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Federação de empresas de ônibus de São Paulo alerta para possíveis movimentos especulativos na cadeia de distribuição do diesel

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De acordo com a FETPESP, especulação pode intensificar ainda mais a alta dos preços, além de provocar desabastecimento

ADAMO BAZANI

As altas no preço do óleo diesel e o risco de desabastecimento têm como principal motivo o conflito entre Estados Unidos-Israel e Irã, mas, no caso brasileiro, também a especulação, em especial, na distribuição do combustível, considerado o principal da economia nacional, cujo transporte de cargas e passageiros é feito majoritariamente pelo modelo rodoviário.

A Fetpesp, federação que representa as empresas de ônibus no Estado de São Paulo, divulgou uma nota-manifesto nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, com o alerta.

Segundo a entidade, a especulação pode intensificar ainda mais a alta dos preços, além de provocar desabastecimento.

O combustível representa em torno de 25% de todos os custos operacionais das empresas de ônibus.

A Fetpesp pede que os órgãos reguladores atuem firmemente para coibir e punir as especulações.

Veja o manifesto da integra.

A Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo (FETPESP) manifesta preocupação com a recente alta no preço do óleo diesel e com os riscos associados ao seu abastecimento, em um cenário internacional que já pressiona o mercado nacional.

O diesel é um insumo essencial e representa cerca de 25% dos custos operacionais do setor. A elevação contínua desses preços compromete o equilíbrio econômico das operações e tende a gerar impactos inevitáveis, seja por meio de reajustes tarifários, seja pela deterioração da qualidade dos serviços prestados à população.

A entidade também alerta para possíveis movimentos especulativos na cadeia de distribuição, que podem intensificar ainda mais a alta dos preços, além de provocar desabastecimento em unidades operacionais, comprometendo a prestação dos serviços em diversas localidades. Diante disso, a FETPESP solicita atenção rigorosa dos órgãos reguladores, em especial da Agência Nacional do Petróleo (ANP), e dos órgãos de defesa da concorrência, para coibir práticas abusivas, garantir transparência na formação de preços e assegurar a distribuição do insumo a todas as empresas que dele dependem.

Como mostrou o Diário do Transporte, enquanto o conflito entre Estados Unidos-Israel e Irã não se resolve; pelo Brasil, o Governo Federal tenta minimizar os impactos no preço do óleo diesel, evitar que se concretizem rumores de greve dos caminhoneiros e que serviços básicos parem ou sejam reduzidos por risco de desabastecimento, como saúde, policiamento e ônibus.

As viações alertaram em diversos Estados sobre o risco de terem de parar os ônibus e reduzir frota devido aos altos preços do diesel e, o pior, ao desabastecimento nas garagens.

Nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, o Governo Federal publicou a Medida Provisória (MP) Nº 1.343, que endurece a fiscalização e permite a aplicação de punições rigorosas em casos de descumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

A MP altera dispositivos da Lei nº 13.703/2018 e traz sanções a contratantes irregulares como multas que variam de R$1 milhão a R$10 milhões e cancelamento da autorização para atuar por até dois anos a infratores reincidentes. A responsabilização poderá alcançar ainda sócios e integrantes de grupos econômicos, por meio da desconsideração da personalidade jurídica.

Assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o texto estabelece a obrigatoriedade de registro das entregas realizadas por caminheiros por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). A partir da emissão desse dado, o percurso dos motoristas passa a ser monitorado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que verifica o cumprimento do piso mínimo do frete com base nas informações registradas e pode bloquear preventivamente casos irregulares.
Em nota, o Governo Federal diz que o CIOT deverá conter dados detalhados sobre contratantes, transportadores, carga, origem, destino, valor do frete e forma de pagamento. O código será emitido previamente e vinculado ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e). Assim, estarão integrados, de maneira eletrônica, a ANTT, a Receita Federal e os fiscos estaduais (Sefaz) e municipais (ISS).
A MP autoriza ainda a suspensão do Registro Nacional do Transportador Rodoviário de Cargas (RNTRC) para infratores autuados por serviços de logística com valores inferiores ao exigido de forma reiterada, com mais de três ocorrências em um período de seis meses.

Em casos de reincidência, a suspensão do RNTRC passa a ser mais longa e pode evoluir para o cancelamento do registro, com vedação ao exercício da atividade de transporte rodoviário de cargas por até dois anos.

As normas ainda preveem que os responsáveis por anúncios de serviços que ofereçam fretes abaixo do valor mínimo também serão punidos. Os infratores estarão sujeitos às mesmas multas e sanções aplicadas a transportadores e contratantes que descumprirem a lei.

As regras, no entanto, não se aplicam ao transportador autônomo de cargas (TAC).
A MP está válida por 60 dias até a aprovação do Congresso Nacional.

ÔNIBUS:

Mesmo se tratando de cargas, a MP deve impactar nos serviços de ônibus, que temem falta de combustível e elevação ainda maior dos preços.

Ao estabelecer que os fretes mínimos sejam fiscalizados com maior rigor, a MP também pode auxiliar no cumprimento de viagens do transporte do diesel a postos de combustíveis e grandes compradores como empresas de ônibus, além de tentar reduzir o risco de greve, o que seria fatal pata as entregas nas garagens.
Mais empresas de ônibus relataram ao Diário do Transporte dificuldades de negociar o combustível. No último final de semana, como mostrou a reportagem, São Leopoldo (RS) ficou sem ônibus urbanos no domingo, 15 de março de 2026, e Teresina (PI) teve de reduzir a frota.

Relembre:

Em 12 de março de 2026, o Governo Federal anunciou que zerou o PIS-Cofins do diesel, aliviando em R$ 0,32 o preço por litro nas refinarias e, ainda, subsidiou outros R$ 0,32, reduzindo o valor em R$ 0,64.

Relembre:

No dia seguinte, a Petrobrás anunciou aumento no diesel, mas disse que o reajuste já estava inserido na política da estatal, alinhada com a variação dos preços internacionais e que a desoneração e o subsídio quase anulariam o efeito do reajuste anunciado.

Relembre:

Nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, a Fetram (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais) demonstrou preocupação com os impactos da elevação no preço do óleo diesel sobre a operação das empresas de transporte de passageiros em Minas Gerais. Segundo a entidade, o aumento acumulado de aproximadamente 30% nos custos do combustível tem provocado desequilíbrio financeiro no setor.

Relembre:

A Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio Grande do Sul informou nesta semana também que a alta no preço do diesel levou as empresas de ônibus intermunicipais a reduzirem horários e solicitarem aumento da passagem em municípios do Rio Grande do Sul.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Atlético-MG encara viagens longas e altitude no grupo da Sul-Americana; veja como ficou a chave

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Nesta quinta-feira (19), o Atlético-MG conheceu os adversários que terá pela frente na fase de grupos da CONMEBOL Sul-Americana de 2026.

O sorteio, realizado em Luque, no Paraguai, onde fica a sede da entidade que comanda o futebol sul-americano, definiu o Galo na chave B e da seguinte maneira, com Cienciano-PER, Puerto Cabello-VEN e Juventud-URU. O time peruano, inclusive, atua em Cusco, com altitude de 3400 metros.

A estreia do time mineiro na competição será diante do Puerto Cabello, da Venezuela, em uma viagem desgastante, entre os dias 7 e 9 de abril.

Diferentemente da Libertadores, apenas o primeiro colocado de cada grupo avança diretamente às oitavas de final. Os que terminarem em segundo das chaves vão para os playoffs, em que duelam com os terceiros colocados da outra competição continental, para saber quem segue no torneio.

Tabela da fase de grupos da Sul-Americana 2026:

Rodada 1 – 7 a 9 de abril

Rodada 2 – 14 a 16 de abril

Rodada 3 – 28 a 30 de abril

Rodada 4 – 5 a 7 de maio

Rodada 5 – 19 a 21 de maio

Rodada 6 – 26 a 28 de maio

Calendário completo da Sul-Americana 2026

Fase de grupos

  • 1ª rodada: 7 a 9 de abril

  • 2ª rodada: 14 a 16 de abril

  • 3ª rodada: 28 a 30 de abril

  • 4ª rodada: 5 a 7 de maio

  • 5ª rodada: 19 a 21 de maio

  • 6ª rodada: 26 a 28 de maio

Playoffs

  • Ida: 21 a 23 de julho

  • Volta: 28 e 30 julho

Oitavas de final

  • Ida: 11 a 13 de agosto

  • Volta: 18 a 20 de agosto

Quartas de final

Semifinais

Final

O que esperar dos rivais?

Uma vez campeão da Sul-Americana, o Cienciano tenta retomar o protagonismo que já teve outrora. Para isso, vários jogadores foram contratados para 2026, muitos deles com histórico de disputar grandes competições.

Por isso, Matías Succar chegou do Alianza Lima, Álvaro Rojas foi contratado do Universitario e Henry Caparó veio do Sporting Cristal. Carlos Garcés, de 36 anos, segue sendo a referência no ataque.

Outrora desconhecido, o Puerto Cabello vem se tornando habitual em competições continentais, já que costuma aparecer entre os líderes do Campeonato Venezuelano a cada ano.

Os nomes que mais chamam atenção no elenco são o nigeriano Musa Isah e o português João Barros, contratado recentemente. Edwuin Pernía, outra novidade, é o principal nome do ataque.

O desconhecido Juventud de Las Piedras disputou as fases prévias da Libertadores e por pouco não se garantiu nos grupos. Com a eliminação, vai jogar a Sul-Americana. Já algo bem grandioso para alguém que vive o momento mais relevante de sua história.

No elenco, o nome mais famoso é o do defensor Martín Cáceres, que por mais de uma década foi figura frequente na seleção uruguaia. Alejo Cruz, ex-Peñarol, e Renzo Sánchez, que estava no Nacional, são grandes apostas do time após deixarem os gigantes do país.

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Queda de carga provoca lentidão e interdição parcial na Rodovia Anchieta nesta sexta-feira (20)

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Trecho no km 18, em São Bernardo do Campo, opera com apenas uma faixa liberada no sentido litoral

YURI SENA

A Rodovia Anchieta registra trânsito intenso na manhã desta sexta-feira, 20 de março de 2026, devido à queda de carga de um caminhão no km 18, no sentido Baixada Santista.

Segundo informações da concessionária Ecovias Imigrantes, o incidente resultou na interdição parcial da pista, com liberação de apenas uma faixa para a circulação de veículos. 

A situação tem provocado retenções no trecho, especialmente na região de São Bernardo do Campo.

De acordo com a concessionária responsável pelo trecho, o caso foi registrado por volta das 9h, após o motorista perder o controle do veículo, o que resultou no espalhamento da carga sobre a pista.

Equipes atuam no atendimento da ocorrência e na limpeza da via, enquanto o fluxo segue elevado e exige atenção redobrada dos motoristas que passam pelo local.

Confira nota da Ecovias Imigrantes: 

A Rodovia Anchieta (SP-150) apresenta tráfego lento na manhã desta sexta-feira (20/03/2026), com interdição parcial no km 18, sentido Litoral, devido à queda de carga de um caminhão, liberando apenas uma faixa. O fluxo é alto, exigindo atenção.

Yuri Sena, para o Diário do Transporte

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Colisão entre ônibus e motocicleta deixa um morto na RN-117 na noite desta quinta-feira (19)

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Acidente ocorreu entre Olho d’Água do Borges e Caraúbas; passageiro da moto ficou ferido e foi socorrido

YURI SENA

Um homem morreu e outro ficou ferido após uma colisão frontal entre um ônibus interestadual e uma motocicleta na noite desta quinta-feira (19), na rodovia RN-117, na região Oeste do Rio Grande do Norte.

De acordo com a Polícia Militar, o acidente aconteceu por volta das 19h30, a cerca de sete quilômetros do município de Olho d’Água do Borges, no trecho que liga a cidade a Caraúbas.

O condutor da motocicleta, identificado como Reginaldo Alves de Oliveira, de 59 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O passageiro que estava na garupa foi socorrido por uma ambulância, encaminhado ao hospital da região, passou por atendimento médico e recebeu alta.

Segundo a polícia, os dois ocupantes da moto não utilizavam capacete no momento da colisão. O veículo seguia no sentido Olho d’Água do Borges–Caraúbas, enquanto o ônibus trafegava na direção oposta, realizando o trajeto entre Fortaleza (CE) e Maceió (AL).

O motorista do coletivo permaneceu no local e informou que tentou evitar o impacto após perceber que a motocicleta trafegava em zigue-zague pela pista, mas não conseguiu desviar a tempo. Nenhum passageiro do ônibus ficou ferido.

A área foi isolada para o trabalho das equipes de perícia, com apoio da Polícia Civil e da Polícia Científica. Após o acidente, outro ônibus foi enviado pela empresa para dar continuidade à viagem dos passageiros.

Yuri Sena, para o Diário do Transporte

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Negócio que se decide na poltrona

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Passageiro de ônibus rodoviário está mais exigente e viajar conectado virou essencial.  Comil possui showroom só para poltronas

ADAMO BAZANI



 

O passageiro de ônibus rodoviário tem outras prioridades em comparação há dez anos.

Quem afirma é o diretor comercial da Comil Ônibus,  Tiago Zanette.

Cumprimento de horários,  segurança e preços melhores nas passagens não são mais compreendidos pelas pessoas como atributos,  mas obrigação.

Há cerca de 25 anos na fabricante de carrocerias,  sediada em Erechim (RS), Zanette viu esse perfil de passageiros mudar.

Atualmente, segundo o profissional, além de conforto, reclinação e bom espaço,  o passageiro quer (e precisa) viajar conectado.

Tomada USB em cada poltrona é uma das principais expectativas. Hoje ninguém sai de casa sem celular. O telefone que antes era para falar, virou instrumento de entretenimento e de trabalho. Uma viagem de ônibus é agora oportunidade de decidir negócios” – disse.

Independentemente da categoria do serviço,  do convencional ao leito-cama, precisa ter uma entrada USB que funcione.

Se o passageiro decide negócios nas poltronas, é por elas que o mercado de ônibus tem também fechado muitas negociações.

A Comil tem uma fábrica dentro de sua planta somente de poltronas, fazendo de tudo,  desde a estrutura metálica até o estofamento,

A exceção fica para o encosto de cabeça, com uma espuma desenvolvida com engenharia da NASA, que é comprada pronta.

Além disso,  a empresa mantém uma espécie de showroom só de poltronas com todos os modelos disponíveis.

Facilita. Em vez de ter entrar ônibus por ônibus, o cliente senta, verifica a reclinação, a distância, o conforto e pode fazer a comparação visual e ergonômica uma ao lado da outra” – disse Zanette que garantiu….

Muitas vezes,  o cliente frotista vem com uma ideia na cabeça,  mas ao comparar e sentir as diferenças se apaixona pelos modelos melhores e muda de opinião

Se o negócio se faz na poltrona, é nela que a Comil tem verificado a empatia do cliente (dono da empresa de ônibus) com o cliente de seu cliente (passageiro).

Adamo Bazani,  jornalista especializado em transportes

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Com diesel mais caro, custo do frete chega a aumentar até 7%

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O aumento dos preços do diesel, uma consequência da guerra no Oriente Médio, acionou o gatilho que obriga a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a elevar os valores da tabela de fretes rodoviários. Os reajustes no custo de transporte já chegaram a 7%, a depender do tipo de operação.

A elevação afeta principalmente as rotas em que as cotações estavam próximas ao piso, diz o Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Esalq (Esalq-Log). É o caso, por exemplo, do escoamento de grãos do Centro-Oeste para os portos do Sul e Sudeste.

Fernando Bastiani, pesquisador da Esalq-Log, disse que um dos trajetos em que os custos mais cresceram com o reajuste na tabela de fretes foi onde há utilização do chamado “frete de retorno”, que contempla o transporte de commodities até o porto e o retorno para as áreas produtivas com fertilizantes ou demais insumos importados. Foram impactadas sobretudo rotas de “distâncias mais longas”, como, de Mato Grosso até Santos ou Paranaguá, disse.

Na primeira quinzena de março, o frete de Sorriso (MT) a Paranaguá (PR) atingiu R$ 389 por tonelada, aumento de 2,91% sobre o mês completo de fevereiro, segundo dados da Esalq-Log. No trajeto de Sorriso (MT) a Santos (SP), a alta no valor do frete foi de 1,76% no mesmo período avaliado. Bastiani disse acreditar que a tendência é de novas altas.

Na variação anual, a elevação dos custos de frete é maior. Para o percurso de Sorriso (MT) a Paranaguá (PR), o frete está 21,9% maior que o patamar registrado em março de 2025. De Sorriso (MT) a Santos (SP), esta elevação é de 7,47%.

A lei 13.703/2018 determina que a tabela de pisos mínimos de fretes seja reajustada sempre que ocorrer oscilação do diesel superior a 5%, para baixo ou para cima. O último reajuste para cima no frete havia sido feito em fevereiro de 2025, período que coincide com o pico de escoamento da soja.

Somente na última semana, o diesel acumulou alta de 11,84%, chegando a R$ 6,80 por litro, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) — disparando o gatilho da ANTT.

O valor do diesel vem subindo desde o início de março, quando o início do conflito no Oriente Médio levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo no mundo. Com pouco mais de duas semanas de conflito, o barril do Brent saiu de US$ 75 a mais de US$ 110.

Segundo a ANTT, dessa vez, os reajustes médios da tabela de frete ficam entre 4,82% a 7%, a depender do tipo de operação de transporte. Em fevereiro do ano passado, os ajustes de preço da tabela ocorreram, mas em uma proporção menor, de 2,13% a 2,99%.

Filipe Nielsen, analista de research responsável por transportes no Citi Brasil, alertou que os preços do diesel subiram 12,8% desde o fim de fevereiro e impulsionaram os fretes, que aumentaram 1,5% em média em relação à semana anterior. A análise considera o custo nas principais rotas de grãos de Mato Grosso para Miritituba (PA) e aos portos do Sul e Sudeste.

“Se não se resolver rapidamente a situação no Estreito de Ormuz, vai aumentar e rapidamente o frete e o combustível”, acrescentou Olivier Girard, diretor da Macroinfra Consultores.

Outras regiões

Nas demais regiões de escoamento da safra pelo país, há também elevação nos preços de fretes. Entretanto, o especialista da Esalq-Log disse que é difícil distinguir o impacto do petróleo e do aumento de demanda por fretes sazonal para o período.

“O mercado de fretes ainda continua aquecido em função do período de colheita, principalmente na Bahia e Matopi (Maranhão, Tocantins e Piauí), além do Rio Grande do Sul, que também iniciou a colheita”, afirmou Bastiani.

Em Mato Grosso, como o pico do escoamento já aconteceu entre janeiro e fevereiro, os preços dos combustíveis, em tese, deveriam ter avanços limitados. No entanto, entidades regionais identificaram aumentos significativos no valor do diesel dos Transportadores Revendedores Retalhistas (TRR), utilizada por produtores em compras de grande volume.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) denunciou ao Procon-MT uma “alta repentina” no diesel. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que o preço do diesel S500 em TRR em Mato Grosso subiu 28% desde o dia 9, a R$ 7,47 por litro.

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Mais de um terço das linhas intermunicipais é devolvido em Goiás e editais têm menos de 2% de adesão

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Relatórios oficiais indicam 108 linhas com autorização renunciada e cerca de 220 ainda ativas; desequilíbrio da rede e baixa atratividade econômica explicam crise no sistema

ALEXANDRE PELEGI

O sistema de transporte rodoviário intermunicipal de passageiros em Goiás enfrenta sinais claros de desestruturação. Dados consolidados a partir de relatórios da Agência Goiana de Regulação (AGR) mostram que 108 linhas tiveram autorização renunciada pelas empresas, enquanto cerca de 220 linhas permanecem ativas no estado.

Na prática, isso confirma que mais de um terço da rede intermunicipal já foi devolvida, reforçando alertas do setor sobre a perda de atratividade econômica do sistema.

Além disso, editais recentes de chamamento público têm registrado adesão extremamente baixa. Em um dos casos mais recentes, 153 linhas foram ofertadas e apenas três receberam propostas, evidenciando o desinteresse das operadoras, segundo operadores locais.

Concentração em eixos e esvaziamento do restante da rede

A análise dos dados revela um padrão relevante: as linhas ainda ativas concentram-se majoritariamente em eixos estruturais com origem em Goiânia, conectando cidades de médio e grande porte, como:

  • Goiânia – Rio Verde
  • Goiânia – Caldas Novas
  • Goiânia – Catalão
  • Goiânia – Anápolis
  • Goiânia – Porangatu

Por outro lado, entre as linhas devolvidas predominam ligações de menor demanda ou de caráter regional/local, como:

  • Goiânia – Nazário
  • Iporá – Jussara
  • Catalão – Ouvidor
  • São Luiz de Montes Belos – municípios vizinhos
  • diversas conexões semiurbanas e intermunicipais curtas

Esse contraste evidencia um desequilíbrio estrutural da rede, onde apenas os corredores de maior demanda se mantêm viáveis economicamente.

Falhas na estruturação da rede

O advogado Walberty Luna, especialista em regulação do transporte rodoviário com cerca de 25 anos de experiência — incluindo atuação em processos relacionados à ANTT — afirma que a devolução massiva é um sintoma direto de problemas no desenho do sistema.

“Um sistema com 108 linhas devolvidas em um universo de cerca de 330 linhas é um sinal grave. Normalmente, as empresas querem operar linhas — não devolvê-las”, afirma.

Segundo ele, o modelo adotado em Goiás ignora princípios básicos da engenharia de transportes:

“Os sistemas eficientes são estruturados em eixos tronco e alimentadores. O que vemos é a criação de ligações diretas entre localidades com baixa demanda, o que compromete a viabilidade econômica.”

Ausência de planejamento sistêmico

Outro ponto crítico evidenciado pelos dados da AGR é a possível falta de um planejamento integrado da rede.

Enquanto as linhas ativas mostram certa lógica de concentração em corredores principais, as linhas devolvidas indicam:

  • dispersão geográfica sem integração
  • sobreposição de serviços
  • má distribuição de horários
  • baixa ocupação dos serviços
  • ineficiência sistêmica da rede

“Não se observa um projeto de rede que organize o sistema. O que ocorre é a abertura de chamamentos públicos sem considerar o impacto daquela linha dentro do conjunto do sistema”, afirma Walberty Luna.

Modelo regulatório e classificação inadequada

A legislação estadual (Lei nº 18.673/2014) prevê diferentes regimes conforme a demanda:

  • linhas com demanda suficiente podem operar sob autorização
  • linhas com menor demanda devem ser estruturadas sob permissão

Na prática, segundo especialistas, a falta de aderência a esse critério pode estar contribuindo para o colapso.

Linhas que deveriam ser estruturadas com regras diferenciadas acabam sendo ofertadas como operações comerciais comuns — o que reduz o interesse das empresas.

Fiscalização insuficiente e concorrência irregular

Operadores também apontam a fragilidade da fiscalização como fator agravante.

Entre os principais problemas relatados:

  1. Demanda de municípios não atendidos pelo sistema intermunicipal
  2. Demanda intermunicipal atendida irregularmente pelo sistema interestadual
  3. Uso de aplicativos de mobilidade de forma irregular (como BlaBlaCar)
  4. Transporte clandestino
  5. Fretamento contínuo de prefeituras
  6. Fretamento eventual irregular
  7. Número excessivo de linhas em sobreposição
  8. Má distribuição de horários

Esse cenário retira passageiros do sistema formal, agravando ainda mais a inviabilidade das operações.

Sistema próximo do colapso

A combinação dos fatores — confirmada pelos dados oficiais da AGR — aponta para um sistema em forte deterioração:

  • 108 linhas devolvidas (≈33% da rede)
  • concentração de operação em poucos corredores
  • baixa adesão a novos editais
  • perda de operadores

“A baixa adesão aos editais demonstra que as empresas não enxergam atratividade econômica nas linhas. Sem segurança jurídica e sem viabilidade operacional, ninguém vai assumir esses serviços”, afirmou um representante do setor.

Segundo os operadores, o efeito prático já é visível:

“O sistema hoje está colapsando. Os empresários não têm atratividade para investir no estado.”

Especialistas alertam que, sem reorganização estrutural da rede e sem estudos técnicos mais robustos, o transporte intermunicipal pode continuar perdendo cobertura e operadores.

O que é o modelo tronco–alimentador no transporte

O modelo tronco–alimentador organiza o transporte em dois níveis:

Linhas tronco (estruturantes)
Conectam grandes polos com alta demanda e maior frequência.

Linhas alimentadoras
Ligam cidades menores aos eixos principais, garantindo capilaridade.

A lógica é concentrar a maior parte da demanda nas linhas estruturantes, assegurando escala econômica.

Segundo especialistas, quando o sistema ignora essa estrutura e cria ligações diretas entre localidades com pouca demanda, a operação se torna inviável — exatamente o cenário observado em Goiás.

Marco regulatório em Goiás e comparação com a ANTT

O transporte intermunicipal de passageiros em Goiás é regido principalmente pela Lei Estadual nº 18.673/2014, que estabelece as diretrizes para organização, delegação e operação dos serviços no estado.

📌 Lei 18.673/2014 (Goiás)

A legislação define dois regimes principais:

Autorização

  • Para linhas com viabilidade econômica
  • Operação por conta e risco da empresa
  • Sem garantia de equilíbrio econômico-financeiro

Permissão

  • Para linhas de menor demanda ou interesse público
  • Possibilidade de maior controle estatal
  • Em tese, admite mecanismos de equilíbrio

Especialistas apontam que a aplicação inadequada desses critérios tem levado linhas inviáveis a serem ofertadas como operações comerciais.

📌 Modelo federal (ANTT)

No transporte interestadual, regulado pela ANTT:

  • modelo também baseado em autorização
  • maior uso de dados e critérios técnicos
  • monitoramento contínuo do mercado
  • avaliação de oferta e demanda

A agência utiliza instrumentos como:

  • análise de mercados relevantes
  • acompanhamento de ocupação
  • ajustes regulatórios com base em desempenho

Diferença central

Enquanto o modelo federal evoluiu para uma regulação orientada por dados, em Goiás há indícios de:

  • ausência de planejamento sistêmico
  • criação de linhas sem estudos robustos
  • falta de mecanismos de correção

Impacto regulatório

Esse desalinhamento contribui diretamente para:

  • devolução de linhas
  • baixa adesão a editais
  • concentração em poucos corredores rentáveis

“Sem uma estrutura regulatória aderente à realidade da demanda, o sistema perde operadores e cobertura”, avaliam especialistas.


ANEXOS:

Requerimentos com as linhas ativas e devolvidas que foram encaminhados pelo Sindicato das empresas de Transporte Rodoviário Intermunicipal e Interestadual de Passageiros do Estado de Goiás – SETRINPE-GO à Agência Goiana de Regulação (AGR):

Linhas ativas:

Linhas devolvidas:

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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LeBron James empata com Robert Parish como os jogadores com mais partidas na história da NBA

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LeBron James fez história mais uma vez. Ao entrar em quadra contra o Miami Heat nesta sexta-feira, o astro do Los Angeles Lakers empatou no topo da lista dos jogadores com mais partidas em temporadas regulares na história da NBA.

Com 1.611 jogos, o ‘King’ agora está ao lado de Robert Parish, lenda do Boston Celtics (com passagens por Golden State Warriors, Charlotte Hornets e Chicago Bulls) em mais uma estatística que comprova a longevidade na liga americana.

Ao lado do número de jogos, LeBron também é o jogador com mais temporadas disputadas na NBA: 23 e contanto, já que deve seguir atuando em 2026-27.

Além da longevidade, James se destaca em inúmeros rankings: é o 1° em pontos, 4° em assistências, 6° em bolas de três pontos, 6° em roubos, 24° em rebotes e 73° em tocos. Ao longo da carreira, também coleciona premiações individuais: foi quatro vezes MVP (2009, 2010, 2012 e 2013), calouro do ano em 2003-04, quatro vezes MVP das finais (2012, 2013, 2016 2020) e três vezes MVP do All-Star Game (2006, 2008 e 2018), evento que participou 22 vezes.

Robert Parish, que está prestes a ser ultrapassado por LeBron, jogou de 1976 a 1997, 14 deles no Boston Celtics. Vestindo a camisa verde, participou nove vezes do All-Star e venceu a NBA três vezes: 1981, 1984 e 1986, fazendo parte dos históricos times ao lado de Larry Bird, Kevin McHale e Cedric Maxwell.

Na temporada 1996-97, a última da carreira, fez parte do Chicago Bulls de Michael Jordan, participando do quinto título da franquia.

Top 10 atletas com mais jogos na NBA

Top 10 atletas em atividade com mais jogos na NBA

  1. LeBron James: 1.611 jogos (empatado em 1° lugar geral);

  2. Russell Westbrook: 1.301 (25° geral);

  3. DeMar DeRozan: 1.257 (empatado em 37° geral);

  4. Jeff Green: 1.242 (42°);

  5. Mike Conley: 1.220 (48°);

  6. James Harden: 1.211 (51°);

  7. Nicolas Batum: 1.196 (empatado em 57°);

  8. Kevin Durant: 1.189 (60°);

  9. Kyle Lowry: 1.185 (61°);

  10. Al Horford: 1.181 (empatado em 64°).

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Linha 7-Rubi opera normalmente na manhã desta sexta-feira (20) após problemas causados por chuva

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Circulação havia sido afetada na tarde de quinta-feira (19) por deslocamento de pedras na via entre Campo Limpo Paulista e Jundiaí

YURI SENA

A Linha 7-Rubi, operada pela concessionária TIC Trens, amanheceu com operação normal nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, após falhas registradas no dia anterior em razão das fortes chuvas.

Na tarde de quinta-feira (19), o temporal provocou o deslocamento da camada de brita que sustenta os trilhos e dormentes no trecho entre Estação Campo Limpo Paulista e Estação Jundiaí, comprometendo a estrutura da via.

Por conta do problema e do alagamento na região, desde às 17h17 os trens passaram a circular em via única entre Estação Francisco Morato e Jundiaí, o que gerou aumento no intervalo das composições.

Já no trecho entre Estação Palmeiras-Barra Funda e Francisco Morato, a operação seguiu sem alterações.

Segundo a concessionária, equipes de manutenção atuaram ao longo da noite para recompor a base da via e garantir a segurança da circulação. Com a conclusão dos trabalhos, a operação foi normalizada no início da manhã desta sexta-feira.

Confira nota da TIC Trens: 

A TIC Trens informa que a Linha 7-Rubi opera normalmente. Devido às fortes chuvas que atingiram a Região Metropolitana de São Paulo na tarde de quinta-feira (19), a linha operou com maiores intervalos no trecho entre as estações Francisco Morato e Jundiaí, das 17h17 até o fim da operação de ontem, à meia-noite.

As chuvas causaram o deslocamento da camada de pedras que sustenta os trilhos e dormentes entre as estações Campo Limpo Paulista e Jundiaí. Por conta do alagamento na região, os trens circularam em via única no trecho e com maiores intervalos entre as estações Francisco Morato e Jundiaí. A estratégia foi adotada por segurança operacional. Entre Palmeiras-Barra Funda e Francisco Morato, os trens circularam normalmente.

As equipes de manutenção atuaram no local para recompor a base de brita e restabelecer a estabilidade da via. Os passageiros foram orientados por avisos sonoros e pelos Agentes de Atendimento e Segurança (AAS).

Yuri Sena, para o Diário do Transporte

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Fonte

Prazo de contrato do projeto para requalificação do Corredor de Ônibus Santo Amaro fica seis meses maior e mais caro

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Modelo de ônibus que via operar no Corredor Verde

Novo cronograma acrescenta R$ 1,6 milhão ao valor correspondente aos estudos do trecho entre Avenida Portugal e Terminal João Dias

ADAMO BAZANI

Colaboração Yuri Sena

Prevista para ser entregue em 20 de fevereiro de 2026, a elaboração do projeto básico e projeto executivo para requalificação do Corredor de Ônibus Santo Amaro/João Dias vai agora ficar para 18 de junho de 2026. E não somente isso. O trabalho não só vai ficar mais demorado, porém mais caro.

O acréscimo é de R$ 1,61 milhão (R$1.601.041,40). O contrato passou de R$ 4,15 milhões (R$ 4.159.322,60) para R$ 5,76 milhões (R$ 5.760.364,00).

O projeto se refere ao trecho entre Avenida Portugal e Terminal João Dias, na zona Sul de São Paulo.

Nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, a SPObras, da prefeitura, emitiu o parecer favorável para a prorrogação do contrato.

O Consórcio MBCB-5 (MAUBERTEC/COBRAPE) pediu, em uma carta, o aumento do prazo e do valor sob a justificativa de que a SPTrans (São Paulo Transporte) e CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) não aprovaram o projeto inicial da localização das paradas de ônibus, o que obrigou a refazer todo o trabalho.

A requalificação na região de Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo, foca na modernização da infraestrutura, incluindo a Avenida Santo Amaro e o Terminal Santo Amaro. As obras, que avançam em etapas, priorizam o alargamento das vias, melhorias na drenagem e nova pavimentação para aumentar a fluidez do transporte público e a mobilidade urbana.

Como mostrou o Diário do Transporte, apesar do avanço das obras, os prazos iniciais prometidos pela prefeitura não se concretizaram, bem como os serviços têm ficado mais caros. Não bastasse isso, a proposta de Corredor Verde (9 de Julho/Santo Amaro), que incorpora ônibus elétricos e paradas abastecidas a energia solar, além de aproveitamento de água de chuva, que tinha previsão de o primeiro trecho ser inaugurado em dezembro de 2025, não tem mais data, de acordo com o próprio prefeito Ricardo Nunes.

Relembre:

Segundo prefeito, concessionárias estão sendo cobradas para acelerar a troca de frota

ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA

Colaborou Arthur Ferrari

O prefeito de São Paulo (SP), Ricardo Nunes, diz que não há mais previsão da inauguração do trecho 1 do primeiro Corredor Verde da capital paulista, que vai integrar o sistema entre as avenidas Nove de Julho, na região Central, e Santo Amaro, na Zona Sul.

Prometido para ser inaugurado em dezembro, trata-se da readequação do atual corredor, incorporando, além de ônibus elétricos, conceitos de sustentabilidade, como aproveitamento da água da chuva e estações de energia solar.

Foi prometido como um dos principais marcos na sustentabilidade dos transportes de São Paulo. Entretanto, não houve os avanços anunciados inicialmente.

Em janeiro deste ano, o Diário do Transporte mostrou uma série de problemas no pavimento do corredor na região Central. A prefeitura disse que faria uma inspeção no local até fevereiro.

Nesta segunda semana de março, o prefeito diz que já não há mais previsão. Nunes responsabilizou a falta de avanço na renovação da frota de veículos, que devem ser todos elétricos.

Segundo o prefeito, as concessionárias que operam o eixo Nove de Julho – Santo Amaro estão sendo cobradas para antecipar a renovação das frotas.

Quanto às obras civis, Nunes disse que está com bons avanços, praticamente já em conclusão. No entanto, imagens recebidas pelo Diário do Transporte mostram vários aspectos ainda não contemplados, como a reformulação de todas as paradas, guias e a condição do pavimento.

Nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, foram apresentados 110 ônibus elétricos de diversos modelos e operadoras para várias regiões da cidade. Entre eles, justamente uma das unidades que devem circular pelo sistema: um superarticulado com carroceria Caio E-Millennium BRT, baterias Blade — que são mais finas — e tecnologia de tração da BYD, montadas em Campinas (SP).

Relembre:

CORREDOR VERDE de São Paulo – Imagens exclusivas mostram estado precário de sistema que foi anunciado para ser referência em São Paulo

Confira a entrevista com o prefeito Ricardo Nunes na íntegra:

RICARDO NUNES: Corredor da Santo Amaro, ali vai ser uma política pública muito interessante porque todos aqueles pontos de ônibus já estão arrumados, eles vão todos funcionar com energia solar, através de placa fotovoltaica, os relógios, tem a compensação de carbono, maior ampliação de área verde, maior área permeável no corredor e uma questão de divulgar esse tema para a população na conscientização. A gente tem várias linhas que operam ali, todos os ônibus que a gente vai colocar agora novo, ele só pode entrar elétrico, não pode mais entrar ônibus a diesel, então, no decorrer do tempo, a gente vai ter 100% só veículos elétricos, uma prioridade do governo, a gente tem falado para as concessionárias fazer essa antecipação da substituição desses ônibus ali naquela linha. Um prazo específico eu não posso te dar agora, porque não depende só de mim. Mas que a gente vai ter, muito em breve, mas muito em breve mesmo, 100% dos ônibus que circulam na Nove de julho, naquele trecho elétrico, a gente vai ter.

ADAMO BAZANI: As obras civis?

RICARDO NUNES: As obras civis são feitas, a gente aumentou a drenagem, aumentou a área de vegetação, a alteração dos pontos de ônibus, como eu te disse aqui, com uma pegada mais verde e essas questões já estão praticamente prontas. O que falta agora é a gente ter ali a substituição dos ônibus a diesel para os ônibus elétricos na sua totalidade, uma parte já tem, inclusive, esse trólebus aí.

Enquanto isso, implantação do conceito Corredor Verde, no eixo 9 de julho/Santo Amaro, que deveria ser inaugurado em dezembro de 2025, não tem mais data para entrar em vigor, segundo o próprio prefeito Ricardo Nunes

ADAMO BAZANI

A SPObras, empresa da prefeitura de São Paulo responsável por gerenciar as obras da cidade, definiu o consórcio de empresas que vai realizar os trabalhos do terceiro e último trecho da revitalização da Avenida Santo Amaro e do corredor de ônibus do local.

Segundo publicação oficial desta quinta-feira, 12 de março de 2026, o serviço vai custar R$ 98,2 milhões – R$ 98.282.769,03 (noventa e oito milhões duzentos e oitenta e dois mil setecentos e sessenta e nove reais e três centavos).

Ainda de acordo com a SPObras, o valor é 0,52% menor que o máximo estipulado no edital de licitação.

As obras serão realizadas pelo Consórcio Conecta Santo Amaro formado pela Talude Construções S/A e SOEBE Construção e Pavimentação S.A. O prazo é de 18 meses.

Este trecho, de aproximadamente 1,2 km é entre a Rua Periquito e a Avenida dos Bandeirantes.

O Diário do Transporte mostrou que a prefeitura de São Paulo anunciou o prosseguimento das obras neste trecho em 19 de janeiro de 2026, quando entregou a segunda fase.

Relembre:

Enquanto isso, o Corredor Verde, conceito de transporte que englobaria pavimento permeável, estações e paradas de ônibus iluminadas com energia solar e maiores áreas de jardinagem e aproveitamento de água de chuva, não tem mais data para ser implantado. O primeiro corredor deste tipo foi prometido para dezembro de 2025 e funcionaria justamente no eixo 9 de julho/Avenida Santo Amaro, ligando o Terminal Bandeira, no centro, ao Terminal Santo Amaro, na zona Sul, o mais movimentado da cidade, com aproximadamente 11 km e 700 mil passageiros por dia.

O próprio prefeito Ricardo Nunes disse não haver mais previsão, em resposta ao criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, durante entrevista coletiva que ocorreu nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, durante apresentação de 110 ônibus elétricos, no Pacaembu, zona Oeste.

Nunes atribuiu o atraso ao não avanço no total de frota de ônibus elétricos e disse que a prefeitura cobra as viações que atendem o eixo 9 de julho/Santo Amaro para priorizarem a renovação de frota nestas linhas.

Relembre:

Um dos ônibus do Corredor Verde, modelo superaticulado elétrico de 23 metros e capacidade para 170 pessoas, com nova geração de baterias e carroceria foi apresentado no evento de ontem e talvez deve começar a operar antes mesmo da inauguração oficial do conceito de corredor.

Veja os detalhes do modelo abaixo dos documentos da licitação

Em vídeo especial, você confere como foram pensadas as principais inovações para responder a uma nova era da mobilidade, na qual não basta apenas transportar, é necessário, atender

ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA

Colaborou Arthur Ferrari

Veja no vídeo e logo abaixo, na descrição do conteúdo, as principais soluções de engenharia e design para dar resposta a esta nova era da mobilidade, o passageiro não só quer ser transportado, mas atendido, caso contrário, até num clique de celular, pode optar por outra forma de deslocamento.

ABAIXO DO TEXTO. VÁRIAS FOTOS E ABAIXO DAS FOTOS, TODA A TRANSCRIÇÃO DO VÍDEO. EM SEGUIDA, O HISTÓRICO DOS CORREDORES VERDES

O Novo e-Millennium BRT, geração modernizada de ônibus elétricos com carroceria feita pela Caio, de Botucatu (SP), vai marcar uma inovação nos transportes da cidade de São Paulo: os primeiros Corredores Verdes de alta demanda de passageiros. Além de incorporarem uma frota de coletivos não poluentes, estes corredores vão reunir outras medidas sustentáveis, como estações e paradas com iluminação gerada por energia solar, reaproveitamento de água de chuva e ampliação de áreas ajardinadas. Serão eixos novos do tipo BRT (Bus Rapid Transit – corredores de maior demanda e velocidade ampliada com segurança) ou revitalização dos atuais corredores. O primeiro será o Nove de Julho/Santo Amaro, ligação entre o centro e a zona Sul de São Paulo, que atende a uma demanda diária de quase 700 mil pessoas. O trecho 1, na região da Nove de Julho, no centro, deveria ser inaugurado  até o final de 2025.

Para um novo sistema, um novo modelo de ônibus e com muitos avanços para atender a uma era da mobilidade, na qual o passageiro não quer ser apenas transportado, mas atendido. O cliente precisa ser conquistado. Afinal, até mesmo em um clique num celular, é possível optar por outra forma de transporte.

Unir design moderno que faz o passageiro se sentir bem nas viagens, mas que seja funcional e viável dos pontos de vista de retorno de investimento e operação. Estes foram os desafios que o Novo e-Millennium BRT responde.

Apesar de nascer com o projeto de Corredor Verde da capital paulista, o modelo é disponível para todo o Brasil e exportação.

O repórter Adamo Bazani, do Diário do Transporte, esteve na garagem da Viação Campo Belo, na Vila das Belezas, zona Sul da capital paulista, desde a manhã até a tarde deste feriado da Consciência Negra, em 20 de novembro de 2025, e conversou com o gerente de design da Caio, Roberto Carlos Barduco. A empresa, uma das operadoras deste novo conceito de Corredores Verdes, elaborado pela equipe técnica da gestão do prefeito Ricardo Nunes, tinha no dia da reportagem 15 unidades do modelo, de um total de 105.

Com chassis e equipamentos da BYD e uma nova tecnologia de baterias denominada Blade (mais leves, mais finas e com maior autonomia e carregando até pela metade do tempo), o ônibus, na configuração da SPTrans (São Paulo Transporte – gerenciadora da prefeitura da capital paulista) tem 22,7 metros de comprimento, capacidade para 162 passageiros e itens como:

ALGUNS DOS DESTAQUES:

 – Iluminação 100% de LED;

– Câmeras em vez de espelhos retrovisores que eliminam 100% de ponto cego, evitam embaçamentos e problemas de respingos causados por chuva/lavação e deixam o design mais leve e mais moderno;

– Monitores internos em forma de retrovisor que reproduzem em tempo real as imagens destas câmeras externas, para facilitar o trabalho e atender os hábitos dos motoristas;

– Monitores no painel que reproduzem as imagens captadas pelas câmeras auxiliares de carroceria e câmeras de ré;

– Faróis bem menores nos para-choques que conseguem iluminar mais e têm design mais moderno, além de facilitarem a manutenção e serem menos expostos a vandalismo;

– Filetes luminosos que incorporam lanternas, pisca-alerta, sinais de seta e luz diurna; abaixo do para-brisa;

– Filete central entre os luminosos que reproduzem luzes de animação para indicar que o veículo está parado com as portas abertas;

– Para-brisa inteiriço com vidro colado (sem divisória no meio) – OPCIONAL

– Luzes superiores delimitadoras de tamanho menor que as habituais, porém que iluminam mais, e que ficam na parte interna do vidro do habitáculo do letreiro principal do itinerário;

– Linhas fluidas de design que permitem a continuação visual entre a parte da frente e a lateral;

– Câmeras ao longo da carroceria e internas;

– Portas rentes à carroceria, sem recuos, melhorando o design, ampliando o espaço interno, a segurança e a visibilidade interna e externa;

– Traseira com linhas fluidas e lanternas e luzes de alerta com novo posicionamento;

– Luzes superiores traseiras;

– Brake-light ampliado e com melhor visibilidade incluído na lataria;

– Letreiro auxiliar traseiro em Led incorporado à carroceria na parte superior;

– Interior com mesclas sóbrias de tons e cores para ampliar a sensação de bem-estar, evitar reflexos no painel do motorista e facilitar a limpeza. Tudo nasceu da caixa de equipamentos de portas, onde é comum sujar mais. Esta área é mais escura e se estende pelas laterais internas e regiões onde há mais toques de mãos de passageiros e equipes de manutenção. A região dos dutos e saídas do ar-condicionado, sobre os bancos, já é um pouco mais clara, mas ainda escurecida. No teto interno, a cor é a mais clara de todas, porque é uma região onde há poucos toques de mãos e para evitar sensação de confinamento no passageiro,

– Luzes verdes em sancas (além da iluminação funcional branca de LED), para passar a sensação de requinte, conforto visual e no tom de verde que, de acordo com a cromoterapia, passam tranquilidade;

– Luz decorativa na parte interna superior da frente com a cor verde e logotipo da Caio, que também conferem sensação de requinte e tranquilidade e fazem continuidade com as luzes verdes em sancas;

– Painel dianteiro indicador que reúne, num mesmo visor, informações como “Próxima Parada”, Velocidade, Temperatura e o que a empresa quiser configurar e o gestor público determinar. Dependendo do volume de informações, os dados podem ser estáticos ou ficar revezando;

– Bancos (poltronas) com estofamento em vinil para facilitar a limpeza e ampliar a higiene, na cor verde para reforçar a mensagem de sustentabilidade e de preservação ambiental. O encosto de cabeça é verde mais escuro, porque é uma área que suja mais. Vistas de frente, as poltronas são mais claras. Já na parte de trás, onde há mais toques de mãos e pés, as cores das poltronas são mais escurecidas;

– Piso com tons amadeirados para dar uma sensação de requinte e até de sala de estar;

IMPRESSÕES DO REPÓRTER

Olhar por fora e por dentro: A Caio propôs fazer um modelo em que do lado de fora as pessoas olhem para um modelo que passe imagem de robustez sem agressividade, com linhas que expressam modernidade e sobriedade (no estilo europeu, inclusive informado pela Caio) e que ainda faça um “convite” para entrar.

Acolhimento e equilíbrio de tons: Do lado de dentro, que é o “sentido” pelo passageiro, a necessidade é sentir-se bem: acolhido, mas num ambiente funcional, prático e leve às vistas.

O novo modelo da Caio tem a proposta de equilibrar tons de cores.

 Sala de estar na cidade: A versão apresentada pelo prefeito Ricardo Nunes ao Diário do Transporte tem piso com aspecto de madeira clássica. O objetivo é com que o passageiro tenha consciência de que está num ambiente coletivo, mas se sinta também um pouquinho numa sala de estar.

Mais que cor, verde é mensagem: Há luzes internas de led (tipo neon) coloridas. Neste caso, verdes, em referência à sustentabilidade e para trazer para dentro a pintura da lataria e também a identificação do projeto “corredor verde”.

Os bancos também possuem revestimento verde, mais claro, clássico, para compor o padrão.

Só o transporte coletivo pode ser sofisticado e barato: Vincos, símbolos e costuras também receberam desenhos e propostas novas que ampliam a mensagem de sofisticação e investimento. A ideia é que o passageiro saiba que só o transporte coletivo pode ser sofisticado e barato, por meio de investimentos, mas acima de tudo por sua natureza: todos dividem os custos e, com isso, é possível o melhor pelo menor preço para cada um. Andar num veículo de milhões de reais por R$ 5 (tarifa atual na cidade de São Paulo).

 O “básico” da SPTrans: O modelo possui piso baixo para acessibilidade com rampas, poltronas demarcadas para pessoas com dificuldade de locomoção, ar-condicionado, vidros colados com tratamento contra raios UV (Ultravioleta) do sol e câmeras de monitoramento que, embora seja o pacote “básico” exigido pela gerenciadora dos transportes da capital paulista (SPTrans – São Paulo Transporte) é um padrão superior a grande parte das cidades brasileiras. Há décadas, a configuração SPTrans, cada uma no seu tempo, tem sido mais exigente com frota mais qualificada que em muitos sistemas pelo País mais “afamados”

CORREDOR VERDE:

O projeto consiste na requalificação dos atuais corredores de ônibus e criação de novos eixos que contempla operação de modelos somente elétricos e incluem outras medidas ambientais, como paradas e estações com energia solar, sistemas de drenagem e reaproveitamento de água de chuva, tratamento de efluentes e maior área de ajardinamento. O primeiro “Corredor Verde” será a requalificação do atual Corredor 9 de Julho/Santo Amaro, que liga o centro à zona Sul da capital e é atualmente o eixo mais movimentado de transporte coletivo municipal, com cerca de 700 mil passageiros por dia. A promessa da prefeitura é que o Trecho 1 do Corredor, na região da Avenida 9 de Julho, no centro, esteja já em operação de acordo com a nova modelagem ainda em 2025.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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