Publicado em: 29 de abril de 2026

Prefeito Gilvan Ferreira descarta, neste momento, fazer um “Tarifa Zero” geral e irrestrito em todo o sistema de transportes, a exemplo do que fez a vizinha São Caetano do Sul, que, agora, revê a medida
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
A cidade de Santo André, no ABC Paulista, estuda ampliar a quantidade de linhas de ônibus sem cobrança de tarifas aos passageiros, mas descarta, neste momento, fazer um “Tarifa Zero” geral e irrestrito em todo o sistema de transportes, a exemplo do que fez a vizinha São Caetano do Sul, cidade que, agora, diante do aumento dos custos e da demanda, deve limitar a gratuidade apenas a moradores.
Áreas carentes e de difícil acesso, sem oferta de transportes regulares e legalizados e até vincular as gratuidades às consultas médicas na rede pública estão entre as alternativas da administração andreense.
A ideia de Santo André é começar aos poucos com a tarifa zero, dentro das condições financeiras dos cofres públicos para custeio dos serviços e da infraestrutura do sistema, contanto com limitações das vias, terminais e quantidade de ônibus em circulação.
O caminho que a cidade escolheu foi descobrir demandas específicas para atender, nesta fase, rotas para quem mais precisa da gratuidade.
A explicação é do prefeito Gilvan Ferreira, que nesta terça-feira, 28 de abril de 2028, apresentou o primeiro serviço de ônibus sem cobrança de tarifas da cidade. Chamado de “Circular Luzitinha”, é operado pela Suzantur, uma das viações do município com um micro-ônibus que liga a comunidade do “Cruzado” no Jardim Santo André, uma das áreas mais carentes da cidade, até o Terminal Vila Luzita, que é uma centralidade regional. O trajeto é feito em locais de difícil acesso onde não havia transportes públicos.
Em São Caetano do Sul, diante do crescimento da demanda de passageiros e dos custos operacionais, além da diminuição da qualidade do serviço, a proposta é limitar a gratuidade a apenas moradores da cidade.
A Câmara de São Caetano do Sul aprovou um projeto de lei da prefeitura que cria uma espécie de cadastro único municipal que daria aos cidadãos acesso aos serviços da cidade, entre os quais, os transportes.
Seria o primeiro passo da restrição da gratuidade, que ainda precisa ter uma lei específica e uma regulamentação.
Em resposta ao editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, o prefeito Gilvan Ferreira disse que o custeio do primeiro Tarifa Zero da cidade sairá para os cofres do município menos de R$ 2 por mês por morador que possa ser atendido.
Sobre a ampliação do programa “Tarifa Zero” em Santo André, a proposta é oferecer ônibus sem cobrança de passagem em outras áreas carentes ligando estes setores do território ao sistema troncalizado de ônibus municipais.
Já em relação à vinculação das gratuidades às consultas médicas na rede pública, Gilvan disse que tecnicamente é possível integrar dados do SUS (Sistema Único de Saúde) e da Saúde Municipal com a bilhetagem eletrônica para garantir, no dia do tratamento ou visita ao médico, ida e volta sem a cobrança da tarifa.
Os estudos vão analisar a aplicabilidade legal, contratual e técnica, mas a proposta inicial é oferecer a gratuidade nos ônibus das duas linhas “Circular da Saúde”, a B 31 (Jardim Santo André – Poupatempo da Saúde/Atrium Shopping) e o eixo principal que é a B 45 (Hospital Mário Covas/Bairro Paraíso – Vila Luzita/Jardim Represa).
A B 45 liga mais de 10 unidades de saúde de Santo André e, segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, é a linha de ônibus com maior aprovação do País, cujo índice é de 91%
Ambas são tarifadas normalmente e, apesar do nome, não são usadas apenas para quem vai a consultadas médicas, sendo linhas convencionais, mas com a nomenclatura para identificação.
Neste caso, entre os riscos jurídicos estaria a necessidade de um aditivo contratual e até mesmo a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), uma vez que o sistema de transportes teria acesso às datas de consultas, especialidades médicas unidades de saúde onde o passageiro irá.
Gilvan Ferreira também falou que o sistema tronco-alimentado de Vila Luzita, que abrange a área onde o “Circular Luzitnha” opera, deve ter a licitação concluída até outubro desde ano de 2026. A promessa inicial da gestão era o fim de 2025, mas a história é bem mais antiga. Desde 2016, há dez anos, o sistema está para ser licitado, mas sem sucesso, depois de bloqueios por parte do TCE (Tribunal de Contas do Estado) ou esvaziamentos sem apresentação de propostas.
A Szuantur foi contratada em 2016 para substituir emergencialmente a Expresso Guarará. O contrato emergencial era de 180 dias, mas, diante da indefinição se tornou contrato a título precário.
Segundo Gilvan, estudos indicaram que o melhor modelo de remuneração da futura operadora (que pode ou não ser a Suzantur, depende do resultado da concorrência) seja por quilômetro rodado (serviço prestado) e não por passageiro transportado, o que pode, na visão da prefeitura, aumentar a disponibilidade da frota e reduzir a lotação, uma das queixas atuais, principalmente em relação às linhas troncais do sistema.
Gilvan Ferreira: É hoje um projeto super importante, a gente está muito feliz do Luzitinha. A Tarifa Zero começa aqui a atuar em Santo André, a gente começa pelo Luzitinha e depois temos projetos para ampliar em mais linhas, em mais serviços públicos. Sabendo que tem orçamento limitado, então a gente vai ampliando pouco a pouco. Mas mais do que isso, é o acesso a 30 mil pessoas que têm direito ao ônibus. E isso, uma cidade como Santo André, a vigésima quinta cidade do país, quinta cidade do estado, é um direito que as pessoas têm, então a gente tem feito esse trabalho de verificar onde o ônibus vai chegar, preparar também as ruas para que ele passe e aí a ideia do micro, para que a gente consiga ter o acesso e dar a volta subindo pela Renascer, descendo pela Missionários. Então imagina que pessoas que antes, às vezes iam ao supermercado, precisam carregar sacolinha, subir tudo isso aqui, 40 minutos de caminhada, levar uma criança na UBS, um idoso ir num parque, então as pessoas perdem a qualidade de vida de acessar a própria cidade. Então hoje o que a gente traz aqui é direito real das pessoas e dignidade para o morador de Santo André.
Adamo Bazani: Prefeito, agora pela estimativa de custo e o número de moradores atendidos, vai dar em torno de menos de R$2,00 por mês por morador, é isso mesmo? E já aproveitando sobre a licitação da Vila Luzita.
Gilvan Ferreira: Sim, é isso mesmo, a gente coloca aqui em torno de R$50 mil por mês, R$600 mil por ano. Então do ponto de vista de investimento para a população atendida, dá menos de R$2,00 por mês, para ver que com inteligência, com boa política pública, a gente consegue oferecer um serviço de qualidade sem custar muito para o poder público.
A licitação da Vila Luzita, a gente está finalizando, a gente ia soltar aquele modelo tradicional, mas está sendo feito um estudo e está finalizando agora, de pagar por quilômetro rodado. E qual é a diferença do quilômetro rodado? A prefeitura dá demanda para a empresa, por exemplo, nos horários de pico a gente pode colocar mais ônibus e quanto mais a empresa rodar, mais ganha. Isso traz um benefício de eficiência para o município, porque é o município que coloca a demanda e a gente consegue ir ajustando isso. Então, está finalizando isso e a gente pretende soltar ainda esse ano e muito antes, até setembro, outubro, aí essa licitação já está finalizada.
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Serviço vai ligar comunidade “Cruzado” no Jardim Santo André até Terminal Vila Luzita com paradas apenas dentro da área residencial
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
Menos de R$ 2,00 por mês por morador. Esta é a estimativa de custo aos cofres públicos para manter um serviço especial de tarifa zero que inaugura a modalidade na cidade de Santo André, no ABC Paulista. Será apenas uma linha chamada Circular Luzitinha que estará à disposição de uma comunidade de aproximadamente 35 mil moradores. Atenção: Tarifa pública é o que o usuário paga. Se neste caso, o passageiro não paga nada, logo a TARIFA é ZERO. Mas este serviço tem um custeio e, segundo a prefeitura, o valor pode ser considerado baixo aos cofres públicos diante dos benefícios sociais e para o comércio local.
Por mês, a estimativa do custo de operação deste micro-ônibus é de R$ 55 mil aproximadamente. Sendo assim, por R$ 1,57 aos cofres públicos, quem reside nesta comunidade poderá ter acesso ao transporte gratuito. Com porte reduzido, por causa das vias estreitas, o modelo do tipo micro-ônibus vai fazer embarques e desembarques apenas para os usuários que tiverem acesso dentro das comunidades, como comunidade Cruzado, na região do Jardim Santo André, uma das áreas mais carentes da cidade.
Os pontos ficarão distribuídos somente na Rua Renascer, Rua da Conquista e Rua dos Missionários. Os demais ônibus da cidade continuam com tarifação normal. Esta linha, chamada Circular Luzitinha, vai fazer a ligação desta área carente até o terminal Vila Luzita, o mais próximo do bairro.
O diretor de transportes da SATrans (Santo André Transportes), Rodrigo Ageu Padoveze, diz que um dos intuitos é levar transporte a quem mais precisa.


Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Arthur Ferrari


