas uma funcionária do OPE na estação. Havia também alguns trabalhadores terceiri- zados da Works, mas que não possuíam treinamento para atuação. O corredor da estação Carrão foi concedido para a iniciativa privada. Desde a privatização, os corredores estão abandonados, sem limpeza, sem atuação de segurança pública (ou, quando há atuação, é do Corpo de Segurança do Metrô) e sem nenhuma orientação do Metrô para os metroviários sobre qual a delimitação da nossa atuação nessas áreas privatizadas. Com apenas uma funcionária na estação, é impossível atuar para salvar vidas e conduzir uma situação difícil como essa. Como fruto também da falta de funcionários, demorou para chegar apoio do Corpo de Segurança de outras estações. É por situações como essa que os metroviários estão adoecendo e esgotados. É urgente que a direção do Metrô tome providências: realize concurso público imediatamente para contratar mais funcionários de estação e segurança. Precisamos também de mais funcionários para que o Metrô cancele a concessão dessas passarelas. A privatização tem as suas consequências estampadas na sujeira desses espaços e na incapacidade das em- presas privadas em garantir a segurança pública neste espaço.”
Ádamo Bazani e Arthur Ferrari, jornalistas especializados em transportes
Posse ocorre em meio a bloqueio orçamentário, escassez de pessoal e instabilidade em sistemas que comprometem a regulação do transporte coletivo interestadual e internacional
ALEXANDRE PELEGI
Em cerimônia realizada nesta terça-feira, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) empossou Guilherme Theo Sampaio como diretor-geral e Alex Antônio de Azevedo Cruz como diretor, para mandatos de cinco anos. Com isso, a diretoria colegiada da agência está completa. A cerimônia contou com autoridades do Executivo, Legislativo, Judiciário, órgãos de controle, setor produtivo e regulado, além de servidores da agência.
Perfil da nova gestão
* Guilherme Theo Sampaio é advogado, natural de Minas Gerais, ocupante interino do cargo desde fevereiro de 2025, após ter sido membro da diretoria desde 2021. Suas falas destacam continuidade: valorização dos servidores, modernização das concessões, integração logística, previsibilidade regulatória, segurança jurídica e foco no usuário.
* Alex Antônio de Azevedo Cruz, da Paraíba, com longa carreira no setor público, enfatiza ética, regionalização, diálogo institucional e sensibilidade às desigualdades regionais, citando a ferrovia Transnordestina como obra estratégica para integração de regiões menos atendidas.
Cenário macro: oportunidades e obstáculos
A posse ocorre em um momento em que há expectativas de que a ANTT exerça protagonismo na modernização da infraestrutura de transportes terrestres, em especial com investimentos expressivos e concessões em debate.
No entanto, além dos desafios já tradicionalmente apontados — como contratos complexos de concessão, necessidade de regularidade institucional e operacionalização de obras regionais — existem obstáculos específicos no campo do transporte coletivo de passageiros que ameaçam a eficácia das políticas regulatórias e a expansão de mercados.
Desafios no transporte coletivo de passageiros
Com base em análise recente do Diário do Transporte, os principais problemas que vêm afetando o setor sob regulação da ANTT são:
Corte orçamentário significativo
Há bloqueio de cerca de R$ 74 milhões no orçamento da ANTT, o que corresponderia a aproximadamente 24% dos recursos previstos para o ano. Esse bloqueio tem impacto direto em contratos, aquisição de bens e manutenção, comprometendo serviços essenciais de regulação e fiscalização.
Escassez de pessoal
A redução ou limitação de recursos acarretou diminuição da força de trabalho, sobretudo no quadro terceirizado, que representa parte substancial dos colaboradores da ANTT. Isso tem efeitos sobre a capacidade de exame de processos, de acompanhamento de operações e emissão de autos de infração.
Falhas tecnológicas em sistemas essenciais
Plataformas estruturais da regulação do transporte coletivo rodoviário, tais como SIGMA, SISHAB2 e MONITRIIP, enfrentam instabilidade. Essas falhas prejudicam não só a fiscalização como também o acompanhamento regulatório, planejamento de autorização de novos mercados, operação das janelas de abertura para mercado e confiabilidade dos dados regulatórios.
Atrasos na abertura de mercados desassistidos
A chamada “Janela de Abertura Extraordinária de Mercados” — processo pelo qual novos mercados de transporte de passageiros poderiam ser autorizados, inclusive em regiões cujos serviços são monopolizados ou pouco atendidos — está sendo afetada pelo conjunto dos problemas acima. A expectativa era que o procedimento fosse retomado em maio de 2025, com encaminhamento das taxas de inscrição, homologações e início de operações até setembro, mas isso ainda não se concretizou. ([Diário do Transporte][1])
Incerteza para os prestadores e usuários
As empresas do setor enfrentam indefinições sobre regras, prazos e que condições serão exigidas, o que dificulta planejamento de investimento, expansão ou concorrência. Para os usuários, isso pode representar menor oferta de serviços, de rotas ou horários, além de possíveis impactos na qualidade do serviço.
Intersecção entre os desafios gerais e os específicos
Os desafios do transporte coletivo de passageiros agravam ou se somam a outros problemas estruturais enfrentados pela ANTT, tais como:
* A necessidade de estabilidade regulatória para garantir segurança jurídica, fatores esses já ressaltados pela nova direção.
* Pressão para que os novos contratos de concessão sejam bem desenhados, levando em conta capacidade institucional da agência para fiscalizar e acompanhar execução, inclusive com pessoal e sistemas adequados.
* O risco de que atrasos ou falhas nos processos regulatórios reduzam os benefícios esperados dos investimentos, ao postergar abertura de mercados, concorrência e a oferta de serviços em regiões menos atendidas.
Implicações práticas
A capacidade de execução da ANTT será testada nos próximos meses: como reagirá a nova gestão ao bloqueio orçamentário e à necessidade de recompor recursos ou priorizar ações estratégicas.
Se as falhas tecnológicas não forem contidas ou os sistemas não forem mantidos em operação estável, o acompanhamento regulatório, licenças, autorizações, fiscalizações ficarão comprometidas — com impacto direto sobre empresas, usuários e sobre o cumprimento de metas regulatórias.
Regulamentações, prazos e rotinas até então previstos em cronogramas poderão sofrer atrasos, o que pode gerar contestações judiciais ou litígios regulatórios.
Demandas de recomposição de pessoal, capacitação e tecnologia tendem a se tornar prioritárias para evitar perdas de eficiência e credibilidade.
Conclusão
A nova diretoria da ANTT assume em um cenário de expectativa de modernização ampla da infraestrutura de transportes terrestres. No entanto, para que essa expectativa se concretize — inclusive no transporte coletivo de passageiros — será necessário enfrentar, de forma transparente e eficaz, problemas orçamentários, de recursos humanos e tecnológicos. O sucesso da gestão dependerá menos de discursos e mais de resultados práticos: mercados autorizados, serviços efetivamente entregues, fiscalização confiável e impacto perceptível para usuários.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
Liminar do TRF4 atende ação da empresa gaúcha, que questiona demora da Agência em julgar requerimentos da Janela Extraordinária
ALEXANDRE PELEGI
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) concedeu nesta quinta-feira, 18 de setembro de 2025, uma liminar em favor da VUSC –Viação União Santa Cruz, sediada no Rio Grande do Sul. A decisão, relatada no processo que tramita na Justiça Federal da 4ª Região, obriga a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a concluir, em até 30 dias, a análise dos requerimentos da transportadora para operar em mercados desassistidos e monopolistas, apresentados durante a Janela de Abertura Extraordinária.
A empresa é representada pelo advogado Ilo Löbel da Luz, que sustentou no pedido judicial que a morosidade da ANTT em analisar os requerimentos “tem gerado prejuízos tanto para a transportadora como para os usuários que permanecem sem atendimento adequado”.
Fundamentação da decisão
Na liminar, o desembargador destacou que “a demora da ANTT em dar resposta efetiva às solicitações da autora configura violação aos princípios da eficiência e da razoabilidade administrativa, previstos no art. 37 da Constituição Federal”.
O magistrado ainda frisou que a Agência já havia se comprometido a priorizar os pedidos relativos a mercados desassistidos, conforme constou em deliberações anteriores (prints inseridos na liminar):
Segundo o desembargador, “a própria autarquia, ao editar as deliberações mencionadas, reconheceu a necessidade de celeridade na tramitação dos pedidos relacionados à Janela Extraordinária, não podendo agora postergar indefinidamente sua análise”.
Com a determinação, a ANTT deverá concluir o julgamento dos pedidos da União Santa Cruz no prazo máximo de 30 dias corridos, sob pena de aplicação de multa diária em caso de descumprimento.
Contexto: Janela Extraordinária
A chamada Janela de Abertura Extraordinária foi aberta pela ANTT para receber pedidos de autorização de empresas interessadas em atuar em mercados onde a oferta é insuficiente ou dominada por uma única operadora. O mecanismo busca ampliar a concorrência e corrigir distorções no transporte rodoviário interestadual de passageiros.
No entanto, transportadoras alegam que a morosidade da análise dos pedidos tem comprometido os objetivos da medida, além de restringir a possibilidade de entrada em novos mercados.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
O tenista João Fonseca, de 19 anos, viverá uma noite de estreia nesta sexta-feira (19). Por volta das 23h (de Brasília), ele vai encarar o italiano Flavio Cobolli pela rodada de abertura da Laver Cup.
O torneio, que terá transmissão ao vivo do Disney+, está na oitava edição. A disputa foi criada pela lenda Roger Federer, enquanto ainda era atleta — foi na competição, inclusive, que o suíço se despediu das quadras, em 2022.
Mas como funciona a Laver Cup? A ESPN explica. É um campeonato rápido, que coloca uma seleção de europeus contra uma seleção do mundo. São apenas 12 partidas, que acontecerão até domingo, com nove jogos de simples e três jogos de duplas.
Cada partida na sexta-feira soma um ponto para o time vencedor. No sábado, cada vitória dá dois pontos. No domingo, último dia, cada vitória acrescenta três pontos. O conceito é fácil: a seleção que somar mais pontos será consagrada campeã. Cada um dos dias terá três partidas de simples e uma de duplas. Para ficar com o título, é necessário atingir 13 pontos. Se houver empate após 12 jogos, haverá uma final de duplas.
João Fonseca, número 42 do mundo, é o primeiro brasileiro a participar do torneio. O adversário do jovem é o número 25 do ranking.
Nesta sexta, além do confronto entre eles, entrarão em quadra:
Casper Ruud (Noruega) x Reilly Opelka (EUA)
Jakub Mensik (República Tcheca) x Alex Michelsen (EUA)
Jakub Mensik (República Tcheca) e Carlos Alcaraz (Espanha) x Alex Michelsen (EUA) e Taylor Fritz (EUA)
Os jogos, em quadra dura, acontecerão no Chase Center, em São Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos. As partidas terão três sets. O terceiro set é um match-tiebreak, até 10 pontos.
Como os jogadores são escolhidos?
A Laver Cup convida automaticamente os três jogadores mais bem classificados no ranking de simples da ATP de cada seleção (mundo e Europa). O convite acontece na segunda-feira seguinte ao grand slam de Roland Garros.
Se alguém recusa, o próximo na classificação é chamado. Cada time tem um capitão, que também escolhe outros três atletas. O capitão do time Europa é Yannick Noah; do mundo, Andre Agassi.
Representantes do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) se reuniram na manhã desta segunda-feira (15), na Fiesp, em São Paulo, para debater o projeto de lei 699/2023, que prevê benefícios para estimular a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência externa do Brasil. Participaram do encontro representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Legislativo, da academia e do setor produtivo, que demonstraram alinhamento e vontade política de aprovar a medida.
O secretário nacional de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos, disse que o tema é de extrema relevância para o país, “no sentido de reduzir uma vulnerabilidade e controlar um risco estratégico”. Atualmente, o Brasil importa 85% do fertilizante utilizado no agro. Com o Plano Nacional de Fertilizantes, instituído pelo decreto 11.518/2023, a meta é reduzir para 50% a dependência externa até 2050. Guilherme representou o ministro Carlos Fávaro na reunião.
Segundo ele, os fertilizantes importados são isentos de impostos, mas os fabricantes nacionais não têm benefícios para ampliar a produção. As tarifas incidentes sobre o gás natural também afetam a indústria nacional de fertilizantes.
O projeto de lei é de autoria do senador Laércio Oliveira, que destacou a necessidade de fortalecer a indústria nacional de fertilizantes como forma de garantir a segurança alimentar e a soberania nacional.
Em linhas gerais, o Profert estabelece uma desoneração ampla, com isenção de tributos que incidem sobre bens e serviços adquiridos no Brasil e importados, além da desoneração sobre o gás natural utilizado na produção de fertilizantes. O projeto de lei também institui crédito presumido de PIS/Cofins – as empresas poderão obter crédito presumido de 9,25% sobre insumos usados na fabricação de fertilizantes. Por fim, a proposta cria financiamento via debêntures incentivadas, com isenção de imposto de renda para pessoa física que quiser investir.
O assessor da Secretaria-Executiva do Mapa, José Carlos Polidoro, enumerou as oportunidades para o setor de fertilizantes no Brasil. “O mercado está em expansão e deve atingir US$ 240 bilhões até 2030, sendo US$ 82 bilhões em soluções verdes e tecnológicas”, disse. A adoção reprimida (60% dos produtores familiares nunca utilizaram fertilizantes), o Programa Caminho Verde Brasil (que vai recuperar áreas degradadas) e a agenda climática (fertilizantes respondem por -20% das emissões de gases de efeito estufa agro no Brasil) foram colocados por ele.
O diretor executivo da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), Ricardo Tortorella, defendeu a adoção de uma política pública para ampliar a produção de fertilizantes no Brasil, como forma de reduzir a dependência externa e, ao mesmo tempo, estimular ciência e tecnologia no setor. Segundo ele, o aumento da produção nacional poderia dobrar a capacidade agrícola do país.
Também foram debatidos os bioinsumos. O professor Átila Francisco Mogor, da Universidade Federal do Paraná, ressaltou que essas soluções sustentáveis reduzem a dependência de insumos importados e aumentam a eficiência produtiva, além de contribuírem para a recuperação da fertilidade dos solos. A pesquisadora Cristhiane Oliveira Amâncio, chefe da Embrapa Agrobiologia, destacou os impactos socioeconômicos positivos, como geração de empregos, renda e desenvolvimento regional, além do estímulo à bioeconomia e à inovação.
Ao final, os participantes reforçaram a intenção de promover uma campanha pela aprovação do Profert no Congresso Nacional e pela sanção presidencial. O encontro contou ainda com a presença do deputado federal Arnaldo Jardim e do deputado estadual Itamar Borges.
Veículo, produzido em parceria com a Caio, WEG e Mercedes-Benz, fica exposto para a população conhecer no Parque Harmonia nesta sexta-feira e sábado (19 e 20). É a primeira unidade de 70 articulados esperados para a capital do Rio Grande do Sul
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
Porto Alegre (RS) recebe o primeiro ônibus 100% elétrico do transporte público da cidade, do tipo superarticulado de 21,5 metros de comprimento e capacidade para 150 passageiros.
A exposição do veículo ocorre nesta sexta-feira, 19 de setembro de 2025, e neste sábado (20), no Parque Harmonia, onde os visitantes do Acampamento Farroupilha poderão conhecer de perto esta evolução que fará parte do dia a dia das pessoas nas próximas semanas. O prefeito Sebastião Melo e o secretário municipal de Mobilidade Urbana (SMMU), Adão de Castro Júnior, fazem a entrega oficial durante uma cerimônia aberta a todo o público que ocorre às 11h desta sexta-feira (19).
TOTALMENTE BRASILEIRO:
O veículo é totalmente acessível com piso baixo e rampa e possui tecnologia totalmente nacional, produzido pela Eletra Industrial (tecnologia e tração), de São Bernardo do Campo (SP), em parceria com as também fabricantes com plantas brasileiras Caio (carroceria), de Botucatu; WEG (motores, inversor e baterias), de Jaraguá do Sul (SC) e Mercedes-Benz (chassi), em São Bernardo do Campo (SP).
Além da fabricação nacional, toda a assistência técnica é local, garantindo assim, segundo o consórcio fabricante, manutenções rápidas, adequadas à realidade operacional e com vantagens econômicas e disponibilidade de peças.
CARACTERÍSTICAS GERAIS:
As baterias de Íon-Lítio-Fosfato da nova geração, apresentam autonomia de 250 km, com recarga completa em apenas quatro horas. O modelo possui ar-condicionado, wi-fi, tomadas USB, acessibilidade universal (com espaço para uma cadeira de rodas), vidros com proteção contra raios ultravioleta do sol e suspensão pneumática.
ROTA DA MOBILIDADE LIMPA:
O lote inicial é de quatro ônibus superaticulados deste modelo que atende aos critérios do chamamento público lançado em 2023 pela SMMU, dentro do Programa Mais Transporte, que busca modernizar a mobilidade urbana e aprimorar o serviço aos clientes do transporte coletivo de Porto Alegre.
A prefeitura estima a inclusão de mais 100 ônibus elétricos em Porto Alegre, dos quais 70 articulados de 30 padron (dois eixos e comprimento entre 12,1 metros e 13,5 metros).
SOLUÇÕES PERSONALIZADAS PARA TODO O PAÍS:
A presidente da Eletra Industrial, Milena Braga Romano, diz que a fabricante tem sido a marca escolhida por diversas cidades brasileiras para implantar sistemas de ônibus elétricos que não emitem nenhuma poluição durante a operação, possuem um nível de ruído muito menor que os similares a diesel e são mais confortáveis durante as viagens, tanto para os passageiros, como para os funcionários das empresas de ônibus.
“Lideramos o fornecimento de ônibus elétricos na capital paulista, o maior sistema do País. Estamos em capitais como Belém, Goiânia, Salvador, Manaus, no Distrito Federal, em várias cidades e também já fazemos parte da realidade do transporte limpo em Porto Alegre. O que nos difere é que nossa tecnologia, por ser nacional, permite uma personalização dos modelos de acordo com a realidade de cada sistema de transportes. Nossos veículos não são de ‘prateleira’, são fornecidos depois de conversas e estudos com cada administrador público e com as empresas de transportes. Não só vendemos ônibus elétricos, mas a Eletra é uma empresa de solução em mobilidade não poluente” – disse.
Segundo a ABVE – Data, painel de dados elaborado pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), que reúne as fabricantes, a Eletra já possui quase 450 ônibus elétricos espalhados pelo País. Somente na cidade de São Paulo, são mais de 300.
PRESENÇA EM PORTO ALEGRE
A diretora comercial da Eletra, Ieda Oliveira, conta que, em Porto Alegre, já existem quatro ônibus do tipo padron que foram muito bem avaliados pela população, pela prefeitura, pela SMMU e pelos operadores.
“Hoje temos quatro ônibus da Eletra/Caio/WEG/Mercedes-Benz em operação desde agosto de 2024, adquiridos e operados pela empresa – Sudeste Transportes Coletivos Ltda. São veículos de 12,1m – Básico, que já completaram mais de 230 mil km rodados, deixando de emitir quase 300 mil toneladas de CO2. A receptividade foi excelente. Os passageiros gostam, os motoristas adoram e a empresa colhe os frutos de uma manutenção com menor custo e mais disponibilidade em relação ao diesel” – diz Ieda.
Juntamente com a Empresa Gazômetro de Transportes S/A, a Sudeste, que já opera os quatro ônibus nacionais elétricos, integra o MAIS – Consórcio de Mobilidade da Área Integrada Sudeste.
A área de atuação é nos lotes 5 e 6, que são formados pelas linhas que compõem a Bacia Leste/Sudeste, tendo como principais eixos estruturadores a Av. João de Oliveira Remião, Av. Bento Gonçalves, Av. João Pessoa, Av. Ipiranga, Av. Protásio Alves, Av. Osvaldo Aranha, Av. Oscar Pereira, Av. Azenha e Av. Érico Veríssimo.
Os novos ônibus articulados começam a operar no sistema da cidade nas próximas semanas.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com o CPTEC/INPE e a Funceme, divulgou boletim de prognóstico climático indicando déficit hídrico significativo no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste nos próximos meses, com impactos sobre o desenvolvimento de culturas em maturação e o início do plantio da safra de verão. Os dados foram apresentados durante evento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (18/9), em Brasília.
Segundo o Instituto, esse cenário está relacionado ao rápido resfriamento das águas superficiais do oceano Pacífico observado nas últimas semanas, o que pode sinalizar uma transição para La Niña nos próximos meses.
No Norte, são esperadas chuvas abaixo da média em áreas do Pará e Amazonas, com déficits superiores a 100 mm em setembro. A umidade do solo será baixa em grande parte do Acre, Rondônia e sul do Amazonas, dificultando o cultivo, especialmente da agricultura familiar. No Nordeste, a seca se intensifica no Maranhão, Piauí, Ceará e interior da Bahia, com níveis de umidade abaixo de 30% e chuvas abaixo da média até outubro, afetando as culturas não irrigadas.
No Centro-Oeste, a previsão é de temperaturas acima da média e umidade do solo insuficiente em setembro e outubro, especialmente no leste do Mato Grosso e oeste de Goiás. O déficit hídrico pode prejudicar o milho em maturação e atrasar o plantio da soja. No Sudeste, há risco de escassez de água no norte de Minas, oeste paulista e norte do Espírito Santo, o que pode comprometer o início da safra de grãos e a florada do café. A recuperação da umidade no solo é esperada apenas em novembro.
A Região Sul apresenta cenário oposto, com chuvas acima da média, temperaturas elevadas moderadas e solo com alta umidade, favorecendo as culturas de inverno como trigo, aveia e cevada. Diante do quadro climático, o Inmet alerta para a necessidade de planejamento no calendário agrícola e uso de estratégias de manejo hídrico para mitigar perdas produtivas.
Subsídios tarifários continuam sendo pagos de forma quinzenal pela Conta de Estabilização Tarifária dos Transportes (CETT)
ALEXANDRE PELEGI
A Prefeitura do Rio de Janeiro publicou a Resolução Conjunta SMTR/SMF/CGM nº 63, de 18 de setembro de 2025, que altera a forma de repasse da receita tarifária aos operadores do transporte coletivo municipal.
Pela nova regra, os valores arrecadados com a tarifa pública passam a ser transferidos duas vezes por semana, enquanto os subsídios continuam a ser pagos de forma quinzenal.
Conta Bilhetagem: repasses semanais
O pagamento da tarifa pública, proveniente da Conta Bilhetagem, será realizado em dois ciclos:
* Terça-feira: referente à operação de quinta a domingo da semana anterior.
* Sexta-feira: referente à operação de segunda a quarta-feira da mesma semana.
Segundo a Prefeitura, o novo modelo busca dar maior previsibilidade de fluxo de caixa às empresas operadoras e ampliar o controle sobre os recursos arrecadados.
CETT: subsídios mantêm calendário quinzenal
Já os valores referentes ao subsídio tarifário, quando aplicável, continuarão sendo pagos pela Conta de Estabilização Tarifária dos Transportes (CETT). O calendário segue em duas datas fixas:
* 5º dia do mês subsequente: pagamento da 1ª quinzena.
* 20º dia do mês subsequente: pagamento da 2ª quinzena.
Gestão e transparência
A medida foi assinada pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), pela Secretaria Municipal da Fazenda (SMF) e pela Controladoria Geral do Município (CGM).
De acordo com a publicação, a alteração busca garantir mais transparência, rastreabilidade e estabilidade financeira ao sistema de transportes, beneficiando tanto operadores quanto o poder público na gestão das receitas.
Como e por que surgiu o subsídio
O modelo de subsídio tarifário no Rio foi estruturado em 2022, após a crise de operação que reduziu a frota em circulação e levou à inviabilidade financeira dos consórcios apenas com a tarifa paga pelo usuário.
Com a criação da CETT, a Prefeitura passou a complementar a remuneração das empresas, cobrindo a diferença entre a tarifa pública paga pelo passageiro e o custo real da operação. O pagamento é feito de forma quinzenal, em duas datas fixas, garantindo que os operadores recebam integralmente o previsto em contrato.
A decisão foi adotada por três razões centrais:
Evitar colapso do sistema, diante da redução drástica da frota.
Assegurar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos, frente à alta de custos e queda de demanda.
Manter a modicidade tarifária, sem repassar integralmente os custos para os passageiros.
Assim, o subsídio se consolidou como instrumento de política pública para manter a operação dos ônibus e proteger os usuários de aumentos bruscos de tarifa.
Veja a seguir a Resolução Conjunta SMTR/SMF/CGM nº 55, de 17 de julho de 2023, e depois a alteração feita pela Resolução nº 63/2025:
RESOLUÇÃO CONJUNTA SMTR/SMF/CGM Nº 55, DE 17 DE JULHO DE 2023
Dispõe sobre os procedimentos de arrecadação, gestão e repasse da Receita Tarifária aos operadores de transporte coletivo sob gestão municipal.
A SECRETÁRIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES, a SECRETÁRIA MUNICIPAL DE FAZENDA e a CONTROLADORA GERAL DO MUNICÍPIO, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela legislação em vigor,
RESOLVEM:
Art. 10º O pagamento aos operadores a título de remuneração será feito, pela SMTR, com os recursos da “Conta Bilhetagem” e da “Conta de Estabilização Tarifária dos Transportes – CETT”, conforme as regras dos respectivos contratos de concessão ou permissão.
1º – Os valores a título de remuneração decorrentes da cobrança de tarifa pública serão repassados da “Conta Bilhetagem” aos operadores de transporte em periodicidade quinzenal.
2º – Os valores a título de subsídio tarifário, quando for o caso, serão repassados da “Conta de Estabilização Tarifária dos Transportes – CETT” aos operadores de transporte em periodicidade quinzenal, efetuando-se o pagamento referente à operação da 1ª quinzena do mês no 5º (quinto) dia do mês subsequente, e o pagamento referente à operação da 2ª quinzena do mês no 20º (vigésimo) dia do mês subsequente.
RESOLUÇÃO CONJUNTA SMTR/SMF/CGM Nº 63, DE 18 DE SETEMBRO DE 2025
Altera a Resolução Conjunta SMTR/SMF/CGM nº 55, de 17 de julho de 2023, para estabelecer pagamento semanal da Receita Tarifária aos operadores dos modos de transporte coletivo sob gestão municipal.
Art. 1º O art. 10 da Resolução Conjunta SMTR/SMF/CGM nº 55, de 17 de julho de 2023, passa a vigorar com a seguinte redação:
Art. 10º O pagamento aos operadores a título de remuneração será feito, pela SMTR, com os recursos da “Conta Bilhetagem” e da “Conta de Estabilização Tarifária dos Transportes – CETT”, conforme as regras dos respectivos contratos de concessão ou permissão.
1º – Os valores a título de remuneração decorrentes da cobrança de tarifa pública serão repassados da “Conta Bilhetagem” aos operadores de transporte em pagamentos semanais, às terças-feiras – com base na operação da quinta-feira da semana anterior até o domingo da semana corrente; e às sextas-feiras – com base na operação da segunda-feira até a quarta-feira da semana corrente.
2º – Os valores a título de subsídio tarifário, quando for o caso, serão repassados da “Conta de Estabilização Tarifária dos Transportes – CETT” aos operadores de transporte em periodicidade quinzenal, efetuando-se o pagamento referente à operação da 1ª quinzena do mês no 5º (quinto) dia do mês subsequente, e o pagamento referente à operação da 2ª quinzena do mês no 20º (vigésimo) dia do mês subsequente.
Como se pode ver, a mudança essencial foi no § 1º do art. 10: antes os repasses da Conta Bilhetagem eram quinzenais e, com a Resolução nº 63/2025, passaram a ser semanais (às terças e sextas-feiras).
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
Recursos foram autorizados a favor do Banco do Brasil e referem-se a contratos de operações de crédito firmados em 2023
ALEXANDRE PELEGI
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Fazenda (SF), autorizou nesta semana o empenho de R$ 8,7 milhões para a cobertura de despesas com juros de operações de crédito vinculadas ao Programa Ônibus Elétrico.
De acordo com despachos assinados por Enzo Lúcio Ondei, diretor do Departamento de Dívidas Públicas, foram liberados:
R$ 6,4 milhões referentes ao Contrato de Operação de Crédito SF 03/23, contrato nº 40/00003-6, celebrado com o Banco do Brasil em 2023;
R$ 2,3 milhões relativos ao Contrato de Operação de Crédito SF 02/23, também firmado entre o Município e o Banco do Brasil.
Ambos os financiamentos estão amparados pela Lei Municipal nº 17.254/2019, que instituiu a Política Municipal de Mudanças Climáticas e viabilizou a transição energética da frota de ônibus, com alterações posteriores que ajustaram o programa às metas de eletrificação.
Detalhamento orçamentário
Os empenhos oneram dotações previstas na Lei Orçamentária de 2025 (Lei nº 18.220, de 27/12/2024), assegurando a continuidade do pagamento de encargos financeiros das operações.
Programa Ônibus Elétrico
O Programa Ônibus Elétrico é um dos principais instrumentos para a descarbonização da frota paulistana, em atendimento às metas de redução de poluentes fixadas pela legislação municipal. O financiamento com o Banco do Brasil faz parte da estratégia para renovar gradativamente os ônibus movidos a diesel por veículos elétricos.
A Prefeitura de São Paulo estruturou um conjunto robusto de operações de crédito para viabilizar a eletrificação da frota de ônibus.
O ponto de partida foi a assinatura de contratos com o Banco do Brasil, que deram origem a dois instrumentos específicos: o Contrato de Operação de Crédito SF 03/23, nº 40/00003-6, e o Contrato de Operação de Crédito SF 02/23. Ambos foram firmados entre o Município e o Banco do Brasil e somaram, ao todo, R$ 500 milhões (dois financiamentos de R$ 250 milhões cada). Esses recursos foram destinados diretamente ao Programa Ônibus Elétrico, com registros de empenhos em 2025 para amortização e pagamento de juros, confirmando a execução financeira dos contratos.
Na sequência, a administração municipal firmou um contrato histórico com o BNDES, no montante de R$ 2,5 bilhões, assinado em novembro de 2024. Este financiamento garantiu a aquisição de aproximadamente 1.300 ônibus elétricos, representando a maior etapa de renovação da frota já registrada no programa e marcando o avanço mais significativo em escala.
Em âmbito internacional, a Prefeitura obteve em maio de 2025 a aprovação de um financiamento junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O empréstimo, no valor de US$ 248,3 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão à época da aprovação), tem como objetivo apoiar a expansão da frota elétrica entre 2025 e 2028, prevendo a incorporação de até 2.200 novos veículos.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes