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Usinas de biogás no Brasil superam 1,8 mil unidades, mas biometano representa apenas 3% destas plantas


Segundo CIBiogás, combustível tem potencial de crescer no segmento de transportes, mas operadores de ônibus ainda fazem as contas sobre custos operacionais e de distribuição

ADAMO BAZANI

Colaborou Vinícius de Oliveira

O total de usinas de biogás no Brasil cresceu 5% em um ano chegando a 1803 unidades.

O biometano, combustível obtido na decomposição de resíduos, que é apontado como uma das alternativas para a redução das emissões de poluentes por ônibus e caminhões, entretanto, representa apenas 3% das plantas, mas já concentra 34% do volume total de biogás utilizado no Brasil. Isso significa que de 1803 unidades, 52 somente produzem biometano.

Os números que integram o “Panorama do Biogás 2025” reforçam a preocupação de empresas de ônibus, principalmente, quanto à disponibilidade para um crescimento de frota mais expressivo e dos custos de distribuição e operação.

O levantamento é da CIBiogás, uma ICT+i (Instituição de Ciência e Tecnologia com Inovação), em forma de associação, dedicada ao desenvolvimento do biogás como recurso energético limpo.

Está no foco da preocupação dos operadores de transportes de passageiros não somente a questão técnica, mas política, assim como pode ocorrer com os modelos elétricos.

Diferentemente dos donos de empresas de transportes de carga, no caso dos ônibus, não é somente o proprietário da companhia que decide a compra do veículo.

Grande parte das decisões é tomada pelos prefeitos e governadores. Algumas são debatidas entre os operadores e os gestores, mas outras, são imposições.

As empresas ouvidas pelo Diário do Transporte indicam que ajustes contratuais e financeiros são o primeiro passo apenas para uma troca maior de frotas maiores alterativas ao diesel. Mas não é o suficiente.

As questões técnicas e de logística muitas vezes não têm o timming respeitado pelos afogadilhos das decisões políticas, ainda mais em época eleitoral, como em 2026.

Aí, em muitos casos, os não cumprimentos de frotas e metas de descarbonização podem cair na conta das distribuidoras (de gás e eletricidade) e até de uma suposta má-vontade dos empresários, mas, muitas vezes, conversar melhor e estabelecer etapas, seriam ações mais “pé no chão”.

De toda a forma, pelos dados apresentados por associações, como a própria CIBiogás e a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), mostram que há caminhos promissores para que o Brasil reduza a dependência do diesel na mobilidade.

Em entrevista ao Diário do Transporte, a diretora-presidente da Eletra Industrial, Milena Braga Romano, empresa que responde por cerca de 80% do setor de ônibus elétricos no Brasil, disse que, mais uma vez, uma tensão no Oriente Médio, como a atual guerra Estados Unidos/Israel e Irã, prova que além de uma questão ambiental, depender menos do diesel é estratégico do ponto de vista econômico e social. Para a empresária, o Brasil tem fartas fontes de energia de geração limpa que ainda não são aproveitadas como poderiam. Segundo Milena, a vantagem é que mais de 95% da energia elétrica no País têm origem “não poluente”, principalmente, em hidrelétricas.

Relembre:

Ainda em relação ao biogás, em seu relatório, a CIBiogás faz um Raio X da produção e uso no Brasil.

Mais da metade deste biogás é utilizada justamente para gerar energia elétrica.

Em 2024, aproximadamente 63% do biogás produzido no Brasil teve origem em resíduos de saneamento, seguido por 20% provenientes do setor industrial e 17% do setor agropecuário. Do ponto de vista do uso final da energia, 59% do biogás foi destinado à geração de eletricidade, 37% à produção de biometano e cerca de 4% ao uso térmico.

Ou seja, os transportes, com o biogás, teriam “outros consumidores concorrentes” no mercado.

Um artigo, no estudo, entretanto, ressalta que o biogás e o biometano podem ser alternativas para a redução da dependência de diesel, mas ainda somente como potencial, por enquanto.

A enorme disponibilidade, em quantidade e variedade, de recursos energéticos faz o Brasil figurar nas listas de principais candidatos à expansão de todas as tecnologias, dentre as quais consta a produção e utilização do biogás e do biometano. Considerando os sistemas de monodigestão anaeróbia, alguns estudos mostram o potencial técnico de aproveitamento de resíduos orgânicos atingindo 90 bilhões m³/ano. O potencial econômico aponta para a viabilidade de 30 bilhões m³/ano para monodigestão, montante mais que suficiente para substituir os cerca de 20 bilhões de litros de óleo diesel importados.

Ainda de acordo com o “Panorama 2025”, a maior parcela do volume de biogás produzido no Brasil é proveniente dos setores de resíduos urbanos ou esgoto, embora esse segmento represente apenas 10% do total de plantas em operação.

“Esse resultado se deve ao fator de que plantas associadas ao saneamento, em geral, operam em escala significativamente maior” – diz o documento.

O levantamento ainda constata que 1.365 das 1.083 unidades, 79% pertencem ao setor agropecuário.

O Estado de Goiás decidiu investir no biometano.

Recentemente, o Diário do Transporte esteve na capital na entrega dos primeiros ônibus com este tipo de combustível. A estimativa, após ajustes contratuais com as empresas, é que até 2028, estarão em operação 501 ônibus a biometano, de diversos portes e modelos, na rede de transportes da região metropolitana de Goiânia.

Na ocasião foram revelados investimentos para a construção de usinas.

Cada estrutura vai custar entre R$ 140 milhões e R$ 275,8 milhões, mas a capacidade de geração diária de cada não ultrapassa 220 ônibus, quantidade que atende a alguns sistemas de transportes, mas limitada diante de companhias de regiões como da capital paulista, onde há empresas com mais de 1,2 mil ônibus e garagens com mais de 500 veículos cada.

Relembre:

USINAS EM PREVISÃO OU EM ANÚNCIO EM GOIÁS

Edéia (GO) – R$ 275,8 milhões – 67 mil Nm³ – 220 ônibus por dia – sem gasoduto – 300 empregos – dois anos para ficar pronta

Guapó (GO) – R$ 140 milhões – 30 mil m³ – 100 ônibus por dia – com gasoduto de 25 km para bioposto central – 150 empregos – dois anos para ficar pronta

Goiânia (GO) – O então governador Ronaldo Caiado anunciou projeto ao editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, mas o projeto ainda está em estruturação

O Diário do Transporte mostrou que no ano passado, o Governo de Goiás ajustou os contratos com as viações para a inclusão até 2028/2029 de 501 ônibus a biometano no sistema, de diversos modelos.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 16 de janeiro de 2026,  o Governo Caiado publicou aditivo contratual com as empresas de ônibus para a implantação de 501 coletivos movidos a biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos, conhecido como “gás de lixo”) e GNV (Gás Natural Veicular).
Serão modelos de diversos portes, todos com ar-condicionado, desde padrons (dois eixos entre 12,1 m e 13,2 m e três eixos de 15 m) até articulados de 19,2 metros.
Configurações:
79 ônibus articulados, de 19,2 metros, com piso alto e ar-condicionado, destinados ao BRT (4º lote);
22 ônibus padron, com motor traseiro, piso baixo e ar-condicionado (4º lote);
110 ônibus padron, com motor traseiro, piso baixo e ar-condicionado (5º lote);
168 ônibus padron, com motor traseiro, piso baixo e ar-condicionado (6º lote);
122 ônibus padron, com motor traseiro, piso baixo e ar-condicionado (7º lote).
Cronograma de entregas
8 ônibus articulados até 31 de março de 2026;
71 ônibus articulados até 30 de setembro de 2026;
22 ônibus padron do 4º lote até 30 de setembro de 2026;
110 ônibus padron do 5º lote até 30 de junho de 2027;
168 ônibus padron do 6º lote até 31 de dezembro de 2027;
122 ônibus padron do 7º lote até 31 de dezembro de 2027.
Relembre:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Vinícius de Oliveira



Fonte

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