Coletivos possuem motores Euro 6, sistema de climatização, três portas, elevador central, assentos estofados e nova identidade visual do transporte público da cidade
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Na manhã desta quarta-feira, 12 de novembro de 2025, chegaram à cidade de Itaúna (MG) os primeiros 18 ônibus Marcopolo da empresa Pedra Negra Transportes, nova concessionária responsável pelo transporte coletivo municipal. A entrega marca o início da renovação completa da frota, composta por 38 novos veículos, além de quatro micro-ônibus e cinco vans, todos zero quilômetro.
“Desde o início da nossa gestão, trabalhamos para garantir um serviço de transporte coletivo digno, eficiente e que respeite o cidadão. Hoje começamos a ver esse esforço se tornar realidade”, pontuou o prefeito Gustavo Mitre, que acompanhou a entrega dos coletivos.
Os novos ônibus contam com motores Euro 6, que reduzem a emissão de poluentes, e além de serem climatizados, possuem três portas, elevador central, assentos estofados e exibem a nova identidade visual do transporte público itaunense, com o brasão do município em destaque. Os modelos Marcopolo Torino têm janelas amplas tipo rodoviário, itinerários eletrônicos frontais e laterais e câmeras traseiras.
Confira mais imagens dos novos ônibus Marcopolo Torino:
Sobrou emoção na partida atrasada da 16ª rodada do Brasileirão. Com direito a hat-trick de Deyverson, o Fortaleza buscou o empate com o Atlético-MG, por 3 a 3, na Arena MRV, e estragou uma noite de homenagens para Hulk.
O tropeço diante da torcida manteve o Atlético-MG na nona colocação, com 44 pontos. Já o Fortaleza empatou a quarta partida seguida e segue em situação delicada, em penúltimo lugar, com 31 pontos. A diferença para o Vitória, primeiro time fora da zona de rebaixamento, é de quatro.
Homenagem
Antes da bola rolar, a torcida atleticana homenageou Hulk por ter atingido a marca de 500 gols em sua carreira.
Como foi a partida
Empolgado com a homenagem da torcida, Hulk precisou de apenas sete minutos para retribuir o carinho. Rony cruzou, o atacante se antecipou a marcação e desviou de primeira, sem chances para Brenno. O Fortaleza sentiu e só assustou aos 22, em chute de Breno Lopes para fora.
A partida ficou movimentada a partir dos 35 minutos. Hulk exigiu grande defesa de Brenno em chute cruzado, enquanto Deyverson quase fez valer a “lei do ex” em duas cobranças de escanteio. Na primeira, desviou para fora. Depois, parou no reflexo de Everson.
Quando o empate do Fortaleza parecia maduro, o Atlético-MG ampliou aos 46 minutos. Após Brenno salvar duas vezes, Bernard cobrou escanteio e Vitor Hugo cabeceou por cima dos adversários.
Logo no primeiro minuto do segundo tempo, Deyverson aproveitou passe de Gazal e desviou para recolocar o Fortaleza no jogo. Na comemoração, o atacante, que defendeu o Galo antes de se transferir para o Leão, pediu desculpas aos torcedores.
O Fortaleza levou um balde de água fria aos 15. Na saída errada da defesa tricolor, a bola sobrou para Dudu, que finalizou colocado e fez o terceiro do Atlético-MG. Mas, três minutos depois, o árbitro assinalou pênalti para o Leão depois de ser chamado pelo VAR e ver cotovelada de Ruan em Gastón durante disputa no alto. Deyverson cobrou bem e mais uma vez não comemorou.
A partida ficou aberta, com chances para os dois lados. Quando parecia que o Atlético-MG ia emplacar a terceira vitória seguida, Deyverson aproveitou desvio de Mancuso para fazer um hat-trick na Arena MRV. No último lance, Fausto Vera acertou a trave.
Coletivo irá atender novo trajeto de cerca de 69 quilômetros, passando por pontos estratégicos entre São Luís, Paço do Lumiar e São José de Ribamar
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Nesta quarta-feira, 12 de novembro de 2025, a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) iniciou a fase de testes com o primeiro ônibus 100% elétrico TEVX Higer na Grande Ilha (MA).
O coletivo irá atender uma linha provisória do transporte semiurbano, criada especialmente para esse teste, com o objetivo de avaliar o desempenho operacional, a autonomia e os benefícios do modelo.
O modelo elétrico conta com ar-condicionado, internet via Starlink, câmeras e painel de monitoramento, carregadores USB nas barras e assentos, microfone interno de comunicação, painel em LED com informações e vídeos, e rampa de acesso para pessoas com deficiência, além de garantir zero emissão de gases poluentes, redução de ruídos e menor custo operacional em relação aos veículos a diesel.
O trajeto que o ônibus irá percorrer possui cerca de 69 quilômetros, circulando por diversas regiões da Grande Ilha e conectando pontos estratégicos entre São Luís, Paço do Lumiar e São José de Ribamar. Ao longo da rota, o veículo irá passar por bairros como Parque Jair, Maiobão, Forquilha, Vinhais, Jaracaty, São Francisco, Renascença e Centro.
“Esse é um momento histórico para a mobilidade no Maranhão. Estamos colocando nas ruas uma tecnologia que alia eficiência energética, sustentabilidade e conforto para os passageiros. A experiência com o ônibus elétrico vai nos ajudar a avaliar de forma técnica a viabilidade de adotar esse modelo no transporte semiurbano, uma iniciativa do governador Carlos Brandão que é pioneira no Estado”, pontuou o presidente da MOB, Adriano Sarney.
Durante o período de testes, a MOB vai monitorar indicadores como autonomia das baterias, consumo energético, tempo de recarga, passageiros por quilômetro rodado e adaptação do veículo às condições de tráfego. Os resultados vão subsidiar estudos para a possível incorporação gradual dessa tecnologia à frota que integra o sistema semiurbano, os ônibus que operam sob gestão do Governo do Maranhão.
Eventos como o Enem e GP de São Paulo impulsionaram o número de passageiros transportados
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Na última sexta-feira, 07 de novembro de 2025, as Linhas 8-Diamente e 9-Esmeralda de trens metropolitanos em São Paulo, operadas pela ViaMobilidade, registraram recorde de clientes transportados, com 906.472 embarques ao longo do dia, o maior volume desde o início da operação em 2021.
O recorde foi impulsionado por dois grandes eventos que movimentaram a capital: o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que mesmo sendo aplicado no domingo (09), mobilizou estudantes na checagem dos locais de prova; e o Grande Prêmio de São Paulo, maior evento automobilístico do País, realizado entre os dias 07 e 09, no Autódromo de Interlagos, que atraiu centenas de milhares de fãs.
Com um total de 44 estações que ligam a zona oeste à zona sul, cortando regiões de grande volume de passageiros, como Santo Amaro, Osasco, Grajaú e Pinheiros, as Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda também são importantes conexões com outros modais de transportes metropolitanos. O novo marco reforça a crescente evolução das linhas operadas pela ViaMobilidade, que investe em eficiência operacional e confiabilidade. No total, R$ 4,1 bilhão foram investidos, nos três primeiros anos de concessão, incluindo 36 novos trens.
Marca considera atendimentos das linhas Jardim Gláucia x Centro de Belford Roxo e Shangrilá x Nova Aurora entre julho e outubro de 2025
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Em quatro meses de operação, entre julho e outubro de 2025, o Ônibus Tarifa Zero de Belford Roxo (RJ) já transportou cerca de meio milhão de passageiros; a quantidade exata de usuários que usufruíram do modal é 479.170.
A marca foi alcançada nos atendimentos das linhas Jardim Gláucia x Centro de Belford Roxo e Shangrilá x Nova Aurora.
Os dois itinerários, implantados neste ano, atendem a bairros em que o transporte público era deficitário.
“Em muitas dessas localidades, o morador andava quase dois quilômetros para pegar o ônibus para trabalhar ou fazer compras. Em Shangrilá, quem precisava pegar ônibus para Nova Iguaçu e Central, por exemplo, tinha que ir andando, ou de bicicleta até Nova Aurora. É um bom pedaço. Concretamos todas as ruas do trajeto, colocamos o Tarifa Zero e resolvemos o problema”, destacou o prefeito Márcio Canella.
Setor registra avanço de 14,3% sobre setembro e supera outubro de 2024; acumulado de janeiro a outubro sobe 5,27% sem considerar a Volare, com liderança de Caio nos urbanos e Marcopolo nos rodoviários.
ALEXANDRE PELEGI
Produção de carrocerias cresce em outubro e consolida alta de 2025
A fabricação de carrocerias de ônibus no Brasil registrou avanço em outubro de 2025, confirmando o ritmo de recuperação do setor. As empresas associadas à Fabus produziram 2.541 carrocerias, alta de 14,3% em relação a setembro (2.221 unidades) e 2,6% acima de outubro do ano passado (2.346).
No acumulado de janeiro a outubro, foram fabricadas 20.513 carrocerias, número 5,27% superior ao de igual período de 2024 (19.486), mesmo sem contar os volumes da Volare. O resultado reflete renovações de frota urbana, estabilidade do mercado rodoviário e forte avanço dos miniônibus.
Urbanos seguem como destaque do ano
O segmento urbano mantém a liderança na produção acumulada, puxado por entregas destinadas a sistemas municipais e metropolitanos. A Caio segue dominante, com expressiva vantagem sobre as demais fabricantes.
Miniônibus avançam; micro-ônibus têm salto pontual
Os miniônibus seguem registrando crescimento consistente ao longo de 2025, ampliando participação em nichos como linhas locais, transporte sob demanda e fretamento.
Já os micro-ônibus, que vinham em ritmo moderado, tiveram um salto em outubro impulsionado por entregas concentradas de Caio e Marcopolo, passando de 48 unidades em setembro para 444 no mês.
Rodoviários mantêm estabilidade
A produção de modelos rodoviários fechou outubro em patamar próximo ao de 2024, com leve alta no acumulado do ano. Marcopolo segue na liderança do segmento, seguida pela Comil.
Comparativos
Outubro 2025 × Outubro 2024
Outubro 2025: 2.541
Outubro 2024: 2.346
Crescimento de +2,6%
Outubro 2025 × Setembro 2025
Setembro 2025: 2.221
Outubro 2025: 2.541
Crescimento de +2,6%+14,3%
Acumulado jan–out 2025 × jan–out 2024 (sem Volare)
Prefeito Paulinho Freire deve sancionar o documento nesta quinta-feira (13), durante cerimônia na Secretaria de Direitos Humanos
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Nesta quarta-feira, 12 de novembro de 2025, a Câmara Municipal de Natal (RN) aprovou um Projeto de Lei que prevê que a gratuidade no transporte público seja ampliada para pessoas que sofram de deficiências e doenças crônicas e recebem tratamento em clínicas e instituições privadas conveniadas; os vereadores aprovaram o texto em unanimidade e caráter de urgência.
O documento segue então para análise do prefeito Paulinho Freire, que deverá sancioná-lo e implementá-lo como lei municipal nesta quinta-feira (13), às 16h, com direito a cerimônia na Secretaria de Direitos Humanos da capital.
Anteriormente, até este mês de novembro, a gratuidade era prevista somente para pessoas que utilizavam o SUS (Sistema Único de Saúde).
A Câmara ressaltou que o valor da tarifa no município não será repassado para outros usuários do transporte coletivo, já que o benefício será subsidiado pela prefeitura.
A gratuidade será válida para pessoas em que a renda per capita da família não ultrapasse um salário mínimo, e também para acompanhantes.
Pacientes menores de 12 anos de idade automaticamente terão direito ao benefício nos ônibus da capital.
Tanto para adultos como menores de idade, é obrigatória a comprovação de renda e a apresentação do atestado médico para solicitar a gratuidade.
O Projeto de Lei também prevê que neurologistas e psiquiatras estarão habilitados como profissionais que poderão emitir laudos e perícias relacionados ao TEA (Transtorno do Espectro Autista) e à Síndrome de Down.
O público beneficiado deverá se atentar, pois o documento terá validade permanente para laudos de deficiências de caráter irreversível.
Um assunto pouco abordado e que foi alvo de discussões na Estação do Desenvolvimento em Belém (PA) é necessidade de novas regras e contratos para ampliar transportes coletivos com segurança jurídica. Enquanto as regras não são claras, as judicializações dos temas inundam os tribunais e o STF acaba legislando, muitas vezes sobre matérias que não possuem entendimento prático nenhum.
ADAMO BAZANI
Quando se fala em redução de emissões pelos transportes, as primeiras coisas que podem vir a mente são novos modelos tecnológicos de veículos, como ônibus elétricos e trens inteligentes, e vultosas verbas públicas e privadas para bancar as tão caras mudanças de matrizes energéticas.
Não deixa de ser, em parte, verdade. Afinal, este tipo de mudança depende de avanços tecnológicos e, para isso, são necessários grandes investimentos. Em geral, tudo que é novo, é caro, porque é necessário ganhar escala e os custos de desenvolvimento são, em geral, altos.
Mas não é só isso.
Tudo depende de segurança jurídica para saber onde investir e como investir.
E o ponto inicial é a definição de regras claras e objetivas, compatíveis e flexíveis com uma realidade cada vez mais comum: a sociedade muda cada vez mais rapidamente, com novos contextos e anseios. Logo, as legislações têm de encontrar um ponto de equilíbrio entre serem adaptáveis a estas mudanças, mas sólidas e claras, com as menores possibilidades de brechas possíveis.
Neste aspecto, as renovações (ou mesmo criação) dos marcos legais são cada vez mais necessárias.
O assunto é pouco abordado, mas foi alvo de discussões na Estação do Desenvolvimento, do Sistema Transporte, da CNT (Confederação Nacional do Transporte), um dos espaços oficiais na Green Zone (área de livre circulação na Cop-30 (Conferência das Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas) que ocorre em Belém (PA).
O Diário do Transporte foi até Belém cobrir o evento, a convite da Eletra Industrial, produtora 100% brasileira de ônibus elétricos e empresa de consultoria destinada a operadores privados de transportes e gestores públicos para implantação de sistemas de mobilidade eletrificados.
No a conclusão do estudo da Coalizão por um transporte sustentável, divulgado em primeira mão pelo Diário do Transporte e apresentado no evento, novas legislações, como a chamada Lei da Mobilidade Urbana e o Marco Legal da Ferrovia são consideradas como exemplos de “alavancas” para acelerar a “descarbonização”.
Mas há ainda no Brasil (e no mundo) muita coisa ainda a ser aperfeiçoada quando o assunto é legislação e transportes.
Entre as carências apontadas nks debates, está a necessidade de novas regras e contratos para ampliar os transportes coletivos com segurança jurídica.
A situação pode ser mudada (ou ao menos melhorada) com a definição do tão aguardado marco legal do Transporte Coletivo Urbano (marco regulatório dos transportes públicos). Mas a proposta patina no Congresso desde 2021.
Os contratos atuais de trilhos e, principalmente, de ônibus, ainda são arcaicos e, com isso, engessam novidades esperadas pela sociedade e novas fontes de financiamento, deixando os serviços desatualizados, caros, pouco atrativos e flexíveis, o que abre não apenas uma brecha, mas um terreno amplo para o transporte individual, inclusive, as mototáxis por aplicativo, algo que precisou até mesmo da intervenção nesta semana do STF (Supremo Tribunal Federal), que declarou que uma lei estadual de São Paulo que dava aos municípios autonomia para regulamentar o transporte privado remunerado por motos. Para o Supremo, essa atribuição é da União, não cabendo a ingerência dos entes municipais e estaduais.
E enquanto as regras não são claras, as judicializações dos temas inundam os tribunais e o STF acaba legislando, muitas vezes sobre matérias que não possuem entendimento prático nenhum.
Outro tema que foi parar nas mesas dos 11 ministros, mas aparentemente a decisão foi positiva para a mobilidade, foi o reconhecimento de que a chamada relicitação ou prorrogação antecipada de concessão, algo comum em ferrovias de cargas, também vale para transporte de passageiros por ônibus.
Foi o caso do BRT-ABC, cujo contrato que engloba a renovação de frota de todos os ônibus metropolitanos entre a capital e a região do ABC Paulista e a construção de um sistema de maior demanda atendido exclusivamente por ônibus elétricos, foi firmado sem licitação a partir de um contrato já firmado em 1997 de operação de um corredor de ônibus e trólebus já existente e que deve ser modernizado.
O entendimento do Supremo, em maioria, foi de que desde que seja do mesmo objeto e contemple efetivamente novos investimentos, um contrato por ônibus e infraestrutura de transportes sobre pneus pode sim passar por relicitação ou prorrogação antecipada, mas há condicionantes.
Relembre:
O modelo chegou a sofrer contestação do partido político SD (Solidariedade), que levou o caso ao Supremo por meio de uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade)
Com a definição de legalidade pelo Supremo, outros sistemas começaram a fazer uso de soluções semelhantes e estão colhendo frutos positivos, como o BRT da Grande Goiânia.
Entretanto, por ser ainda novo nos transportes por ônibus e também pelo conservadorismo do setor, o modelo ainda é pouco aplicado País afora.
Talvez se fosse lei específica na mobilidade urbana e não “apenas” entendimento do Supremo sobre o tema, estas e tantas outras possibilidades poderiam estar sendo aplicadas para a melhoria dos deslocamentos da população e maior transparência no setor, inclusive, resultando, em benefícios ambientais.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Painel reuniu Gilson Santos, da AMEP, o consultor Sérgio Avelleda e o vice-presidente da ANTP, Cláudio de Senna Frederico, para discutir o BUD – Bonde Urbano Digital, modal elétrico sobre pneus que o Paraná testará em corredor de 10 km entre Piraquara e Pinhais
ALEXANDRE PELEGI
“O BUD é um projeto para seduzir o passageiro e dar orgulho a quem usa o coletivo.”
A frase do consultor Sérgio Avelleda, ex-secretário de Transportes da cidade de São Paulo, marcou o tom do painel que discutiu o Bonde Urbano Digital (BUD) — novo veículo elétrico sobre pneus desenvolvido pela chinesa CRRC — durante a Arena ANTP 2025, em São Paulo.
O debate destacou o potencial do modal para revalorizar o transporte público, aliando sustentabilidade, conforto e imagem positiva. O Governo do Paraná será o primeiro a testar o sistema em um corredor de 10 quilômetros entre Piraquara e Pinhais, com trecho autônomo e guiagem magnética no asfalto.
Gilson Santos: “Um projeto embrionário e simbólico”
O presidente da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (AMEP), Gilson Santos, apresentou o projeto como um marco pioneiro para o Estado e para o país. “É um veículo inovador, uma junção do ônibus com o VLT. Tem a capacidade de um trem leve e a versatilidade de um ônibus”, disse.
Segundo ele, o custo de implantação é cerca de um terço do valor de um VLT tradicional, com prazo menor e menos impacto de obras. “Não precisa de trilhos nem de segregação total da via, o que reduz custos e acelera o cronograma”, afirmou.
O projeto-piloto será implantado em uma linha de 10 km, com terminal e oficina em Piraquara e cooperação de universidades para avaliação independente. “Piraquara tem 98% do território em área de manancial e fornece 85% da água de Curitiba. Queremos conciliar inovação e preservação ambiental”, completou.
Avelleda: “Projeto para seduzir o passageiro e dar orgulho a quem usa o coletivo”
Para Sérgio Avelleda, o BUD representa uma oportunidade de reconquistar a confiança do público e mudar a percepção sobre o transporte coletivo. “O BUD junta a flexibilidade do ônibus à atratividade do VLT. É rápido de implantar e, sobretudo, um projeto para seduzir o passageiro e dar orgulho a quem usa o coletivo.”
O consultor criticou a falta de estratégia de comunicação no setor: “Acabou o tempo do usuário cair por gravidade. Nós não comunicamos o transporte público. Nenhum centavo é gasto para mostrar que andar de ônibus é bom. É preciso mostrar que o coletivo é moderno, limpo e eficiente.”
Aveleda também destacou a importância de criar identidade e pertencimento para os sistemas. “Curitiba tem o Expresso, Bogotá o Transmilênio, Cidade do México o Metrobus. Isso cria cultura e orgulho. O transporte precisa ser visto como parte do cotidiano urbano, não como castigo.”
O especialista lembrou ainda que o BUD reduz riscos operacionais e aumenta a resiliência das redes. “Um modal sobre pneus contorna obstáculos e mantém o serviço. Em cidades com alagamentos e manifestações, isso é uma vantagem enorme. E é um sistema que entrega resultado rápido — obra que entrega rápido conquista o cidadão.”
Cláudio de Senna Frederico: “O que importa é o passageiro dizer ‘quero mais’”
O ex-secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Cláudio de Senna Frederico, atual vice-presidente da ANTP, afirmou que o êxito do projeto depende da aceitação do passageiro e da qualidade percebida do serviço. “É irrelevante discutir se é ônibus ou bonde. O que importa é o passageiro dizer, no dia seguinte, ‘quero mais’. É isso que mede o sucesso de qualquer sistema.”
Frederico destacou que o BUD tem base ferroviária, o que o torna mais robusto e com vida útil até três vezes maior que a de um ônibus convencional. “Por seguir normas ferroviárias, o veículo é mais durável e oferece conforto superior.”
Ele alertou, no entanto, que o modal precisa de condições adequadas de operação. “Veículo moderno parado em congestionamento é fracasso anunciado. O BUD precisa de corredor exclusivo e operação de classe A. O metrô mostrou isso: lugar público limpo e bem cuidado é símbolo de respeito.”
Frederico sugeriu que São Paulo poderia ser uma vitrine para o novo modal. “O Expresso Tiradentes (ex-Fura-Fila) é o local ideal para testes. Tem infraestrutura e permitiria operação automática tipo ATO. Seria uma vitrine nacional.”
Gilson Santos: “É uma inversão de valores necessária”
Na etapa final do painel, Gilson Santos criticou o contraste entre os investimentos destinados ao transporte individual e os aplicados no coletivo. “Quando o poder público investe milhões em um viaduto, ninguém questiona. Mas quando é para o transporte coletivo, sempre perguntam se é caro. Precisamos inverter essa lógica.”
Ele lembrou que o sistema metropolitano de Curitiba transporta 400 mil passageiros por dia com tarifa social de R$ 5,50, subsidiada pelo Estado. “Cada real investido no coletivo retorna em qualidade de vida e sustentabilidade. O BUD é mais uma ferramenta para reencantar o cidadão e valorizar o transporte público.”
Mobilidade integrada e olhar para o futuro
Encerrando o painel, Paulo Benites destacou que o BUD se soma aos demais modais no desafio de modernizar o transporte coletivo brasileiro. “O BUD não é concorrente do VLT, do BRT ou do ônibus elétrico. São tecnologias complementares. A mobilidade do futuro é multimodal, limpa e conectada, e o Paraná mostra que é possível inovar com responsabilidade.”
Os testes do BUD devem começar nas próximas semanas, com monitoramento técnico independente e participação de operadores locais. Caso os resultados confirmem o desempenho esperado, o modelo poderá avançar para Curitiba e inspirar novos corredores urbanos no país.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes