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Gilmar Mendes tranca ação de investigação que levou atual executivo da BYD Alexandre Baldy à prisão enquanto era secretário de transportes metropolitanos de Doria

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Supostos crimes teriam sido cometidos antes do cargo, em outras funções públicas

ADAMO BAZANI

Colaborou Arthur Ferrari

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, determinou o trancamento de uma ação penal com base na investigação que levou o atual executivo da BYD, Alexandre Baldy, à prisão enquanto era secretário de transportes metropolitanos do estado de São Paulo, na época do ex-governador João Doria.

A decisão é da última sexta-feira, 06 de março de 2026.

No entendimento de Gilmar Mendes, relator do processo, a denúncia contra Baldy foi recebida baseada em provas declaradas nulas previamente pelo próprio STF.

A defesa de Baldy argumentou que os acordos de colaboração premiada celebrados por corréus no curso da investigação foram conduzidos por um juiz que não deveria ser o do caso.

O Diário do Transporte noticiou a prisão na época.

Baldy foi preso em São Paulo no dia 06 de agosto de 2020, pela Operação Dardanários, um desdobramento da Operação Lava-Jato.

Segundo as investigações, Alexandre Baldy teria recebido R$ 2,6 milhões em propinas de dirigentes da organização social Pró-Saúde e da empresa Vermute, somente de 2014 a 2018.

Relembre: Juiz da Lava-Jato aceita denúncia e Alexandre Baldy se torna réu por suposto esquema de corrupção

O período coincide às épocas em que Baldy foi secretário de Indústria e Comércio de Goiás, nomeado pelo então governador Marconi Perillo (de 2011 a 2013), deputado federal pelo PSDB de Goiás (de 2014 a 2017) e Ministro das Cidades de Michel Temer (entre 2017 e 2018).

Dois dias depois, Gilmar Mendes suspendeu a ordem de prisão temporária determinada em primeira instância e Baldy respondeu em liberdade.

O Diário do Transporte noticiou que em 18 de dezembro de 2020, Gilmar Mendes determinou que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) apurasse a atuação do juiz Marcelo Bretas, da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, na condução do processo que investiga o ex- secretário dos Transportes Metropolitanos da gestão João Doria.

Segundo Gilmar Mendes, Bretas teria se recusado por dois meses seguidos a cumprir a determinação de enviar o caso para a Justiça Eleitoral de Goiás.

Relembre:

HISTÓRICO:

Baldy foi preso em São Paulo no dia 06 de agosto de 2020, pela Operação Dardanários, um desdobramento da Operação Lava-Jato.

No dia 08 de agosto de 2020, o ministro do STF – Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, atendeu pedido da defesa de Baldy e soltou o secretário licenciado.

Relembre: Gilmar Mendes concede liminar para soltar Alexandre Baldy, secretário da gestão Doria

Segundo as investigações, Alexandre Baldy teria recebido R$ 2,6 milhões em propinas de dirigentes da organização social Pró-Saúde e da empresa Vermute, somente de 2014 a 2018.

Relembre: Juiz da Lava-Jato aceita denúncia e Alexandre Baldy se torna réu por suposto esquema de corrupção

O período coincide às épocas em que Baldy foi secretário de Indústria e Comércio de Goiás, nomeado pelo então governador Marconi Perillo (de 2011 a 2013), deputado federal pelo PSDB de Goiás (de 2014 a 2017) e Ministro das Cidades de Michel Temer (entre 2017 e 2018).

Alexandre Baldy hoje integra os quadros do PROGRESSISTAS.

O MPF diz que identificou ainda diversas mensagens trocadas entre um ex-funcionário da Pró-Saúde, que se tornou delator, e Alexandre Baldy e Rodrigo Dias. Tais diálogos, na visão da promotoria, demonstram a interferência prometida e os encontros ocorridos para a entrega do dinheiro. Também foram identificadas várias ligações telefônicas entre os acusados nas mesmas datas que teriam ocorrido os crimes

Os promotores ainda dizem que, após o sucesso desta primeira intermediação, Baldy e Rodrigo teriam prosseguido na prática de crimes, se envolvendo na contratação da empresa constituída pelos ex-funcionários da Pró-Saúde. O MPF alega ainda que identificou que houve fraudes em licitações promovidas pela Junta Comercial de Goiás (Juceg) e pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Em nota pela assessoria de imprensa, o MPF-Rio explica como funcionaria o suposto esquema criminoso.

O esquema contava com a indicação de aliados de Baldy para o controle dos órgãos que pudessem contratar a empresa. A partir daí, ocorria o direcionamento da licitação, sempre mediante pagamento de vantagens indevidas aos agentes públicos.

Na Juceg, a fraude teve o apoio do seu então presidente, Rafael Lousa, que teria sido indicado por Baldy ao cargo, e se associou aos propósitos da organização criminosa, contratando a empresa dos colaboradores e recebendo, assim como Baldy, dinheiro em espécie. Outros dois funcionários da junta comercial também receberam propina, diretamente em suas contas-correntes, o que foi facilmente identificado a partir do afastamento do sigilo bancário deles.

Além de diversas mensagens encontradas no telefone celular de um dos empresários envolvidos, que demonstram o conluio com Baldy e Lousa, os investigadores identificaram e-mails com provas do direcionamento da licitação antes mesma do início dos procedimentos. As cobranças pelos pagamentos de propinas perduraram até o início de 2019.

O mesmo esquema ocorreu na Funasa, que na época dos fatos foi presidida por Rodrigo Dias, também indicado ao posto por Alexandre Baldy. Neste caso, a operacionalização foi mais complexa, e contou com a descentralização da contratação da empresa pela Fiocruz, através da Fundação de Apoio Fiotec.

O MPF identificou a atuação direta de Rodrigo Dias, não apenas para direcionar a empresa que acabou contratada, mas ainda antes, demandando à Fiocruz a contratação dos serviços oferecidos, e também após a celebração do contrato, com o pedido de aumento do seu escopo, para aumentar o valor pago à empresa.

A denúncia na íntegra, você confere aqui:

Denuncia – Dardanarios – Adamo-Diario-do-Transporte

Também em nota, Baldy diz que vai provar inocência.

Nota oficial da Assessoria de Comunicação do Alexandre Baldy

Alexandre Baldy é empresário e industrial, tem sua vida pautada pelo trabalho, correção e retidão, seja no setor privado ou público. Sempre esteve e segue à disposição para esclarecer quaisquer questões sobre a sua vida ou as funções públicas as quais exerceu.

Todo o seu patrimônio é declarado, inclusive os mencionados nas peças apresentadas na medida cautelar. Todas as providências na defesa para que a inocência de Alexandre Baldy seja comprovada estão sendo tomadas.

Baldy pediu no mesmo dia da prisão, 06 de agosto, afastamento do cargo de secretário por 30 dias. No lugar, assumiu interinamente o secretário-executivo da pasta, Paulo Galli.

Relembre:

Em 08 de setembro de 2020, o governador João Doria concedeu mais 30 dias de licença para Alexandre Baldy com a permanência do secretário-executivo da pasta, Paulo Gall à frente da pasta.

Relembre:

A Pró-Saúde também enviou manifestação ao Diário do Transporte e informou por meio de nota que “desde 2017, tem colaborado de forma irrestrita com as investigações e vem adotando ações para o fortalecimento de sua integridade institucional.”

Como mostrou o Diário do Transporte, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes suspendeu em 23 de setembro de 2020, a ação penal da Lava Jato contra o secretário licenciado de Transportes de São Paulo, Alexandre Baldy.

A ação foi suspensa até que a Segunda Turma do STF decida se a competência para julgamento é da Justiça de Goiás ou do Rio de Janeiro.

Relembre:

Diário do Transporte noticiou em 25 de setembro que a PGR – Procuradoria Geral da República se manifestou contra a possibilidade de a ação penal contra o secretário licenciado da gestão Doria, Alexandre Baldy, dos Transportes Metropolitanos, sair do âmbito da Operação Lava Jato e ir para a Justiça Eleitoral.

Relembre:

Em 01º de outubro de 2020, Baldy, não sendo mais réu, voltou ao cargo de secretário, já cumprindo diversas agendas públicas.

Relembre:

Em 09 de outubro de 2020, o ministro tirou o processo da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, sob responsabilidade do juiz Marcelo Bretas, e transferiu a ação para Justiça Eleitoral de Goiás.

Gilmar Mendes escreveu que Betras causou em Baldy um ‘constrangimento ilegal manifesto’ ao aceitar denúncia do Ministério Público e tornar o secretário réu.

Por meio de nota, na ocasião, ao Diário do Transporte, os advogados do secretário Pierpaolo Cruz Bottini, Alexandre Jobim, Tiago Rocha e Rodrigo Brocchi, afirmam que as apurações sobre as supostas ajudas eleitorais não são competência da Lava-Jato e que o cliente é inocente

A remessa dos autos à Justiça Eleitoral de Goiás atende a um pedido da própria defesa, uma vez que restou evidente, e há inúmeras passagens da investigação, que citam supostas ajudas de campanha eleitoral, o que não é uma atribuição da Lava Jato do Rio;

– O processo deve ser julgado pelo juiz competente, no caso o eleitoral, onde com imparcialidade irá averiguar a verdade dos fatos e apurar ao final que não são verdadeiras as ilações contidas nas versões dos delatores, únicas supostas provas de envolvimento de Baldy.

– Nos últimos anos, Alexandre Baldy foi secretário de Estado em Goiás, deputado federal, ministro de Estado e secretário de Estado de São Paulo, além de empresário industrial. É preciso deixar claro que, além das delações, não há qualquer indício, muito menos prova, contra Alexandre Baldy.

Até então já tinham sido três decisões do ministro Gilmar Mendes do STF favoráveis à Baldy

– 08 de agosto de 2020: Concessão de liberdade.

– 23 de setembro de 2020: Suspensão da ação penal

– 09 de outubro de 2020: Transferência da Lava-Jato para a Justiça Eleitoral de Goiás.

No dia 27 de outubro de 2020, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, manteve o bloqueio de bens do secretário de bens do secretário de Transportes Metropolitanos da gestão João Doria, Alexandre Baldy, até que o processo seja remetido da Lava Jato para a Justiça eleitoral de Goiás.

A defesa de Baldy reclamou que a 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, responsável pela Operação Lava Jato está demorando para remeter o processo para a justiça goiana, o que tem acarretado prejuízos.

Os advogados de Baldy, ao pedirem o desbloqueio dos bens, sugeriram que a medida cautelar fosse substituída pelo bloqueio de um imóvel em Brasília avaliado em R$ 8,2 milhões.

Gilmar Mendes, entretanto, negou ao argumentar que agora o juízo natural do caso é a Justiça Eleitoral de Goiás, a quem o pedido deveria ser feito.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, determinou em 18 de dezembro de 2020, que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) apure a atuação do juiz Marcelo Bretas, da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, na condução do processo que investiga o secretário dos Transportes Metropolitanos da gestão João Doria, Alexandre Baldy, por supostos crimes cometidos antes do cargo.

Segundo Gilmar Mendes, Bretas teria se recusado por dois meses seguidos a cumprir a determinação de enviar o caso para a Justiça Eleitoral de Goiás.

Na decisão desta sexta-feira, Gilmar Mendes frisou que a ordem era para que a remessa de toda a apuração do caso fosse imediata.

No início da mesma semana, a Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) tinha cobrado Bretas pela demora.

O juiz do Rio de Janeiro disse que havia encontrado dificuldades para remeter o processo para Goiás por causa da pandemia.

Após a reclamação do TRF-2, Bretas cumpriu a ordem e encaminhou o processo.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) determinou o trancamento de uma ação penal com base na investigação que levou atual executivo da BYD Alexandre Baldy à prisão enquanto era secretário de transportes metropolitanos do estado de São Paulo, na época do ex-governador João Doria.

A decisão é da última sexta-feira, 06 de março de 2026.

No entendimento de Gilmar Mendes, relator do processo, a denúncia contra Baldy foi recebida baseada em provas declaradas nulas previamente pelo próprio STF.

A defesa de Baldy argumentou que os acordos de colaboração premiada celebrados por corréus no curso da investigação foram conduzidos por um juiz que não deveria ser o do caso.

O Diário do Transporte noticiou que em 18 de dezembro de 2020, Gilmar Mendes determinou que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) apurasse a atuação do juiz Marcelo Bretas, da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, na condução do processo que investiga o ex- secretário dos Transportes Metropolitanos da gestão João Doria.

Segundo Gilmar Mendes, Bretas teria se recusado por dois meses seguidos a cumprir a determinação de enviar o caso para a Justiça Eleitoral de Goiás.

Relembre:

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) determinou o trancamento de uma ação penal com base na investigação que levou atual executivo da BYD Alexandre Baldy à prisão enquanto era secretário de transportes metropolitanos do estado de São Paulo, na época do ex-governador João Doria.

A decisão é da última sexta-feira, 06 de março de 2026.

No entendimento de Gilmar Mendes, relator do processo, a denúncia contra Baldy foi recebida baseada em provas declaradas nulas previamente pelo próprio STF.

A defesa de Baldy argumentou que os acordos de colaboração premiada celebrados por corréus no curso da investigação foram conduzidos por um juiz que não deveria ser o do caso.

O Diário do Transporte noticiou a prisão na época.

Baldy foi preso em São Paulo no dia 06 de agosto de 2020, pela Operação Dardanários, um desdobramento da Operação Lava-Jato.

Segundo as investigações, Alexandre Baldy teria recebido R$ 2,6 milhões em propinas de dirigentes da organização social Pró-Saúde e da empresa Vermute, somente de 2014 a 2018.

Relembre: Juiz da Lava-Jato aceita denúncia e Alexandre Baldy se torna réu por suposto esquema de corrupção

O período coincide às épocas em que Baldy foi secretário de Indústria e Comércio de Goiás, nomeado pelo então governador Marconi Perillo (de 2011 a 2013), deputado federal pelo PSDB de Goiás (de 2014 a 2017) e Ministro das Cidades de Michel Temer (entre 2017 e 2018).

Dois dias depois, Gilmar Mendes suspendeu a ordem de prisão temporária determinada em primeira instância e Baldy respondeu em liberdade.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Mulheres são maioria no transporte público e ampliam presença também no serviço em Guarulhos

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Passageiras representam cerca de 60% dos usuários do transporte coletivo no Brasil

VINÍCIUS DE OLIVEIRA

O transporte público por ônibus permanece como pilar da mobilidade urbana no Brasil. De acordo com o Anuário NTU 2024–2025, em 2024, a oferta do serviço avançou 10,3%, enquanto o volume de passageiros transportados registrou crescimento de 9,8% na comparação com o ano anterior, reforçando a retomada da demanda no período pós-pandemia.
No recorte de gênero, dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos indicam que as mulheres representam cerca de 60% dos usuários do transporte coletivo urbano no país. Estudos do IBGE e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontam que elas realizam mais deslocamentos encadeados ao longo do dia, conciliando trabalho remunerado, cuidados com os filhos e tarefas domésticas, o que amplia a dependência do transporte público e reforça seu papel estratégico na promoção da equidade urbana.

Em Guarulhos, segunda maior cidade do Estado de São Paulo, o cenário acompanha essa tendência. Impulsionadas por políticas de diversidade, capacitação e inclusão no mercado de trabalho, as empresas operadoras associadas à Guarupass, entidade responsável pela bilhetagem eletrônica do município, como a Viação Urbana Guarulhos, Empresa de Ônibus Vila Galvão e Viação Campo dos Ouros, contam com aproximadamente 200 mulheres exercendo funções nas áreas administrativa, operacional e de manutenção.

Na própria Guarupass, a presença feminina também se destaca: 66 são mulheres, o que representa cerca de 77% do quadro de profissionais, atuando em diferentes áreas e contribuindo diariamente para a mobilidade urbana da cidade. “Garantir um transporte seguro, acessível e eficiente é assegurar que essas mulheres tenham autonomia, dignidade e oportunidades iguais na cidade. Nosso compromisso é seguir investindo em melhorias que atendam às necessidades reais das passageiras e promovam um sistema cada vez mais inclusivo”, afirma Márcio Pacheco, diretor executivo da Guarupass.

A segurança também é fator determinante nesse contexto. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que a percepção de risco nos deslocamentos urbanos é mais acentuada entre as mulheres, especialmente em trajetos noturnos e integrações. O investimento em iluminação adequada, monitoramento estratégico, capacitação permanente das equipes e canais de atendimento eficientes contribui diretamente para ampliar a sensação de proteção e confiança no sistema.

Para a Guarupass e as empresas operadoras, fortalecer o transporte público significa ampliar oportunidades e reduzir desigualdades. Ao investir em qualidade, segurança e inclusão, o sistema contribui para a autonomia econômica feminina e para uma mobilidade urbana mais justa e acessível.

Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

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A luta de Letícia Bufoni para superar preconceitos contra ‘esporte de menino’ e até maneira se vestir no skate: ‘Me criticaram muito’

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No dia 8 de março, é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data simboliza a luta histórica das mulheres em busca de condições iguais às dos homens e contra diversos tipos de preconceito contra o sexo feminino. Letícia Bufoni, uma das principais atletas do skate brasileiro, sofreu de perto no início da sua vida pessoal e esportiva.

Antes mesmo de virar uma ícone na modalidade, ela superou o preconceito de praticar um ‘esporte de menino’ e viu críticas direcionadas até mesmo o estilo. Precursora de um movimento que hoje tem Rayssa Leal como grande expoente, Letícia, em entrevista exclusiva à ESPN, relembrou sua trajetória com origem na Vila Matilde, Zona Leste de São Palo, o feito de ser pioneira no esporte e até virar uma empresária de sucesso.

Antes de chegar ao final, é preciso voltar para a sua infância, marcada por barulho de uma “maquita” cortando a madeira que mudou a sua vida. Poderia ser apenas um barulho de uma construção. Mas, para Letícia Bufoni, aos dez anos de idade, aquele som foi o estalo de um coração partido.

O pai, preocupado com a filha, que era a única menina entre os garotos da região onde moravam, decidiu dar um ponto final àquela “brincadeira de menino”. O shape foi reduzido a entulho. O choro durou a noite inteira.

Mas, no dia seguinte, a mesma menina que viu o sonho ser serrado ao meio, pegou um skate emprestado, montou as peças e voltou para a rua. Ali, o pai de Letícia entendeu: não era uma fase. Era um destino.

“Aquele dia, para mim, foi o fim. Achei que nunca mais ia voltar a andar. No dia seguinte, peguei um shape usado com um amigo e continuei. Foi quando meu pai viu que não ia ter jeito me proibir, que seria pior”, relembra Letícia.

Hoje, aos 32 anos, a skatista multicampeã olha para trás e percebe que aquele corte no shape foi apenas o primeiro de muitos preconceitos que precisaria “atropelar”. Se o início foi marcado pela solidão de ser a única menina do bairro, a maturidade a colocou no centro de uma revolução estética e cultural no esporte.

A “bolha” e a calça legging do escândalo

A trajetória de Letícia não foi apenas sobre acertar o kickflip perfeito. Foi sobre furar bolhas. Quando chegou aos Estados Unidos, aos 14 anos, ela não queria apenas ser mais uma competidora. Letícia queria ser ela mesma. E isso, em um ambiente ainda extremamente conservador e masculinizado, custou caro.

“As pessoas criticavam. Até as meninas que competiam comigo na época criticavam a forma como eu me vestia. Fui a primeira a aparecer com uma calça legging num campeonato internacional. Elas não estavam acostumadas com uma menina que vai para a pista feminina, arrumada, que sai em revistas de moda e fitness”, recorda.

Para Letícia, vestir-se de forma feminina não era uma vaidade fútil, mas um ato político. Ela queria mostrar que a habilidade sobre as quatro rodinhas não dependia de um uniforme pré-estabelecido.

“Eu sabia que aquilo era importante para mim e para o mundo do skate feminino. Faltava alguém mostrar que o caminho era possível”, pontua.

O “Efeito Rayssa” e o olhar de empresária

O sucesso avassalador de nomes como Rayssa Leal, a “Fadinha”, não é um acidente geográfico ou geracional. É fruto de uma estrada pavimentada com o suor de Bufoni.

Se hoje Rayssa é um fenômeno global de marketing e carisma desde cedo, é porque Letícia suportou o peso de ser a pioneira, abrindo caminhos para outros nomes no esporte.

“Eu demorei anos para conseguir o patamar que a Rayssa atingiu logo cedo. Eu vejo que tudo o que eu fiz foi necessário para que hoje chegasse uma Rayssa e pudesse explodir tão rápido”, reflete com generosidade.

Mas a visão de Letícia vai além das pistas. Há anos, ela mudou a lógica de sua carreira. Em vez de apenas emprestar a imagem para marcas, passou a exigir equity (participação societária). Tornou-se sócia-investidora, empresária e hoje preside a Comissão Técnica da World Skate.

Aposentada das grandes competições há um ano, ela não parou de andar. A pista que tem no quintal de casa é o lembrete diário de que o skate nunca foi só um trabalho.

O conselho para a Letícia de 10 anos

Se pudesse voltar àquela noite de choro de anos atrás, quando o skate estava partido no chão da sala, Letícia sabe exatamente o que diria para a criança que sonhava “baixo”:

“Eu nunca imaginei que viveria o que vivo hoje. Eu sonhei baixo para tudo o que aconteceu. O que eu digo é: nunca deixe ninguém dizer que você não pode porque é mulher. O lugar da mulher é em qualquer lugar. É só lutar muito e ser uma pessoa boa”, finaliza a skatista que, mais do que medalhas, coleciona tabus quebrados.

O skate de Letícia Bufoni não está mais cortado ao meio. Ele está inteiro, gravado na história e servindo de ponte para as próximas que virão.

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Maceió (AL) recebe 152 novos ônibus, entre “geladões” e “rapidões”, para a frota do transporte coletivo

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Investimento de mais de R$ 133 milhões traz modelos convencionais e articulados

ARTHUR FERRARI

A prefeitura de Maceió (AL) realizou neste sábado (07) a entrega de 152 novos ônibus equipados com sistema de refrigeração para reforçar o transporte coletivo da capital alagoana. A cerimônia ocorreu no estacionamento de Jaraguá e contou com a presença do prefeito, JHC, e do vice-prefeito e secretário de Infraestrutura, Rodrigo Cunha.

De acordo com a administração municipal, os veículos incluem 131 ônibus conhecidos como “geladões” e 21 unidades de maior capacidade chamadas de “rapidões”. A aquisição da frota está avaliada em mais de R$ 133 milhões.

Segundo o prefeito, a renovação faz parte de ações voltadas à melhoria do sistema de mobilidade urbana. “Viramos o jogo em Maceió. Agora, temos ônibus maiores e com janelões, cadeiras acolchoadas e com muito mais conforto e refrigeração”, disse JHC.

Os novos veículos passam a operar no sistema que atende 98 linhas da cidade e transporta cerca de 75 mil passageiros por dia. A prefeitura também informou que o reforço da frota ocorre em meio a programas de gratuidade no transporte público municipal.

Entre eles está o Passe Livre para estudantes. Até o fim de 2025, mais de 60 mil alunos utilizavam o benefício, número mais de 200% superior aos 27.900 registrados no início da atual gestão.

O prefeito também citou iniciativas de tarifa zero em dias específicos, como o Domingo Livre. “Para serem livres, as pessoas têm o direito de ir e vir com qualidade e segurança, em transporte de qualidade e com refrigeração”, afirmou JHC.

O vice-prefeito Rodrigo Cunha destacou o impacto da ampliação da frota climatizada no sistema da capital. “Estamos dando mais um passo importante para melhorar o transporte público em Maceió. Já são 132 geladões, com mais conforto e qualidade para quem depende do ônibus todos os dias. E agora também chegam os rapidões, veículos maiores e mais modernos, que vão reforçar o sistema. Ao todo, são mais de 150 ônibus climatizados entrando em operação, atendendo as 98 linhas da cidade e beneficiando cerca de 75 mil passageiros diariamente. É mais dignidade para quem utiliza o transporte público e mais um compromisso da gestão do prefeito JHC com a mobilidade da nossa cidade”, destacou Rodrigo Cunha.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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SuperVia altera grade horária para atender torcedores que irão acompanhar jogo entre Fluminense e Flamengo neste domingo (08)

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Imagem: SuperVia/Reprodução

Concessionária informa que para a ida ao Maracanã haverá reforço na operação dos trens sentido Central do Brasil

VINÍCIUS DE OLIVEIRA

Neste domingo, 08 de março de 2026, a SuperVia terá mudanças na operação para atender aos torcedores que forem assistir à final do Campeonato Carioca entre Fluminense e Flamengo, no Maracanã.

Para a ida, haverá reforço na operação dos trens sentido Central do Brasil.

Trens procedentes de Santa Cruz, Japeri e Saracuruna circularão com intervalo de 20 a 25 minutos entre 14h30 e 17h.

Após a partida, haverá viagens para Santa Cruz, Japeri e Saracuruna, a partir da estação Maracanã.

Confira os horários abaixo:

Santa Cruz: 20h25, 20h40, 20h55 e 21h10 (intervalo de 15 minutos)

Japeri: 20h24, 20h39, 20h54 e 21h09 (intervalo de 15 minutos)

Gramacho: 20h30, 20h50 e 21h10 (intervalo de 20 minutos)

A SuperVia também orienta que os passageiros programem suas viagens consultando a ferramenta “Planeje sua Viagem” no aplicativo da concessionária ou, em caso de dúvidas, entrem em contato com a Central de Atendimento pelo número 0800 726 9494.

A SuperVia lembra que a programação de trens extras pode sofrer alterações em virtude da dinâmica do evento.

Manutenções programadas do fim de semana dos trens da SuperVia

Domingo (08/03)

Ramal Santa Cruz

Das 10h às 19h, haverá manutenção programada na rede aérea no trecho entre as estações Santa Cruz e Paciência.

Ramal Deodoro

Durante toda a operação comercial, haverá manutenção programada na linha férrea no trecho entre as estações Olímpica do Engenho de Dentro e Riachuelo. Neste dia, trens com destino a Central do Brasil não realizam para nas estações Meier, Engenho Novo, Sampaio e Riachuelo. De acordo com a origem e o destino pretendido, os passageiros poderão realizar transferência nas estações São Francisco Xavier e/ou Olímpica do Engenho de Dentro.

Ramal Saracuruna

Durante toda a operação comercial, a circulação dos trens ficará apenas no trecho entre Central do Brasil e Gramacho por causa da manutenção programada na rede aérea.

Também não haverá operação dos ramais Vila Inhomirim e Guapimirim. A operação comercial será normalizada na segunda-feira, dia 09/03.

Ramal Belford Roxo

Durante toda a operação comercial, haverá manutenção programada na linha férrea no trecho entre as estações Jacarezinho e Pilares.

Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

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Russell vence GP da Austrália em final de semana dominante da Mercedes; Gabriel Bortoleto termina em 9°

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Está finalizada a primeira etapa da Fórmula 1 em 2026. Em temporada marcada por um novo – e polêmico – regulamento, quem se deu melhor no primeiro final de semana foi o britânico George Russell, da Mercedes. E a equipe alemã teve comemoração dupla, por conta da dobradinha com Kimi Antonelli. Charles Leclerc, da Ferrari, completou o pódio.

A primeira baixa da prova aconteceu antes mesmo da largada. Durante a volta de apresentação, Oscar Piastri, da McLaren, perdeu o controle do carro e bateu no muro de proteção. Além de ficar fora da corrida, manteve o curioso ‘azar’ dos australianos em Melbourne, que nunca conseguiram chegar ao pódio atuando em casa.

Conforme esperado, a largada da Ferrari deu o tom da prova. Mesmo largando em 4°, Charles Leclerc pulou para a liderança logo nas primeiras curvas. Lewis Hamilton, que começou em 7°, logo ficou na terceira posição. Por conta da nova mecânica dos carros e do gerenciamento de bateria, Leclerc e George Russell, que largou na pole position, se ultrapassaram várias vezes na primeira volta, alternando a liderança a todo momento para delírio do público.

Mas na volta 12, Isaack Hadjar, da Red Bull, teve um problema no motor e precisou abandonar a prova. Com o safety car virtual ativado, boa parte dos pilotos foi para os boxes, mas não os da Ferrari. Assim, apesar de uma liderança momentânea, Leclerc e Hamilton logo foram ultrapassados pelos carros da Mercedes.

Uma nova chance se abriu para a Ferrari na volta 18, quando Valteri Bottas quebrou e um novo safety car virtual foi acionado. Mas dessa vez, por conta da remoção do carro da Caddilac da pista, a entrada para os boxes foi fechada, prejudicanod a estratégia da scuderia italiana.

Daí para a reta final, as Ferraris não conseguiram mais se aproximar da Mercedes. George Russell administrou a segunda metade da prova com tranquilidade e confirmou a dobradinha com o italiano Kimi Antonelli sem dificuldades.

A única disputa na reta final foi de Max Verstappen com Lando Norris. Mas o atual campeão conseguiu sustentar a dianteira e não deixou o holandês tomar o 5° lugar na classificação final.

O brasileiro Gabriel Bortoleto foi muito bem e conseguiu pontuar logo na primeira corrida do ano. Pela Audi, Bortoleto largou em 10°, e apesar de perder duas posições na largada, logo iniciou a recuperação e retomou seu lugar na corrida. Nas últimas voltas, conseguiu boa ultrapassagem sobre Pierre Gasly, da Alpine, e terminou em nono lugar, com 2 pontos.

A próxima etapa da temporada será na próxima madrugada de sábado para domingo (14 para 15), no GP da China, com corrida Sprint e prova principal.

Classificação final do GP da Austrália

  1. George Russell (Mercedes)

  2. Kimi Antonelli (Mercedes)

  3. Charles Leclerc (Ferrari)

  4. Lewis Hamilton (Ferrari)

  5. Lando Norris (McLaren)

  6. Max Verstappen (Red Bull)

  7. Oliver Bearman (Haas)

  8. Arvid Lindblad (Racing Bulls)

  9. Gabriel Bortoleto (Audi)

  10. Pierre Gasly (Alpine)

  11. Esteban Ocon (Haas)

  12. Alexander Albon (Williams)

  13. Liam Lawson (Racing Bulls)

  14. Franco Colapinto (Alpine)

  15. Carlo Sainz (Williams)

  16. Checo Pérez (Caddilac)

  17. Lance Stroll (Aston Martin)*

  18. Fernando Alonso (Aston Martin)*

  19. Valtteri Bottas (Caddilac)*

  20. Isaack Hadjar (Red Bull)*

  21. Oscar Piastri (McLaren)*

  22. Niko Hulkenberg (Audi)*

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Pioneira no jornalismo para mobilidade fala da evolução dos transportes e lembra de casos como uma greve de ônibus de nove dias e do trem de São Paulo a Porto Alegre

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Regina Helena, à direita, nas ruas de São Paulo dos anos de 1980 em seu habitat natural (um terminal de ônibus em São Paulo) e à esquerda, nos dias de hoje

Com 50 anos de carreira, Regina Helena Teixeira Alonso está na ativa. Um dos ícones da comunicação dos transportes vem de uma escola onde jornalismo era feito na rua, junto com o povo

ADAMO BAZANI

São praticamente 50 anos comunicando sobre transportes.

Desde a época em que a CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), empresa pública de ônibus e gerenciamento da cidade de São Paulo, era referência mundial de mobilidade, passando pelas promessas e as frustrações da retomada da malha ferroviária nacional e como uma repórter raiz, farejando a notícia e estando junto ao povo, em campo, a jornalista Regina Helena Teixeira Alonso se tornou um dos ícones do jornalismo para os transportes, inspirando gerações e gerações seguintes, inclusive deste repórter que, ao ler muitas de suas matérias de arquivo, desfrutou de verdadeiras aulas sobre história do setor e sobre como é ser profissional de imprensa de verdade.

E, neste Dia Internacional da Mulher, o Diário do Transporte faz questão de homenagear, conversando com Regina, não somente as mulheres, mas a luta diária para o jornalismo de verdade “não morrer”.

Regina é de uma época na qual a participação feminina na mídia era ainda muito pequena e, nos transportes, praticamente nula.

A jornalista, em plena atividade e vigor, hoje proprietária da “Ponto Final Consultoria e Assessoria de Imprensa e Comunicação”, com 72 anos de idade e “três netos maravilhosos” como faz questão de ressaltar, começou em 1976 no Jornal da Tarde, jornalístico da capital paulista pertencente ao Grupo de O ESTADO de S.PAULO.

Regina lembra que, na vanguarda, o JT (como era conhecido o jornal) já tinha uma participação feminina, mas não em todas as editorias. Inicialmente, mais na área de Variedades e algumas nas áreas de Política, Economia e Geral.

“Lugar de repórter é na rua. E foi nas ruas que fiz reportagens com passageiros dos ônibus urbanos, acompanhei os trabalhos de escavação, construção e, posteriormente, inauguração de várias estações metroviárias, acidentes com trens das extintas FEPASA e Rede Ferroviária Federal e greves do transporte coletivo, com todo o caos gerado em uma cidade com crescimento urbano acelerado e desordenado. Um tempo de uso de máquinas de escrever e BIPs, para quem não sabe, um dispositivo usado pelas redações para enviar mensagens curtas aos repórteres que, na sequência, entravam em contato com as chefias por meio dos “orelhões”. Carregávamos dezenas de fichas telefônicas. Pesquisas eram feitas no arquivo do jornal, em antigos jornais e revistas, para se inteirar dos fatos passados.  Manual de redação e dicionários eram companhias obrigatórias. Mas era um tempo de competentes revisores nas redações. O processo era mais lento, mas também mais trabalhoso e gratificante.” – é assim que Regina Helena resumiu como era e, usufruindo e utilizando as atuais ferramentas tecnológicas, como sempre deve ser o jornalismo: retratar a realidade, o interesse é do fato em si, o propósito, é a informação pela informação.

IA (Inteligência Artificial), Wikipédia, Google, Chat GPT,clippings facilitados….tudo isso é válido, mas só como ferramenta.

Porque jornalismo pode ter de tudo….menos do artificial. É a razão que não deixa de se emocionar. É o olhar técnico que não deixa de ter a empatia. É a neutralidade que não deixa de se apaixonar, de se indignar…

Regina lembra de fatos memoráveis dos transportes que ela não só viu, mas vivenciou e, como jornalista, ajudou a escrever e deixar registrados na história, como uma greve de ônibus de nove dias em São Paulo e da viagem do trem de São Paulo a Porto Alegre

Cobri muitos fatos marcantes, como a expansão dos ônibus clandestinos e a municipalização dos transportes na gestão de Luíza Erundina. Atuei no período de privatização da CMTC.  Um dos episódios que mais me marcou foi a greve dos motoristas de ônibus em 1992, que parou a cidade de São Paulo por nove dias, com mais de 800 ônibus depredados e milhões de passageiros prejudicados. Outro, foi uma viagem de trem de São Paulo a Porto Alegre, época de planos federais para expansão da malha ferroviária de transporte de passageiros. É interessante ver a evolução da tecnologia no transporte público. Acompanhei a operação dos primeiros ônibus articulados e biarticulados. E experiências que não tiveram continuidade como os ônibus de dois andares e os ônibus movidos a gás natural.  

A pedido e, com insistências, deste repórter, Regina enviou ao Diário do Transporte um breve e delicioso relato muito mais que se sua carreira, mas de como evoluiu a mobilidade e o jornalismo para transportes.

Logo abaixo, o Diário do Transporte relembra uma de suas matérias marcantes: sobre os ônibus clandestinos que se tornaram depois lotações, em seguida, cooperativas, e hoje são poderosas empresas na cidade de São Paulo.

HISTÓRIA DE 50 ANOS DE JORNALISMO PARA OS TRANSPORTES

O transporte urbano mudou? Nestes quase 50 anos de atuação no setor, principalmente na cidade de São Paulo, a resposta é sim. Houve avanços significativos no planejamento operacional, na tecnologia veicular, na forma de controle do número de passageiros transportados e na própria comunicação entre poder público, empresas operadoras e os clientes do serviço de transporte coletivo urbano.

Nos anos 70, havia uma disputa quase irracional entre as empresas pelo passageiro, já que elas dependiam da tarifa para cobrir os custos operacionais (situação que persiste em algumas cidades).  A consequência eram linhas com superlotação de veículos, regiões da cidade mal atendidas, itinerários mal planejados e passageiros insatisfeitos.

Os avanços, em São Paulo, começaram na década de 80, com a separação da tarifa paga pelo passageiro da tarifa de remuneração, paga às empresas pela prestação dos serviços, melhor planejamento das linhas e melhor atendimento das áreas mais periféricas da cidade. No entanto, o transporte público continua relegado a disputar espaço no sistema viário. Não há modernização da frota, agora com adoção de veículos ambientalmente sustentáveis, que consiga vencer a barreira dos congestionamentos de trânsito que provocam atrasos na operação dos ônibus, fazendo o passageiro perder tempo desnecessário nos seus deslocamentos.

Voltando agora aos anos 70, comecei no jornalismo estagiando na Gazeta de Santo Amaro, em 1974, quando cursava a antiga faculdade de Comunicação Objetivo, hoje, UNIP. A decisão de ser jornalista veio cedo, ainda no final do curso ginasial, hoje ensino fundamental. Não pensava em outra opção. E não foi nada fácil convencer a família de que essa era a profissão escolhida. Gostava de ler, gostava de escrever e, desde cedo, lia os jornais impressos que meu pai levava para casa.

Em 1976, me candidatei para cobrir férias no Jornal da Tarde (do grupo O Estado de S. Paulo), na editoria de Variedades. Em 1977, fui efetivada na Geral do JT, para cobertura de cidades. O repórter Randau Marques (falecido em 2020) estava deixando a cobertura de transporte e trânsito para se dedicar a reportagens sobre meio ambiente. Foi quando comecei a atuar nesse setor, onde venho trabalhando há quase 50 anos. Mas na Geral do JT, onde permaneci de 1977 a 1992, também fazia reportagens sobre patrimônio histórico, enchentes, administração pública, urbanismo.

Lugar de repórter é na rua. E foi nas ruas que fiz reportagens com passageiros dos ônibus urbanos, acompanhei os trabalhos de escavação, construção e, posteriormente, inauguração de várias estações metroviárias, acidentes com trens das extintas FEPASA e Rede Ferroviária Federal e greves do transporte coletivo, com todo o caos gerado em uma cidade com crescimento urbano acelerado e desordenado.

Um tempo de uso de máquinas de escrever e BIPs, para quem não sabe, um dispositivo usado pelas redações para enviar mensagens curtas aos repórteres que, na sequência, entravam em contato com as chefias por meio dos “orelhões”. Carregávamos dezenas de fichas telefônicas. Pesquisas eram feitas no arquivo do jornal, em antigos jornais e revistas, para se inteirar dos fatos passados.  Manual de redação e dicionários eram companhias obrigatórias. Mas era um tempo de competentes revisores nas redações. O processo era mais lento, mas também mais trabalhoso e gratificante.

A redação do Jornal da Tarde já tinha uma representatividade feminina nos anos 70, com mais mulheres na área de Variedades e algumas nas áreas de Política, Economia e Geral. Ano a ano o número de mulheres na redação foi aumentando. Já no setor de transportes de passageiros a presença feminina era quase inexistente, tanto nas áreas técnicas e administrativas, como na operação.

Depois do Jornal da Tarde, trabalhei na Comunicação da extinta CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), na SPTrans (São Paulo Transporte), na EMTU (Empresas Metropolitana de Transportes Urbanos) e, de 2013 a 2020, diretamente no SPUrbanuss (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo). Interessante ter a visão de três lados diferentes do mesmo setor.

Cobri muitos fatos marcantes, como a expansão dos ônibus clandestinos e a municipalização dos transportes na gestão de Luíza Erundina. Atuei no período de privatização da CMTC.  Um dos episódios que mais me marcou foi a greve dos motoristas de ônibus em 1992, que parou a cidade de São Paulo por nove dias, com mais de 800 ônibus depredados e milhões de passageiros prejudicados. Outro, foi uma viagem de trem de São Paulo a Porto Alegre, época de planos federais para expansão da malha ferroviária de transporte de passageiros.

Uma das greves de ônibus mais longas de São Paulo ficou na história da cidade

É interessante ver a evolução da tecnologia no transporte público. Acompanhei a operação dos primeiros ônibus articulados e biarticulados. E experiências que não tiveram continuidade como os ônibus de dois andares e os ônibus movidos a gás natural.

Hoje, a participação da mulher no jornalismo é muito mais expressiva, e isso é ótimo! Temos ótimas profissionais atuando, especialmente na cobertura da área de transportes. A mídia especializada, como o Diário do Transporte, faz um trabalho importante, aprofundando os assuntos e dando voz aos profissionais do setor.

Numa época, era possível ir de São Paulo a Porto Alegre de trem

Minha recomendação para os profissionais de jornalismo que ingressam no mercado: leiam muito (bons livros, de grandes escritores, e não postagens na internet), sejam curiosos, persistentes e apaixonados pelo que fazem. E que não tenham medo de perguntar e aprender.

Esta reportagem de Regina Helena foi fundamental para uma matéria do Diário do Transporte de 22 de janeiro de 2022, intitulada “HISTÓRIA: Quando os ônibus clandestinos viraram lotação em São Paulo”

Já a publicação de Regina foi 20 anos antes, em novembro de 1992, da revista Carga & Transporte, assinada pela jornalista Regina Helena Teixeira, retratando o momento em que os clandestinos viraram lotação. – Relembre clicando neste link, com várias fotos:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Fonte

Tarcísio inaugura a maior planta de biometano do Brasil em Paulínia (SP) e fala em “aposentar o diesel”. Cerca de mil ônibus podem ser beneficiados

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Empreendimento é parceria da Edge e Orizon. Veículos pesados estão entre os alvos da indústria deste tipo de combustível. Estado diz que vai superar a marca de 800 mil m³/dia até dezembro de 2026

ADAMO BAZANI

OUÇA:

O governador Tarcísio de Freitas, disse que São Paulo tem potencial para ser o primeiro estado brasileiro a aposentar o óleo diesel para a mobilidade urbana.

O discurso foi feito durante inauguração do que classificou como a maior planta de biometano do Brasil, neste sábado, 07 de março de 2026, em Paulínia, no interior paulista.

Para que isso seja realidade, segundo O governador, são necessários incentivos a alternativas energéticas como o combustível obtido na decomposição de resíduos.

“A mobilidade urbana, olha o potencial que nós temos. São Paulo pode ser o primeiro estado da federação a aposentar o diesel. E isso tem um valor enorme, um impacto enorme. Sonho? Não. Possibilidade que vem da ousadia. É possível a gente substituir o diesel? Claro que é. Criando os incentivos corretos, a gente vai acelerar esse fato”

A planta da OneBio, instalada em um Ecoparque que substitui um antigo aterro sanitário tem capacidade nominal de 225 mil m³/dia, o que representa um terço da capacidade instalada em território paulista e o equivalente ao consumo de mais de 1.000 ônibus urbanos, segundo o Governo, por meio de nota ao Diário do Transporte. O volume de produção inicial é de 50% da capacidade e deve atingir a operação plena ao longo de 2026. O empreendimento é resultado de uma parceria entre a Edge, controladora do investimento com 51% da participação, e da Orizon Valorização de Resíduos, com 49%.

A capital paulista, para cumprir as metas de redução de poluição, colocou o biometano como uma das alternativas ao avanço abaixo do esperado da frota de ônibus elétricos principalmente por falta de infraestrutura da rede de distribuição da ENEL. Há estimativa de até 2028 da inclusão de ao menos 200 coletivos com este combustível. A Sambaíba, viação que opera na zona Norte, desenvolve um projeto de teste com ônibus que eram a diesel, quando saíram de fábrica, e foram convertidos em biometano/GNV.

Segundo o governo paulista, o estado se prepara para superar a marca de 800 mil m³/dia até dezembro de 2026. Ainda de acordo com a gestão Tarcísio, estudo contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), com apoio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística concluiu que o potencial de produção de biometano no estado é de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), podendo gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, impulsionando uma nova cadeia industrial de equipamentos e serviços.

Ainda de acordo com o levantamento, a substituição parcial de combustíveis no transporte tem potencial de redução de até 16% nas emissões de carbono em comparação ao óleo diesel.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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CPTM terá alterações operacionais neste domingo (8) em linhas da Região Metropolitana de São Paulo

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Mudanças afetam as linhas 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade para obras de manutenção e modernização da infraestrutura ferroviária

YURI SENA

Os passageiros que utilizam as linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) devem ficar atentos às alterações operacionais programadas para este domingo, 8 de março de 2026. As mudanças ocorrem para a realização de obras de manutenção, inspeções técnicas e modernização da infraestrutura ferroviária em diferentes trechos do sistema.

Na Linha 10-Turquesa, entre 8h e 17h, a circulação de trens entre as estações Luz e Palmeiras-Barra Funda estará interrompida. Como alternativa, os passageiros podem utilizar a Linha 11-Coral para completar o trajeto.

Ainda na Linha 10-Turquesa, durante toda a operação comercial, das 4h à meia-noite, os trens no sentido Palmeiras-Barra Funda não prestam serviço na Estação Prefeito Saladino. Passageiros que desejam desembarcar no local devem seguir até a Estação Utinga e retornar no sentido oposto. Já para quem pretende embarcar em Prefeito Saladino, a orientação é seguir até a Estação Prefeito Celso Daniel-Santo André e utilizar a plataforma oposta para retornar.

Nesse mesmo período, os trens realizam embarque e desembarque pela plataforma 2 nas estações Capuava e Utinga. Entre 4h e 6h, no sentido Palmeiras-Barra Funda, a Estação Tamanduateí também opera com embarque e desembarque pela plataforma 2. As intervenções ocorrem para lançamento de cabo mensageiro na rede aérea, atuação em chaves seccionadoras e retirada de dormentes inservíveis.

Na Linha 11-Coral, das 8h às 20h, os passageiros devem utilizar a plataforma 2 nas estações Corinthians-Itaquera, Dom Bosco e José Bonifácio. Já entre 23h30 e meia-noite, o embarque e o desembarque passam a ocorrer pela plataforma 1 nessas mesmas estações. As alterações são necessárias para levantamento topográfico e continuidade da inspeção em três túneis da linha.

Na Linha 12-Safira, durante toda a operação comercial, os trens utilizam a plataforma 1 nas estações Itaquaquecetuba e Engenheiro Manoel Feio. A mudança ocorre para a substituição de cabos de cobre por cabos de alumínio na rede aérea.

Já na Linha 13-Jade, entre 8h e 20h, os passageiros devem embarcar e desembarcar pela plataforma 2 nas estações Guarulhos-Cecap e Aeroporto-Guarulhos, e pela plataforma 4 na Estação Engenheiro Goulart. As alterações são necessárias para inspeções nos equipamentos da rede aérea, chaves, linhas de transmissão, isoladores de secção, postes e demais estruturas ao longo da linha.

O Serviço Expresso Aeroporto também terá alteração neste domingo. O intervalo entre as viagens será de uma hora durante toda a operação, das 5h à meia-noite.

A CPTM informa que colaboradores estarão disponíveis nas estações para orientar os passageiros. As mudanças operacionais também são comunicadas por avisos sonoros, painéis eletrônicos e sinalização nas estações.

Yuri Sena, para o Diário do Transporte

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Gui Santos bate recorde na carreira, mas Thunder supera os Warriors na reta final

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Um jogo para ninguém botar defeito na sexta-feira de NBA. O atual campeão Oklahoma City Thunder venceu o Golden State Warriors por 104 x 97 e se tornou a primeira equipe a conseguir 50 vitórias na temporada. O cestinha da partida foi Shai Gilgeous-Alexander, mas o nome da noite foi Gui Santos, por GSW.

O ala teve a maior pontuação da carreira: 22 pontos, sendo o primeiro brasileiro desde Raulzinho, em 2022, a passar da casa dos 20 pontos. Para coroar a noite, também conseguiu 11 rebotes, 3 assistências e 2 roubos de bola.

O Thunder começou a partida com bom aproveitamento no perímetro em bolas de Isaiah Joe e Cason Wallace. Rapidamente os Warriors responderam com Draymond Green, também na linha dos três pontos. Mas os donos da casa estavam melhores na defesa e nos rebotes, e logo abriram frente mais uma vez. Foi então que Gui Santos começou a pontuar na partida. O brasileiro anotou oito tentos praticamente seguidos, com bola de três pontos, tapinha em rebote e boa jogada no garrafão. Ainda assim, OKC manteve duas posses de liderança.

No segundo período, Oklahoma manteve a liderança, aproveitando principalmente os erros dos Warriors, que geraram uma série de contra-ataques e pontos fáceis. Os californianos, porém, se mantiveram na partida com Gui Santos e Podziemski nas bolas longas.

Após o intervalo, os Warriors estavam melhores. Rodando melhor a bola e reduzindo o número de erros, os comandados de Steve Kerr reduziram a diferença para oito pontos, obrigando o Thunder a pedir tempo. Mas as orientações não surtiram efeito, muito porque o cenário do jogo se inverteu. Agora eram os Warriors quem forçavam erros que geraram pontos fáceis, até o empate em 77 pontos, com Malevy Leons.

Mas logo no início do último período o Thunder anotou três bolas seguidas do perímetro, e os Warriors não conseguiram acompanhar. A reação foi lenta, mas aos poucos GSW conseguiu encostar novamente no placar, ficando a apenas uma posse nos minutos finais. Gui Santos seguiu como um dos jogadores mais consistentes dos visitantes, apesar do aproveitamento ruim dos três pontos.

No minuto final, entretanto, Shai Gilgeous-Alexander mostrou o porquê é o atual MVP da liga e conseguiu uma bela bola de três pontos após um stepback na frente de Draymond Green, dando números finais ao jogo: 104 x 97.

Próximos jogos

O Thunder volta às quadras na segunda-feira (09), às 20h30 (de Brasília), contra o Denver Nuggets, com transmissão da ESPN e pelo Plano Premium do Disney+. Já os Warriors jogam um pouco mais tarde, às 22h (de Brasília), contra o Utah Jazz.

Estatísticas

  • Shai Gilgeous-Alexander: 27 pontos, 5 rebotes e 5 assistências;

  • Isaiah Joe: 18 pontos, 4 rebotes e 3 assistências;

  • Kenrich Williams: 13 pontos e 7 rebotes;

  • Gui Santos: 22 pontos, 11 rebotes e 3 assistências;

  • Brandin Podziemski: 17 pontos, 6 rebotes e 6 assistências;

  • Draymond Green: 16 pontos, 4 rebotes e 5 assistências;3

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