Iniciativa em Careiro da Várzea une tecnologia nacional, ciência e economia local para provar que navegar pode ser limpo e sustentável
ALEXANDRE PELEGI
A Amazônia — berço das águas e dos desafios logísticos mais complexos do país — será cenário de uma transformação silenciosa e elétrica. O Projeto Pixundé, anunciado em Manaus, chega para substituir o ronco dos motores a combustão por um som quase imperceptível: o da inovação sustentável movida por energia limpa.
Inspirado no poraquê, peixe amazônico capaz de gerar eletricidade, o Pixundé tem um objetivo prático e simbólico: testar e demonstrar a viabilidade de 20 motores de barco elétricos em uma comunidade de pescadores de Careiro da Várzea, a 25 km de Manaus. Durante seis meses, o experimento irá medir consumo, desempenho e impacto ambiental — e, sobretudo, mostrar como a transição energética pode nascer do coração da floresta.
Tecnologia global, fabricação nacional
Os motores foram desenvolvidos pela Livoltek, empresa do Grupo Hexing, que oferece suporte técnico integral ao projeto. A execução é coordenada pelo Instituto Somar Amazônia, em parceria com o Sindipesca, responsável pela distribuição e acompanhamento junto aos pescadores.
A inovação não navega sozinha: a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Universidade Estadual do Amazonas (UEA) participarão com equipes de pesquisadores para elaborar relatórios técnicos e artigos científicos. O projeto também tem apoio institucional da Suframa e abre caminho para futuras cooperações com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o World Resources Institute (WRI), fortalecendo a conexão entre ciência, indústria e sustentabilidade.
Pescar sem poluir: o futuro é agora
A proposta vai além da eficiência energética. Ao reduzir o consumo de combustível e eliminar emissões de poluentes, o Pixundé promete aumentar a renda dos pescadores, diminuir o impacto sobre os rios e ampliar o tempo útil de trabalho com menor custo operacional.
A expectativa é que os resultados do projeto reforcem o papel da Amazônia como território de soluções — não apenas de recursos — para o desenvolvimento sustentável. “A floresta pode ser fonte de tecnologia e de inovação, unindo o saber tradicional ao conhecimento científico”, resume o espírito do projeto.
Com isso, a Amazônia deixa de ser apenas um território a preservar e se afirma como laboratório de inovação para o futuro da mobilidade aquática brasileira.
Lançamento será em 14 de novembro
O evento oficial de lançamento do Projeto Pixundé está marcado para 14 de novembro de 2025, em Manaus, e incluirá visita à fábrica da Livoltek, barqueata de demonstração e cerimônia no Sindipesca. Devem participar representantes do setor público, universidades, instituições ambientais e da imprensa nacional.
Mais do que um teste tecnológico, o Pixundé é um manifesto pela sustentabilidade e pela autonomia energética das populações ribeirinhas — um passo simbólico na direção de um país que precisa aprender a ligar o motor da transição energética com os pés na água e os olhos na floresta.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte
Setor mantém crescimento no acumulado do ano (+3,9%), mas cai quase 23% frente a 2024; elétricos seguem em alta, com aumento de 136%
ALEXANDRE PELEGI
O mercado de ônibus brasileiro continua crescendo em 2025, mas com sinal amarelo aceso para a desaceleração.
De acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), foram emplacadas 2.419 unidades em outubro, número 4,4% superior ao de setembro (2.317), porém 22,9% inferior ao de outubro de 2024, quando o setor registrou 3.139 veículos.
No acumulado do ano — de janeiro a outubro — as vendas somam 23.659 unidades, ante 22.770 em igual período de 2024.
A alta é de 3,9%, o que confirma avanço, mas num ritmo bem menor que o observado no início do ano.
Elétricos seguem no trilho oposto
O destaque positivo vem dos ônibus elétricos, que mostram expansão expressiva.
Em outubro foram 87 emplacamentos, alta de 107% sobre setembro e 67% frente a outubro do ano passado.
No acumulado do ano, 641 veículos elétricos foram vendidos — um salto de 136,5% em relação às 217 unidades registradas em 2024.
Caminho da Escola perto do fim
O presidente da Fenabrave, Arcelio dos Santos Júnior, avaliou que o desempenho geral dos ônibus reflete uma recuperação mais lenta do que o esperado.
“Ainda é possível alcançarmos uma elevação de até 6% neste ano”, estimou.
Mas ponderou que a demanda do programa Caminho da Escola já está se esgotando, o que pode reduzir o ritmo de produção e vendas nos próximos meses.
Mercado geral de veículos também desacelera
O setor automotivo como um todo registrou alta de 4,8% nas vendas em outubro, com 493,3 mil unidades somando todos os segmentos (automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos e implementos).
No acumulado de 2025, o país soma 4,19 milhões de veículos vendidos, crescimento de 7,6% frente a 2024.
Mesmo assim, o segmento de pesados — que inclui caminhões e ônibus — reduziu sua participação no total de vendas para 2,8%, ante 3,2% no ano passado.
Liderança consolidada
No ranking das fabricantes de chassis de ônibus, a Mercedes-Benz segue na liderança, com 11.618 unidades e participação de 49,1%.
Na sequência estão Volkswagen Caminhões e Ônibus (4.937 unidades; 20,8%), Marcopolo (2.728; 11,5%) e Scania (698; 2,9%).
Resumo do cenário
Vendas acumuladas de ônibus: +3,9% (2025/2024)
Outubro x Setembro: +4,4%
Outubro x Outubro 2024: –22,9%
Elétricos acumulados: +136%
Participação dos ônibus no mercado total: 0,6%, estável frente a 2024
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
Para a ida ao jogo, haverá reforço na operação dos ramais Santa Cruz e Japeri, que irão circular com intervalo médio entre 10 e 15 minutos, das 16h40 e 18h40, no sentido Central do Brasil
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
A SuperVia terá mudanças no atendimento desta quarta-feira, 05 de novembro de 2025, para melhor atender aos torcedores que irão acompanhar o jogo entre Botafogo e Vasco, no estádio Nilton Santos (Engenhão), pelo Brasileirão.
Para a ida ao jogo, haverá reforço na operação dos ramais Santa Cruz e Japeri, que irão circular com intervalo médio entre 10 e 15 minutos, das 16h40 e 18h40, no sentido Central do Brasil.
Além disso, haverá duas viagens extras saindo direto da Central do Brasil para a estação Olímpica do Engenho de Dentro, às 18h23 e 18h47.
Após a partida, terão viagens extras a partir da estação Olímpica de Engenho de Dentro.
Abrigo Amigo terá 25 unidades em operação até o fim de novembro
ARTHUR FERRARI
O projeto Abrigo Amigo, iniciativa que converte pontos de ônibus em locais de acolhimento e segurança para usuários do transporte público noturno, começou a ser implantado em Sorocaba (SP). A ação é fruto de uma parceria entre Eletromidia, Claro e a Prefeitura Municipal, por meio da Urbes – Trânsito e Transportes, e prevê a instalação de 25 unidades em diferentes regiões da cidade.
A primeira estrutura foi inaugurada nesta terça-feira (4), na Avenida Professora Izoraida Marques Peres, no Parque Campolim. As demais serão entregues de forma gradual nos próximos 15 dias, com escolha dos locais baseada em critérios técnicos definidos pela Urbes.
Cada abrigo funciona diariamente das 20h às 5h e oferece atendimento remoto via vídeo, feito por uma equipe feminina treinada para acompanhar quem aguarda o ônibus durante a noite. Os equipamentos contam com câmeras, microfones, alto-falantes, iluminação, botão de acionamento com braille e suporte em Libras, além de integração direta com o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, que pode ser acionado em casos de emergência.
O sistema também faz parte da rede do BRT Sorocaba, incorporando tecnologia de conectividade fornecida pela Claro e integrando o mobiliário urbano do transporte coletivo. Segundo a Eletromidia, o objetivo é ampliar a segurança e o conforto dos passageiros, especialmente durante o período noturno.
Desde sua criação, em 2023, o Abrigo Amigo já realizou mais de 27 mil atendimentos remotos e registrou 578 ocorrências nas cidades onde opera. Além de Sorocaba, o projeto está presente em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Campinas (SP), Cuiabá (MT) e Porto Alegre (RS), com expansão prevista para Fortaleza (CE) e Salvador (BA).
A Confederação Brasileira de Futebol sediou, na manhã desta terça-feira (4), o 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol. A entidade aproveitou o evento para homenagear técnicos brasileiros e Carlo Ancelotti, comandante da seleção brasileira.
Antes de o congresso começar, as homenagens reservaram um momento de constrangimento no auditório da CBF. Emerson Leão subiu ao palco, permaneceu ao lado de Ancelotti, e discursou sobre a presença de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro.
Campeão do mundo em 1970, Leão citou o que chama de “invasão” de treinadores estrangeiros no Brasil, mas admitiu que os “culpados” por isso são os próprios técnicos brasileiros.
“Eu sempre disse que eu não gosto de treinadores estrangeiros no meu país, e isso serve para o (Vagner) Mancini, que é o presidente (da Federação Brasileira de Treinadores). Estou falando aqui na frente da nossa casa. O que eu mudei? Antes eu falava que eu não suportava, não suportaria treinadores (estrangeiros). Você sabe que eu já falei isso, né Zé (Mário, ex-treinador)? Você sabe que eu já falei isso e não mudo. Não mudo a minha opinião”, disse.
“Mas tenho que ser inteligente o suficiente pra dizer que isso tudo tem um culpado. Nós. Nós, treinadores, somos culpados da invasão de outros treinadores que não têm nada a ver com isso”, completou.
Aposentado da carreira de treinador, Leão continuou sua mea culpa e demonstrou confiança no trabalho de Carlo Ancelotti à frente da seleção brasileira.
“Não estamos falando de nome, não estamos falando de nacionalidade. Estamos falando de erro nosso. Eu já parei. Eu não sou mais treinador, não sou mais atleta. Mas continuo dando a minha colaboração quando solicitado. Portanto, mudei de ideia nesse exato momento”, comentou.
“Você (Mancini) tem tudo para se tornar uma pessoa muito, muito importante para nós brasileiros. Então, boa sorte no seu futuro. Boa sorte para você (Ancelotti) também”, finalizou Leão.
Campeão do Mundo com o Corinthians, Oswaldo de Oliveira também entrou no coro de Leão, mas admitiu que Ancelotti é uma boa escolha para o Brasil.
“Como o Leão falou, eu também sou favorável a presença dos treinadores brasileiros, tanto nos clubes como na Seleção. Mas eu confesso a vocês, não tem jeito, tem que ser um estrangeiro, então eu torci para ser esse senhor (aponta para Ancelotti), torci. Não tem jeito, então que seja o Carlo Ancelotti, pelo jogador que foi e pelo treinador que é”, disse o treinador, que está sem clube desde 2019, quando comandou o Fluminense.
Segundo Denis Eduardo Andia, gratuidade total nos ônibus e trilhos ainda não é possível. Presidente deve usar bandeira em agenda eleitoral
ADAMO BAZANI
Colaborou Yuri Sena
Por determinação do presidente Luís Inácio Lula da Silva, após ser incentivado pelo deputado federal pelo PT de São Paulo, Jilmar Tatto, a equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, corre para fazer contas e calcular os custos, a viabilidade e os impactos de conceder tarifa-zero para todos os usuários dos transportes coletivos por ônibus, trens e metrôs em todo o País, inicialmente aos domingos e feriados nacionais, estendendo depois a gratuidade para os demais dias.
Porém, o que deve ser uma bandeira eleitoral da disputa de Lula pela reeleição em 2026, não é consenso nem mesmo dentro do próprio Governo Federal.
Agora, foi a vez do secretário Nacional de Mobilidade Urbana, Denis Eduardo Andia, também revelar ponderação sobre o tema, após o ministro das Cidades, Jader Filho, demonstrar preocupação com o tom do debate sob o risco de se “vender uma ilusão para a população” e que uma “tarifa zero nacional” dependeria neste momento de diversos fatores, como análise da situação econômica de estados e municípios e os impactos no crescimento da demanda de passageiros (Relembre: ),.
Para Andia, não se pode dar terceiro passo antes do segundo ou do primeiro. O gestor está acostumado a ver os relatos sobre a realidade da mobilidade dos municípios e com experiência como prefeito no currículo (como prefeito reeleito por Santa Bárbara d’Oeste (SP) e presidente da RMCampinas, que reúne outros colegas da região),
O secretário diz que neste momento, uma tarifa zero nacional parece não ser possível e que a busca deve ser modicidade tarifária, ou seja, reduzir os custos das passagens para a população.
Andia ainda diz que o “rótulo tarifa zero” não seria mais adequado para o momento e que, além da modicidade tarifária, o foco deve ser melhoria dos serviços de transportes.
“Eu acho que é o primeiro passo, uma caminhada de longa distância. Você nunca dá o terceiro passo antes do segundo, você não dá o segundo passo antes do primeiro. Nós estamos falando de algo absolutamente inovador como política pública nacional. Pela primeira vez se discute realmente com realidade a elaboração de uma política pública onde a União se dispõe a colocar recursos para o funcionamento das operações Brasil afora. De uma forma muito específica e pontual, algo ocorreu em 2022, muito em decorrência da situação de emergência do pós-pandemia, mas que não foi uma política pública estabelecida. O que nós estamos hoje debatendo e discutindo é uma política permanente de investimentos. Esses passos podem chegar a uma longa caminhada e esse é o objetivo no longo prazo, mas que de ordem prática, num primeiro momento, devem significar investimentos que visem modicidade tarifária com a manutenção ou melhora da qualidade do transporte. Então, é um passo a passo que hoje o rótulo Tarifa Zero é um rótulo que, embora permita que as pessoas entendam do que nós estamos falando, talvez não seja o rótulo adequado para o momento. Nós estamos falando, sim, hoje da identificação, através do Ministério da Fazenda, da quantidade de recurso possível para a gente entender o passo possível. Então, é isso que nós estamos, nesse momento, definindo, para que a gente possa colocar uma política pública que seja permanente para todo o Brasil”.– disse.
A declaração foi dada nesta semana no Arena ANTP, evento sobre Mobilidade q ue ocorreu na capital paulista, após a participar do lançamento da primeira linha de chassis de ônibus elétricos com uma marca de origem e capital nacionais, a Eletra, de São Bernardo do Campo (SP). A empresa também apresentou o Eletra Consult, serviço de consultoria que, antes mesmo de indicar o modelo de ônibus mais indicado para cada operação, orienta companhias de ônibus e gestores públicos quanto à escolha das obras e equipamentos de infraestrutura de rede e carregamentos mais adequados, linhas de financiamento disponíveis no mercado e ainda dá treinamento dentro da fábrica a motoristas e equipes de manutenção das viações e cuida do pós-venda.
Veja detalhes dos lançamentos neste link:
RISCO DE DEGRADAÇÃO E VENDER ILUSÃO:
Em audiência pública na Câmara dos Deputados, convocada por Jilmar Tato, no dia 21 de outubro de 2025, especialistas apontaram vantagens em Tarifa Zero nacional, mas dizem que neste momento, seria vender ilusão para a população com risco de degradação dos serviços.
No encontro, foi apresentado um estudo da NTU, associação das empresas de ônibus, que mostra que atualmente, existem 170 cidades brasileiras com algum tipo de gratuidade nos transportes, além do que é determinado por leis federais, como para idosos e pessoas com deficiência. Destas, 132 cidades possuem a chamada tarifa zero universal, ou seja, para todos os usuários e em todos os dias da semana. Entretanto, destas cidades, 72% têm apenas até 50 mil habitantes.
Relembre:
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, autorizou, na ocasião, a formação da Comissão Especial da Tarifa Zero para debater a viabilidade ou não da gratuidade em todo o País do acesso aos transportes coletivos por ônibus, trens e metrôs.
ATÉ EQUIPE DE LULA VÊ COM PONDERAÇÃO:
O secretário Nacional de Mobilidade Urbana, Denis Eduardo Andia, também revelar ponderação sobre o tema, após o ministro das Cidades, Jader Filho, demonstrar preocupação com o tom do debate sob o risco de se “vender uma ilusão para a população” e que uma “tarifa zero nacional” dependeria neste momento de diversos fatores, como análise da situação econômica de estados e municípios e os impactos no crescimento da demanda de passageiros (Relembre: ),.
Para Andia, não se pode dar terceiro passo antes do segundo ou do primeiro. O gestor está acostumado a ver os relatos sobre a realidade da mobilidade dos municípios e com experiência como prefeito no currículo (como prefeito reeleito por Santa Bárbara d’Oeste (SP) e presidente da RMCampinas, que reúne outros colegas da região),
O secretário diz que neste momento, uma tarifa zero nacional parece não ser possível e que a busca deve ser modicidade tarifária, ou seja, reduzir os custos das passagens para a população.
Andia ainda diz que o “rótulo tarifa zero” não seria mais adequado para o momento e que, além da modicidade tarifária, o foco deve ser melhoria dos serviços de transportes.
A declaração foi dada nesta semana no Arena ANTP, evento sobre Mobilidade q ue ocorreu na capital paulista, após a participar do lançamento da primeira linha de chassis de ônibus elétricos com uma marca de origem e capital nacionais, a Eletra, de São Bernardo do Campo (SP). A empresa também apresentou o Eletra Consult, serviço de consultoria que, antes mesmo de indicar o modelo de ônibus mais indicado para cada operação, orienta companhias de ônibus e gestores públicos quanto à escolha das obras e equipamentos de infraestrutura de rede e carregamentos mais adequados, linhas de financiamento disponíveis no mercado e ainda dá treinamento dentro da fábrica a motoristas e equipes de manutenção das viações e cuida do pós-venda.
Veja detalhes dos lançamentos neste link:
QUEM DIRIA, ANTES CRITICAVAM, AGORA, EMPRESÁRIOS DE ÔNIBUS DEFENDEM TARIFA ZERO QUE VIROU TÁBUA DE SALVAÇÃO PARA AS VIAÇÕES:
Algo que jamais se pensaria em meio aos protestos de junho de 2013, quando em diversas partes do País, movimentos sociais contestaram em ao menos 50 cidades os reajustes das passagens de ônibus urbanos e metropolitanos, passa a ocorrer agora: a tarifa zero passa a ser defendida pelas próprias viações.
“Rei do Ônibus do Rio de Janeiro”, Jacob Barata Filho, sai em defesa do Tarifa Zero e sugere “Vale Mobilidade”
Tema ganhou força após pedido de Lula para equipe de Haddad fazer cálculos. Entidades veem com preocupação
ADAMO BAZANI
O empresário Jacob Barata Filho, que chegou a ser classificado como “Rei do Ônibus do Rio de Janeiro”, herdeiro de Jacob Barata, o primeiro a receber este título, e, agora, dada sua influência no sistema de transportes e abrangência, se posicionou em defesa da possibilidade da implantação de tarifa zero ou, antes, da criação de um fundo de custeio e de uma espécie de “Vale Mobilidade”, que bancasse a maior parte das operações.
O tema ganhou força após pedido do presidente Luís Inácio Lula da Silva para a equipe do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fazer cálculos. Entidades veem com preocupação a forma como o debate tem sido conduzido e não há consenso nem mesmo dentro do Governo Federal (Veja mais abaixo).
O posicionamento de Jacob Barata Filho está registado em suas redes sociais oficiais com uma publicação com o título: “Projetar o futuro: Fundo de Mobilidade + Vale Mobilidade = mobilidade sustentável e viável”.
Na publicação, o empresário de ônibus cita exemplos de locais onde por fundos de transportes e com a contribuição do recolhimento de empregadores para geração de recursos para estes fundos.
Entre os casos relacionados por Barata estão a cidade de Montpellier, na França, que implementou tarifa zero em dezembro de 2023, e o “PL do Busão 0800”, debatido em Belo Horizonte (MG), que propõe que empresas com 10 ou mais funcionários contribuam com cerca de R$ 185 por colaborador ao fundo municipal de transporte.
Veja a publicação completa do empresário:
Projetar o futuro: Fundo de Mobilidade + Vale Mobilidade = mobilidade sustentável e viável
Jacob Barata Filho
Diretor na Viação UTIL
17 de outubro de 2025
Imagine uma lei clara, objetiva e inovadora: um Fundo de Mobilidade Urbana dedicado exclusivamente ao custeio da operação do transporte público — e um Vale Mobilidade que alimenta esse fundo com contribuições previsíveis.
Não, não é delírio nem utopia, como se ouve muito por aí, basta observar alguns exemplos que inspiram:
Distrito Federal (2024): a Lei nº 7.467/2024 criou o Fundo Distrital de Transporte Público e Mobilidade Urbana (FDTPMU), com receitas vinculadas — como 1 % do IPVA, lucros de estacionamentos privatizados e multas de trânsito —, destinadas a melhorias estruturais, passe livre estudantil, faixas exclusivas e construção de paradas. O modelo prevê participação da sociedade civil no conselho gestor, garantindo transparência e eficiência.
Belo Horizonte (2025): o “PL do Busão 0800” propõe que empresas com 10 ou mais funcionários contribuam com cerca de R$ 185 por colaborador ao fundo municipal de transporte. O valor substituiria o vale-transporte e sustentaria a operação do sistema, liberando os usuários da tarifa e assegurando receita estável às operadoras.
França (desde 1971): o modelo “Versement Mobilité” financia até 70 % dos sistemas de transporte público via contribuição patronal obrigatória. Na cidade de Montpellier, após implementar a tarifa zero em dezembro de 2023, os passageiros saltaram de 84 milhões para 110 milhões de viagens em um ano — um aumento de 30 % na demanda.
E por que isso importaria? Bem, a simplicidade legislativa: a lei estabelece claramente fontes de financiamento, um fundo específico, e um mecanismo (vale) que redistribui o custo sem onerar empresas ou usuários. O modelo garante estabilidade e transparência uma vez que o fundo evita depender exclusivamente do orçamento público ou de tarifas flutuantes.
E mais importante do que tudo os resultados concretos podem ser medidos: mais gente circulando, menos carros na rua, acesso ampliado — como demonstram os crescimentos de viagens em Montpellier e os avanços no DF e BH.
Esse modelo é viável, moderno e escalável — basta ciência política, articulação e coragem para transformar essa estrutura em lei. O transporte público como direito social não encontra elos mais fortes do que estes.
O diretor do Rio Ônibus, sindicato que reúne as empresas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro, Paulo Valente, voltou a defender nesta sexta-feira, 08 de agosto de 2025, a gratuidade nos transportes coletivos, inclusive para a capital fluminense.
Em artigo, o dirigente diz que a não cobrança a quem ingressa nos ônibus, buscando outras formas de bancar o transporte coletivo, faz muito mais sentido hoje em dia que a “catracada”.
Relembre:
A própria NTU (Asociação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), que representa mais de mil viações em todo o Brasil, já amenizou bem o discurso antes severamente contrário às gratuidades, mas também aponta entraves e a necessidade de o debate amadurecer.
Especialistas, não ligados a movimentos sociais, também veem cenários positivos para tarifa zero irrestrita em cidades de médio e grande portes. Mas é necessário antes estruturar bem as formas de financiamento.
O engenheiro, mestre e doutorando em engenharia de transportes pela COPPE/URFJ, e pesquisador de temas da mobilidade urbana, Thadeu André Melo, analisou a pesquisa recente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), intitulada “Tarifa zero nas cidades do Brasil”, lançada em 2025
Segundo o levantamento, até maio de 2025, 154 cidades em todo o país haviam implementado a tarifa zero, seja de forma universal ou parcial. Ainda de acordo com os dados, 73% desses casos iniciaram há menos de cinco anos, com uma concentração expressiva entre 2021 e maio de 2025.
A pesquisa da NTU, no entanto, também apontou uma desaceleração no crescimento da “tarifa zero” a partir de 2024, com apenas dez novas iniciativas registradas naquele ano eleitoral, contrastando com os 18 casos de 2023. A maior parte das cidades que adotam a tarifa zero é de pequeno porte, com 79% (121) possuindo população total de até 100 mil habitantes. Embora a modalidade tenha aumentado na última década, ela ainda não atinge grande parte da população, pois as 12 cidades com mais de 100 mil habitantes que adotaram a tarifa zero universal reúnem menos de dois milhões de habitantes, um número muito menor que o das grandes metrópoles como Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo.
A cidade de São Paulo, entretanto, oferece tarifa zero irrestrita de forma parcial: aos domingos, no Natal, Ano Novo e no aniversário da cidade, em 25 de janeiro.
Para o especialista, uma verdadeira ampliação sustentável das gratuidades irrestritas seria possível com medidas como a criação de um Fundo Nacional de Mobilidade Urbana.
Thadeu André Melo citou exemplos recentes de “tarifas zero” que desidrataram ou pioraram os transportes por falta justamente de um base a sustentasse o sistema.
“O grande ponto é que o modelo atual não é escalável para cidades médias e grandes. Das 307 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, apenas 12 oferecem gratuidade total em todas as linhas. Isso é menos de 4% das cidades com mais de 100 mil habitantes atendidas por sistemas de transporte coletivo por ônibus. Sem fontes estáveis de custeio e planejamento técnico, o risco de precarização do serviço é muito alto. Vimos isso acontecer em Caucaia (CE) e Assis (SP), que precisaram reduzir frota e frequência para conter custos. A tarifa zero não pode ser vista apenas como uma decisão político-eleitoral pontual, mas sim como uma política pública estruturada, sustentada em bases técnicas, econômicas e legais”. – disse, na ocasião.
Em diversas cidades, empresas de ônibus relatam melhorias nos investimentos e oferta de transportes com a tarifa zero.
Ônibus da Vipe (Viação Padre Eustáquio), de São Caetano do Sul (SP), cidade “rica” da Região Metropolitana de São Paulo que possui gratuitade irrestrita nos ônibus.
Em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, a Vipe (Viação Padre Eustáquio), concessionária dos serviços municipais não só ampliou a frota e os horários, como tem renovado os ônibus. Na cidade, nenhum passageiro paga em qualquer dia da semana. O município é pequeno, com cerca de 170 mil habitantes, mas está na maior e mais importante região metropolitana brasileira, a de São Paulo.
Há um descompasso, porém, na procura pelos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e, em especial, dos ônibus intermunicipais metropolitanos operados pela NEXT Mobilidade, de outro grupo empresarial.
Dependendo do deslocamento, as pessoas têm preferido andar parte do trajeto a pé entre um ônibus municipal da Vipe gratuito, até o limite da cidade, e depois pegarem um municipal da cidade vizinha, que, em geral, possui tarifa menor que a do metropolitano e do trem.
Apesar de nem o Governo do Estado de São Paulo e nem a prefeitura da capital paulista divulgarem de forma explícita os impactos no Metrô e nos trens da tarifa zero dos ônibus municipais gerenciados pela SPTrans (São Paulo Transporte), a demanda dos coletivos sobre pneus aumentou aos domingos e muitos passageiros dizem que deixam de usar os trilhos.
Sendo assim, em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, não basta apenas que um sistema seja gratuito, já que os diferentes serviços são interligados, tantos os municipais como os metropolitanos.
PEDIDO DE LULA, HADDAD CONSTRANGIDO, EX-SECRETÁRIO TATTO QUE DEFENDE, MAS NUNCA IMPLANTOU:
Como ostrou recentemente o Diário do Transporte, foi uma visita à cidade de Maricá (RJ), onde há gratuidade nos ônibus da EPT (Empresa Pública de Transportes), que empolgou o presidente Luís Inácio Lula da Silva, a pedir ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estudos dos custos para auxiliar as cidades e Estados a concederem tarifa-zero aos domingos e feriados nacionais. A ida de Lula à cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro foi ao lado ddo deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP).
Nas administrações da capital paulista, tanto durante o governo municipal de Marta Suplicy, como de Haddad, Tatto nunca implantou gratuidades.
Na cidade de São Paulo, a tarifa zero aos domingos e em três feriados para todos os passageiros foi instaurada em dezembro de 2023, na gestão do prefeito Ricardo Nunes. Na capital paulista, o custo estimado por ano é de quase R$ 600 milhões. Os feriados são: Ano Novo, Aniversário da cidade (25 de janeiro) e Natal.
O pedido de Lula a Haddad, que foi em público, durante reunião ministerial em 26 de agosto de 2025, deixou o titular da pasta da Fazenda em situação de constrangimento, que, na conversa com presidente, disse que há restrições orçamentárias para bancar isso no momento, mas prometeu estudar a questão.
Relembre:
Faltam definição do custo atual e estudos de impacto de crescimento da demanda pelos transportes. Onde foi instituída a Tarifa Zero cresceu o número de passageiros. O que é bom por um lado, também não deixa de significar uma elevação de custos imediatos operacionais, já que são necessários mais ônibus operando, mais motoristas, mais infraestrutura, o que custa dinheiro.
Uma das questões é que o retorno econômico de uma cidade esperado pela tarifa zero, com mais movimentação no comércio e menos trânsito, pode demorar um pouco para ser sentido enquanto a elevação dos gastos com frota maior de coletivos, mão de obra, estrutura e insumos é imediata. Assim, não deixa de ser uma aposta que precisa ser bancada e sem saber se os ganhos econômicos para as cidades seriam na mesma proporção que a elevação dos custos. Muito embora a tarifa zero tendo de ser encarada não apenas como medida econômica, mas de inclusão social e até incentivo cultural, o aspecto financeiro é importante de ser pensado, caso contrário, o benefício não se sustentaria.
Além disso, com o “cobertor-curto” das finanças da União, Estados e municípios, não só diante da arrecadação, mas das diversas necessidades em diferentes áreas, é preciso saber sobre o que é prioridade.
Na área de mobilidade, o Diário do Transporte, sobre este aspecto trouxe a seguinte notícia na reportagem “O que é melhor? Tarifa zero aos domingos ou infraestrutura para a mobilidade e ônibus e trens novos?”: Na mesma semana em que pediu ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estudos para implantar uma tarifa zero nacional nos ônibus e trens aos domingos e feriados, enviando recursos para Estados e Municípios, o presidente Luís Inácio Lula da Silva mandou ao Congresso a proposta para o Orçamento de 2026 que reduz dinheiro do Ministério das Cidades, pasta que financia a construção de corredores BRT, metrôs e cuida de recursos que estimulam a aquisição de ônibus e trens novos, por exemplo.
A redução proposta foi de cerca de R$ 5 bilhões em relação a previsão Orçamentária de 2025. A previsão para o Ministério das Cidades foi consolidada em R$ 18,95 bilhões. Para 2026, a peça orçamentária prevê R$ 13,9 bilhões. O valor pode mudar com a votação final pelo Congresso e as emendas parlamentares, mas habitualmente, não sai muito do patamar proposto.
Relembre:
O Diário do Transporte ouviu o Superintendente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), Luiz Carlos Néspoli, sobre a tarifa zero. Segundo o especialista, a estimativa hoje de uma tarifa-zero aos domingos e feriados nacionais em todo o País teria um custo menor que a redução de R$ 5 bilhões do Orçamento de 2026 para o Ministério das Cidades: R$ 3,5 bilhões por ano. A estimativa é com base na demanda e nos custos operacionais, em média, dos transportes nas principais cidades do País.
Relembre:
Mas outros apontamentos mostram que os valores podem ser maiores.
De acordo com cálculos da XP Investimentos, a gratuidade total no País, considerando todos os dias na semana, poderia custar R$ 57 bilhões por ano. Se fosse aos sábados e domingos, a gratuidade nas catracas custaria em torno de R$ 11,8 bilhões, e apenas aos domingos aproximadamente R$ 5,5 bilhões.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) divulgou nesta terça-feira (4) uma nova sequência de alertas amarelos para tempestades e chuvas intensas no país. Os avisos, válidos entre a manhã e o fim do hoje, podendo se estender até quarta-feira (5), incluem risco de ventos fortes, granizo e alagamentos pontuais em estados de todas as regiões.
O primeiro alerta amarelo, válido entre 13h e 18h desta terça-feira, abrange áreas da Serra e Oeste Catarinense, regiões do Rio Grande do Sul e boa parte do Paraná, incluindo a Região Metropolitana de Curitiba.
A previsão indica chuva de 20 a 30 mm/h ou até 50 mm/dia, com ventos de até 60 km/h e possibilidade de queda de granizo. Segundo o INMET, há risco baixo, mas não descartável, de danos como cortes de energia, prejuízos em plantações, alagamentos localizados e quedas de galhos de árvores.
Há outro aviso, iniciado às 9h20 desta terça-feira e válido até às 10h de quarta, que inclui regiões de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Tocantins, Bahia e Distrito Federal, além de partes do Norte e Nordeste.
A previsão é de chuva moderada, entre 20 e 30 mm/h, podendo chegar a 50 mm/dia, e ventos de até 60 km/h. Embora o risco seja considerado baixo, há possibilidade de alagamentos, descargas elétricas e interrupções temporárias de energia.
O terceiro alerta, emitido também nesta terça-feira, aponta risco de tempestades acompanhadas de granizo em áreas de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso do Sul. As regiões mais vulneráveis incluem o Triângulo Mineiro, Zona da Mata, regiões de Presidente Prudente, Campinas e Ribeirão Preto (SP), além do Sul de Goiás e áreas do norte e oeste do Paraná.
As chuvas devem variar entre 20 e 30 mm/h e os ventos podem alcançar 60 km/h. A previsão é de pancadas rápidas, mas com potencial para causar danos pontuais em plantações e pequenas inundações urbanas.
O INMET reforça que novas atualizações podem ser publicadas ao longo do dia e recomenda que a população acompanhe os avisos pelos canais oficiais. Em caso de emergência, os números de contato são 199 (Defesa Civil) e 193 (Corpo de Bombeiros).
Novo chamamento público atualiza o projeto de 2021 e busca plataforma completa de coleta, consistência e georreferenciamento de dados domiciliares
ALEXANDRE PELEGI
A Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô divulgou, nesta quarta-feira (5), o aviso de Chamamento Público nº 10022660, que convoca empresas interessadas em apresentar manifestação de interesse para o desenvolvimento de um sistema de gerenciamento e monitoramento, com coleta e consistência de dados em dispositivos móveis, georreferenciamento de endereços, hospedagem de dados e suporte técnico para a Pesquisa Origem e Destino Domiciliar (OD). O procedimento segue o regulamento de licitações e contratos da empresa, e o edital está disponível gratuitamente no site oficial (www.metro.sp.gov.br). As propostas deverão ser entregues no prazo máximo de 10 (dez) dias a partir da publicação.
Esse novo chamamento retoma e amplia o caminho iniciado em 2021. Em dezembro daquele ano, o Metrô já havia aberto um chamamento para a realização da pesquisa OD nos moldes digitais — informando que, desde março de 2021, havia iniciado testes da nova metodologia em que o dado seria coletado por aplicativo em smartphones, em substituição ao método tradicional de entrevistas “porta a porta”.
Na fase piloto, o projeto-app permitia que o usuário autorizasse a coleta de geolocalização por sete dias consecutivos e, em alguns dias, declarasse as viagens realizadas (motivo, meio de deslocamento) por meio de aplicativo. O objetivo era obter um resultado mais ágil, econômico e detalhado em termos espaciais.
Esse histórico reforça que o presente chamamento não parte do zero, mas busca consolidar e operacionalizar a digitalização da pesquisa OD — cobrindo não só a coleta móvel, mas também georreferenciamento, consistência dos dados, hospedagem e suporte técnico em escala para toda a Região Metropolitana de São Paulo.
Importância para o planejamento da mobilidade
A Pesquisa OD é há décadas o principal instrumento de mapeamento dos fluxos de deslocamento na Região Metropolitana de São Paulo — usada para subsidiar decisões de investimentos, expansão de rede, definição de corredores, tarifas, estudo de demanda e políticas de transporte público. Nesse sentido, modernizar o método (com dispositivos móveis, georreferenciamento) significa:
• maior granularidade espacial (endereços, origens e destinos mais precisos)
• dados mais atualizados e com frequência de coleta potencialmente maior
• economia de recursos (menos trabalho de campo “porta a porta”)
• base mais apta a alimentar modelos de demanda moderna, integrados com big data/mobilidade inteligente
Para o setor de mobilidade urbana essa iniciativa permite conectar melhor os dados de origem-destino com as novas dinâmicas pós-pandemia (teletrabalho, deslocamentos mais curtos ou diferentes padrões), e com tecnologias de rastreamento, aplicações de usuário, integração de modos etc.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
Via Sudeste e Transunião receberão recursos para ampliar frota elétrica nas zonas Sudeste e Leste da capital
ALEXANDRE PELEGI
A Prefeitura de São Paulo autorizou nesta quarta-feira (5) novos empenhos que somam R$ 195 milhões para a eletrificação da frota de ônibus municipais em 2025, conforme despachos publicados no Diário Oficial da Cidade. As autorizações beneficiam duas das maiores operadoras do sistema: Transunião Transportes S/A (Lote D7) e Via Sudeste Transportes S/A (Lotes AR5 e E4).
Os despachos foram assinados pelo secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, com base na Portaria Conjunta SMT.SETRAM/SF nº 2, de 30 de novembro de 2023, que regulamenta os repasses às concessionárias do transporte coletivo para a aquisição de veículos elétricos.
A Transunião Transportes, responsável pela operação do Lote D7 (Zona Leste), foi autorizada a receber o maior valor — R$ 163.071.910,10 — destinado à eletrificação da frota de 2025.
Já a Via Sudeste Transportes, que atua em dois contratos (Lotes AR5 e E4, abrangendo parte da Zona Sudeste e áreas limítrofes do ABC), teve dois empenhos aprovados, no valor de R$ 19.982.124,80 e R$ 11.989.274,88, respectivamente.
Os recursos estão vinculados à dotação orçamentária do exercício financeiro de 2025, e integram o plano municipal de transição energética da frota.
Os lotes D7, AR5 e E4 correspondem a contratos de concessão firmados em 2019 pela SPTrans e cobrem regiões de alta demanda da cidade.
O Lote D7, operado pela Transunião, atende principalmente a Zona Leste, em bairros como Itaim Paulista e São Miguel.
Os Lotes AR5 e E4, sob responsabilidade da Via Sudeste, abrangem parte da Zona Sudeste, incluindo Ipiranga, Vila Prudente, Sacomã, São Mateus e Sapopemba, com ligações até o ABC paulista.
Essas áreas estão entre as mais populosas da capital, o que reforça o impacto ambiental positivo da substituição de veículos a diesel por elétricos.
Com os novos despachos, a Prefeitura amplia significativamente o volume de recursos direcionados à eletrificação do transporte público.
De acordo com levantamento anterior do Diário do Transporte, publicado em setembro, quando foram autorizados empenhos para A2 Transportes, Norte Buss e Auto Bless, os valores pagos pelo município variam conforme a configuração e o porte dos ônibus elétricos.
Valores médios por veículo:
• Ônibus padron ou articulado: entre R$ 2,0 milhões e R$ 2,4 milhões, dependendo da capacidade e do fabricante;
• Veículos midi ou básicos: entre R$ 1,6 milhão e R$ 1,9 milhão;
• Custos adicionais podem incluir infraestrutura de recarga e adequações elétricas em garagens, normalmente contratadas em separado.
Esses parâmetros reforçam a proporção do investimento atual, que deve viabilizar dezenas de novos ônibus elétricos operando a partir de 2025, em continuidade às entregas programadas desde 2023.
Meta: 2,6 mil ônibus elétricos até 2028
As autorizações integram o plano de transição energética definido pela Lei Municipal de Mudanças Climáticas (Lei nº 14.933/2009) e pelos contratos de concessão assinados pela SPTrans em 2019.
A meta da gestão municipal é atingir 2.600 ônibus elétricos até 2028, reduzindo gradualmente o uso de combustíveis fósseis e as emissões de CO₂ do sistema.
Após a publicação, os processos seguem para a Divisão de Administração Financeira (DAF/DF) da Secretaria e, em seguida, para a SPTrans, que é responsável pelo acompanhamento da aplicação dos recursos e pela gestão técnica das concessões.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
As falas de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira sobre treinadores estrangeiros agitaram os bastidores da CBF.
Tudo aconteceu durante o 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, realizado na manhã desta terça-feira (4), na sede da entidade.
Ao lado de Carlo Ancelotti, Leão criticou a “invasão” de treinadores estrangeiros e Oswaldo de Oliveira disse torcer para que um profissional brasileiro volte a dirigir a seleção.
“Tomara que nós cheguemos a ter os treinadores brasileiros brilhando e dirigindo clubes. Isso quando, é claro, o Ancelotti for embora depois de ser campeão no ano que vem. Que volte um brasileiro”, afirmou.
A reportagem da ESPN apurou que o treinador italiano ficou “bastante incomodado” com as palavras de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira. A CBF, então, precisou contornar a situação com Ancelotti.
O evento foi organizado pela Federação Brasileira de Treinadores de Futebol (FBTF) e não teve participação da CBF, que apenas cedeu o local.
Mas ninguém esperava o que aconteceria no palco. Muito menos Ancelotti, que apareceu após ser convidado pelos treinadores apenas para “receber uma homenagem” no evento que transcorria no prédio onde dá expediente diariamente.
Eis que o italiano desceu do segundo andar, onde fica sua sala, para o térreo da sede da confederação, se dirigiu ao auditório, foi chamado ao palco e se viu diante da cena classificada por todos como “constrangedora”.
Saiu em defesa
E não foi apenas na CBF que as falas de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira causaram um climão.
Diretor da FBTF, Alfredo Sampaio repudiou principalmente a declaração de Oswaldo de Oliveira.
“Fica aqui registrado, sei que isso vai chegar nele (Oswaldo de Oliveira) e faço questão de chegar, fica aqui meu repúdio pela postura que ele inadequada em um evento tão importante. Aqui eram os treinadores brasileiros que estavam tentando se aproximar da instituição esportiva mais importante que tem no país, que está dando uma abertura ao futebol brasileiro, está mudando o futebol brasileiro, portanto, nós queríamos estar nessa mudança. E hoje, confesso a vocês, que eu não sei se a gente vai conseguir fazer tudo o que nós planejamos”, disparou.
Por causa de uma pessoa que não teve o equilíbrio para entender onde estava e não percebeu o que não poderia ser dito. Fica aqui meu repúdio pessoal. As pessoas têm que entender onde estão, nós estamos dentro de uma casa que nos recebeu e nós não poderíamos, em hipótese alguma, gerar qualquer tipo de constrangimento. Mas eu quero encerrar, dizendo de novo, fica aqui meu repúdio ao Oswaldo de Oliveira pela postura inadequada que ele teve aqui dentro”, completou Alfredo Sampaio.
A fala de Alfredo já fazia parte de uma tentativa de contenção de danos. Interlocutores da CBF informaram aos responsáveis do evento que não tinham gostado nem um pouco do climão causado.