Francisco Morato, Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista têm origem ligada ao desenvolvimento ferroviário da região
YURI SENA
As cidades de Francisco Morato, Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista comemoram, neste sábado (21), 61 anos de emancipação. Os três municípios são atendidos pela Linha 7-Rubi e têm sua formação diretamente ligada à expansão ferroviária no estado.
O desenvolvimento dessas cidades está relacionado à antiga São Paulo Railway, construída para escoar a produção cafeeira do interior até o Porto de Santos. Ao longo do traçado, surgiram vilas e núcleos urbanos que deram origem a diversos municípios da região.
Em Várzea Paulista, o crescimento ocorreu a partir da ocupação no entorno da ferrovia. Já Campo Limpo Paulista teve forte influência da Estrada de Ferro Bragantina, que se conectava à linha principal e impulsionou atividades agrícolas e ferroviárias.
No caso de Francisco Morato, a origem remonta à antiga Vila Bethlém, criada para abrigar trabalhadores envolvidos na construção do Túnel Botujuru, na região da Serra do Japi. Com o passar do tempo, o local se consolidou como núcleo urbano, dando origem ao município.
Atualmente, o eixo ferroviário segue sendo estratégico para a mobilidade regional. A TIC Trens será responsável pela implantação do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, que deverá ligar São Paulo a Campinas com velocidades de até 140 km/h.
Além disso, a Linha 7-Rubi passará por um processo de modernização, com melhorias na infraestrutura, atualização de sistemas e requalificação das estações, com o objetivo de aprimorar o atendimento aos passageiros.
Decisão pode ser usada em outros processos e destaca que a alternância de horários causa graves danos à saúde física e social do trabalhador
ADAMO BAZANI
Colaborou Yuri Sena
A Empresa Gontijo de Transportes Ltda foi condenada pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho) a pagar horas extras a um motorista de ônibus, a partir da sexta hora trabalhada.
A decisão da Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho pode ser usada em outros processos por se tratar de instância superior e traz um entendimento que pode esclarecer uma demanda em tribunais. Nem sempre o “acordado” passa por cima do “legislado”.
Segundo o entendimento, há casos em que esta máxima da atual legislação trabalhista não se aplica.
Uma delas, como foi configurado neste processo específico, é sobre a jornada ininterrupta.
A decisão destaca que a alternância de horários causa graves danos à saúde física e social do trabalhador. Ainda de acordo com o TST, a turma invalidou uma norma coletiva que tentava descaracterizar o regime de turnos ininterruptos de revezamento e afastar o pagamento de horas extras.
O motorista, lotado na base de Vitória da Conquista (BA), disse que sempre trabalhou mais de seis horas em turnos alternados em viagens para cidades como Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG) e Salvador e Feira de Santana (BA).
Em nota, divulgada nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, o TST informa que a Gontijo, em sua defesa, sustentou que o motorista trabalhava em escalas pré-determinadas, de seu prévio conhecimento, num total de 220 horas mensais, nos termos dos acordos coletivos. O acórdão é do último dia 13 de março de 2026.
Mas, uma tese vinculante do STF (Supremo Tribunal Federal) destaca que os acordos trabalhistas não podem restringir ou retirar direitos básicos do trabalhador.
O Diário do Transporte procurou a Gontijo.
A advogada empresarial Liana Variani, sem entrar no caso específico, alerta que a reforma trabalhista traz um regramento relativamente novo e há ainda muitas questões controversas na legislação.
Por isso, orienta as empresas a contratarem serviços advocatícios preventivos.
“Nenhuma empresa e nenhum trabalhador quer um litígio jurídico. Mas a legislação é complexa e entendimentos nem sempre podem ser generalizados. Assim, uma análise de risco consegue identificar vulnerabilidades que podem gerar sérias consequências ao empregador e, que muitas vezes, pode ser evitada com pequenos ajustes e procedimentos” – explicou Liana Variani.
Veja a nota do TST na íntegra:
20/3/2026 – A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu que um motorista de ônibus da Empresa Gontijo de Transportes Ltda. atuava em turnos ininterruptos de revezamento. Com isso, condenou a empresa a pagar como horas extras o período de trabalho a partir da sexta hora diária ou da 36ª semanal.
Motorista trabalhava em viagens intermunicipais e interestaduais
O motorista, lotado na base de Vitória da Conquista (BA), disse que sempre trabalhou mais de seis horas em turnos alternados em viagens para cidades como Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG) e Salvador e Feira de Santana (BA).
Nos períodos de maior movimento, como férias e feriados, dirigia em “dupla pegada”, com ida e volta logo em seguida. Nesses casos, sua jornada podia chegar a 10, 11 ou 12 horas. Por entender que atuava em turno ininterrupto de revezamento, buscou na Justiça receber horas extras a partir da sexta em operação.
A Gontijo, em sua defesa, sustentou que o motorista trabalhava em escalas pré-determinadas, de seu prévio conhecimento, num total de 220 horas mensais, nos termos dos coletivos. Segundo a empresa, o regime não caracterizava turno ininterrupto de revezamento, que implicaria um rodízio em que o empregado trabalha, alternadamente, ora pela manhã, à tarde ou à noite.
Norma coletiva afastava turno ininterrupto
O juízo de primeiro grau deferiu as horas extras, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) afastou a condenação com base na tese vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) que autoriza convenções e acordos coletivos que limitam ou afastam direitos trabalhistas, desde que respeitados os direitos absolutamente indisponíveis (Tema 1.046).
Nesse sentido, o TRT destacou que a convenção coletiva do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Transportes Rodoviários de Passageiros e Turismo de Vitória da Conquista previa que a jornada de motorista, mesmo que oscile nas 24 horas do dia, não caracteriza turno ininterrupto de revezamento, em razão das particularidades do segmento. Segundo a norma, a alternância decorre dos horários das viagens e da necessidade de compatibilizar a jornada do empregado e o seu retorno ao local de origem, preservando o convívio familiar e social.
Alternância de horários gera desgaste físico e psicossocial
Para a Sétima Turma, se o trabalho ocorre com a alternância periódica de horário, não importa se semanal, quinzenal, mensal ou até semestral, e o empregado está submetido ao horário diurno e noturno, é aplicável a jornada de seis horas prevista na Constituição Federal para o serviço feito em turnos ininterruptos de revezamento. Nesse caso, a duração do trabalho só pode ser aumentada para no máximo oito horas.
O relator, ministro Cláudio Brandão, observou que a alternância de turnos gera ao trabalhador maior desgaste físico e mental, pois desregula diversos fatores biológicos. “Além dos danos à saúde, a prática afeta seriamente o campo psicossocial do indivíduo, pois dificulta o convívio familiar e impede a realização de atividades que exijam regularidade”, afirmou.
Ainda de acordo com o relator, as provas confirmadas pelo TRT revelam que não há previsão de aumento da jornada de turnos ininterruptos de seis para oito horas, mas, apenas, norma que afasta, indistintamente, a própria configuração desse regime de trabalho.
A decisão foi unânime.
O TST tem oito Turmas, que julgam principalmente recursos de revista, agravos de instrumento e agravos contra decisões individuais de relatores. Das decisões das Turmas, pode caber recurso à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1). Acompanhe o andamento do processo neste link:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Bournemouth e Manchester United empataram em 2 a 2, nesta sexta-feira (20), no Vitality Stadium, em jogo válido pela 31ª rodada da Premier League. A partida teve um segundo tempo intenso e com direito à polêmica.
Os gols do confronto foram marcados por Christie e Kroupi, pelos mandantes, e Bruno Fernandes e James Hill (contra), pelos visitantes.
Com o resultado, o Manchester United permanece na 3ª posição, agora com 55 pontos. Do outro lado, o Bournemouth é o 10º colocado, com 42 pontos.
Como foi o jogo?
O primeiro tempo no Vitality Stadium foi de ligeira superioridade do Manchester United. Os esforços do time de Michael Carrick, porém, foram parados por Petrovic, goleiro do Bournemouth que viveu noite inspirada e defendeu chutes perigoso de Diallo, Matheus Cunha e, principalmente, Bruno Fernandes.
No lado dos mandantes, Rayan foi o principal escape no campo de ataque. O brasileiro acertou um chute perigoso aos 21 minutos, mas parou em defesa de Lammens.
Mas as emoções ficaram para o segundo tempo! Aos 13 minutos, após bela jogada individual de Matheus Cunha, que terminou em pênalti, Bruno Fernandes colocou o United na frente.
Pouco depois, aos 21, Christie aproveitou rápido contra-ataque, recebeu na entrada da área e bateu no cantinho para empatar.
Diallo reclamou de pênalti para o Manchester no início da jogada, mas o gol do Bournemouth foi confirmado. Carlos Eugênio Simon, comentarista de arbitragem da ESPN, viu pênalti.
O United voltou a ficar na frente aos 25 minutos, após cobrança de escanteio que terminou em gol contra do zagueiro James Hill.
Já aos 32 minutos, Harry Maguire foi expulso após derurbar Evanilson na área. Kroupi foi para a bola e empatou a partida novamente. O time de Carrick ficou na bronca relembrando o suposto pênalti em Diallo.
A partida seguiu com intensidade até o fim. Foram nove minutos de acréscimos, com muita disputa e poucas chances que realmente levaram perigo.
No duelo entre os convocados para a seleção brasileira, Matheus Cunha levou a melhor pelo pênalit sofrido. Por outro lado, o atacante do Bournemouth finalizou mais. Foram três finalizações para Rayan, sendo uma no gol, contra duas do brasileiro do United. O 10 do time de Manchester também acertou mais dribles.
Veículo vai circular por 30 dias se revezando entre nove linhas com características diferentes
ADAMO BAZANI
A partir deste sábado, 21 de março de 2026, começa circular no sistema de transportes públicos de Londrina um micro-ônibus movido 100% com biometano, combustível obtido com a decomposição de resíduos.
O veículo vai operar por cerca de 30 dias em nove linhas com diferentes características justamente para avaliar o desempenho e consumo nas mais variadas condições de tráfego e demanda.
As linhas são:
108 – Albatroz (Aeroporto),
109 – Rodoviária,
301 – Jd. Presidente,
303 – Jd. Tóquio,
306- Cidade Universitária,
310 – Jd. do Sol,
419 – Porto Seguro,
420 – Vivi Alto da Boa Vista /Londrina Norte e
804 – Terminal Oeste / Gleba Palhano.
O veículo é um Volare Fly 10 Urbano, da Marcopolo, e os testes serão realizados pela Prefeitura de Londrina, CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) e a empresa operadora TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina). A configuração é para 54 passageiros, entre sentados e em pé.
Em 2025, a cidade já testou ônibus elétricos e, segundo a prefeitura, o objetivo agora é validar com a operação alternativas de novos combustíveis e entender o cenário para possíveis trocas de veículos.
O biometano é produzido a partir da decomposição anaeróbica de resíduos orgânicos — lixo urbano, efluentes industriais e biomassa agroindustrial — seguida da purificação do biogás gerado nesse processo. O resultado é um combustível com as mesmas propriedades do gás natural, mas com uma pegada de carbono radicalmente menor ao longo de todo o ciclo de vida, da produção ao consumo. Ao contrário do diesel — cuja cadeia está associada à extração, refino e transporte de petróleo —, o biometano é gerado a partir de um passivo ambiental que, de outra forma, seria destinado a aterros ou liberado diretamente na atmosfera. Essa inversão de lógica é o que torna o biometano não apenas um combustível menos poluente, mas um instrumento concreto de economia circular. – diz nota da prefeitura.
O micro-ônibus foi apresentado nesta sexta-feira (20) no calçadão da cidade.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Trens circulam em carrossel entre as estações Oratório e Jardim Colonial; ônibus do sistema Paese foram acionados para reforçar atendimento
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Imagens que circulam nas redes sociais mostram passageiros da linha 15-Prata de monotrilho descendo aos trilhos para seguir viagem.
Isso ocorre após uma falha elétrica na via na estação Oratório, segundo o Metrô de São Paulo.
Os trens circulam temporariamente com velocidade reduzida e maior tempo de parada.
Os problemas na linha 15-Prata provocam restrições operacionais na linha 2-Verde.
Em nota ao Diário do Transporte, a operadora informou que os ônibus do sistema Paese foram acionados para reforçar o transporte dos passageiros:
“Os trens da Linha 15-Prata circulam em carrossel entre as estações Oratório e Jardim Colonial, com um trem circulando em via única entre as estações Vila Prudente e Oratório, além de ônibus do sistema Paese em apoio. Essa estratégia foi adotada devido a uma falha elétrica na via desde às 16h30.
Em razão dessa interferência, o protocolo de esvaziamento de um trem foi acionado, com agentes do Metrô conduzindo os passageiros em segurança pela passarela de emergência, que conta ainda com telas abaixo, por medida de segurança.”
Segundo apurou a ESPN, o Grêmio está muito impressionado com a atitude do lateral-esquerdo Marlon, que sofreu uma lesão assustadora na perna durante a partida da última quinta-feira (19) contra o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro.
A reportagem conversou com membros da comissão técnica de Luis Castro, que elogiaram muito a positividade do ala mesmo após uma contusão tão grave.
“Ele é brutal”, disse uma pessoa ouvida pela ESPN, usando um clássico termo lusitano para elogiar a força de alguém.
O estafe tricolor ficou genuinamente impressionado com a força mental de Marlon e com a forma como ele lidou com o baque, desde o gramado da Arena do Grêmio até o hospital.
Castro e sua comissão estão “apaixonados” pela forma como o atleta lidou com o momento duro, destacando que muitos atletas ficariam abalados com uma lesão similar, podendo até mesmo cair em depressão.
Hospitalizado desde a noite de quinta, Marlon foi visitado por companheiros do Imortal nesta sexta-feira (20).
Ele será operado na parte da tarde e tem prazo estimado de recuperação em cinco meses, de acordo com comunicado do Grêmio.
O lateral-esquerdo de 28 anos é titular absoluto do elenco e tem 13 partidas na temporada, com um gol e uma assistência.
Das 4h à meia-noite, os trens vão circular por via única entre as estações Francisco Morato e Botujuru
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Neste domingo, 22 de março de 2026, a Linha 7-Rubi da TIC Trens sofre mudanças na operação durante atividade de manutenção preventiva na rede aérea.
Durante todo o período de atendimento, das 4h à meia-noite, os trens vão circular por via única entre as estações Francisco Morato e Botujuru, sem impacto no intervalo entre as composições. Os passageiros terão embarque e desembarque nos dois sentidos na mesma plataforma na estação Botujuru.
A medida é necessária para viabilizar os trabalhos técnicos na infraestrutura, garantindo a segurança operacional e a confiabilidade do sistema.
Nesta sexta-feira (20) e no sábado (21), a operação da Linha 7-Rubi será normal e os trens vão circular durante 24 horas, com estações abertas para desembarque e transferência na estação Palmeiras-Barra Funda, em decorrência do Lollapalooza 2026.
Equipamento localizado no bairro Cordeiros recebeu as melhorias na última quarta-feira (18); na próxima semana será a vez dos terminais da Fazenda e da Ressacada
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Os terminais de ônibus de Itajaí (SC) estão em processo de atualização com um novo sistema de câmeras de segurança; as melhorias promovidas pelo poder público tiveram início na última quarta-feira, 18 de março de 2026, no terminal localizado no bairro Cordeiros e as instalações devem seguir na próxima semana nos demais equipamentos da cidade.
A previsão é de que os terminais da Fazenda e da Ressacada recebam as novas câmeras na próxima quarta-feira (25).
De acordo com a prefeitura, as mudanças são fruto de uma parceria com o Consórcio Atalaia, que opera no transporte público da região.
Dentre as melhorias está também a presença de vigilantes no horário comercial dos terminais, com o intuito de reforçar a segurança dos passageiros.
Reportagem mostrou vídeos e fotos de uma série de buracos, ondulações e defeitos. Imagens revelaram ônibus desviandoADAMO BAZANI
A SPTrans informou nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, que a Prefeitura de São Paulo inicia, nesta segunda-feira (23 de março), obras de melhoria no pavimento do Expresso Tiradentes, com impacto na operação do corredor no sentido centro-bairro. A Estação Pedro II ficará parcialmente fechada durante as obras, que serão realizadas no trecho entre as estações Pedro II e Ana Néri, no sentido Sacomã/Vila Prudente/São Mateus.
O Diário do Transporte denunciou e problema deve ser resolvido. O criador e editor-chefe Adamo Bazani, em reportagem, mostrou que Reportagem mostrou vídeos e fotos de uma série de buracos, ondulações e defeitos. Imagens revelaram até ônibus desviando
Relembre:
Segundo a SPTrans, durante a intervenção, a Secretaria de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans irão alterar o trajeto dos ônibus e implantar um ponto provisório na Avenida do Estado. A previsão é de conclusão em até 60 dias, considerando a execução dos serviços e o tempo de cura do concreto. Cerca de 50 mil passageiros utilizam o corredor diariamente.
Acompanhe a nota da SPTrans:
Os passageiros farão o embarque e desembarque em um ponto provisório instalado na Av. do Estado, nas proximidades da estação. Como alternativa, poderão embarcar no interior da estação até o Terminal Mercado, onde é possível fazer a integração gratuita para os terminais Sacomã, Vila Prudente e São Mateus.Obra irá melhorar a fluidezOs serviços serão realizados sem custos adicionais ao município, já que estão previstos na garantia contratual da obra de recuperação concluída em 2024. Vistorias técnicas recentes identificaram a necessidade de reparos na camada superficial do pavimento de concreto em alguns pontos, sem qualquer comprometimento estrutural ou movimentação na pista ou na estrutura da Av. do Estado. O objetivo dos trabalhos é garantir a fluidez da circulação do transporte coletivo.
Veja a denúncia completa:
ADAMO BAZANI
Concebido para ser um sistema de transportes de referência, o Expresso Tiradentes, que liga o Sacomã, na zona Sudeste da capital paulista, à região do Mercado Municipal, no centro, coleciona ao longo da história problemas, imagens de descaso e má conservação e, mesmo com recursos da população investidos em reformas, frequentemente aparecem defeitos no pavimento por onde os ônibus percorrerem, em estações, acessos e terminais. Na última semana, o Diário do Transporte recebeu imagens das proximidades da Estação Pedro II. Pelo vídeo e fotos, é possível perceber buracos, ondulações e falhas. Em um dos momentos, o ônibus articulado chega a balançar nitidamente e até desviar de buracos. Com o detalhe: é uma pista de concreto que não recebe nenhum tipo de tráfego, a não ser de ônibus. Segundo os relatos, o local já teve obras da prefeitura, mas o resultado não ficou bom e em poucas semanas voltou a apresentar defeitos. Além disso, operadores de transportes e passageiros retratam situação semelhante em outros trechos e nas imediações de outras estações do Expresso Tiradentes. Único BRT (Bus Rapid Transit) da cidade, que é um sistema de corredores com maior eficiência que os corredores comuns, o Expresso Tiradentes, tendo como projeto original o nome “Fura-Fila” e a proposta de ser operado com trólebus biarticulados dotados de guias laterais, é o que apresenta maior velocidade em São Paulo. Mas poderia ser melhor, se não fossem tantos problemas. Ao longo da história, a prefeitura chegou até mesmo a apontar riscos estruturais graves, apontados pelo Diário do Transporte. Após a notícia, a administração minimizou os termos e começou a falar em apenas necessidades de reparos (mais abaixo veja todo o histórico). A reportagem procurou a prefeitura sobre as denúncias. A administração municipal diz que reparos são feitos dentro de garantia de obras concluídas em 2024 As secretarias municipais de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) e de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT), em conjunto com a SPTrans, trabalham no planejamento dos reparos pontuais a serem realizados no pavimento da pista do Expresso Tiradentes, no trecho próximo à Estação Pedro II.A empresa responsável pelos serviços já foi acionada, e não haverá custos adicionais para o município. A intervenção está inserida na garantia contratual da obra, que foi concluída em 2024. O cronograma das ações está em elaboração e será previamente informado aos passageiros. Em reportagens anteriores, o Diário do Transporte já havia mostrado problemas no Expresso Tiradentes Uma delas foi ao ar em dezembro de 2025.
Expresso Tiradentes era para ser Corredor Verde desde o início, mas pode voltar a ter essa vocação. Situação atual de frota, pavimento e iluminação não está boa (com histórico)
Operado por veículos a diesel, com uma frota defasada, BRT mostra que precisa de renovação na capital paulista em diversos aspectosADAMO BAZANI
Um bom projeto que não foi para a frente como planejado desde o início, em especial por escândalos, suspeitas de corrupção e alvo de muitas promessas. Este é o histórico do Expresso Tiradentes, único BRT (Bus Rapid Transit) em operação de fato na cidade de São Paulo. No último sábado, 29 de novembro de 2025, o Diário do Transporte foi conferir de perto a linha especial de Natal de São Paulo, 2002-31 Terminal Parque Dom Pedro II/Natal Iluminado, que faz um trajeto fascinante e vale a pena estar nos planos de passeios de fim de ano. Veja o vídeo e os dados aqui neste link: Antes, a reportagem esteve na linha 5105-10, a principal do Expresso Tiradentes, entre os terminais Sacomã e Mercado, trajeto de 8,5 km. Na volta, utilizou a linha 5110-21 Terminal Mercado-São Mateus. O Expresso Tiradentes, como diz o nome que ficou oficial, deveria ir até Cidade Tiradentes, no extremo leste da cidade. O projeto foi substituído pela linha 15-Prata de monotrilho…que também não chegou ainda à Cidade Tiradentes e foi marcado por diversos problemas operacionais e nas obras. Foi possível perceber que, apesar de limpo e funcional, o Expresso Tiradentes, inaugurado depois de mais de 10 anos de atrasos, em 08 de março de 2007, sente o sinal dos tempos e precisa de uma reformulação completa: em estruturas, iluminação, paisagismo e frota. Inicialmente chamado de Fura Fila, depois Paulistão, o sistema chegou recentemente a ter trechos interditados por longos períodos por causa de afundamento de pista e um relatório da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema da capital paulista, chegou a apontar riscos estruturais aos passageiros, em decorrência da influência do Rio Tamanduateí (termo depois que foi amenizado pela prefeitura). Relembre Há trechos ainda esburacados, em especial perto do nível da via da Avenida do Estado, entre as estações Pedro II e Ana Nery. Além da estrutura, a frota operada pela empresa Via Sudeste precisa ser modernizada. Nem todos os ônibus têm ar-condicionado, toda a frota é a diesel, os ônibus estão bem barulhentos de motor e de trepidações da carroceria…. peças de plástico quase soltas, sinais de limo nas janelas…o principal BRT de São Paulo está com a frota ruim, que não faz jus ao seu status. Muitos não sabem, mas o Expresso Tiradentes era para ser um Corredor Verde, com VLP (Veículo Leve sobre Pneus), que eram trólebus com uma carroceria de design próprio e especial da Marcopolo, com guias laterais. Mas nada disso foi para frente diante dos atrasos nas obras. O sistema chegou a ter um modelo híbrido, esquisito para a época, com dois eixos na frente e com vários problemas…pegava até fogo. Relembre todo o histórico nesse link de reportagem de 10 anos do sistema, na época. Com a proibição da compra de ônibus a diesel para o sistema de São Paulo, o Expresso Tiradentes deve de fato se transformar em um Corredor Verde, só que com modelos a bateria. Mas, diante da falta de infraestrutura na rede de distribuição e na ligação de energia elétrica para as garagens, todo o cronograma de eletrificação da cidade de São Paulo atrasou e a meta de 2,6 mil elétricos até dezembro de 2024 não se cumpriu. Em dezembro de 2025, um ano depois, são pouco mais de mil unidades, contando com os 189 trólebus. Modelos de ônibus elétricos nas mesmas dimensões dos a diesel usados no Expresso Tiradentes, o mercado já tem. Já passou da hora de eletrificar a frota do Expresso Tiradentes. Seria mais um BRT Verde. Veículos elétricos de 21,5m e 23m, as fabricantes BYD e Eletra já oferecem. Sinal de modernidade para a época, o Expresso Tiradentes hoje é bom para o passageiro, mas a sensação que a reportagem sentiu é de algo incompleto e que parou no tempo.
O Diário do Transporte esteve em 29 de novembro de 2025, no Expresso Tiradentes, com o repórter Adamo Bazani, na ida, embarcando na linha 5105-10 na ida (sentido Sacomã a Terminal Mercado) e na volta, na linha 5110- 21 (sentido Terminal Mercado a São Mateus). O Diário do Transporte foi conferir de perto a linha especial de Natal de São Paulo, 2002-31 Terminal Parque Dom Pedro II/Natal Iluminado, que faz um trajeto fascinante e vale a pena estar nos planos de passeios de fim de ano. Veja o vídeo e os dados aqui neste link: https://diariodotransporte.com.br/2025/11/29/video-viajamos-na-2002-31-a-linha-especial-de-natal-de-sao-paulo-que-vale-muito-a-pena/
Antes, a reportagem esteve na linha 5105-10, a principal do Expresso Tiradentes, entre os terminais Sacomã e Mercado, trajeto de 8,5 km. Na volta, utilizou a linha 5110-21 Terminal Mercado-São Mateus. Foi grande a percepção de que o sistema é bom, mas está muito desatualizado, tanto em relação a infraestrutura, tecnologias e informações para o passageiro, paisagismo e arquitetura e frota dos ônibus. Entre o que mais chamou a atenção, estão situações como:
– Frota envelhecida: ônibus superarticulados a diesel, emitindo alto nível de ruído, alguns sem ar-condicionado; carroceria demonstrando sinais de desgaste (inclusive com peças plásticas trepidando e quase soltas em mais de um veículo, aumento o ruído interno);
– Estações-terminais Sacomã e Mercado com iluminação fraca; área da plataforma de embarque da estação Sacomã estava escura;- Para embarcar na estação Sacomã, só havia escadas rolantes no sentido descida (a área de plataformas dos ônibus é num “piso superior” a área de catracas);
– Vigas e estruturas de ferro na cor amarela, nas passarelas que ligam o Metrô Sacomã, da linha 2-Verde, ao Terminal do Expresso Tiradentes e do Terminal Parque Dom Pedro II ao Terminal Mercado com sujeira, acúmulo de poeira e manchas;
– Buracos de obras no pavimento entre as estação Pedro II e Ana Nery;
– Possibilidade de melhorias na informação aos passageiros, como deve ser um BRT atual, com telões maiores que indiquem tempo de espera (não apenas nos piquetes dos pontos, como agora), mas em áreas de acesso e conectados a aplicativos);
– Piso muito escuro;-
– Sanitário masculino na Estação-Terminal Sacomã com odor muito desagradável (na ida e na volta depois de três horas conferido isso, o que indica que não foi problema pontual), faltava sabão/sabonete para lavar as mão; um dos vasos sanitários estava entupido e quase “transbordando”;
Diante do quadro verificado, o Diário do Transporte questionou a SPTrans (São Paulo Transporte) e a Prefeitura, ponto por ponto:
– Há previsão de modernização de frota, inclusive com a colocação de todos os modelos elétricos, tornando o sistema um BRT atualizado e um Corredor Verde?
– Haverá modernização das tecnologias e informações aos passageiros?
– Por que há falhas e buracos no pavimento de rolamento dos ônibus?
– Como ficaram as concorrências e licitações para melhorar o sistema?
– O Expresso Tiradentes ainda sofre os problemas estruturais constatados em laudos publicados em aviso de licitação para recuperação do sistema de junho de 2022?
– Qual (ou quais) interferências ainda do Rio Tamanduateí na estrutura de pistas, estações e dependências?;
– Haverá melhorias na zeladoria, tanto conservação de sanitários e limpeza das vigas e estruturas de ferro?
– A iluminação será melhorada?
Em nota ao Diário do Transporte, a Prefeitura de São Paulo respondeu que os terminais e estações do Expresso Tiradentes, juntamente com o Terminal Dom Pedro II e outros terminais do chamado Bloco Leste, foram concedidos à iniciativa privada, para CS Mobi Leste, em setembro de 2025. O cronograma de modernização teve previsão de início estipulada para 2026. Sobre o defeito no pavimento do corredor, entre as estação D.Pedro II e Ana Nery, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) acionou a empresa responsável pelos serviços de reparo da pavimentação da pista do Expresso Tiradentes para o conserto ainda no mês de dezembro de 2025, segundo a resposta. Sobre a frota, a prefeitura se limitou a citar o Plano de Metas que 2025-2028, que prevê a inclusão de 2,2 mil ônibus menos poluentes que o diesel, neste período, e que “conforme os veículos sejam adquiridos eles também poderão fazer parte da frota do Expresso Tiradentes futuramente”, mas não deu nenhuma previsão completa. Veja na íntegra: A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) acionou a empresa responsável pelos serviços de reparo da pavimentação da pista do Expresso Tiradentes, no trecho localizado entre a Estação Pedro II e o Complexo Viário Evaristo Comolatti. A intervenção será realizada ainda no mês de dezembro. Sobre as estações do Expresso Tiradentes, a administração passou a ser da concessionária CS Mobi Leste em setembro de 2025. De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans, o contrato assinado por meio de Parceria Público-Privada (PPP) prevê a requalificação com a ampliação da limpeza, acessibilidade, vigilância, iluminação, comunicação visual e manutenção das estações e dos terminais do Bloco Leste. Vale lembrar que a atual gestão já requalificou 18 terminais urbanos dos Blocos Noroeste e Sul, também por meio da PPP, os tornando mais confortáveis aos passageiros. A Prefeitura acompanha o cronograma das intervenções que serão realizadas a partir de 2026. Mais informações no link: A cidade de São Paulo possui a maior frota de ônibus elétricos do país, com 1009 coletivos. A atual gestão tem trabalhado para ampliar este número como determinado pelo Plano de Metas 2025-2028, que prevê a substituição de 2.200 ônibus da frota por veículos movidos por energia limpa. Conforme os veículos sejam adquiridos eles também poderão fazer parte da frota do Expresso Tiradentes futuramente.
VLP, modelo futurista de trólebus com guias laterais que foi desenvolvido para o Expresso Tiradentes
O Expresso Tiradentes possui 9,7 km de vias, por onde circulam as linhas 5105/10 Term. Mercado – Term. Sacomã; 5109/10 Term. Mercado – Term. Vila Prudente; 5110/10 Term. Mercado – Term. São Mateus; 5110/21 São Mateus – Term. Mercado e 5110/23 Jd. Planalto – Term. Mercado. O corredor exclusivo é composto por sete estações: Pedro II, Ana Neri, Alberto Lion, Clube Atlético Ypiranga, Nsa. Sra. Aparecida, Grito e Dianópolis; e três terminais: Sacomã, Mercado e Vila Prudente.Alteração Expresso Tiradentes. O sistema foi inaugurado em 08 de março de 2007, após 12 anos de atrasos e promessas. O Expresso Tiradentes foi apresentado como Fura-Fila em 1995, pelo então prefeito Paulo Maluf, sendo uma das bandeiras eleitorais do candidato de Maluf à prefeitura, Celso Pitta, que foi eleito. O Fura-Fila deveria ligar a região central e a Vila Prudente até Cidade Tiradentes, um dos extremos da Zona Leste de São Paulo. O projeto se tratava de um verdadeiro VLP -Veículo leve sobre Pneus e contaria com trólebus biarticulados com guias laterais, o que auxiliaria a condução e deixaria o sistema mais rápido. No entanto, a obra foi alvo de diversos escândalos. Em 2002, o projeto foi rebatizado pela então prefeita Marta Suplicy, de Paulistão. As demais linhas foram descartadas e foram mantidas apenas a linha 1 entre Sacomã e Parque Dom Pedro II e a linha 2 entre Parque Dom Pedro II e Vila Prudente/São Mateus. Desde então, ocorreram problemas com a estrutura e principalmente pavimento. Os mais recentes foram: Entre 13 de julho e 31 de agosto de 2015, a pista do Expresso Tiradentes, antigo Fura Fila, que ficou fechada nas imediações da Estação Pedro II por causa de obras de reparo do pavimento. Em fevereiro de 2018, entre a rua Dona Ana Néri e o Terminal Parque Dom Pedro II, a operação do Expresso Tiradentes teve de ser desviada por causa de um afundamento de pista. Em junho do ano de 2022, foi aberta uma licitação para recuperar o Expresso Tiradentes. O edital apontava para a possibilidade de risco aos passageiros e várias falhas Em 28 de janeiro de 2023, cinco linhas do Expresso Tiradentes (antigo Fura Fila) tiveram de ser desviadas por causa de um problema na pista no trecho entre o Terminal Mercado e a Estação Ana Neri, junto ao Rio Tamanduateí. Segundo a prefeitura de São Paulo em resposta ao Diário do Transporte em 30 de janeiro de 2023, no trecho, o Expresso Tiradentes sofreu uma alteração no nivelamento da pista e processo de movimentação da contenção junto à margem do Rio Tamanduateí. O Diário do Transporte também questionou sobre a licitação lançada pela SPTrans (São Paulo Transporte) em junho de 2022, para recuperação de estruturas do Expresso Tiradentes. Na ocasião, o edital dizia que os passageiros corriam risco. Depois da repercussão, a prefeitura voltou atrás e disse que os riscos eram uma hipótese caso as intervenções não fossem realizadas. Segundo a prefeitura, a empresa TPF Engenharia ganhou a concorrência para a elaboração de estudos, laudos e projeto executivo visando a recuperação das estruturas, contenções, fundações e do pavimento do Expresso Tiradentes, no trecho entre a Estação Pedro II e o Complexo Viário Evaristo Comolatti. Os projetos executivos ainda estavam sendo desenvolvidos na ocasião da resposta. Entretanto, segundo o retorno da prefeitura ao Diário do Transporte, o trecho que apresentou problemas em 28 de janeiro de 2023, não está contemplado nestes estudos da TPF Engenharia. Relembre reportagem em: No dia 15 de fevereiro de 2023, a SPTrans aumentou o trecho de interdição por achar um novo trecho de problema. Desta vez foi na pista do Expresso Tiradentes, próximo à estação Pedro II, sentido bairro. Assim, as cinco linhas de ônibus do Expresso Tiradentes deixaram de atender aos passageiros também no interior da estação Pedro II e passam a trafegar provisoriamente pela Avenida do Estado, entre a parada Pedro II e Ana Neri, tanto no sentido bairro quanto no sentido centro. Os passageiros que embarcam nos pontos provisórios devido a interdição de mais um trecho do Expresso Tiradentes por deslocamento de solo não estão pagando tarifa em duas linhas de ônibus que não possuem cobradores: 5105/10 Term. Mercado – Term. Sacomã e 5109/10 Term. Mercado – Term. Vila Prudente a partir desta quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023. Relembre: Em 16 de junho de 2022, a SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia o sistema de ônibus da cidade, lançou uma licitação para estudos de recuperação do Expresso Tiradentes e apontou riscos aos passageiros e danos estruturais. Depois de alguns dias, amenizou os termos do edital, e disse que o documento foi “redigido de forma equivocada” e que a contratação era para evitar risco futuro. Relembre: No dia 11 de junho de 2023, a SPTrans publicou o rompimento de forma “amigável” do contrato com a TFP Engenharia, que faria estes estudos. Na ocasião, a SPTrans informou que a contratação foi feita para elaborar os projetos que antecederiam a obra de recuperação do piso do Expresso Tiradentes. Mas como houve o afundamento, uma intervenção teve de ser executada, em caráter emergencial, e, por isso, o contrato para a realização dos projetos foi rescindido. Relembre: Em 20 de dezembro de 2023, a Siurb (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras), da prefeitura, deu uma previsão para a liberação do trecho, entre as estações Ana Nery e Mercado, que foi em fevereiro de 2023, por causa de um afundamento de pista: fevereiro de 2024. Em nota ao Diário do Transporte, a secretaria informou que a conclusão da obra não deveria demorar tanto assim, mas ocorreram dificuldades nas escavações do solo, que eram necessárias para a construção da nova parede de contenção entre o Rio Tamanduateí e a pista por onde passam os ônibus. A Estação Pedro II foi interditada e os passageiros passaram ser obrigados a embarcar numa parada improvisada na Avenida do Estado. o trecho, tiveram de sair do corredor e seguir pela via comum que foi demarcada. Relembre: Em 26 de abril de 2024, a SPTrans publicou a contratação de uma empresa de engenharia para o “levantamento das patologias das estruturas metálicas, inclusive as de cobertura, das estruturas de concreto e dos pisos de concreto do Corredor Expresso Tiradentes”. O trabalho será realizado em toda a extensão do corredor, desde o Terminal Mercado até os Terminais Vila Prudente e Sacomã. O termo patologia é definido como o ramo da medicina que descreve as alterações anatômicas e funcionais causadas pelas doenças no organismo. Na engenharia é a mesma coisa: quando se fala em patologias das estruturas metálicas e de concreto, significa dizer as “doenças” que acometem esses elementos em uma construção, no caso o Expresso Tiradentes. Relembre: Após estar interditada desde fevereiro de 2023 por causa da necessidade de obras de contenção do Rio Tamanduateí, afundamento de pista do Expresso Tiradentes e erosão, com a necessidade, inclusive de recuperação de galerias, em 14 de dezembro de 2024, a estação Pedro II do sistema foi finalmente reaberta, como mostrou o Diário do Transporte. Relembre: O Diário do Transporte esteve em 29 de novembro de 2025, no Expresso Tiradentes, com o repórter Adamo Bazani, na ida, embarcando na linha 5105-10 na ida (sentido Sacomã a Terminal Mercado) e na volta, na linha 5110- 21 (sentido Terminal Mercado a São Mateus). O Diário do Transporte foi conferir de perto a linha especial de Natal de São Paulo, 2002-31 Terminal Parque Dom Pedro II/Natal Iluminado, que faz um trajeto fascinante e vale a pena estar nos planos de passeios de fim de ano. Veja o vídeo e os dados aqui neste link: https://diariodotransporte.com.br/2025/11/29/video-viajamos-na-2002-31-a-linha-especial-de-natal-de-sao-paulo-que-vale-muito-a-pena/
Antes, a reportagem esteve na linha 5105-10, a principal do Expresso Tiradentes, entre os terminais Sacomã e Mercado, trajeto de 8,5 km. Na volta, utilizou a linha 5110-21 Terminal Mercado-São Mateus. Foi grande a percepção de que o sistema é bom, mas está muito desatualizado, tanto em relação a infraestrutura, tecnologias e informações para o passageiro, paisagismo e arquitetura e frota dos ônibus. Entre o que mais chamou a atenção, estão situações como:
– Frota envelhecida: ônibus superarticulados a diesel, emitindo alto nível de ruído, alguns sem ar-condicionado; carroceria demonstrando sinais de desgaste (inclusive com peças plásticas trepidando e quase soltas em mais de um veículo, aumento o ruído interno);
– Estações-terminais Sacomã e Mercado com iluminação fraca; área da plataforma de embarque da estação Sacomã estava escura;- Para embarcar na estação Sacomã, só havia escadas rolantes no sentido descida (a área de plataformas dos ônibus é num “piso superior” a área de catracas);
– Vigas e estruturas de ferro na cor amarela, nas passarelas que ligam o Metrô Sacomã, da linha 2-Verde, ao Terminal do Expresso Tiradentes e do Terminal Parque Dom Pedro II ao Terminal Mercado com sujeira, acúmulo de poeira e manchas;
– Buracos de obras no pavimento entre as estação Pedro II e Ana Nery;
– Possibilidade de melhorias na informação aos passageiros, como deve ser um BRT atual, com telões maiores que indiquem tempo de espera (não apenas nos piquetes dos pontos, como agora), mas em áreas de acesso e conectados a aplicativos);
– Piso muito escuro;-
– Sanitário masculino na Estação-Terminal Sacomã com odor muito desagradável (na ida e na volta depois de três horas conferido isso, o que indica que não foi problema pontual), faltava sabão/sabonete para lavar as mão; um dos vasos sanitários estava entupido e quase “transbordando”;
Diante do quadro verificado, o Diário do Transporte questionou a SPTrans (São Paulo Transporte) e a Prefeitura, ponto por ponto:
– Há previsão de modernização de frota, inclusive com a colocação de todos os modelos elétricos, tornando o sistema um BRT atualizado e um Corredor Verde?
– Haverá modernização das tecnologias e informações aos passageiros?
– Por que há falhas e buracos no pavimento de rolamento dos ônibus?
– Como ficaram as concorrências e licitações para melhorar o sistema?
– O Expresso Tiradentes ainda sofre os problemas estruturais constatados em laudos publicados em aviso de licitação para recuperação do sistema de junho de 2022?
– Qual (ou quais) interferências ainda do Rio Tamanduateí na estrutura de pistas, estações e dependências?;
– Haverá melhorias na zeladoria, tanto conservação de sanitários e limpeza das vigas e estruturas de ferro?
– A iluminação será melhorada?
Em nota ao Diário do Transporte, a Prefeitura de São Paulo respondeu que os terminais e estações do Expresso Tiradentes, juntamente com o Terminal Dom Pedro II e outros terminais do chamado Bloco Leste, foram concedidos à iniciativa privada, para CS Mobi Leste, em setembro de 2025. O cronograma de modernização teve previsão de início estipulada para 2026. Sobre o defeito no pavimento do corredor, entre as estação D.Pedro II e Ana Nery, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) acionou a empresa responsável pelos serviços de reparo da pavimentação da pista do Expresso Tiradentes para o conserto ainda no mês de dezembro de 2025, segundo a resposta. Sobre a frota, a prefeitura se limitou a citar o Plano de Metas que 2025-2028, que prevê a inclusão de 2,2 mil ônibus menos poluentes que o diesel, neste período, e que “conforme os veículos sejam adquiridos eles também poderão fazer parte da frota do Expresso Tiradentes futuramente”, mas não deu nenhuma previsão completa. Veja na íntegra: A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) acionou a empresa responsável pelos serviços de reparo da pavimentação da pista do Expresso Tiradentes, no trecho localizado entre a Estação Pedro II e o Complexo Viário Evaristo Comolatti. A intervenção será realizada ainda no mês de dezembro. Sobre as estações do Expresso Tiradentes, a administração passou a ser da concessionária CS Mobi Leste em setembro de 2025. De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans, o contrato assinado por meio de Parceria Público-Privada (PPP) prevê a requalificação com a ampliação da limpeza, acessibilidade, vigilância, iluminação, comunicação visual e manutenção das estações e dos terminais do Bloco Leste. Vale lembrar que a atual gestão já requalificou 18 terminais urbanos dos Blocos Noroeste e Sul, também por meio da PPP, os tornando mais confortáveis aos passageiros. A Prefeitura acompanha o cronograma das intervenções que serão realizadas a partir de 2026. Mais informações no link: A cidade de São Paulo possui a maior frota de ônibus elétricos do país, com 1009 coletivos. A atual gestão tem trabalhado para ampliar este número como determinado pelo Plano de Metas 2025-2028, que prevê a substituição de 2.200 ônibus da frota por veículos movidos por energia limpa. Conforme os veículos sejam adquiridos eles também poderão fazer parte da frota do Expresso Tiradentes futuramente. Em março de 2026, o Diário do Transporte recebeu imagens das proximidades da Estação Pedro II. Pelo vídeo e fotos, é possível perceber buracos, ondulações e falhas.
Em um dos momentos, o ônibus articulado chega a balançar nitidamente e até desviar de buracos. Com o detalhe: é uma pista de concreto que não recebe nenhum tipo de tráfego, a não ser de ônibus. Segundo os relatos, o local já teve obras da prefeitura, mas o resultado não ficou bom e em poucas semanas voltou a apresentar defeitos. Além disso, operadores de transportes e passageiros retratam situação semelhante em outros trechos e nas imediações de outras estações do Expresso Tiradentes. Único BRT (Bus Rapid Transit) da cidade, que é um sistema de corredores com maior eficiência que os corredores comuns, o Expresso Tiradentes, tendo como projeto original o nome “Fura-Fila” e a proposta de ser operado com trólebus biarticulados dotados de guias laterais, é o que apresenta maior velocidade em São Paulo. Mas poderia ser melhor, se não fossem tantos problemas. Ao longo da história, a prefeitura chegou até mesmo a apontar riscos estruturais graves, apontados pelo Diário do Transporte. Após a notícia, a administração minimizou os termos e começou a falar em apenas necessidades de reparos (mais abaixo veja todo o histórico). A reportagem procurou a prefeitura sobre as denúncias. A administração municipal diz que reparos são feitos dentro de garantia de obras concluídas em 2024 As secretarias municipais de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) e de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT), em conjunto com a SPTrans, trabalham no planejamento dos reparos pontuais a serem realizados no pavimento da pista do Expresso Tiradentes, no trecho próximo à Estação Pedro II.A empresa responsável pelos serviços já foi acionada, e não haverá custos adicionais para o município. A intervenção está inserida na garantia contratual da obra, que foi concluída em 2024. O cronograma das ações está em elaboração e será previamente informado aos passageiros.
Muitos ainda o chamam de “Fura Fila”. Isso porque o Expresso Tiradentes, até o momento o único BRT (Bus Rapid Transit) de fato da cidade de São Paulo, nasceu após a frustração do projeto Fura Fila apresentado em 1995, pelo então prefeito Paulo Maluf. O Fura-Fila deveria ligar a região central e a Vila Prudente até Cidade Tiradentes, um dos extremos da Zona Leste de São Paulo. O sistema completou 10 anos em 08 de março de 2017, sendo, portanto, inaugurado em 08 de março de 2007.
Veículo Leve Sobre Pneus. Um modelo de trólebus biarticulado, com guias laterais, e embarque acessível, foi projetado especialmente para o sistema
O projeto se tratava de um verdadeiro VLP -Veículo leve sobre Pneus e contaria com trólebus biarticulados com guias laterais, o que auxiliaria a condução e deixaria o sistema mais rápido. No entanto, a obra foi alvo de diversos escândalos. As intervenções começaram em 1998. A promessa do novo sistema de transporte garantiu a eleição do candidato de Paulo Maluf, Celso Pitta, para a prefeitura de São Paulo. Abaixo veja o vídeo com a propaganda elaborada por Duda Mendonça para a campanha de Pitta prometendo o Fura Fila. Material foi divulgado nas TVs: A primeira linha entre Sacomã e o Parque D.Pedro II seria o início de outras várias do mesmo sistema pela cidade. No ano de 2000, um ônibus especialmente encarroçado pela Marcopolo ,com design totalmente diferente dos demais, chegou a circular sobre o Rio Tamanduateí na Avenida do Estado, por um período de quatro meses.
Painel do VLP da Marcopolo
No entanto, as obras não iam para frente. Em 2002, o projeto foi rebatizado pela então prefeita Marta Suplicy, de Paulistão. As demais linhas foram descartadas e foram mantidas apenas a linha 1 entre Sacomã e Parque Dom Pedro II e a linha 2 entre Parque Dom Pedro II e Vila Prudente/São Mateus. Trólebus “comuns” com o padrão visual do VLP Os trólebus também foram descartados e a intenção era usar ônibus híbridos ou mesmo a diesel. As obras foram iniciadas com a construção do Terminal Sacomã e da via elevada. No entanto, no final de 2003, já tendo sido gastos R$ 600 milhões pelas gestões Pitta e Marta, as obras foram paralisadas por falta de verbas. Foi discutida até mesmo a possibilidade de demolição da estrutura, no entanto, a administração do então prefeito José Serra, que se afastou do cargo para concorrer às eleições para Governador, deixando no lugar o vice Gilberto Kassab, apontou para viabilidade de continuação da obra. Então somente, em 8 de março de 2007, 10 anos depois do início das obras, o primeiro trecho do Expresso Tiradentes, com 8,5 km de extensão, foi entregue à população. A data da inauguração poderia ter sido no dia 9 de março porque o então presidente dos Estados Unidos, George W Bush, estava em visita à cidade e poderia haver conflitos de agenda. No entanto, a administração optou por abrir o corredor na data anteriormente divulgada, 8 de março. Outra curiosidade também é que durante a inauguração, as autoridades enfrentaram um protesto contra tarifa, na época que iria para R$ 2,30. Na ocasião, o governador José Serra, durante a inauguração, sugeriu que o nome do sistema se mudasse para Expresso Ipiranga/Tiradentes que acabou não sendo adotado, como mostra uma matéria do G1, realizada no dia da inauguração, e assinada por Luciana Bonadio O governador de São Paulo, José Serra, sugeriu na manhã desta quinta-feira (8), durante a inauguração do Expresso Tiradentes, antigo Fura-Fila, mais uma mudança de nome para o serviço. Seria a terceira vez que o projeto, que levou dez anos para ficar pronto, ganharia um novo nome.Antes disso, além de Fura-Fila, a linha foi chamada também de Paulistão. “Tenho uma sugestão para o prefeito Gilberto Kassab: o nome desta obra poderia mudar para Expresso Ipiranga/Tiradentes”, disse Serra durante o evento. O tucano justificou sua sugestão dizendo que seria uma homenagem ao bairro da Zona Sul, que é um dos atendidos pelo novo corredor de ônibus. Serra disse ter uma ligação afetiva com o bairro, onde já viveu. O governador também lembrou que em 2008 deve ser inaugurada a Estação de Metrô Ipiranga, parte das obras de Expansão da Linha 3 (Verde). O prefeito Gilberto Kassab ficou de pensar na proposta de seu aliado. Serra aproveitou o evento para pedir ajuda do governo federal na expansão do metrô. “É fundamental a participação federal no metrô do Ipiranga até a Vila Prudente. Eu já fiz esta demanda e gostaria de pedir a cooperação do ministro (das Cidades, Marcio Fortes) para que esta demanda fosse atendida”, disse ao representante do governo federal, presente à solenidade. Fortes prometeu analisar o projeto. ProtestoEnquanto ponderava qual seria o melhor nome para o Expresso Tiradentes, Serra enfrentou um protesto direcionado a Kassab contra a tarifa de R$ 2,30. Assim como nos demais ônibus da cidade, a taxa para o Expresso Tiradentes será de R$ 2,30.Durante seu discurso, dois jovens com mensagens escritas em um pedaço de papelão gritavam palavras de ordem contra o prefeito. O tucano não chegou a interromper sua fala. “Foi uma pessoa no meio de duas ou três mil. Se todo protesto fosse assim, estaria ótimo”, declarou o governador durante coletiva de imprensa.Ao fim do evento, Kassab também minimizou o episódio e defendeu que as manifestações são naturais em uma democracia. Desde que aumentou o preço dos ônibus o prefeito tem enfrentado protestos contra o preço das passagens.
Corredor chegou a ter um veículo elétrico híbrido curioso, com dois eixos à frente e um atrás. Houve problemas operacionais com o modelo
O secretário de transportes da cidade à época era Frederico Bussinger economista e engenheiro já com longa experiência no setor de transportes tendo atuado no Metrô, CPTM e SPTrans. Ele forneceu ao Diário do Transporte o discurso que fez à época. No pronunciamento de inauguração, Bussinger lembrou que a população chegou a desacreditar das obras. Pronunciamento de FREDERICO BUSSINGER na cerimônia de inauguração doEIXO-SUDESTE do EXPRESSO TIRADENTES8/MAR/2007 – 11 horasExmo. Sr. Prefeito Gilberto KassabExmo. Sr. Governador José SerraExmo. Sr. Ministro Márcio FortesAutoridades já anunciadasColegas, funcionários e trabalhadores que contribuíram para a realização desteempreendimento.………………………………………………..………………………………………………..Pois é!Não é que ele vai começar a funcionar? Que vai passar a transportar pessoas?É como tivesse chegado o momento de dar o sopro da vida ao boneco de barro. Oumelhor, ao esqueleto inacabado de concreto que, agora, foi concluído e equipado.Se transformou!Para aqueles que, há exatos dois anos, junto com o Prefeito Serra, o Vice Kassab, amaioria do Secretariado e Subprefeitos da região participaram da primeira visitaprecursora para conhecer no que consistia a proposta, o projeto, este ato, que oracompartilhamos, parecia muito distante. Talvez até inatingível.Mas não para aquela senhora da lojinha na praça que o Artuzinho (Subprefeito deCidade Tiradentes) acabara de gramar para nos recepcionar ao final da viagem:Suas palavras talvez profetizassem este momento: “Ué! Um Prefeito por aqui? E eleveio de ônibus?”.Os vizinhos da obra, ao longo da Av. do Estado e Juntas Provisórias, e mesmo apopulação da região do Ipiranga e Sacomã, já calejada por tantas promessas,cronogramas e pseudo-inaugurações, com toda razão permanecia ressabiada. Mas,aos poucos, a nova concepção e propostas começaram a suplantar as suspeitas eresistências pela funcionalidade, beleza, e racionalidade do projeto.………………………………………………..Havia, entretanto, um pequeno problema a ser resolvido: Não havia dinheiro! E aperspectiva de um novo financiamento do BNDES esbarrava na capacidade deendividamento da PMSP, pra lá de estourada, segundo as normas e parâmetros da“Lei de Responsabilidade Fiscal”.O enquadramento do projeto na carteira do PPI foi um achado, resultado dasensibilidade e da criatividade do Ministério das Cidades, sob o comando doMin. Márcio Fortes, e das áreas financeiras e de planejamento, tanto da Prefeituracomo do Governo Federal: Todos eles tornaram-se aliados entusiasmados doprojeto, viabilizando, em poucos meses, o primeiro acordo de R$ 450 milhões, comcompromissos de ambas as partes para 2006, 2007 e 2008.Os recursos, sabia-se, eram insuficientes para a conclusão plena dos 5 trechos doempreendimento; vale dizer, de todo o viário, terminais, estações e obrasassociadas. Todavia, eles foram potencializados pela negociação com os 2empreiteiros para redução dos preços unitários dos contratos existentes: Issopermitiu fazerem-se mais obras com os recursos disponíveis.Por outro lado, guiados pela diretriz estabelecida pelo Prefeito Serra, e ratificadapelo Prefeito Kassab de “não mais interromper a obra até viabilizar-se a operaçãoMercado-Sacomã, mesmo que algumas estações intermediárias ficassem para umsegundo momento”, as obras foram retomadas já no final de 2005 e, menos de 15meses depois, cá estamos para inaugurá-las e iniciar a operação do Eixo-Sudeste.………………………………………………..É claro que isso não teria sido possível sem o envolvimento e o trabalho diligente,até agora, de dezenas de empresas projetistas, fornecedoras e gerenciadoras, cujopapel reconhecemos através da Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, principaisresponsáveis pelas obras civis. De igual forma, sem um outro conjunto de parceiros,com os quais muito contamos, doravante, para a operação do sistema; os quaishomenageamos através da ViaSul e do Consórcio Aliança-Cooperpeople,concessionário e permissionário da Área-5, no qual se insere este Eixo.Tampouco teria sido possível sem as soluções e respostas, sempre prontas, dostécnicos e gestores dos Ministérios da Cidade, Planejamento e Fazenda, dasSecretarias do Planejamento e Finanças da PMSP, e da CEF. Mas, principalmente,sem o engajamento e a competência do corpo técnico e gerencial da CET, dasSubprefeituras, da EMTU e da SPTRANS.Alias, essa inauguração, neste 8 de março, é uma homenagem, uma justahomenagem à Empresa, que hoje comemora seu 12º aniversário de fundação, e aseus funcionários. É, também, um marco-símbolo dessa sua nova fase de vida,agora com uma dupla missão: gerenciar serviços de transporte de passageiros, emgeral; e implantar, manter e operar a infra-estrutura dedicada ao transporte publicocoletivo.………………………………………………..O que hoje se inaugura, contudo, vai muito alem de um conjunto de obras!Hoje, a história de corredores em São Paulo, já com mais de 3 décadas, dá mais umpasso; entra numa nova etapa: Inaugura-se o primeiro corredor efetivamentesegregado e sem cruzamentos da Cidade e da RMSP; e um novo padrão de serviçoem sistemas sobre pneus é implantado. Dentre tantas características:– Embarques e desembarques em nível, compatibilizando plataformas eveículos para facilitar o acesso de idosos, obesos, crianças e PPDs aosveículos; estas com espaços e assentos especiais, tanto para elas comopara seus acompanhantes, incluindo cães-guias;– existência de faixas de segurança e de guiagem nas plataformas parapessoas com deficiência de visão;– supervisão e monitoramento por câmeras e GPS (sistema via satélite);– sistema de emergência e socorro, articulado com o Corpo de Bombeiros,estrategicamente distribuído ao longo do trecho;– veículos de última geração, tanto em termos de segurança e conforto, comoenquadrados nas normas ambientais EURO-III.– aqui, do Terminal Sacomã, que homenageia o Ver. OSWALDO GIANOTTI,de quem a região lembra com saudades, sairão 10 linhas estruturais, sendo8 diurnas e 2 noturnas. Elas levarão passageiros de mais de 50 linhas,municipais e intermunicipais, que se integrarão no Terminal, aos quatrocantos da Cidade– um sistema “amigável” com o entorno urbano e com o meio ambiente:Acessível, com bicicletário nas suas principais estações e terminais,tratamento paisagístico, etc.Certamente ninguém imagina que tudo isso se viabilizou apenas com discursos,enunciado de idéias e de meras preocupações, com declarações platônicas de apoioou engajamento: Noites, madrugadas e finais de semana foram despendidos pordezenas, centenas de pessoas. Inumeráveis reuniões ocorreram, algumas tensas e,como está na moda, recheadas de “stress” e adrenalina. Quantas visitas técnicas ede inspeção? Em vários momentos ficamos com o fôlego preso à espera dedecisões fora de nosso controle. Inclusive vivenciamos algumas situações e cenascuriosas, como a do Procurador Geral do Município e um dos Diretores daSPTRANS, no último dia útil do ano, às 4 horas da tarde, na Av. Paulista, à pé,buscando local para copiar uma decisão da Justiça!Mas não é essa a lembrança que ficará em nossas memórias; como não é dadiarréia, da dor de ouvido ou do choro na madrugada que se lembram os paisquando o filho se torna jovem ou adulto.Ao contrário: Guardaremos o sorriso e a satisfação das senhoras e senhores da 3ºidade, felizes nas viagens da “operação assistida”; o entusiasmo do honorário“Prefeito da Ilha do Sapo” (aqui bem próxima), que já percebeu que o ExpressoTiradentes está requalificando sua região (e até diz ele: “o sapo está virandopríncipe!”); o orgulho de famílias que trouxeram seus parentes para conhecer o novosistema e registrar com fotos esse momento. Guardaremos, com certeza,lembranças de dezenas de reuniões nas quais fomos acolhidos com olhares deesperança, e também a expectativa dos moradores e lideranças da região de VilaPrudente, Sapopemba, São Mateus e Cidade Tiradentes, próximas etapas doprojeto e paradas do Expresso.Essas serão nossas recordações! É isso que nos anima, que nos move!………………………………………………..Para a minha geração e da Vera, minha esposa, que tomou consciência do Mundo ecresceu na “era-JK”, que ouviu no rádio o Brasil ser Campeão do Mundo pelaprimeira vez, que se formou na época do “Brasil-Potência”, tudo era possível: OBrasil tinha um fulgurante destino escrito nas estrelas. Era uma questão apenas detempo. Nós éramos, prévia e inexoravelmente, vitoriosos.Mas para a geração dos meus dois filhos, Gabriel e Fernanda, jovens universitários,como para a maior parte da adolescência e da juventude da minha Cidade e do meuPaís, o mundo físico parece pronto; parece que já nasceu e sempre esteve aí. Epior: Para essa geração (como já para muitos também da minha), parece que não dápara se fazer nada! Que não tem, mesmo, jeito … sentimento preocupante quandotambém aplicado à deterioração da nossa organização social.Não! É, sim, possível!A inauguração do Eixo-Sudeste do Expresso Tiradentes, neste momento, é umtestemunho vivo de que, sim, é possível.É possível construir e transformar realidades através do trabalho e do esforçocoletivoÉ possível soerguer esperanças desfalecidas.Sim; é possível!É possível dar vida a esqueletos inacabados.É possível desenvolver-se e implantar-se projetos que coordenem trânsito etransporte. De igual modo, é possível compatibilizar-se excelência em trânsito etransporte com cuidados urbanísticos e ambientais.Sim; é possível!É possível estabelecer-se uma relação proba, sadia e construtiva entre o PoderPúblico e a iniciativa privada.É possível coordenar-se as três esferas de governo em torno de um projeto comum;acima de eventuais divergências partidárias.Sim, tudo isso é possível! O Expresso Tiradentes é uma prova concreta, umexemplo irretorquível dessa possibilidade: Possível para o trânsito e o transporte;possível para diversos outros setores da vida nacional!………………………………………………..Mas ele mostra, também, que o funcional e o belo não são incompatíveis: Aí está oExpresso Tiradentes, leve e gracioso, com os traços do Arq. Ruy Ohtake,serpenteando seu amarelo vivo ao longo do Rio Tamanduateí. Parece ilustrar osensinamentos do mestre Oscar Niemeyer: “O que me atrai é a curva livre esensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país. No curso sinuosodos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida.”Por tudo isso, alem de ser um presente à população paulista e uma homenagem aostrabalhadores da SPTRANS, que hoje aniversaria, o Expresso Tiradentes, por suadelicadeza e beleza é, também, uma homenagem à mulher paulistana – neste seudia: 8 de março: Nosso parabéns, através desse presente … um presente concreto!
Imagem de parte do traçado do Expresso Tiradentes por Douglas Panhota, que escreveu o seguinte texto: Quando vi o Expresso Tiradentes do alto, fiquei admirado. Pois aproximadamente as 13:00hs, o céu tinha algumas nuvens que encobriam parte do centro da cidade e o expresso contornando os prédios com seu percurso pintado de amarelo no meio de uma cidade cinza de pedra. –
Ônibus articulados e superarticulados em área de espera
As obras do segundo trecho, porém continuavam. No dia 28 de abril de 2009, o prefeito Gilberto Kassab e o governador José Serra, anunciaram convênio para alterar o projeto inicial. O trecho até Cidade Tiradentes se transformaria na linha 15-Prata de monotrilho, prevista para ser inaugurada em 2012. No entanto, ainda em 2017, apenas duas estações num trecho de 2,3 quilômetros estão em funcionamento e o pior, o monotrilho se sair, será menor que o previsto inicialmente. A linha 15 Prata deveria ter 26,7 quilômetros de extensão, 18 estações entre Ipiranga e Hospital Cidade Tiradentes ao custo R$ 3,5 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Em 2015, orçamento ficou 105% mais alto, com o valor de R$ 7,2 bilhões. O custo por quilômetro sairia em 2010 por R$ 209 milhões, em 2015 por R$ 260 milhões e, no primeiro semestre de 2016, subiu para R$ 354 milhões. A previsão de 9 estações agora é para 2018-2019. Está sem previsão de conclusão o trecho entre Hospital Cidade Tiradentes e Iguatemi e Vila Prudente-Ipiranga. O governo do estado prometia atendimento a uma demanda de 550 mil passageiros por dia. OBRA DE ARTE ARQUITETÔNICA:
Planta e vista aérea do Terminal Mercado
Outra página da história do Expresso Tiradentes é o seu projeto arquitetônico que foi de responsabilidade de Ruy Ohtake. A Prefeitura na concepção do projeto organizou um Concurso para as construções da via elevada, dos dois Terminais e das nove estações intermediárias Foram convidados os escritórios Carlos Bratke, Júlio Neves, João Toscano e Ruy Ohtake, que foi o vencedor do Concurso. O arquiteto teve a colaboração de Carlos Roberto Azevedo e Félix de Araújo. Um texto escrito pelo próprio arquiteto Ruy Ohtake, em setembro de 2007, meses depois da inauguração, traz alguns detalhes da obra: “Desenhamos uma manta metálica transparente para abrigar o terminal Mercado, configurando o espaço de uma “gare”, que acolhe os passageiros, sem que se perca a vista para a cidade. Uma obra com característica expressiva na região e que faz um bonito contraponto com o Mercado. O Terminal Sacomã tem outra complexidade. No pavimento superior, além da chegada e saída de veículos do elevado, haverá uma intensa circulação de público. No térreo do terminal chegam 52 linhas de ônibus provenientes do ABC. O mezanino intermediário, com alguns serviços. Essa obra, pelo seu porte, poderá dar início a requalificação do bairro do Sacomã…. 2007, conclui-se a 1ª etapa do Expresso Tiradentes, o trecho Mercado (Centro da cidade) ao Sacomã. 8.5 km de extensão. A maior parte em via elevada. Tempo de percurso 14 minutos – 14 minutos, uma façanha. Com sol ou chuva. Com ou sem congestionamento, pois sendo via elevada, independe das condições de trânsito nas ruas. 14 minutos. O automóvel gasta mais de 40 minutos. Qualidade de transporte. Dignidade de serviço público.”ADAMO BAZANI, JORNALISTA ESPECIALIZADO EM TRANSPORTES (MTb 31521) – FORMAÇÃO PROFISSIONAL NÍVEL SUPERIOR